Letras
Neria Néria Néria.
Néria do norte
tem cheiro do mar
e deu nome ao lar (o nome Moçambique vem de lá)
Neria nasceu audaz
Nasceu para a paz
felicidade de seus pais
Que atacavam seu cais
O sol brilha a sua volta
O sol põe-se ao seu olhar
O seu corpo desenha as suas terras
que os homens desejam segurar
NÉRIA LINDA;
NÉRIA QUERIDA;
TERRA MINHA
MACUA QUERIDA (2X)
Néria não te deixes levar
Não deixes que os ventos parem de soprar
Não deixes que em tua terra
não queiram mais plantar
faz me feliz Nampula
NÉRIA LINDA;
NÉRIA QUERIDA;
TERRA MINHA
MACUA QUERIDA (2X)
É incrivel a beleza
Inconfundivel de nampula
Beleza natural ya 100% pura
O sol que fortalece cada dia que amanhace ya,
Eu posso ate dizer
Quem conhece nunca esquece
Grande Néria terra mãe que viu
Nascer Zena abacar
É verdadeira Deusa do muciro a desfilar
Em nacala tem um porto ya, comercio sem parar
O país precisa disso só assim pode avançar
Das praias ja não falo, o mudo ja conhece
Melhor lugar do mundo para aliviar o stress
Na ilha a fortaleza é o orgulho da nação macua
100% Nampula no coração yeh yeh
Neria têm em si uma ilha
Onde a cultura se deixou semear
Neria é um porto seguro
Onde o homem
Quer plantar ah....
Neria é macua
Nasceu para amar
Seus amigos receber
Todo mundo tem que saber
NÉRIA LINDA;
NÉRIA QUERIDA;
TERRA MINHA
MACUA QUERIDA (2X)
segunda-feira, 29 de março de 2010
Neyma ft Nuno Abdul - "Neria"
segunda-feira, 22 de março de 2010
Lira desconstrói mitos no Big Brother

Dama Bete, Estrela Mocambicana na diaspora!
A primeira vez que pisa um palco é com o seu primeiro grupo de música, as Blacksystem, no IPJ do Oriente. Na altura com 16 anos. A duração do grupo é de apenas dois anos. Aos 18, Dama Bete, inicia a sua carreira a solo, e cria uma comunidade na Internet, a HipHop Ladies, como forma de expandir o hip-hop feminino. Cria mais tarde um novo conceito – as festas hip-hop ladies.
DAMA BETE - Já
segunda-feira, 15 de março de 2010
Com Stewart Sukuma na liderança Artistas idealizam “O Ano da Marrabenta”
2010 Ano da Marrabenta
Vídeo: Xitchuketa Marabenta [Não oficial]
Musica e Letra de Stewart Sukuma
Arranjos e todos instrumentos excepto Soprano Nelton Miranda soprano Muzila
Coros: Cizaquel Matlombe e Filo Cambula
Concepção do Vídeo: Agostinho Uanicela
Edição: Agostinho Uanicela
Recordando-lhe a citação acima, perguntei ao músico se ainda mantinha este pensamento. Stewart disse que a música é um instrumento poderosíssimo de comunicação. Podemos sim juntar o útil ao agradável (comunicar e dançar)...algumas pessoas, mas poucas, já valorizam o facto das músicas terem uma mensagem consistente e objectiva...ainda é uma minoria... a persistência pode ser uma arma para a mudança, o problema é que as pessoas querem resultados imediatos...eu não negoceio a minha música...
Conheça outros trabalhos de Stewart Sukuma aqui, aqui e aqui
Saiba mais sobre André Cabaço
Artistas da Gpro nos Tops
Vote nos artistas Gpro que concorrem para os Awards do Programa Impulso, Top da Rádio Cidade e Top TNT da Rádio Sfm. Para votar na música Karaboss como música do ano no Impulso escreva no seu campo de mensagens: M (espaço) 6 e envia para 820209. Para votar no G2 como produtor do ano basta depositar seu voto na caixa de votação http://impulsocidade.blogspot.com/ Para votar na música Karaboss do Duas Caras no top rádio cidade escreva no teu campo de mensagens C (espaço) 54 e envie para o 820209. Para votar na música Deixa-te levar do G2 que também está a concorrer no top Rádio Cidade escreva no teu campo de mensagens C (espaço) 53 e envie para o 820209. Pode também efectuar a votação online no site da Rádio Cidade Para o top TNT basta deixar o seu voto na caixa de votação do blog do Minó dos Santos. Lembrar que G2 produziu todo o prelúdio para Moment2, os êxitos Desabafo de um recluso, És meu da Lizha James e a música Karaboss do Duas Caras.
José Mucavele prepara festa dos 60 anos
segunda-feira, 1 de março de 2010
Bob Love em produção independente intitulada “Kudhya Nkupisaka”

O jovem cantor Bob Love, Marcos Fernando Alcolete, de seu nome verdadeiro, está em estúdio a preparar o seu segundo álbum a solo, desta vez numa produção independente, algo que nos últimos tempos tem sido prática de muitos músicos.
Intitulado “Kudhya Nkupisaka” (ou “quem procura acha”), o álbum de 14 temas vai incluir alguns temas seus, extraídos de colectâneas do projecto “Moz Beat”, tais como, “Kufunana”, “Tchitsuo”, “Mamunanga”, “Toma Bhwera”, “Matchebebe”, este último pertencente ao seu primeiro disco.
Bob Love afirma que não vai fugir à sua linha, mas promete trazer novos ritmos no seu novo álbum, que será lançado ainda no presente semestre.
“Kudhya Nkupisaka” vai trazer ritmos tais como “Utse”, típico da província de Sofala, afro-zouck, marrabenta, afro-funk e kizomba.
Depois da fraca divulgação do seu primeiro álbum a solo, “Nyimbo za Uzimu”, editado pela Indico Music que, segundo Bob Love, por motivos desconhecidos, não esteve disponível no mercado, Love traz para 2010 um diferencial no seu segundo álbum.
Bob Love promete revolucionar o seu álbum com a recreação de alguns temas do músico italiano Eros Ramazotti, tal é o caso da música “Cose dela vita”, e “Un altra te”.
