Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

Moreira Chonguiça apresenta troféus em Maputo


Os troféus de ouro do saxofo­nista Moreira Chonguiça serão apresentados esta quinta-feira (09/07/2009) numa gala a ter lugar no espaço Co­conuts, em Maputo, num even­to a ser assistido por figuras do Governo, amigos e colegas de profissão.

Estarão presentes na gala outras estrelas e, em espe­cial, o seu fotógrafo pessoal com quem partilha os prémios pelo facto deste ser o responsável pe­las imagens das capas dos discos distinguidos nos gramys, em Sun City, na África do Sul.


Honram o evento o ministro da Educação e Cultura, Aires Ali, o professor Orlando da Conceição, que foi mestre do artista, e a directora da Escola Nacional de Música, Isabel Ma­bote, mulher que sempre ze­lou pelos estudos de Moreira, quando aluno no estabeleci­mento de ensino que a mesma dirige.

Recorde-se que Moreira Chonguiça ganhou dois pré­mios nos grammy deste ano, designadamente, “Melhor Ál­bum Jazz Contemporâneo” e “Melhor Capa de Disco”, ambas as distinções com o seu segun­do álbum, intitulado “Morei­ra Projecta II - Citizen of The World”.
Moreira havia sido igualmen­te premiado com o seu primei­ro álbum “Moreira Project I” como melhor disco de jazz.

Os awards consagram os me­lhores da música sul-africana a cada ano, numa iniciativa da South African Music Awards, SA­MAS, desde 1995. Este ano, havia 63 categorias em disputa.

Fonte: O País

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Video de Catia Agy - Beijo na Boca

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“Há muita interferência na arte e cultura africana”


Bordina Muala em Argel, Argélia Filimone Meigos, sociólogo

Moçambique, através do sociólogo Filimone Meigos, participou num colóquio no âmbito do II Festival Panafricano sobre Cultura que está a decorrer em Argel.

No debate, havido esta terça-feira, se discutiu a arte contemporânea, ou seja, a arte e estética: que terminologia para África? Na sua dissertação, Meigos, disse que o problema da arte contemporânea está relacionado com a falta de definição clara de políticas culturais africanas.


Daí a dificuldade de perceber quem tipifica as artes e o resultado são as fragilidades de enquadramento das culturas africanas num mundo globalizado.

Entretanto, para o caso moçambicano a situação agrava-se ainda mais uma vez que, tem havido muita interferência na cultura moçambicana, isto, pela fragilidade na definição de políticas claras para preservação da cultura moçambicana assim como a dependência em mais 50% do Orçamento Geral do Estado. O que quer dizer que enquanto continuarmos a ser dependentes continuaremos condicionados há vária imposições.

Ainda na agenda do II Festival Panafricano sobre Cultura, foi feita a abertura oficial da exposição dos patrimónios orais da Humanidade de todos os países aqui presentes. Moçambique abriu a sua exposição com a actuação dos nyau e a timbila, assim como foi feita uma exposição do Chá moçambicano proveniente da Zambézia, mais concretamente do Gurué.

Olhando para agenda geral do Festival Panafricano sobre Cultura, Yossou Ndour actuou hoje (07 Julho 2009), para mais de 5000 espectadores .

O Pais

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Apresentação de Oliver Style na1ª e 3ª Gala do Dança dos Artistas Vodacom no ritmo Kuduro e Cha-cha-chá.


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Sempre a Subir... Going Up!

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Mingas calcorreia o país inteiro


É o reconhecimento ao trabalho de uma figura respeitável e respeitada. Mingas vai - a partir do próximo dia 29 (Maio) - percorrer Moçambique, realizando espectáculos em todas as capitais provinciais. É a primeira vez que a autora da célebre Xikongolotana vai realizar uma proeza como esta, que poderá vir a ser uma odisseia. É uma experiência excitante, conforme a própria reconheceu, “mas é bom que isso aconteça, porque num trabalho como o nosso, é preciso experimentar, sempre que as oportunidades se oferecerem, novas emoções”.


