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segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Centro cultural nasce na Beira

Vista aerea da cidade da beira.

(imagem retirada do blog Devaneio.)


A CIDADE da Beira irá contar a partir deste ano com mais um centro cultural, a ser erguido pelo grupo Mfuma Ya Moçambique, que possui um plano desenhado e parte dos fundos necessários para o efeito. Francisco Júnior, coordenador da área de gestão e projectos da associação, disse ao nosso Jornal que a concretização da iniciativa visa, essencialmente, abranger com maior relevância várias áreas do domínio da cultura para divulgar e valorizar a cultura moçambicana, com enfoque para a feita pelos beirenses.

Conforme prevê o plano estratégico do Mfuma Ya Moçambique, áreas como teatro, música e canto e dança serão as principais a ser movimentadas no centro cultural, que diz ter em vista trazer à ribalta a identidade cultural moçambicana por exemplo a partir da investigação de danças e ritmos tradicionais nos distritos.

Com a construção daquele centro cultural, a capital de Sofala passará a ter três instituições do género, contando-se já os da Universidade Pedagógica, ora em reabilitação e a funcionar no antigo cinema 3 de Fevereiro, e o Centro Cultural Português.

“Pretendemos como um dos grandes desafios para este ano a construir um centro cultural que vai servir também para acolher outras artes e ainda, dinamizar a identidade cultural a partir de investigação nos distritos”, Francisco Júnior.

Para a construção do centro cultural, segundo a fonte, já existem alguns fundos, mas não suficientes, pelo que o grupo espera encontrar parcerias para levar avante o projecto. A concretizar-se o projecto, o centro deverá ser erguido no bairro da Manga ou o da Inhamizua.
“O que queremos é fazer com que o grupo funcione em moldes empresariais com projectos de geração de rendimentos”, afirmou.

Aquele grupo cultural vai também movimentar a área da literatura, esperando abrir duas livrarias, uma no distrito de Cheringoma e outra em Caia.
Júnior explicou igualmente que Mfuma Ya Moçambique espera trazer à ribalta a cultura nacional a partir dos ritmos e hábitos tradicionais que deverão ser identificados nos distritos.

Com o slogan “Mfuma Ya Moçambique, orgulho da cultura moçambicana”, o grupo trabalha actualmente com apoio da Aliança Internacional para a Saúde (HAI) no âmbito da sensibilização das comunidades sobre o HIV/SIDA e aderência aos anti-retrovirais, para além do apoio do sector cultural da direcção provincial da Educação e Cultura de Sofala.

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segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Artistas da Beira querem ver melhorias na sua catedral

Daviz Mbepo Simango
Presidente do Conselho Municipal da Beira

Artistas da cidade da Beira exigem melhorias no funcionamento da Casa Provincial de Cultura de Sofala, que a 20 de Agosto estará em festa pela passagem do 41º aniversário da sua existência. Alegam que as artes regrediram nos últimos tempos naquela urbe, o que se reflecte, por exemplo, pela ausência de uma programação regular. Contudo, parte dos fazedores da cultura no Chiveve defendem o contrário, assegurando que há alguma progressão, que é contrariada não pelos gestores culturais mas pela apatia do empresariado local.


Ainda na senda dos 41 anos da Casa Provincial de Cultura de Sofala, a nossa Reportagem colheu a sensibilidade de diferentes artistas da cidade da Beira, que, de uma forma geral, a “Catedral das Artes” do Chiveve está a registar uma degradação acentuada, tal como anunciamos a nossa edição passada, em que afirmávamos que a ela clama por uma reabilitação urgente, sobretudo no bloco do salão auditório, aliás, o principal.

Mas os nossos entrevistados divergem-se quanto ao progresso das artes a nível da cidade da Beira. Uns defendem que há crescimento, sobretudo na música, teatro e artes plásticas. Outros advogam que há uma estagnação total. Apontam a falta de estratégias que possam fazer com que a Casa de Cultura de Sofala seja uma referência obrigatória na cidade e na província, atendendo e considerado que a Beira é bastante rica em termos de talento.