Natural de Caia, província de Sofala, Bob Love, que actualmente reside na cidade da Matola, já colocou no mercado, para os seus fãs, o vídeo do single “Mokolopoto Moçambique”, tema que vai fazer parte do seu segundo álbum.
24 Fevereiro 2010
O Pais
Ivo Mahel em busca da Europa
Ivo MahelUm dos artistas mais importantes do actual panorama musical moçambicano acaba de regressar da terra lusa, onde foi fazer uma prospecção de mercado. Ivo Mahel, que nunca se cansou de anunciar a sua vontade de experimentar a vida artística naquele lado do globo, continua a batalhar por um lugar privilegiado na indústria musical europeia, onde sonha em se fixar de vez.
A entrevista, em plenas instalações do nosso jornal, decorreu sem grandes sobressaltos, com o artista a falar dos resultados da sua digressão em Portugal e dos caminhos que conseguiu abrir.
Logo no início, quisemos saber como foi o contacto de Ivo Mahel, habituado a fazer da música a forma superior de expressão, com as entrevistas nas rádios e televisões portuguesas, onde a arte é falar.
O artista reagiu bem à nossa provocação, ao compreender que o encaramos como um artista que não verga à polémica e que não receia dizer o que lhe vai na alma, sobretudo quando as coisas andam mal.
Mahel, cuja escalada a Portugal foi conseguida pela sua actual agência “Júlio Rito e Filhos”, contou-nos que esteve na Rádio Difusão Portuguesa (RDP-África) com o radialista Nuno Sardinha, com quem gravou uma entre-vista para a rádio e para a televisão, a Rádio Televisão Portuguesa (RTP-África). Participou, posteriormente, no Telejornal da RTP 1, onde esteve com “As Fofas”, um grupo feminino liderado pela moçambicana Duda.
Nessas entrevistas, o artista falou de si e do seu trabalho, mas também dos novos projectos que tem na manga. Mahel juntou-se com a Duda na criação do projecto “Moçambique-Portugal”, um projecto que deu lugar a uma música sobre saudade.
Em Junho do próximo ano, Ivo Mahel espera regressar a Portugal, onde se vai encontrar novamente com artistas como Élvio, Mikael Carreira e Gaby, este último líder dos “Irmãos Verdade”. “Temos projectos que esperamos dar continuidade”, referiu.
Ivo Mahel e Mikael Carreira juntaram-se para desenvolver uma música baseada no estilo de Rick Martin, pois ambos são fãs assumidos daquele artista.
Para além dos contactos de trabalho, Mahel teve a oportunidade de visitar a mãe e descobrir familiares que antes não conhecia. “Afinal o meu pai espalhou muitos filhos pelo mundo”, contou.
“Em Portugal, tive a oportunidade de estar nas avenidas de Moçambique, da República Popular de Moçambique e 24 de Julho, um sinal inequívoco de que aquele país está disposto a acolher os moçambicanos”, frisa.
Savana - Cultura
Escrito por Armando Nenane
Moçambique estara no Mundial 2010
Natural de Inhambane, sul de Moçambique, o saxofonista recebeu um convite da Federação Portu-guesa de Futebol para integrar a selecção das Quinas para o Mundial 2010. Do lado moçambicano, Otis é convidado do Ministério do Turismo para promover a imagem e as potencialidades turísticas da chamada “Pérola do Indico” durante a prova a decorrer em Junho.
O “Sons da Distância” conta com a participação de mais de cinco músicos lusófonos, de entre eles Manecas Costas (Guiné-Bissau), André Cabaço e Otis (Moçambique), Mariza e Tito Paris (Cabo-Verde) e Paulo de Carvalho (Portugal).
Quem é Otis
Pouco conhecido na sua própria terra, Otis é um dos poucos artistas moçambicanos que escolheram Portugal para seguir uma carreira musical. Filho de um maestro, Otis cresceu em Inhambane ouvindo o som de vários estilos musicais e esteve na escola de música local aproximadamente 10 anos. Actual-mente, é considerado um dos saxofonistas mais sonantes a residir e a actuar em Portugal. Com seis discos editados, sendo o último intitulado “In the House”, lançado em 2008, Otis é figura de eleição para representar Portugal em muitos eventos. Como irá faze-lo na África do Sul quando em Junho se jogar o Mundial de Futebol.
Em 1975 mudou-se para a capital Maputo, onde integrou vários grupos, até ficar efectivo na banda da Rádio Moçambique, durante seis anos. Com a banda, o “saxman”, como lhe chamam, integrou uma digressão em 1978 que percorreu países como Cuba, Alemanha e Checoslováquia.
A viragem para o House
Seguiram-se as colaborações com Paulo de Carvalho (quatro anos), Miguel & André (três anos), João Portugal (um ano) e Beto (um ano). O cabo-verdiano Tito Paris tembém o chamou. “Desenvolvi mais a ‘world music’ e conheci o outro lado do mundo, de Hong Kong a Madagascar. Sou um previlegiado”, admite. Vieram também convites de Rui Veloso. E até de Dulce Pontes, que em 1997, o desafiou a tocar consigo em Nova Iorque num concerto para o representante máximo da Organização das Nações Unidas, Kofi Annan.
Mas o admirador de jazz e dos saxofonistas Grover Washington Junior, Dave Kose e Kenny G (o que mais discos vendeu até hoje: 30 milhões) também é autor e compositor. O seu quinto disco, “Olhar para Trás”, a fixar o espelho do tempo e a perspectivar a carreira; conta com colaborações de uma cantora alemã de jazz ou das coristas Dora & Sandra, dos Delfins. Nos discos anteriores de Otis, participaram igualmente Nucha, Paulo de carvalho e os Anjos, entre outros.
Ultimamente, o saxofonista de Inhambane tem-se dedicado mais ao House, fazendo duplas com Djs em bares, discotecas ou casinos de Norte a Sul de Portugal. “Sempre me abri à fusão de estilos, influên-cias e novas tendências. É outra etapa da minha evolução como músico, e estou a gostar!”, concretiza. Aliás, seu último trabalho discográfico chama “In the House”. Nome sugestivo.
Lizha e Bang a caminho de Dubai
O país parou para assistir ao casamento de Lizha James e Bang, na última sexta-feira (20.02.2010).