Mingas tem sido, normalmente, uma cantora de locais pequenos e fechados. Ela não será, certamente, uma artistas de massas. Mas para que isso aconteça é preciso excitar essas mesmas massas. “Vou percorrer e trabalhar no país com a consciência de que é um desafio. E isso é importante para mim. Acredito que existem fãs por este território todo que gostariam de me ver cantar ao vivo e eis que chegou a oportunidade”.

A cantora moçambicana vai aproveitar ainda esta digressão para continuar a celebrar os seus 30 anos de carreira, assinalados no ano passado, no Centro Cultural Franco-Moçambicano, de forma espectacular. Mingas sabe do peso que significa viajar para palcos desconhecidos, por isso mesmo encontra-se numa fase aturada de trabalho, para oferecer o melhor de si.

A mcel, reconhecendo as qualidades da nossa compatriota, estabeleceu recentemente um acordo com Mingas, com vista a promover a sua música e carreira artística. Trata-se de um contrato de imagem que, igualmente, facultará à prestigiada cantora um leque de facilidades e apoios permanentes nos seus projectos.

Portantto, serão a mcel e a Sonarte, que levarão a cabo, a partir de Maio próximo, um programa intitulado “Mingas: ao Vivo Digressão 2009”. É uma forma de atingir o maior número de fãs e fazer a divulgação do seu trabalho pelo país.

Quem é esta mulher?
Há três décadas que ela hipnotiza os seus fãs. A cantora Elisa Domingas Jamisse, a Mingas, é uma das mais respeitadas celebridades em Moçambique. A sua música é uma mistura de afro, com destaque para ritmos de origem chope, do sul do país.Com uma trajectória sólida e reconhecida, tanto em trabalhos a solo, como em parcerias com ícones como Miriam Makeba e Jimmy Dludlu, Mingas arrancou aplausos no concerto em comemoração dos seus 30 anos de carreira em Maputo, em Dezembro, no Centro Cultural Franco-Moçambicano.
Escrito por Alexandre Chaúque (15 Maio 2009)


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Banda Nyacha : Unir forças para consolidar-se


A BANDA Nyacha da cidade da Beira tem no seu bornal o seu mais recente trabalho discográfico que se intitula “Mbavudzatho”. Mbavudzatho é língua Sena que traduzido para o português significa “As nossas forças”.

O trabalho que conta com 10 composições, já está praticamente pronto e falta apenas a fase de reprodução, mas esta etapa é avaliada em 15 mil meticais, valor a banda não possui.
O custo total da produção do disco estava estimado em cerca de 130 mil meticais. E eles foram conseguindo arranjar o dinheiro, realizando espectáculos, tirando dos bolsos dos integrantes da banda e ou aceitando ofertas dos amigos e fãs do Nyacha.

Em princípio, tudo indicava que o seu disco fosse ser lançado no passado 7 de Abril – Dia da Mulher Moçambicana e que coincide com a data em que a banda completava sete anos de existência –, mas a falta de meios impediu a realização deste acto, impedindo que o sonho se tornasse em realidade.

Por outro lado, Nyacha se queixa da falta de colaboração por parte do empresariado da cidade da Beira, no que diz respeito ao apoio para o desembolso de fundos que os rapazes precisam para terminar o seu álbum e colocá-lo no mercado.

“Falta-nos 15 mil meticais para a reprodução de cópias. Por isso, temos estado a organizar concertos de modo a ganharmos mais dinheiro e com esforços próprios lançarmos o nosso disco. Se formos a esperar por apoios nunca mais iremos lançar nada, mas isso não quer dizer que não aceitaremos ajudas, pelo contrário, estamos aberto para tudo que vier porque já é tempo de trazermos este trabalho aos nossos fãs porque eles merecem este presente”, este é o pensamento de Timóteo Ntchussa, líder da banda.

Timóteo Ntchussa disse ainda que a participação dos amantes da música tradicional no evento é fundamental para garantir o rápido lançamento deste disco e que já está pronto desde de meados do ano passado, mas devido à exiguidade de fundos o mesmo ainda não está no mercado.
Soubemos de outras fontes que o disco de Nyacha, e que ainda está por lançar, já está a ser comercializado nas ruas e esquinas da cidade da Beira por jovens que se dedicam à venda de discos e DVD’s piratas. Este disco já aparece em “maquetes”.