A actriz e directora do grupo de teatro “Só Mulheres”, Gilda Baptista, reconheceu que houve uma altura em que todas as artes registaram uma estagnação, mas assegurou que nos últimos tempos há registo de melhorias.

Aquela actriz apontou, a propósito, a área teatral, que na sua opinião está a crescer significativamente. Os grupos da cidade – apontou – “têm vindo a apresentar peças cada vez mais maduras sobretudo no capítulo temático”.

Gilda Baptista apontou, igualmente, a música como sendo uma das áreas que está a registar crescimento, com muitas bandas jovens da cidade da Beira a primarem pelos estilos de “raiz” e a representarem o país em diferentes festivais internacionais.

No cômputo geral, ela reconhece que a existência de cursos vocacionais na Casa de Cultura de Sofala tem ajudado a despontar talentos. Aliás, disse que o Chiveve é bastante rico em termos artísticos, tendo apontado o programa televisivo “ Show de Talentos”, que teve muitos concorrentes beirenses na final, como uma das provas disso.

FALTA FINANCIAMENTO

O músico Jorge Mamad defende que a falta de financiamento na daquela que é tida como a catedral das artes da região centro do país é o principal “nó de estrangulamento” para o desenvolvimento da Casa de Cultura. Disse, a propósito, que “mesmo que a Direcção Provincial de Educação e Cultura dê algum valor para a casa não basta. A sociedade civil deve participar para garantir que tenhamos aquele grande movimento do passado”.

Mamad recordou que, num passado recente, a Casa Provincial de Cultura de Sofala teve muito apoio de organizações dinamarquesas, como são os casos da Ibis e da ASDI, que deram muita vida àquela instituição. Com efeito, o autor de “Nha Pia Pia” é de opinião que se desenhem projectos que possam cativar organizações não governamentais seja nacionais ou estrangeiras que possam ajudar a desenvolver uma dinâmica na catedral das artes do Chiveve.

O actor António Garcia alinhou pelo mesmo diapasão. Apingar, de seu nome artístico, disse que há um crescimento artístico de forma isolada e/ou pelo próprio esforço dos fazedores da arte. Em contrapartida, a Casa de Cultura não está a conseguir responder aos anseios dos artistas por alegada falta de financiamentos.

Apingar afirmou ainda que o actual estágio de degradação da Casa de Cultura tem repelido os espectadores, facto que tem contribuído grandemente na baixa prestação dos artista, principalmente os do teatro.

“As condições do palco do auditório não motivam que os grupos façam espectáculos naquelas condições. As próprias cadeiras fazem com que as pessoas desanimem- se. As pessoas preferem não ir lá, porque não fornece comodidade”, revelou.

Apingar sublinhou que “é preciso melhorar a Casa de Cultura. O maior problema é que falta financiamento. Hoje, com a sala grátis não conseguimos atrair o público nas nossas peças teatrais. A música ainda está a resistir, mas se isso continuar assim, mesmo no próximo ano teremos os mesmos problemas já existentes no teatro”.


FALTA MARKETING

O vocalista da banda Nyacha, Timóteo Nchussa, reconhece que há um crescimento assinalável nas artes na Beira, mas a falta de um forte marketing por parte da direcção da Casa de Cultura faz com que haja alguma estagnação na catedral beirense das artes do Chiveve.

“A Casa de Cultura virou um museu. A direcção precisa inverter este cenário. Fala-se de um projecto de reabilitação que inclui a edificação de quartos para alojamento. Isto não dá, nós queremos mais espaço para desenvolver as artes e não para dormir. No lugar destas ampliações porquê não pensarmos em Internet. Está na hora da casa ter um site e abrir links ou janelas para vender a imagem da própria Casa e buscar financiamentos para promover a arte na Beira”, opinou.