Nunca se viu tanta limousine junta, numa festa de casamento: eram seis no total, quatro dos noivos, uma de ziqo e outra do casal Gilberto Mendes. O branco foi a cor predominante, sendo não só o “dress code”, mas também a cor decorativa do salão, uma vez que se tratava de um casamento temático, sendo a paz, o tema.
Lizha escolheu para padrinhos Aiuba Cuereneia e esposa, enquanto Bang, escolheu Fernando Fazenda, embaixador de Moçambique na África do Sul, e esposa. Foi através deste último, aliás, que o país ficou a saber que o casal Lizha e Bang vai passar a lua-de-mel nos Emiratos Árabes Unidos, mais precisamente no Dubai.
Segunda, 22 Fevereiro 2010
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
MBIRA - instrumento tradicional de Moçambique
Este instrumento é mais conhecido por CHITATA ,SANSI,CASSASSE,KALIMBA ou MALIMBA dependendo das regiões e da lingua local fazendo parte dos instrumentos idiófonos afinados Leia Mais…
Chimoio capital da cultura
O VI Festival Nacional de Cultura pretende-se que seja o momento mais alto de celebração e exaltação da cultura moçambicana, no objectivo de preservar, desenvolver as artes, a cultura e as tradições das diferentes comunidades e criar uma plataforma de interacção, intercâmbio e de divulgação do rico e diversificado património cultural do país.
Além de promover a preservação e divulgação da cultura, artes e tradições populares, incrementando-se o seu conhecimento para que sejam continuamente usados como referência na criação e recriação de obras contemporâneas, o VI Festival Nacional da Cultura será igualmente, um momento de promoção do estudo, recolha, preservação e divulgação do património cultural moçambicano nas suas diferentes vertentes.
Pretende-se igualmente, fazer do festival, um momento de inventariação e actualização do Catálogo de Instrumentos de Música Tradicional de Moçambique, bem assim de divulgação e partilha das principais constatações, conclusões e Recomendações da II Conferência Nacional sobre Cultura, realizada ano transacto em Maputo.
A partir do festival do Chimoio, o Governo pretende mobilizar todos os actores sociais, políticos, económicos e segmentos da sociedade para a importância da cultura como factor do desenvolvimento social e económico. Quer incentivar o desenvolvimento da criatividade e promoção das indústrias culturais e sustentar a protecção da Propriedade Intelectual.
Sendo uma realização de massas, consta das perspectivas do Governo, a mobilização e consciencialização das comunidades para prevenção e combate ao HIV/SIDA e outros males que enfermam a sociedade.
Informações disponíveis dão conta que tomarão parte na fase final do VI Festival Nacional da Cultura, cerca de 880 participantes entre artistas e oficiais acompanhantes, provenientes de todas as províncias do país.
Para o efeito, decorrem de 4 a 28 de Fevereiro corrente, as inscrições dos participantes, junto dos Serviços Distritais da Educação Juventude e Tecnologia.
De acordo com o programa oficial em nosso poder, de 27 de Março a 4 de Maio próximos, decorrerá a fase distrital de apuramento dos grupos e de 17 a 25 de Maio fase provincial do qual sairão os representantes das 11 províncias que compõem a divisão administrativas do país.
Feito isso, a cidade de Chimoio, irá acolher de 27 Julho a 01 Agosto, realização da fase final, na qual além de espectáculos públicos de teatro, música, dança, cinema, serão realizadas exposições/feiras de venda de produtos culturais: livro, disco, fotografia, arte e artesanato, vídeo-documentários, filmes, culinária e roupa/vestimentas moçambicanas.
João Fumo
Notícias
Chico da Conceição
Chico da Conceição é o maior Saxofonista da história da musica Moçambicana.Tornou-se deficiente Visual desde o dia da Independencia de Moçambique. Com o produtor julio Silva conseguiu ser conhecido Além fronteiras.
Jah Bee : Um intervencionista em dívida
O CONHECIDO músico beirense, Alfredo Binda, ou simplesmente Jah Bee, está a trabalhar para, segundo disse, “pagar uma divida” que tem para com seus fãs, pois passam quatro anos após a selagem do primeiro trabalho, intitulado “Um Presente Para Você”, cujas vendas, conforme soubemos esgotaram. Entretanto, Jah Bee minimiza o período longo de espera pelo segundo trabalho, pois, segundo suas palavras, a arte é dom de quem a cria, portanto, não basta correr para os estúdios para se ser verdadeiramente um artista, parafraseando o seu pai.
“Foi do trabalho anterior que fiz que acho que estou em divida para com os que gostam das minhas músicas, os meus fãs a quem lhes devo mais um trabalho”, apontou.
Com um repertório musical já produzido, Jah Bee disse que neste momento possui “tudo alinhavado” para editar mais um disco. A mudança de residência da capital do país e novamente para a cidade da Beira, isto, há cerca de dois anos, terá de certo modo contribuído para que a preparação do álbum fosse retardada.
“Já constitui a minha banda na Beira e penso que até finais deste ano poderei editar o meu segundo disco”, afirmou.
Para além das músicas que aparecem no álbum “Um Presente Para Você”, o músico disse que possui vídeos que estão sendo divulgados por algumas televisões do país e do exterior e que não figuram no primeiro trabalho discográfico.
Com temas que versam assuntos de amor, fraternidade e solidariedade, Jah Bee considera-se intervencionista com ritmo “reggae”. Exemplificou que neste último repertório em preparação aponta a música “Quem tem dá pouco a quem não tem” como uma das faixas deste seu estilo de intervenção.
“Este disco em preparação não vai fugir muito do meu estilo habitual, mas vai contar com uma mistura cuja base é o “reggae”, que sempre adorei”, sustentou.
Não se considera apologista, mas inspira-se nos problemas da sociedade, pois acredita que o Mundo pode ser melhor do que é, mas é preciso ser se um pouco mais ousado pensando em nós próprio.
“Se for a ver no mundo existem muitos ricos e que pelo menos deveriam contribuir um pouco daquilo que tem para ajudar os pobres daí a razão da minha música “Quem têm dá pouco a quem não têm”, pois são milhares de pessoas necessitadas no mundo”, explicou.