AJUDAR A BANDA DO MOMENTO NA BEIRA
A banda Nyacha nos “shows” tem estado a exibir novos rumos. O intuito é proporcionar momentos diferentes não só aos fãs, mas também procurando definir novas linhas para a música na cidade da Beira.

“Nestes espectáculos têm estado a servir para mostrar que eles continuam com muita força. Temos estado a mostrar nos nossos espectáculos muita maturidade e a diferença, pois nos interessa simbolizar um crescimento. Afinal, são sete anos de existência”, disse. Entretanto, para os amantes da música tradicional naquele ponto do país, não há dúvidas que os Nyacha constituem o orgulho beirense e que eles são a banda do momento ao nível da cidade da Beira.

Dizem também que os seus espectáculos são um contributo valioso para a promoção da música de raiz, apelando, por via disso, aos homens fortes da Beira para que colaborem com esta banda, um dos veios de transmissão da música tradicional e do orgulho da Beira. Apoiar os Nyacha é também identificar-se com a cultura moçambicana, dizem os amigos da banda.

Por exemplo, o actor e coordenador do grupo de teatro Patamar, André Lucas disse ser imperioso ajudar a banda Nyacha na concretização de um dos seus maiores sonhos, lançar o seu primeiro disco ainda neste semestre.

Ele defende-se, dizendo que os Nyacha são a melhor banda do momento na cidade da Beira, daí o carinho com que devem ser tratados como forma de lhes ajudar a progredirem, a vários níveis.

“Os nossos empresários e o Executivo deveriam fazer um pouco mais pelos Nyacha porque eles são defensores ferrenhos de estilos tradicionais. Eles investigam e trazer ao público ritmos que são o nosso património cultural. Temos que estimular bastante as poucas bandas jovens que ainda primam pelos ritmos tradicionais e tomarmos em conta que a Globalização está a fazer com que muitos que comecem a trilhar pela música, investindo em coisas que nada têm a ver connosco e que nem nos identificam”, explicou. Já a bailarina e actriz do grupo teatral “Só Mulher”, Artemizia Cassamo, entende que, contrariamente ao que tem acontecido com as outras bandas que primam por estilos tradicionais, Nyacha não só tocam ritmos de Sofala, como trazem igualmente estilos de outros pontos do país. Tais são os casos de algumas províncias do centro e sul do país, o que, na sua opinião, faz com que aquele conjunto mereça um tratamento especial.

Enquanto isso, uma amante de música tradicional identificada pelo nome de Virgínia Manuel, disse ao nosso jornal que tem acompanhado atentamente as bandas que primam por estilos de “raiz” na cidade da Beira, tendo afirmado que “não há sombras de dúvida que os Nyacha são a banda do momento”.

A jovem disse ainda que, ao nível da cidade da Beira existem muitas bandas que merecem um forte elogiou, tendo apontado os Djaaka, N’fite, The Mosquetões, mas assegurou que a banda Nyacha tem a particularidade de conseguir manter a sua performance.

“Beira tem muitas boas bandas e que primam por estilos tradicionais, mas Nyacha são muito coesos. É muito normal, por exemplo, vermos um elemento que ontem esteve nos Mussodji já a tocar com Djaaka ou numa outra banda. Mas com Nyacha isso não tem acontecido. Temos a mesma banda de sempre e cada vez mais rica e forte. Estão de parabéns por isso. Assim sendo, este conjunto precisa de um tratamento especial. O empresariado precisam ajudar estes jovens a atingir patamares altos”, referiu.

Entretanto, os Nyacha são resultados do projecto Ndongue da Casa Provincial de Cultura de Sofala e que tinha como principal dinamizador o finado compositor, David Mazembe.No seu primeiro disco, a banda em alusão conta, no entanto, com a colaboração de nomes como os irmãos Papy e Nelton Miranda, bem como Jimmy Gwaza, Will Matine, Pateta e o guitarista Momed Gafar (Mumy).
Eduardo Sixpence

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Apresentação de Fill na 1ª e 4ªGala do Dança dos Artistas Vodacom no ritmo Latino.