Nchussa disse, contudo, que os artistas continua ma trabalhar arduamente para procurar afirmarem-se. Apontou, no entanto, as bandas Nyacha e Djaaka como sendo exemplo disso. Mas defende a necessidade de se dar “uma mão” aos fazedores das artes no geral para dar outro alento à cultura, tendo em conta que Beira possuir um potencial “saudável” nesta material.

“Veja só, os Djaaka estão agora em Saragoça representando o país, mas não foi obra da Casa de Cultura. Nós mesmo já estivemos em muitos cantos do mundo elevando o nome de Moçambique por esforço próprio. A Casa de Cultura tem que pensar em estratégias mais actuantes. Talentos é o que temos demais na Beira, falta uma dinâmica por parte da direcção para que a Casa de Cultura volte a ser aquela instituição que ofereceu muita alegria ao público beirense”.

DROGA E ÁLCOOL

Maputo, Quarta-Feira, 13 de Agosto de 2008:: Notícias
Já o jovem músico Ângelo Sanfumo denunciou a existência de um paradoxo entre o tempo de existência da Casa de Cultura e o estágio actual das artes na cidade da Beira. Defende o facto explicando que “41 anos significar crescimento. Se assim fosse, teríamos um movimento artísticos invejável, mas está tudo estagnado. Os artistas têm poucas oportunidades, isto faz com que muitos fiquem frustados e, como consequência, temos muitos envolvem se em drogas e consume abusivo de álcool”.

Para evitar este triste cenário, Sanfumo é de opinião que haja muitos festivais e workshops para garantir que os artistas consigam progredir. Para além disso, deve, na sua opinião, haver parcerias que possam assegurar a promoção cultural e, por conseguinte, a ocupação dos artistas.

“Mas ao em vez disto, temos uma Casa de Cultura que está degradada, com uma sala de ballet que promove karaté. Não só contra a promoção do desporto, mas aquela é uma casa de cultura e não salão ou complexo de desportos. A direcção já disse que o estúdio dos Nyacha e Djaaka vai virar escritório do Clube Têxtil do Púnguè, isto é triste demais. Talento é o que temos demais na Beira, mas coisas como estas são frustantes. Não ajudam no desenvolvimento da cultura que todos os dias se fala”, desabafou.

Eduardo Sixpence

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segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Governo privatiza gestão de aparelhagem

ALGUNS músicos da cidade da Beira mostram-se bastante contrariados pelo facto de na semana passada o Governo provincial de Sofala ter decidido pela privatização da gestão da aparelhagem que recentemente adquiriu para a promoção destes e que foi entregue à Casa Provincial de Cultura para a sua gestão.

Falando em torno do assunto, eles argumentam que a aludida aparelhagem deveria, no mínimo, ser entregue à associação dos músicos para a sua gestão uma vez que, no seu entender, a privatização retira-lhes as oportunidades que se abriam para a promoção musical e consequente valorização.
Reunido na sua IX sessão ordinária na passada quinta-feira, na Beira, o governo provincial analisou entre as várias matérias constantes na sua agenda a gestão da aparelhagem recentemente adquirida ora entregue à Casa de Cultura local para a sua gestão, tendo chegado à conclusão de que esta deveria estar a cargo de privados pelo que um concurso para o efeito vai ser lançado oportunamente, segundo confirmou José Ferreira, director provincial da Indústria e Comércio e porta-voz do encontro.“O governo decidiu privatizar a aparelhagem recentemente comprada e entregue à Casa de Cultura para a sua gestão pelo que deverá ser elaborado um caderno de encargos, sobretudo para se acautelar a questão de promoção dos músicos”- disse.
O referido equipamento sonoro completo está orçado em mais de três milhões e meio de meticais e foi adquirido em resposta aos apelos dos artistas que não tinham meios para sua afirmação, bem como a promoção de espectáculos dado que os privados aplicam preços exorbitantes e nalguns casos até proibitivos. A entrega oficial do referido equipamento sonoro ocorreu no passado dia 7 de Abril numa cerimónia dirigida pelo governador local, Alberto Vaquina.
GOVERNO IGNORA-NOS
Para Said Aly, a privatização da aparelhagem mostra que o governo não confia nos músicos pois ”existe uma associação que acho que poderia ter sido consultada para a tomada desta decisão, mesmo a nivel local ou nacional. Com esta privatização voltaremos a ser usados e abusados quando viamos o nosso problema a ser resolvido”.