PRINCIPIOS DA BIBLIA
Alfredo Binda, ou seja, Jah Bee, sempre fala pensando nos princípios da Bíblia. Por exemplo, diz que é olhando para o que a Bíblia diz “Deia a quem não têm” que diariamente pensa em ajudar o próximo.
“O pão que considero duro e deito-o fora pode ser importante para salvar uma vida que esta sem este pão duro”, sustenta.
Perguntamos ao nosso entrevistado se com base neste princípio da Bíblia já podemos ter o titulo do novo álbum ao que disse que neste momento ainda está a pensar, pois o titulo ainda não se afigura nestes princípios.
A uma outra pergunta sobre a receptividade do seu primeiro disco intitulado “Um Presente Para Você”, Jah Bee considera-se satisfeito pois, segundo ele, o disco foi todo vendido.
VIDEOS NO ESTRANGEIRO
Para Jah Bee, o que se passa no país não lhe deixa muito satisfeito pois, em relação aos seus vídeos as televisões nacionais passam muito pouco contrariamente ao que se passa no exterior, concretamente em Portugal.
Citou o vídeo da música que da titulo ao álbum (Um Presente Para Você) e Sida é Real, como alguns que frequentemente são transmitidos.
Reconhece ser a política editorial de cada estação televisiva ou radiofónica em não passar maior parte de vídeos ou composições de artistas nacionais.
“Penso que se deve muito ao factor comercial porque as políticas editoriais vão mais pelas músicas comerciáveis que outras que, eventualmente, não tenham o objectivo pretendido. Quer dizer, a publicidade comercial não aparece como tal mas sim por baixo da música o que faz com que possamos vê-las ou escuta-las com frequência na televisão ou rádio”, destacou.
FALTA INDÚSTRIA
Segundo Jah Bee o nosso país ainda carece de uma indústria que possa colocar semanalmente a nossa música no alto patamar, desde gospel, marrabenta, romântica, pandza, dzukuta, entre outras.
“Deveríamos ter um sector que se ocupasse da divulgação de novidades semanais que fossem surgindo no país, à semelhança do que acontece nos outros países, a exemplo da África do Sul independentemente do estilo, pois para cada estilo existem fãs”, opinou.
Questionado se se sentia afectado por esta situação, o autor de “Carrupeia”, “Tanta Gente Vai Morrer”, “Um Presente Para Você”, disse que não se sentia afectado como tal, argumentando que quem fica afectado por tudo isto é o próprio público amante da música que dificilmente consegue ter o que realmente gostaria de ter para satisfazer os seus gostos.
“Falta-nos a mentalidade da indústria, abrir-se mais para o horizonte musical e olhar-se para a música como um meio de se atingir vários corpos. As pessoas devem editar, comercializar e promover a música para o nosso próprio bem e quando isso acontecer a nossa música estará como outra qualquer do mundo pois potencial é o que temos demais”, referiu.
Apontou a história do ovo e da galinha sobre quem foi primeiro relacionando-a com a situação que existe entre os músicos, promotores de espectáculos e produtores. Defendeu que para se ser produtor deve-se investir olhando para a promoção de qualquer vídeo ou disco sem esperar por retornos imediatos, pois eles surgem mais tarde com o trabalho. Quer dizer, segundo ele, para qualquer negócio deve-se ter capital para investir e esperar pelos ganhos e não o contrário.
“O que acontece é que praticamente todos estão a espera de ganhar com o músico, querendo garantias de vendas antes mesmo de editar o seu disco. Ora, isso não pode ser assim pois deve-se investir primeiro e depois esperar pelos lucros. Essas pessoas esquecem-se que para as grandes estrelas serem o que são partiram da promoção por alguém que arriscou o seu capital investindo neles, a exemplo de Michael Jackson entre outros”, enfatizou.
Para o nosso entrevistado, o nosso país ainda carece de ousadia empresarial para investimentos na área discográfica em meios materiais e humanos. Regozijou-se pela criação do Ministério da Cultura afirmando que pelo menos já se deu um grande passo pois haver grande diálogo e abertura para uma área especifica.
“Na Suécia, por exemplo, o conjunto ABBAS vendia mais que a própria Volvo, enquanto na Jamaica o Bob Marley metia mais dinheiro para o país com a música que qualquer outro produto e estes são apenas exemplos daquilo que a cultura pode ser se bem vista e organizada. Julgo que com a criação deste ministério podemos sonhar alto e melhor”, afirmou.
António Janeiro
Notícias
Música japonesa em Maputo
De referir que Moçambique e Japão desenvolvem uma cooperação histórica, que data de várias décadas no domínio da Cultura, a qual contempla o intercâmbio cultural, o desenvolvimento de infra-estruturas, equipamentos e formação de gestores do património cultural.
Para recordar algumas realizações recentes, o Japão foi o maior parceiro financeiro nas obras da primeira fase de reabilitação da Fortaleza de São Sebastião na Ilha de Moçambique (com 1 milhão de dólares americanos), e pela via da UNESCO, o Japão apoia a implementação dos Planos de Gestão da Timbila e Nyau, proclamadas Obras Primas do Património Oral e Imaterial, pela UNESCO, em Novembro de 2005.
Além de Moçambique, o grupo vai realizar espectáculos em Angola e na Tunísia.
O concerto é composto por ritmos de Ryutaro KANEKO nos tambores Japoneses (Wadaiko), melodia de Yasukazu KANO que toca flauta (Shinobue, Nohkan) e de Haruhiko SAGA, que toca violino típico da Mongólia (Morin khuur) e (Violino Tovshuur) que enriquece a actuação musical.