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ELSA MANGUE E TONY DJANGO TROCAM VOZES NO KHUWANA

A conceituada cantora Elsa Mangue e o jovem músico Tony Django partilham esta sexta-feira (10 de Julho de 2009) o palco do Khuwana, que voltou a reabrir com uma nova gestão e que está a oferecer novos detalhes de lazer.
O espectáculo de Elsa Mangue e Tony Django arranca às 22:30 horas, e, após o espectáculo, haverá discoteca com variada música, como forma de continuar a fazer-se a festa. No sábado, Nanando e a sua banda irão àquele local para animar a plateia de sábado, para no domingo haver matiné dançante com música dos anos 60/70.


Apresentação de Tony Django na 7ª Gala do Dança dos Artistas Vodacom, com muito ritmo.

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Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

Video de Ziqo - Ta Nice

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Video da TOP LABEL - I'm Sorry

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Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

Continuo a inspirar-me na cultura do meu povo


Mingas realiza este fim-de-semana a última etapa da segunda fase da sua digressão em Moçambique, antes de partir para Berlim (Alemanha) onde vai, juntamente com outros artistas moçambicanos, participar na Semana Cultural de Moçambique. Neste contexto, Mingas vai estar presente nas províncias de Gaza e Inhambane, onde realizará espectáculos na sexta-feira e sábado.

A digressão de Mingas pelo país é uma das diversas acções que estão a acontecer na sua carreira, cujo ponto de partida foi o espectáculo “Vukha África”, que marcou a celebração dos 30 anos de carreira da cantora, e também o lançamento do seu primeiro disco, nos trabalhos a solo, que, por sinal, tem o título do espectáculo: “Vukha África”.

Aliás, o espectáculo “Vukha África” foi gravado ao vivo e o mesmo vai ser usado como base para a produção do seu DVD, que está já a ser preparado para sair no próximo mês, para além da página Web que vai conter toda a sua história. E mais: o disco “Vukha África” foi reeditado e já se encontra disponível no mercado, tendo sido colocado em todo o país.
Por outro lado, Mingas vai realizar vários espectáculos no continente africano, com particular realce para a África Subsahariana.

Não obstante todas essas acções boas e marcantes na carreira de qualquer artista, Mingas diz que ainda não é chegado o momento de ficar descansada, pois muito há ainda por fazer. Não somente por e para ela, mas, sobretudo porque urge também passar o testemunho, deixar legado e “arrastar” a juventude, seiva da Nação, nesta onda de sucesso por via de trabalho árduo, honesto e sincero. Pois: Mingas degusta a nata dos 30 anos de carreira de muito trabalho humilde e decente.

“Não me sinto realizada, mas tudo que está a acontecer me faz ter forças para continuar. Embora nunca tenha pensado em descer, houve momentos em que me senti cansada. Esta digressão pelo país era uma espécie de sonho porque fiz isso nos anos 80 e depois em 1994. E como sabem, eu canto para todos os moçambicanos, expresso o sentimento de todos os moçambicanos, mas tenho andada limitada em Maputo. Por isso sempre quis dar aos meus fãs e aos meus amigos”, diz Mingas.

Chegar a todos os cantos de Moçambique constitui para Mingas um momento de grande satisfação. E a sua satisfação a quer partilhar com os demais, por isso pede que os seus fãs e amigos estejam lá presente para a ver actuar. Diz ainda que, os que não a conhecem que estejam presentes nos locais de espectáculos mesmo por mera curiosidade.

“Espero que esta viagem me inspire ainda mais. Durante as viagens tenho trocado impressões com o meu público e esta é a outra forma de crescer mais e conhecer melhor o país, aproveitando para saber um pouco mais da nossa história, da história do nosso povo, ver o país real. Por isso agradeço a todos aqueles que me ajudam a realizar esta digressão”.

Nesta digressão Mingas está a ser acompanhada por um grupo de artistas jovens, desde a produção aos instrumentistas.
Sobre isso, ela diz ser animador isso acontecer, pois, na sua perspectiva o Moçambique do amanhã será continuado por esta força juvenil de hoje.

E, avança, quando são os jovens a sentirem que vale a pena apostar naquilo que ela e os demais artistas que trabalham com afinco é de suma importância, então isso tem outra dimensão.
“E quando conseguimos ver e fazer isso é mesmo gratificante. É gratificante saber que temos continuadores, porque eu mesma sou continuadora, para além de que me inspiro na cultura moçambicana e que é algo que, de alguma forma, já existe e está lá. É só ir buscar”, conta.

