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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Wazimbo e Jose Mucavel em namoro...

Cerca de 10 anos depois

“Nwahulwana”, ou simplesmente pássaro irresponsável, é o título da música que destruiu uma amizade que datava desde a infância de dois gurus da música moçambicana. Estamos a falar de Wazimbo e José Mucavel, que entraram em diferendo quando disputavam direitos autorais do prestigiado e badalado tema “Nwahulwana”.
Aliás, o tema em alusão, para além de fazer parte dos spots da multinacional norte-americana Microsoft, foi usado como trilha sonora do filme “The Pledge”, pertencente ao actor Jack Nicholson.

Mas não é de mágoas do passado que queremos nos concentrar, e sim dizer que os dois astros do clássico moçambicano despiram-se de orgulho e abraçaram- se, numa iniciativa promovida pelo apresentador de televisão Gabriel Júnior.

A reconciliação surge como resposta ao apelo feito pelo ministro da Cultura, Armando Artur, onde ideia principal é criar um clima são no seio dos músicos moçambicanos. É caso para dizer que boas notícias não tardam, chegam no devido momento. Isto porque o país acolhe, desde última sexta feira, a quarta edição do Festival da Marrabenta e o entendimento dos músicos é um ganho só para os fãs e amigos, mas também para o país no geral, sobretudo para a cultura moçambicana.

Em declarações registadas, Wazimbo não só se desculpou a José Mucavel como também disse que “o Zé é uma luva para as minhas mãos e um sapato para os meus pés, por isso lamento pela situação que sempre me entristeceu, pelo que lhe peço desculpas”.

Mucavel não poupou verbo e rematou: “o único músico que sabe interpretar as minhas composições é o Wazimbo e desde já está autorizado a fazê-lo com todas elas”.

Recorde-se que, há dias, o músico Wazimbo disse ao “O País”, depois de um espectáculo realizado na Matola, que o tema “Nwahulwana” foi algo que partiu de um nome fictício de mulher, “que eu louvo pelos seus feitos e encorajo a batalhar pela vida. Não é que esta “Nwahulwana” exista de facto. não é uma pessoa concreta, mas sim uma criação que vem da minha inspiração. Não existe uma rapariga com o nome Maria Nwahulwana, é uma homenagem a todas as mulheres”.

Por seu turno, e em contacto telefónico, Umberto Benfica assegurou que o aperto de mão entre ele e o músico José Mucavel constitui uma mais-valia para a música moçambicana.

“Tal como viram na televisão, nós nos apertamos as mãos em nome da música moçambicana. Respondemos positivamente ao apelo feito pelo ministro da Cultura, Armando Artur. Na verdade, fizemos as pases em nome da nossa cultura”, disse Wazimbo.

De hoje em diante, tal como avançou o músico, é só consolidar as nossas relações e fazer crescer a amizade. Para José Mucavel, a reconciliação dá início a uma nova era no mundo da música moçambicana.

“Finalmente, nos entendemos da melhor maneira. Vamos voltar a falar-nos, a dividir os palcos.

Aliás, aceito a possibilidade de gravar novos temas musicais com ele, afinal de contas Wazimbo é um óptimo profissional.

Eu, particularmente, estou satisfeito. Estou disponível para esquecer tudo e tocar a vida para frente”, disse Mucavel.

Importa referir que José Mucavel e Wazimbo estão, neste momento, a gravar um novo tema para alegrar os corações dos seus fãs.

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sexta-feira, 14 de maio de 2010

Não havia espaço para mais. A festa tinha atingido o seu clímax.

Jose Mucavel


HÁ factos que pela sua grandeza se tornam indescritíveis, sob pena de não sermos fiéis ou, na pior das hipóteses, de incorrermos no risco de não atingirmos a real dimensão. É o caso do concerto realizado sexta-feira última, no Centro Cultural Universitário, em homenagem ao etnomusicólogo, compositor, interprete e autodidacta José Mucavel.

Tratou-se de um concerto sui generis, único na sua concepção e realização, juntando gurus da música moçambicana apimentados pela cantora Sibonguile Khumalo, voz sul-africana que afinal de contas também é nossa. Sibonguile Khumalo tem as suas origens em Mandlakazi, província de Gaza.