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
Gabriel "Gaby" Albano Alfandega
Música e moda em Maputo

Roberto Isaías em concerto
O CONCEITUADO músico Roberto Isaías é o convidado desta semana no cardápio musical que é promovido regularmente no espaço sócio-cultural Bar dos Amigos, localizado no Bairro Magoanine-CMC. Esta é a primeira vez que Roberto Isaías, um dos jovens que integrou da banda Kapa Dêch, vai actuar naquele local, havendo, portanto, uma grande expectativa em torno deste concerto. No concerto do Bar dos Amigos, o autor de “Lalane” vai levar um naipe de amigos, com quem trabalha e toca, esperando-se que, para além dos habituais hinos dele, faça interpretação de músicas dos grandes nomes da arena africana e mundial. Uma das melhores vozes da sua geração, Roberto Isaías integrou o grupo Kapa Dêch, tendo sido um dos responsáveis pelo sucesso daquela banda, ao lado de nomes como Tony Django, Pilekas, Dodó, Zé Pires, Stélio e Almeida Ngoca. Depois de ter registado com o grupo os dois discos da banda, nomeadamente “Katchume” e “Tsuketane”, Roberto seguiu uma carreira a solo, tendo gravado o disco “Lalane”. Maputo, Quarta-Feira, 2 de Dezembro de 2009:: Notícias
TPM e Mambazo é sexta e sábado
terça-feira, 17 de novembro de 2009
Música africana para candidatos à fama
O Cine África vai juntar, este domingo, os dezoito concorrentes que até agora encantam a simpatia do público e desta forma permanecem na Academia do Fama.
Esta é a última gala em que seis concorrentes abandonam a academia de uma só vez, sendo que a partir da quinta edição será eliminado um concorrente de gala em gala.
No que diz respeito à organização, está tudo afinado para a gala que se aproxima.
A equipa de organização deste evento diz que os concorrentes são muito fortes, pelo que espera que haja muita adrenalina no palco do Cine.
Na última gala, o júri rendeu-se ao potencial dos candidatos à fama, com especial destaque para o talento feminino.
A gala que inicia a partir das 16h00 no Cine Teatro África, com transmissão em directo na Stv, é a quarta desta edição.
Para breve CD e DVD do grupo Makwaela dos TPM
O manager do grupo Lady Smith Black Mambazo, Romeo Quitsimani, acredita que este será um dos momentos marcantes na história dos 49 anos da sua existência. “Vamos dar o melhor para o povo moçambicano e aproveitar o momento para trocar experiência”, disse Quitsimane. Neste momento, o grupo Lady Smith Black Mambazo encontra-se na Inglaterra, sendo que, finais deste mês, estará na sua terra natal para preparar a vinda a Maputo. De Moçambique, estão convidados as cantoras Mingas, Gabriela, Jenny, Lizha James, Marlene e os grupos Moz Dreams e Coral Universal.
Kinani : Enriquecendo a magia dos corpos
MAPUTO foi palco de uma plataforma internacional de dança contemporânea, evento que contou com a participação de cerca de 100 artistas vindos de diferentes partes dos continentes africano e europeu. Denominada “Kinani”, esta plataforma, organizada pela Iodine Produções, serviu para lançar o nome de Moçambique no circuito internacional dos festivais de dança contemporânea, bem como honrar os seus organizadores por terem conseguido realizar um evento de dimensão internacional com engenho e arte. Em última instância é o nome de Moçambique que fica catapultado e é a nossa dança que se dignifica. Caiu o pano e rebentaram-se as garrafas de champanhe, o que virá depois?
Eliot Alex, um dos membros da organização, fala-nos sobre perspectivas futuras nestes excertos da entrevista à nós concedida, onde, sublinhando a satisfação generalizada por tudo ter corrido conforme. Mas, vamos à entrevista.
- Que ganhos ficaram entre nós com a realização deste evento?
- Primeiro, o mundo ficou a descobrir um grande festival de dança contemporânea em África, sobretudo a nível da África Austral. Os festivais de dança contemporânea do continente africano acontecem somente na África do Sul e no Senegal, para além dos festivais da Europa. Mas agora já temos mais uma referência em Moçambique, que é o “Kinani”. E todas as companhias de África e da Europa passaram a contar com esta plataforma de dança contemporânea.
- O que concorreu para a mediatização do “Kinani”?
- Nós iniciamos o trabalho muito cedo. Em Fevereiro começamos a fazer os preparativos e lançamos um programa de acções sobre o que nós pretendíamos. Elaboramos também uma página web para inscrições e cerca de 80 companhias e bailarinos a solo se inscreveram para esta plataforma. E a comissão artística composta por moçambicanos entendidos na matéria de dança, teve a função de júri, tendo feito a pré-selecção e a selecção dos que iriam participar no evento. E no acto da inscrição pedíamos também um vídeo e outros detalhes inerentes, o que facilitou o nosso trabalho e permitiu uma consulta mais ampla sobre o que era a nossa plataforma. E isso ajudou na divulgação do evento.
- Qual é a diferença entre a esta plataforma e a que exibia o Centro Cultural Franco-Moçambicano?
- Isso corresponde ao segundo ganho, pois nós nos apropriamos de um evento que era organizado até então pelo Centro Cultural Franco-Moçambicano e que apesar de actuar em Moçambique ele tem todo o suporte da França e actuava mais como uma instituição francesa. Agora, esta plataforma foi produzida e organizada por uma equipa essencialmente moçambicana e, sobretudo, composta por jovens que viram o assumir de um desafio. Claro que tivemos o apoio de organizações estrangeiras, embaixadas e agências de cooperação internacionais. Por outro lado, nas duas primeiras edições as plataformas de dança contemporânea não tinham nenhuma denominação e agora já tem um: “Kinani” que significa “Dancem”, em língua ronga.
- Esta é uma das variáveis que suporta a intenção de continuarem a trabalhar.
- Sim, se bem que também tivemos um terceiro ganho que foi a formação do público.
- Como assim?
- Nas edições anteriores notamos que era muito pouca a participação do público e ela resumia-se à presença dos interessados no evento que eram bailarinos, corpo técnico e, no máximo, familiares e alguns amantes de dança. Agora apostamos na formação do público, divulgando o próprio evento. Por outro lado, pegamos em alguns bailarinos, coreógrafos e técnicos e fomos dar palestras nas escolas. Baseamo-nos fundamentalmente nas escolas secundárias Francisco Manyanga e Josina Machel e trabalhamos com cerca de 500 estudantes. Eles faziam perguntas sobre, por exemplo, o que é e como que se faz a dança contemporânea, quais são os métodos de pesquisa. E para além das repostas que dávamos fazíamos pequenas frases, o que despertava interesse e motivação.