Francisco Manjate

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Ricardo Rangel sepultado ao som de Charlie Parker


HOMENAGEM - 1924-2009: 15 de Junho, Salão Nobre do Conselho Municipal da Cidade de Maputo. “Now’s the time”, do fabuloso jazzman norte-americano Charlie Parker soa na sala vindo dos talentosos saxofonistas moçambicanos, Professor Orlando, Balói e do trompetista Guilherme, trio a que minutos depois se juntou o Moreira Chonguiça. Começava assim a despedida de Ricardo Rangel, “pai” e decano do fotojornalismo moçambicano. Assim começou porque não havia outra forma de procurar dizer adeus àquele corpo inerte à espera de ser levado à terra. Ricardo Rangel era um amante incondicional do jazz, sendo Charlie Parker o seu favorito.

Tinha chegado a hora. Familiares, amigos, apreciadores da sua arte de fazer fotografia, representantes do Governo e de outros segmentos da sociedade iam chegando ao Paços do Município de Maputo. Primeiro no átrio onde havia sido colocados dois livros de condolências e depois no Salão Nobre, lugar onde com honras de Estado foi lhe rendido a devida homenagem.

Todos curvaram-se perante o corpo inerte de Ricardo Rangel que, aos 85 anos, partiu silenciosamente sem que mesmo a dona Beatriz, sua inseparável esposa, desse conta. A morte por vezes tem disso, chega silenciosamente.
Todos curvaram-se porque, tal como disse Eduardo Constantino, Secretário-geral do Sindicato Nacional de Jornalistas (SNJ), “na verdade, Ricardo Rangel não é mais um simples mortal que se foi. É, sim, um, único e inigualável homem de cultura, do inconformismo lúcido que marcou gerações e construiu um legado que se tornou património para todos os moçambicanos e para todo o mundo”.

Amava o jazz um estilo de música estranho para muitos moçambicanos que lhe chegou pela via das emissões dos países aliados durante a II Guerra Mundial. Os primeiros discos são lhe oferecidos por marinheiros que escalavam o Porto de Lourenço Marques, actual Porto do Maputo.

Tornou-se especialista. Diz-se que possui a maior discoteca de jazz, cheia de raridades.
Lamentavelmente, como um dia escreveu o seu amigo Luís Bernardo Honwana, não tocava nenhum instrumento e por isso não participava como músico nas dezenas de jam-sessions que organizou.

“Mas há um aspecto da cultura jazzistica que confessadamente incorporou na sua actividade profissional. O dramatismo do contraste extremo, o uso do plano aproximado e o grão propositadamente excessivo de alguns dos seus trabalhos fotográficos – são lições da chamada fotografia de jazz de que se diz praticante”, escreveu Luís Bernardo Honwana.

Amava Charlie Parker, Thelonios Monk, Duke Ellington, Davis e outras figuras lendárias como Count Basie, Benny Goodman, entre outros.
Desse amor fundou uma das maiores bandas de jazz do país, o “Grupo Internacional de Jazz de Maputo” no qual militavam praticantes de várias nacionalidades. O pianista era suíço, o saxofone-tenor era holandês, o sax-alto era dinamarquês, o sa-baritono era inglês, o guitarrista era canadiano e o trombone estava a cargo de um sueco.

Internamente foram recrutados o contrabaixo Messias, Guilherme no trompete, Baloi no soprano, Mundinho no piano, Jacob e Paco na bateria, Filipe Tembe e Rachid no tenor.
Mas antes deste agrupamento, Ricardo Rangel realizou vários concertos e jam-sessions na cidade da Beira e Maputo, influenciando várias pessoas para o gosto do jazz.

Não foi por acaso que o seu velório e sepultura foram ao som de jazz. Tinha que ser assim para fazer jus à sua pessoa.
Depois de “Now’s the time” os metais dos nossos talentosos músicos Orlando, Balói, Guilherme e Chonguiça, soltaram “Blue Monk”, tema de Thelonios Monk e de seguida “My one and only love”.

Quando eram 13 horas e 20 minutos, o mestre de cerimonio anunciou o início de velório e Charlie Parker volta para o Salão Nobre, desta ao som audio. “A Night in Tunísia” era o tema que cruzava o espaço, depois foi “Dizzy Atmosphere”.