Mucavel ao festejar 60 anos de vida e 41 de carreira musical, trouxe para o palco do Centro Cultural Universitário, ex-cinema Continuadores, o melhor naipe de fazedores da música moçambicana: Hortêncio Langa, Arão Litsure, João Cabaço e Moreira Chonguiça, são artistas de créditos firmados que nada tem a provar a ninguém. Pena que raramente se apresentam em público, a excepção do jovem Moreira Chonguiça que amiúde realiza concertos.

Hortêncio Langa, acompanhado pelo trio Aderito Gumate (piano), Filipinho (viola baixo) e Miranda (bateria), foi o primeiro a intercalar a performance de José Mucavel. Reviveu e fez reviver “Teresa”, uma canção com uma dezena de anos, para depois brindar o público com “Lirandzo”, uma canção recentemente regravada por Stwart Sukuma e que dispensa qualquer tipo de comentário. Era o início de uma noite de boa e melhor música produzida por cá.

Saiu Hortêncio Langa, voltou Mucavel para mais um acústico das suas investidas pelo tradicional moçambicano. Boa música, mas não para qualquer um. Escutar e entender a guitarra de Mucavel é necessário um ouvido apurado e ter gosto requintado. É meio complicado entender as nove afinações que Mucavel até agora introduziu na escala, partindo das investigações que tem desenvolvido do vasto e rico património tradicional moçambicano.

Arão Litsure subiu ao palco de seguida, surpreendendo o público com “Moça Bonita Vem de Pemba”, um tema inédito com a qual demonstrou a sua invejável capacidade vocal. Fechou a sua actuação com “kwiri” (barriga/grávida), num fabuloso dueto com Rosi. Já ninguém tinha dúvida que a música moçambicana é boa e forte, sobretudo a desta geração de músicos.

Aliás, não tardou, João Cabaço dissipou a mínima dúvida que eventualmente podia prevalecer. Brincou a bem brincar com a sua voz, com as vozes dos coristas, com os instrumentistas e sem esforços, levou o público a uma grande ovação. Era o João Cabaço de sempre!

Terminou esta primeira parte dos convidados nacionais. Veio a segunda, aberta por Moreira Chonguiça, jovem saxofonista moçambicano radicado nas terras do rand.

Como sempre a inovar nas suas aparições em público, Moreira Chonguiça, mais uma vez demonstrou a sua criatividade, subindo ao palco falando no seu “cell” com o produtor do concerto. São coisas do Moreira Chonguiça. Ele é bom de improvisos.

Com o seu saxofone viajou para Nampula, confundido o público com sons das arábias, mas na verdade tudo aquilo era moçambicano. Depois improvisou num dueto com José Mucavel. Aí sim, difícil foi o público manter-se sentado. Foi um dos grandes momentos do concerto, tal como aconteceu quando Mucavel e Sibonguile Khumalo juntos cantaram “Balada para as Minhas Filhas”.

O júbilo não terminou por aí, pois, o trio Mucavel, Chonguiça e Sibonguile Khumalo, teve ainda o ensejo de mostrar a sua nata capacidade artística.

Não havia espaço para mais. A festa tinha atingido o seu clímax.

A Primeira-dama, Maria da Luz Guebuza, acompanhada do Primeiro-ministro, Aires Ali, foi convidada a fazer-se ao palco, era o momento solene que culminou com a oferta de uma guitarra ao homenageado José Mucavel.

Quando se pensava que o concerto terminou eis que José Mucavel volta ao palco acompanhado por Carlitos Gove (viola baixo), Jorge Domingos (guitarra solo) e Paito Checo (bateria). Viajou-se para o tempo do “Atravessando Rios”, “Xigutsa Xa Vutomi”. Era uma viagem no tempo que trouxe um Mucavel diferente, ou melhor, com música diferente e mais simples, que os seus “Compassos”.

Tudo isto aconteceu em simultâneo com uma iniciativa até agora única entre nós. Sete artistas plásticos pintavam em palco uma tela gigante em homenagem a José Mucavel. È a criatividade e originalidade dos moçambicanos.
João Fumo

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segunda-feira, 15 de março de 2010

José Mucavele prepara festa dos 60 anos


O músico José Mucavele será homenageado em Abril próximo pelos 60 anos de idade e 41 de carreira musical.