“Para que os músicos e a respectiva associação funcionem é preciso incentivos e esta aparelhagem seria um grande incentivo para nós”- disse.
Lize Mutava, artista beirense também referiu-se ao assunto nos seguintes termos: “A privatização do equipamento vai-nos prejudicar uma vez que o seu gestor não terá a promoção dos músicos como sua prioridade mas sim o dinheiro, que muitos não temos para a promoção de espectáculos. O que nos fizeram é o mesmo que ter comida no prato e não poder come-la”- apontou.

Outro músico com quem a nossa reportagem dialogou chama-se Ernesto Salimo o qual afirmou que “é uma pena o que vai acontecer porque o governo disse-nos que esta aparelhagem seria para nós e agora retira-a para privado”.

“A questão do equipamento musical era a que faltava para os músicos da Beira e a sua vinda já abria alguns horizontes para o nosso futuro melhor, ou seja, já era uma resposta oportuna das nossas necessidades o que vem contrastar com esta medida agora tomada pelo governo”- referiu.

Mariano Maia foi outro intérprete que sobre o assunto se mostrou constrangido tendo dito que a sua privatização em parte é positiva dado que “ nós os músicos não estamos bem organizados”.“Eu acho que a sua privatização é oportuna uma vez que a Casa de Cultura é uma instituição do Estado. O melhor seria a própria associação responsabilizar-se pela gestão porque trabalha ou, então, deveria trabalhar para os músicos e conhece as reais necessidades destes mas como não estamos organizados, defendo a sua privatização mas não a um grupo musical mas sim a um empresário”- apontou.

ANTÓNIO JANEIRO

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segunda-feira, 14 de julho de 2008

Constancio lanca "Papa"

Constancio desabafa...
Foto: Noticias

Músicos do centro e norte reclamam oportunidades Constancio é um músico que se divide entre Sofala e Zambézia. Gravou o seu mais recente trabalho em Pemba, e há dias esteve em Maputo para promove-lo, ocasião que serviu de pretexto para uma conversa.
Entre os vários assuntos tratados, Constâncio deteve-se na questão da falta de intercâmbio entre os músicos do país inteiro. Para ele, só os músicos da capital do país, deslocam às províncias, entretanto, o mesmo já não acontece com os artistas de outros pontos do país. O entrevistado refere que há um certo abandono dos músicos das restantes províncias. O entrevistado não hesita em usar a palavra «injustiça» e acrescenta: “penso que os realizadores e produtores de espectáculos deviam saber que o país é grande e há muito talento espalhado a espera também de uma oportunidade”. É prossegue, “«talvez por esse facto, os músicos se vejam na contingência de serem eles próprios a organizarem os shows que nem sempre conseguem, já que esta é uma outra área de especialidade. As pessoas procuram fazer tudo sozinhas”.