- Uma aposta também para o futuro…
- É. E estes estudantes vieram assistir os espectáculos e para isso fizemos 500 crachas para eles, pois alguns estiveram envolvidos em alguns sectores de apoio.
- Que mensagem vocês deixaram?
- A ideia é tentarmos tirar a concepção de que a dança contemporânea não é algo que vem de fora. Pela qualidade que os artistas moçambicanos imprimiram, a par dos outros participantes, ficou a ideia de que é possível expandirmos o conceito de dança contemporânea no nosso país. Em 2007 houve uma conferência na África do Sul sobre dança contemporânea africana e o fundamento de tudo foi que esta dança provém das raízes africanas, das danças tradicionais. Descobrimos que os movimentos corporais aplicados eram meramente tradicionais e que passavam para a dimensão contemporânea tornando-os mais visíveis. E nesta plataforma ficou assente que é possível fazermos dança contemporânea moçambicana e ficamos surpreendidos até com a performance e superação de alguns artistas nossos, o que também surpreendeu os coreógrafos estrangeiros.
- Quantos artistas participaram?
- Foram cerca de 100 artistas, entre coreógrafos, bailarinos e pessoal técnico.
- Certamente que há aspectos a melhorar, quais são?
- Há que melhorar sobretudo as condições técnicas e de produção. Para nós como Iodine Produções esta foi a nossa primeira intervenção porque as duas anteriores plataformas estiveram sob produção e organização do Centro Cultural Franco-Moçambicano. Nós não vemos as questões de produção em si, mas também das salas de espectáculos. Pensávamos que o Cine-Scala estava preparado para receber um espectáculo descobriu-se que não era possível, pois tem sérios problemas de electricidade. As salas estão envelhecidas e os equipamentos que nós temos são de alta tecnologia que às vezes estes espaços não os suportam. Temos aparelhos como dimer’s (uma espécie de misturadores), que são melhores que se podem encontrar, e no primeiro dia queimaram dois no Scala e no Cine-África.
- Que descalabro são as nossas salas?
- E o mais grave é que nós não temos as condições que os artistas habituados a montar e ou a trabalhar em grandes plataformas mundiais nos exigem. Se tens problemas básicos como a oscilação de luz numa sala, então é difícil teres nesse espaço artistas de grande nível mundial, por isso temos que apostar no melhoramento das nossas salas de espectáculos. Penso que uma das reflexões que devemos fazer é em relação às nossas salas de espectáculos porque elas não nos dignificam. Actualmente as melhores condições técnicas estão no Centro Cultural Franco-Moçambicano, que é um espaço muito bem equipado e onde qualquer grupo que fizer uma apresentação sai de lá satisfeito. Noutras salas só no primeiro de apresentações queimaram seis projectores, o que trouxe limitações na actuação dos grupos porque viram-se a ter que trabalhar com condições abaixo do seu nível. Há salas também que não têm condições de absorver luz em grande intensidade e quando é assim os quadros disparam danificando os equipamentos. Isso é triste.
- Que desafios se vos apresentam daqui em diante?
- A forma como esta plataforma decorreu nos deixou muito motivados, por temos muitas coisas planificadas. E já no próximo ano vamos começar a trabalhar para a edição de 2011, expandindo-nos para as províncias, uma vez que não queremos somente ficar na cidade de Maputo.
- Para onde vão?
- Numa primeira fase trabalharemos nas cidades de Chimoio (Manica), Beira (Sofala) e Quelimane (Zambézia). Temos coreógrafos com capacidade para trabalhar em diferentes ambientes e queremos ver se podemos enviá-los em regime de comissões para as províncias e fazerem formações lá.
- Até que ponto isso será sustentável?
- A ideia é antes da grande plataforma internacional nós termos uma realizar interna antes da grande plataforma internacional para vermos se podemos ter um a dois grupos do nosso país nesta festa.
- Então, é um “Kinani” interno. Só para grupos nacionais?
- Os nossos coreógrafos vão fazer formação em dança contemporânea nesses pontos do país e depois levaremos os grupos escolhidos para um festival de dança que poderá acontecer, em princípio, na cidade da Beira, por ser o centro do país e também pelas facilidades existentes em deslocar os grupos. E esses grupos juntos farão uma exibição donde serão escolhidos os representantes do nosso país. Mas estas realizações continuarão dependentes dos financiamentos que conseguiremos, porém, a aposta é essa.
- Uma das vantagens deste tipo de encontros é o intercâmbio entre os artistas envolvidos na acção. O que se conseguiu?
- Nós fizemos algo que funcionou muito bem, pois organizamos o que se chama “Festival Paralelo” que eram acções que decorriam no decurso do festival. Estas actividades decorriam nas instalações do Museu Nacional de Arte e juntava todos os artistas participantes no “Kinani”. E para além de as refeições serem passadas no mesmo local e à mesma hora entre todos nós, no local, que se chamava ponto de encontro, tínhamos uma banda de música a tocar, um grupo de dança tradicional e ainda um DJ. O público juntava-se também a nós, comprando bilhetes e assim nascia o intercâmbio entre os artistas estrangeiros entre si, entre eles e os moçambicanos e também, na última instância, entre todos os artistas, a organização e o público. E, diferentemente do que aconteceu nos encontros anteriores, onde os artistas estrangeiros chegavam e ficavam entre três a quatro dias, que eram os dias suficientes para a chegada, ensaio do palco, actuação e um dia de descanso e depois regressavam, nós juntamos todos os artistas no mesmo hotel e decidimos que deviam ficar até ao fim do evento, o que fez com que os artistas assistissem peças uns dos outros, permitindo aflorar o diálogo e ampliando os seus próprios horizontes artísticos.
- As oficinas que tiveram lugar constituíram também uma mais-valia e serviram de suporte da própria plataforma.