Foi um momento solene, sobretudo impar que comoveu a todos, em particular àqueles que tinham pouca informação sobre a ligação que o finado tinha com o jazz.

Chegou a Primeira-Ministra Luísa Diogo, eram 13.52 horas.
Mais uma vez o mestre-de-cerimónias usa da palavra anunciando o início do acto de apresentação das mensagens oficiais de condolências, intercaladas com cânticos do Grupo Coral da Universidade Eduardo Mondlane (UEM).

Aqui falou-se do fotojornalista que nos anos 60 denunciou com os seus “cliques” as humilhações e injustiças sociais perpetradas pelo regime colonial.
Ricardo Rangel foi merecidamente reconhecido pela sua acção na luta contra a dominação estrangeira e contra a agressão, pelo esforço que empreendeu na luta contra a pobreza e no reforço da auto-estima dos moçambicanos.

O contributo humano e profissional de Ricardo Rangel foi enaltecido nas mensagens de condolências da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), Associação Moçambicana de Fotografia (AMF), dos autarcas de Maputo, do Partido Frelimo e do Governo Central, representado na ocasião pela Primeira-Ministra Luísa Diogo.

O FOTOJORNALISTA RICARDO RANGEL
Nasceu na então cidade de Lourenço Marques em 1924. Em 1941, entrou como aprendiz para o laboratório de fotografia do caçador de elefantes e fotógrafo profissional, Otílio Vasconcelos. Em meados dos anos 40 mudou-se para o laboratório do estúdio fotográfico " Focus ", onde começou a ganhar fama como impressor a preto e branco. Trabalhou para o diário bilingue " Lourenço Marques Guardian " e posteriormente para o jornal "Notícias". Em 1952 integrou a equipa do jornal " Notícias da Tarde ".

De 1960 a 1964, foi fotógrafo chefe do recém fundado " A Tribuna ", e em meados dos anos 60 trabalhou como fotógrafo na Beira para os jornais " Diário de Moçambique" e "Voz Africana", e posteriormente para o " Notícias da Beira ". Muitas das suas fotografias da época foram banidas ou destruídas pela censura colonial e muitas perderam-se.

Em 1970 e juntamente com um grupo de jornalistas fundaram a revista "Tempo", a primeira revista a cores do país.

Em 1977, após o êxodo da maioria dos fotógrafos da imprensa nacional, Ricardo Rangel foi nomeado fotógrafo chefe do jornal "Notícias" e foi-lhe confiada a direcção e formação de uma nova geração de fotojornalistas.

Em 1978, foi um dos fundadores do Sindicato Nacional dos Jornalistas - SNJ e em 1981 foi nomeado director do semanário "Domingo". Também em 1981 foi um dos fundadores da Associação Moçambicana de Fotografia - AMF.

Em 1983, foi nomeado para fundar e dirigir o Centro de Formação Fotográfica - CFF, onde trabalhou como director até a data da sua morte.

João Fumo

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Video de Neyma - Kina Marrabenta

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Video de Ivo Mahel - Label

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Video de Doppas - Ele Era Meu melhor Amigo

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“A melhor música moçambicana vem do Norte e Centro do país” - Diz Jose Guimaraes.

José Guimarães não tem dúvidas

Está na música há cerca de quatro décadas. O que o motivou a abraçar esta carreira artística?

Iniciei a minha carreira em 1969. Mas primeiro dizer que ve­nho de uma família de músicos. Os meus tios, da parte da minha mãe, eram músicos. A maior par­te deles fazia música, mas quem me deu os primeiros ensina­mentos foi o meu irmão mais ve­lho. Por razões de vária ordem, ele esqueceu-se, mas eu não me esqueci e voltei a ensinar-lhe a tocar. foi daí que constituímos o nosso grupo. Nessa altura, o gru­po designava-se “Os Bárbaros” e, geralmente, tocávamos nas festas. A primeira vez que eu to­quei foi no conjunto Casimatis. Eu tocava a viola a solo. Alugáva­mos instrumentos nos estúdios da Delta Rádio e íamos tocar no Benfica. Depois, fui tocar para o Topázio. Foram anos de muita experiência entremeados por ac­tuações em muitas discotecas e casas de pasto.