Questionado se não teme de ser mal interpretado um posicionamento regionalista, o cantor observou tratar-se de um facto inegável que assenta na base de constatações directas, de alguém que trabalha na área. “Por exemplo, na Beira, quantos músicos vem actuam aqui em Maputo, tirando os Djaakas? O mesmo acontece noutros pontos do país. Todavia, quase todos os cantores da capital do país desloca as restantes províncias, isso não mau, mas sinto que deveria haver mais entrosamento entre todos os músicos”, anotou.
INSULTOS MINAM NOSSA GERAÇÃO
Aliado a isso, o artista aponta para a degradação dos conteúdos, sobre as mensagens difundidas nas músicas cantadas particularmente pelos jovens.“Para além de temas insultuosos, os artistas passaram a cantar-se a si próprios, dizem eu sou fulano, eu sou sicrano”.Antigamente, os mais velhos cantavam músicas educativas, canções que ensinavam as normas sociais, no lar, na familiar etc.Ele vê que se há um grande desequilibro à nível dos patrocinadores que apostam nesses músicos que insultam e aqueles que mesmo tendo mensagens positivas não encontram espaço para gravar e expor a sua obra.A conversa passou em revista a pirataria, um fenómeno que está a lesar músicos, editoras, produtores e público consumidor. “As pessoas continuam a copiar abusivamente as nossas obras, e ninguém pune ninguém”, disse.
NOVO ALBUM “PAPÁ”
O álbum intitulado “Papa” acaba de ser editado pela Vidisco e vem substituir a colectânea “Dúvida” que passou aparentemente despercebido junto dos seus fãs.Neste momento, paira no foro do seu íntimo alguma preocupação, pois, não sabe de como este último será recebido junto dos seus admiradores, embora Constâncio esteja seguro quanto a qualidade do trabalho final. “Penso que me entreguei de corpo e alma nesta obra. Trabalhei durante um ano. Parti da Beira para Pemba, onde trabalhei com o produtor Carlos de Lina, um jovem empreendedor que assina na produção várias colectâneas”, observa.“Durante o trabalho de estúdios trocamos ideias e procurámos fazer tudo com o maior rigor exigido numa obra que se preze”
.Nessa gravação, foram registadas dez temas, sendo um instrumental.Questionado sobre o titulo, a fonte explica que “estava em pleno estúdio a gravar, quando de repente toca o meu celular: era meu irmão a informar-me que o nosso pai estava doente. Corria risco de vida. Fiquei muito triste. E foi no meio daquela “magia” de estúdio que imediatamente me inspirei a cantar esta música que deu titulo ao álbum”.
Hoje, felizmente o pai de Constâncio, está fora de perigo.
Sobre o repertório, lembra o tema “waba”( fofoca tradução do português para o chuabo), em jeito de resposta a algumas “bocas” que apregoavam a morte precoce da sua carreira, por ter ficado algum tempo sem apresentar o novo disco...Entretanto, há um tema que na óptica do autor é interessante, intitulado “Mano José”, nele fala de um homem que ao receber o seu salário dirige-se ao bar e não abandona enquanto não acaba o seu dinheiro. Durante a sua permanecia o “mano Zé” paga tudo e a todos. É o dono do mundo. Ele é um autêntico “Zé pagante”. Constâncio iniciou-se na carreira musical há cerca de dez anos na Beira ao lado de um amigo de infância, Djei, este último uma das mais importantes figuras musicais da Beira. Ambos nasceram de sonhos e cresceram para a música e tem estado a empenhar-se, continuamente. Os seus trabalhos tem grande audiência no país inteiro, mas com o destaque para as províncias de Sofala, Zambézia e Nampula.
A par de muitos nomes da região centro e norte, o nome do jovem Constâncio faz parte dos que se recomendam, pois, as suas mensagens falam de realidades do dia-a-dia na nossa sociedade.Baseado na cidade da Beira este músico possui um repertório totalmente cantado em chuabo, falado em Quelimane.
• Albino Moisés

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segunda-feira, 23 de junho de 2008

Associação dos Músicos da Beira sob fortes contestações

O ELENCO directivo da Associação dos Músicos da Beira (AMBEIRA) está sob fortes contestações movidas por alguns dos seus filiados. Começam por dizer que a agremiação, desde a sua constituição há mais de 10 anos, nunca realizou pelo menos uma Assembleia Geral. A falta de qualquer assistência aos compositores e intérpretes Gil Pinto e Vicente Ceiva, bem como ao guitarrista Lucas, internados na maior unidade sanitária da região centro do país foi “a gota que fez transbordar o copo”, com alguns membros a exigirem prestação de contas alegando que há fundos que circulam e que não são tornados públicos.