Para marcar o acontecimento está a ser preparado um concerto musical agendado para 6 do mesmo mês, no Centro Cultural Universitário. Para o evento vão actuar como convidados João Cabaço, Hortêncio Langa, Arão Litsure, Moreira Chonguissa e, de Portugal, Rui Veloso, com quem gravou a obra “Atravessando Rios”.

O semanário Domingo, na sua última edição (7 de Março), escreve que Mucavele e Veloso estarão novamente juntos em estúdio para registar mais uma parceria. Outro convidado para o concerto em homenagem a José Mucavele é o angolano Mito Gaspar, que confirmou já a sua participação. José Mucavele, a crecer no Domingo, gostaria de partilhar o palco com o cantor dinamarquês, Stig Muller, mast al não ainda possível de confirmar uma vez que Muller ainda não foi localizado. Espera-se que a embaixada dinamarquesa em Maputo, a quem foi solicitada colaboração para trazer aquele músico, consiga satisfazer a pretensão do sexagenário músico moçambicano.

Para além do “Atravessando Rios” e “Compasso 1”, José Mucavele está já a trabalhar numa outra obra, da qual apenas se conhece o título: “Compasso 2”.

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segunda-feira, 18 de maio de 2009

Mucavele celebra 40 anos de carreira


O conceituado músico moçambicano José Mucavele realizou no domingo (10.05.2009), no Centro Cultural Universitário, um concerto alusivo aos seus 40 anos de carreira artística. 

A primeira parte do concerto foi abrilhantada pelo trio de conceituados músicos moçambicanos. Trata-se de Hortêncio Langa, Arão Litsure e João Cabaço.


O trio interpretou temas de João Cabaço, como por exemplo, “Xitimela” e “Mamana” e de conceituados músicos de proa nacionais. A apresentação deste trio foi nostálgico para o público presente no local. 

Outro músico que se fez ao palco foi Jomalu que apresentou um dos seus temas mais representativos intitulado “Deixem os Pintos Crescer”. Um tema cheio de balanço e ritmo.

Depois veio ao palco José Mucavele. Neste primeiro concerto alusivo a quatro decádas de carreira musical, o artista apresentou um repertório repleto de temas inéditos. Maior parte dos temas apresentados no concerto vão fazer parte do próximo disco, ”isto é tudo novo. As pessoas esperavam músicas conhecidas”, disse Mucavele. 

Os temas causaram boa impressão ao público. O único tema conhecido que o artista apresentou foi o famoso “Balada para as Minhas Filhas”. Neste tema, o artista foi acompanhado, na guitarra, da sua filha casula. A pedido do público, o intérprete do “Xigutsa xa Utomi” executou o tema criando proporcionando momentos marcantes à sessão.      

MINHA SINA
Questionado sobre os 40 anos de carreira, José Mucavele disse que o momento tinha muitos significados. Trata-se de uma trajetória de uma criatura que passou por muitos sítios e coisas. “Há tanta coisa misturada nestes 40 anos. Não é só a música, mas também tive outras coisas. Passei pela revolução. 

Acabei ficando na minha sina. Deus fez-me para ser músico. E eu sou aquilo que deus quis que eu fosse. Eu sou artista. Eu quero morrer artista”, afirmou José Mucavele. 

PARAR DE TOCAR
José Mucavele diz que nunca pensou em parar de tocar pela dificuldade que a carreira musical atravessa no país. Considera que quando se entra para a carreira musical, “é andar até morrer. Se eu parar morro. Eu não vou parar mesmo, nem que tenha outras coisas por fazer. Está destinado que eu sou artista até à morte”, sublinhou o artista.

MÚSICA MOÇAMBICANA
Falando particularmente da música moçambicana, José Mucavele lamentou o facto de os artistas não renovarem o seu repertório musical.

“Tenho tido o cuidado de sempre trazer algo novo. Gostaria que os outros artistas pudessem trazer tudo novo. Renovarem o repertório. Escuto artistas que tocam com o mesmo repertório faz cerca de trinta ou  quarenta anos. Eu acho que é um pouco aborrecido. Temos que dar coisas novas ao público”,  repisa. 

Escrito por: Edmundo Chaúque

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