- É verdade. Por exemplo, houve exposições de fotografia, até hoje patentes no Centro Cultural Franco-Moçambicano e tínhamos música ao vivo com vários grupos musicais. Fizemos igualmente workshop’s de iluminação, onde conseguimos trazer nove técnicos de iluminação de vários países da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), sendo quatro da África do Sul e os restantes da Ilha Reunião, Madagáscar e moçambicanos, que foram orientados por um técnico suíço. Durante o workshop eles foram conhecer as salas de espectáculos, trabalharam sobre elas, observando as condições técnicas. E quando iniciou a plataforma eles é que fizeram a operação técnica dos 32 espectáculos ao longo do festival. Posteriormente fizemos um workshop de dança contemporânea, orientado por Vera Santos, que é uma coreógrafa portuguesa e ainda uma formação dos jornalistas culturais, que esteve sob direcção de Adrien Sichel, jornalista do jornal sul-africano The Star. Adrien é também crítica de arte. Foram muitas coisas que aconteceram e que nos ajudaram a alcançar aquilo que eram os nossos objectivos.
- E também ganharam dinheiro…
- Nós ficamos surpreendidos com o comportamento do público, pois ele correspondeu, talvez por termos feito uma grande divulgação do evento. Durante a semana as salas estavam acima da metade, mas aos fins-de-semana tínhamos salas cheias. Há espectáculos que aconteciam nos finais de semana às 16, 18 e até 20 ou 21 horas, mas o público lá estava, comprando ingressos, o que nos surpreendeu positivamente. É por isso que dizemos que o balanço é positivo.
- Francisco Manjate
MAPUTO foi palco de uma plataforma internacional de dança contemporânea, evento que contou com a participação de cerca de 100 artistas vindos de diferentes partes dos continentes africano e europeu. Denominada “Kinani”, esta plataforma, organizada pela Iodine Produções, serviu para lançar o nome de Moçambique no circuito internacional dos festivais de dança contemporânea, bem como honrar os seus organizadores por terem conseguido realizar um evento de dimensão internacional com engenho e arte. Em última instância é o nome de Moçambique que fica catapultado e é a nossa dança que se dignifica. Caiu o pano e rebentaram-se as garrafas de champanhe, o que virá depois?
Eliot Alex, um dos membros da organização, fala-nos sobre perspectivas futuras nestes excertos da entrevista à nós concedida, onde, sublinhando a satisfação generalizada por tudo ter corrido conforme. Mas, vamos à entrevista.
- Que ganhos ficaram entre nós com a realização deste evento?
- Primeiro, o mundo ficou a descobrir um grande festival de dança contemporânea em África, sobretudo a nível da África Austral. Os festivais de dança contemporânea do continente africano acontecem somente na África do Sul e no Senegal, para além dos festivais da Europa. Mas agora já temos mais uma referência em Moçambique, que é o “Kinani”. E todas as companhias de África e da Europa passaram a contar com esta plataforma de dança contemporânea.
- O que concorreu para a mediatização do “Kinani”?
- Nós iniciamos o trabalho muito cedo. Em Fevereiro começamos a fazer os preparativos e lançamos um programa de acções sobre o que nós pretendíamos. Elaboramos também uma página web para inscrições e cerca de 80 companhias e bailarinos a solo se inscreveram para esta plataforma. E a comissão artística composta por moçambicanos entendidos na matéria de dança, teve a função de júri, tendo feito a pré-selecção e a selecção dos que iriam participar no evento. E no acto da inscrição pedíamos também um vídeo e outros detalhes inerentes, o que facilitou o nosso trabalho e permitiu uma consulta mais ampla sobre o que era a nossa plataforma. E isso ajudou na divulgação do evento.
- Qual é a diferença entre a esta plataforma e a que exibia o Centro Cultural Franco-Moçambicano?
- Isso corresponde ao segundo ganho, pois nós nos apropriamos de um evento que era organizado até então pelo Centro Cultural Franco-Moçambicano e que apesar de actuar em Moçambique ele tem todo o suporte da França e actuava mais como uma instituição francesa. Agora, esta plataforma foi produzida e organizada por uma equipa essencialmente moçambicana e, sobretudo, composta por jovens que viram o assumir de um desafio. Claro que tivemos o apoio de organizações estrangeiras, embaixadas e agências de cooperação internacionais. Por outro lado, nas duas primeiras edições as plataformas de dança contemporânea não tinham nenhuma denominação e agora já tem um: “Kinani” que significa “Dancem”, em língua ronga.
- Esta é uma das variáveis que suporta a intenção de continuarem a trabalhar.
- Sim, se bem que também tivemos um terceiro ganho que foi a formação do público.
- Como assim?
- Nas edições anteriores notamos que era muito pouca a participação do público e ela resumia-se à presença dos interessados no evento que eram bailarinos, corpo técnico e, no máximo, familiares e alguns amantes de dança. Agora apostamos na formação do público, divulgando o próprio evento. Por outro lado, pegamos em alguns bailarinos, coreógrafos e técnicos e fomos dar palestras nas escolas. Baseamo-nos fundamentalmente nas escolas secundárias Francisco Manyanga e Josina Machel e trabalhamos com cerca de 500 estudantes. Eles faziam perguntas sobre, por exemplo, o que é e como que se faz a dança contemporânea, quais são os métodos de pesquisa. E para além das repostas que dávamos fazíamos pequenas frases, o que despertava interesse e motivação.
- Uma aposta também para o futuro…
- É. E estes estudantes vieram assistir os espectáculos e para isso fizemos 500 crachas para eles, pois alguns estiveram envolvidos em alguns sectores de apoio.
- Que mensagem vocês deixaram?
- A ideia é tentarmos tirar a concepção de que a dança contemporânea não é algo que vem de fora. Pela qualidade que os artistas moçambicanos imprimiram, a par dos outros participantes, ficou a ideia de que é possível expandirmos o conceito de dança contemporânea no nosso país. Em 2007 houve uma conferência na África do Sul sobre dança contemporânea africana e o fundamento de tudo foi que esta dança provém das raízes africanas, das danças tradicionais. Descobrimos que os movimentos corporais aplicados eram meramente tradicionais e que passavam para a dimensão contemporânea tornando-os mais visíveis. E nesta plataforma ficou assente que é possível fazermos dança contemporânea moçambicana e ficamos surpreendidos até com a performance e superação de alguns artistas nossos, o que também surpreendeu os coreógrafos estrangeiros.
- Quantos artistas participaram?
- Foram cerca de 100 artistas, entre coreógrafos, bailarinos e pessoal técnico.
- Certamente que há aspectos a melhorar, quais são?