A banda RM foi uma das mais mediáticas que o país teve. Como é que integrou o grupo?

Esse era projecto da Rádio Moçambique. Nós íamos tocar, de vez em quando, para as festas da Rádio ou qualquer convívio da Rádio. Éramos convidados para boates e, para tal, fazíamos uma selecção de membros de di­ferentes grupos, porque já nos conheciamos. Já havíamos gra­vado juntos na editora 2001. Era eu, o Pedro Ben, Wazimbo, Zeca Tcheco, Sox, Abel Chemane. E daí, surgiu o projecto de formar­mos o grupo RM. Começámos a tocar todos ao mesmo tempo.

Em termos de repertório, o grupo RM sempre se caracteri­zou pela diversidade. Como era feito o repertório na banda?

Havia uma divisão. Havia uns que compunham e outros que interpretavam. Todos os instru­mentistas eram bons. Contribuí­am com ideias e aí saía uma mú­sica diferente da que se tocava na época. E veja que o grupo RM foi tão bom, tão bom por causa do tempo em que surgiu. Assim como apareceu o Jaimito naque­la altura. Era muitíssimo bom. Se aparecesse neste momento se­ria um bocado diferente. Agora há muitos grupos com outras ex­periências. O grupo RM quando apareceu foi o melhor.

Houve quem dissesse que José Guimarães era o “coração” do grupo RM. Confirma isso?

Não posso negar, também não posso afirmar categoricamente. Mas eu compunha a maior par­te das músicas. As melhores mú­sicas. Mesmo quando o grupo ia para baixo, era eu quem com­punha as músicas “mais-mais”, com a ajuda de todos claro. Mas eu trazia o esqueleto feito. Só a execução e outros pareceres eram dados por parte dos cole­gas. Mas sempre foi assim. Até hoje, continuo a gravar à minha maneira, sem o grupo RM. Uma das coisas em que estou a pensar agora é gravar uma música que estou a trabalhar com o próprio grupo RM.

O Grupo RM viveu alguns mo­mentos turbulentos pela saída de alguns dos seus integrantes. O que o fez sair do grupo RM?

O que aconteceu foi o seguin­te: Estávamos todos à espera de um convite para tocar no espectáculo do músico inglês Eric Clapton. Foram escolhidos alguns do grupo para tocar no referido concerto. Nós sabía­mos que tínhamos que fazer um pedido escrito de autorização à Direcção da Rádio. Fiz. Inclui alguns colegas, o Paíto Tcheco, Leman Pinto e Wazimbo. O di­rector respondeu positivamen­te. Alguns colegas deram a volta e foram dizer à Direcção que es­tava a criar uma banda fora com um inimigo da Rádio Moçambi­que, que era o Aurélio Lebon. Logo depois, o director veio dizer que “desautorizo o que autorizei”, assim verbalmente. Não havia de perder a oportu­nidade de tocar ao lado de Eric Clapton, por ser do grupo da Rádio. Continuo a ser músico mesmo fora do grupo RM. Por­que o meu objectivo era actuar, fui tocar.

Aconteceu que nenhum mem­bro da direcção foi assistir ao espectáculo. Mas tiveram o rela­tório. De quem é que foi? Signi­fica que havia algo já preparado para complicar a minha vida. Quando voltámos à Rádio, fui chamado para me dizerem que estava suspenso da Rádio. Mas os colegas que tocaram comigo não foram suspensos e não sei porquê? Eu é que era o alvo a “abater”. Durante o período de suspensão, ia à Rádio Moçambi­que para gravar com o Fernan­do Azevedo. Era forma de fazer dinheiro e ocupar o tempo.

Essa questão ainda o magoa até hoje?

Logicamente que sim. Só que isso ensinou-me uma coisa. Aca­bei tendo um quiosque e alguns bens. Deixei de depender de patrão e da Rádio Moçambique. Ganhei juízo. Se estivesse a tra­balhar na Rádio Moçambique, não teria ideia de construir o meu quiosque. Mas, por causa dessa situação, acho que fiquei muito melhor. Por um lado, des­trui parte da minha vida, mas ensinou-me outra coisa. Isso para mim foi positivo.