Os músicos da Beira citam o exemplo de Gil Pinto, um dos músicos mais antigos da cidade da Beira, que foi há semanas internado no Hospital Central da Beira. Foi submetido a uma intervenção cirúrgica, mas não beneficiou até então de qualquer apoio nem da AMBEIRA, onde é membro, nem de qualquer outra instituição.


A mesma situação está a acontecer com o compositor e intérprete Vicente Ceiva e com o seu guitarrista Lucas. O primeiro está doente há bastante tempo e já ficou internado por vários meses no Hospital Central da Beira. O segundo foi há dias vítima de um acidente de viação que fez com que fosse internado na mesma unidade sanitária.

Todos estão entregues às suas sortes, por conseguinte, clamam por apoio. Este facto fez com que um grupo de músicos, da velha guarda e da nova geração, exigisse no final de semana passada à direcção da AMBEIRA que se pronunciasse sobre as contas da agremiação e movimentasse alguma “palha” em prol daqueles infortunados.
Entre os que reivindicam consta o nome do decano João Sutho. Ele acusa a associação de inoperância e falta de transparência na gestão da coisa pública. Não só, diz haver arrogância no seio da direcção, com particular destaque para o Secretário-Geral, Said Aly, que na sua apreciação tem tratado os associados como se de seus empregados se tratasse.

Sutho afirma ainda de “boca cheia” que circulam fundos de organizações governamentais e não governamentais na AMBEIRA, mas a direcção continua a gerir o silêncio suspeitando-se que haja desvio de aplicações.

Carlitos, dos Mussodji e Manune Jackson são outros dos nomes dos artistas que final de semana passado, na Casa Provincial de Cultura de Sofala, tentaram sem sucesso pressionar a direcção da AMBEIRA a falar publicamente sobre o estágio da agremiação, uma vez que nos últimos tempos o “staff” anda de reuniões em reuniões sem no entanto explicar aos associados o que na verdade estava a acontecer.

Os artistas referem igualmente que desde o passado 21 de Maio de 2007 a AMBEIRA nunca realizou uma actividade e/ou encontro com todos os seus associados, estimados em mais de 200 pessoas, entre músicos, guitarristas e outros instrumentistas.

VAMOS REVITALIZAR A AMBEIRA – segundo Saidinho, SG
Diante deste cenário, o nosso Jornal contactou o secretário-geral da Associação dos Músicos da Beira, Said Aly, mais conhecido por Saidinho. Ele reconheceu a inoperância da agremiação, mas afirmou que o seu “staff” está nos últimos tempos envolvido numa série de actividades que visam revitalizar a AMBEIRA que de facto nunca realizou alguma Assembleia Geral desde a sua criação em 1994.

Saidinho disse ainda que entre várias coisas a agremiação está na fase de reestruturação dos seus estatutos que já não vão ao encontro da realidade.
Este assunto, segundo o secretário-geral da AMBEIRA, culminará com a realização, num futuro breve, da Assembleia Geral da organização.

Questionado sobre os músicos que se encontram hospitalizados no Hospital Central da Beira, Saidinho disse que a AMBEIRA não tem verbas capazes de dar resposta a qualquer assistência médica e medicamentosa aos visados. Ademais, maior parte dos membros da agremiação não pagam quotas, mas assegurou que ira tentar fazer “lobbies” junto de parceiros para apoiar os até então internados.

“Desconheço os fundos de que os músicos têm vindo a falar. Mas nós temos procurado responder a algumas questões pontuais, como é o caso de compra de caixões para os músicos e seus familiares. Este é um esforço que fazemos através de alguns “lobbies”. O maior problema é que a associação não é coesa. Nós não podemos adivinhar que o músico fulano está doente, tem que nos aproximar”, disse.

Fonte: E. SIXPENCE

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