- Há que melhorar sobretudo as condições técnicas e de produção. Para nós como Iodine Produções esta foi a nossa primeira intervenção porque as duas anteriores plataformas estiveram sob produção e organização do Centro Cultural Franco-Moçambicano. Nós não vemos as questões de produção em si, mas também das salas de espectáculos. Pensávamos que o Cine-Scala estava preparado para receber um espectáculo descobriu-se que não era possível, pois tem sérios problemas de electricidade. As salas estão envelhecidas e os equipamentos que nós temos são de alta tecnologia que às vezes estes espaços não os suportam. Temos aparelhos como dimer’s (uma espécie de misturadores), que são melhores que se podem encontrar, e no primeiro dia queimaram dois no Scala e no Cine-África.
- Que descalabro são as nossas salas?
- E o mais grave é que nós não temos as condições que os artistas habituados a montar e ou a trabalhar em grandes plataformas mundiais nos exigem. Se tens problemas básicos como a oscilação de luz numa sala, então é difícil teres nesse espaço artistas de grande nível mundial, por isso temos que apostar no melhoramento das nossas salas de espectáculos. Penso que uma das reflexões que devemos fazer é em relação às nossas salas de espectáculos porque elas não nos dignificam. Actualmente as melhores condições técnicas estão no Centro Cultural Franco-Moçambicano, que é um espaço muito bem equipado e onde qualquer grupo que fizer uma apresentação sai de lá satisfeito. Noutras salas só no primeiro de apresentações queimaram seis projectores, o que trouxe limitações na actuação dos grupos porque viram-se a ter que trabalhar com condições abaixo do seu nível. Há salas também que não têm condições de absorver luz em grande intensidade e quando é assim os quadros disparam danificando os equipamentos. Isso é triste.
- Que desafios se vos apresentam daqui em diante?
- A forma como esta plataforma decorreu nos deixou muito motivados, por temos muitas coisas planificadas. E já no próximo ano vamos começar a trabalhar para a edição de 2011, expandindo-nos para as províncias, uma vez que não queremos somente ficar na cidade de Maputo.
- Para onde vão?
- Numa primeira fase trabalharemos nas cidades de Chimoio (Manica), Beira (Sofala) e Quelimane (Zambézia). Temos coreógrafos com capacidade para trabalhar em diferentes ambientes e queremos ver se podemos enviá-los em regime de comissões para as províncias e fazerem formações lá.
- Até que ponto isso será sustentável?
- A ideia é antes da grande plataforma internacional nós termos uma realizar interna antes da grande plataforma internacional para vermos se podemos ter um a dois grupos do nosso país nesta festa.
- Então, é um “Kinani” interno. Só para grupos nacionais?
- Os nossos coreógrafos vão fazer formação em dança contemporânea nesses pontos do país e depois levaremos os grupos escolhidos para um festival de dança que poderá acontecer, em princípio, na cidade da Beira, por ser o centro do país e também pelas facilidades existentes em deslocar os grupos. E esses grupos juntos farão uma exibição donde serão escolhidos os representantes do nosso país. Mas estas realizações continuarão dependentes dos financiamentos que conseguiremos, porém, a aposta é essa.
- Uma das vantagens deste tipo de encontros é o intercâmbio entre os artistas envolvidos na acção. O que se conseguiu?
- Nós fizemos algo que funcionou muito bem, pois organizamos o que se chama “Festival Paralelo” que eram acções que decorriam no decurso do festival. Estas actividades decorriam nas instalações do Museu Nacional de Arte e juntava todos os artistas participantes no “Kinani”. E para além de as refeições serem passadas no mesmo local e à mesma hora entre todos nós, no local, que se chamava ponto de encontro, tínhamos uma banda de música a tocar, um grupo de dança tradicional e ainda um DJ. O público juntava-se também a nós, comprando bilhetes e assim nascia o intercâmbio entre os artistas estrangeiros entre si, entre eles e os moçambicanos e também, na última instância, entre todos os artistas, a organização e o público. E, diferentemente do que aconteceu nos encontros anteriores, onde os artistas estrangeiros chegavam e ficavam entre três a quatro dias, que eram os dias suficientes para a chegada, ensaio do palco, actuação e um dia de descanso e depois regressavam, nós juntamos todos os artistas no mesmo hotel e decidimos que deviam ficar até ao fim do evento, o que fez com que os artistas assistissem peças uns dos outros, permitindo aflorar o diálogo e ampliando os seus próprios horizontes artísticos.
- As oficinas que tiveram lugar constituíram também uma mais-valia e serviram de suporte da própria plataforma.
- É verdade. Por exemplo, houve exposições de fotografia, até hoje patentes no Centro Cultural Franco-Moçambicano e tínhamos música ao vivo com vários grupos musicais. Fizemos igualmente workshop’s de iluminação, onde conseguimos trazer nove técnicos de iluminação de vários países da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), sendo quatro da África do Sul e os restantes da Ilha Reunião, Madagáscar e moçambicanos, que foram orientados por um técnico suíço. Durante o workshop eles foram conhecer as salas de espectáculos, trabalharam sobre elas, observando as condições técnicas. E quando iniciou a plataforma eles é que fizeram a operação técnica dos 32 espectáculos ao longo do festival. Posteriormente fizemos um workshop de dança contemporânea, orientado por Vera Santos, que é uma coreógrafa portuguesa e ainda uma formação dos jornalistas culturais, que esteve sob direcção de Adrien Sichel, jornalista do jornal sul-africano The Star. Adrien é também crítica de arte. Foram muitas coisas que aconteceram e que nos ajudaram a alcançar aquilo que eram os nossos objectivos.
- E também ganharam dinheiro…
- Nós ficamos surpreendidos com o comportamento do público, pois ele correspondeu, talvez por termos feito uma grande divulgação do evento. Durante a semana as salas estavam acima da metade, mas aos fins-de-semana tínhamos salas cheias. Há espectáculos que aconteciam nos finais de semana às 16, 18 e até 20 ou 21 horas, mas o público lá estava, comprando ingressos, o que nos surpreendeu positivamente. É por isso que dizemos que o balanço é positivo.
- Francisco Manjate