Viver só de música em Mo­çambique não tem sido pêra doce. Como é tem sido a sua ac­tividade artística actualmente?

Continuo a fazer gravações. Costumo gravar uma a duas músicas por ano. Não gosto de preparar as coisas a correr, por­que isso não traz bom resulta­do. Admiro muito os jovens que gravam um álbum em cada ano. Alguns até totalizam catorze músicas, mas quando se pro­cura algo de jeito no tal disco, não se encontra. Não contém algo. Prefiro andar devagar. E quanto aos concertos, tenho fei­to sessões particulares. Não de grande vulto.

Músicos são pouco considerados

Com que olhos vê a forma como é tratado o músico moçambi­cano?

Há muita falta de consideração para com os músicos. Eu lembro-me de muitos concertos. Num deles veio o Martinho da Vila e a Malaika. Os dois grupos estrangeiros tinham camarins terrivéis que até pareciam hotéis. Nós estávamos sentados num outro camarim. Só jantámos às 02h00 da manhã. Trouxeram-nos chamussas e água mineral. Mas quando espreitasses lá para o outro camararim “mama mia”...

Há opiniões contraditórias so­bre o estágio em que se encon­tra a música moçambicana? O que tem a dizer sobre isto?

A música está a andar para fren­te. Não é muito boa nem muito má. Mas quero dizer aos músicos do sul, incluindo a mim mesmo, que a boa música vem do norte e do centro do país. Aqueles conjun­tos, os Djaakas, Massukos estão a fazer música seriamente. É música moçambicana. A música de verda­de vem do norte. Com o andar dos anos o norte vai suplantar o sul. O que não deveria ser, porque não estamos a competir. Não somos inimigos e nem adversários.

O que pode ser feito para que a música moçambicana atinja um nível aceitável?

Moçambique é rico em ritmos. Os músicos não se deviam dedicar a tocar músicas americanas. Quer di­zer, músicas americanas com letras moçambicanas. Não deveria ser as­sim. Tem Mapiko, Niketche, uma sé­rie de ritmos. Os músicos deveríam trabalhar nisso. Quem sabe se um dia um americano poderia querer tocar Mapiko. Os jovens estão nes­sa coisa de “hip-hop”.

Além de músico, é actor de cinema. Como vai a sua carreira no cinema?

Recentemente fui convidado para fazer o filme “O último voo do Fla­mingo”. Fiz também um filme na reserva. Às vezes, faço dublagem de voz, sub-posição de voz em alguns filmes. Tenho vivido assim.

Abdul Sulemane

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Segunda-feira, 22 de Junho de 2009

Video de Valdomiro Jose - Strip Stease

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Marrabenta de Dilon Djindji ensinada na Escola Portuguesa

O CONCEITUADO músico moçambicana e considerado “pai” da marrabenta vai estar em concerto amanhã na Escola Portuguesa de Maputo, num acto em que o artista foi chamado não só para cantar, como também para ensinar aos alunos daquele estabelecimento de ensino as linhas-mestras deste ritmo musical.


Na Escola Portuguesa, onde o artista tem a sala de música guindada com o seu nome, Dilon Djindji vai sentar com os alunos e ensinar-lhes o canto, toque e dança de marrabenta não misturada, portanto “pura”, como diz o próprio.

A ida do músico àquele “palco” circunscreve-se nos encontros regulares que ele tem tido com a comunidade académica daquele estabelecimento de ensino, sendo que, para ele, esta é mais uma oportunidade para passar testemunho e deixar legado, ao mesmo tempo que serve de um momento de refrescamento e de troca de impressões, sobretudo quando se tem em conta que grande parte dos alunos daquela escola proveniente do estrangeiro.

Entretanto, Dilon Djindji está, por outro lado, a preparar um espectáculo de celebração do 25 de Junho, Dia da Independência Nacional.

Dados avançados pelo músico ao jornal indicam que o espectáculo de comemoração dos 34 anos da Independência Nacional irá acontecer na vizinha África do Sul, onde o artista vai actuar ao lado de jovens moçambicanos que se encontram a estudar arte – particularmente música – em Durban.

O músico nasceu a 14 de Agosto de 1927, em Marracuene, província do Maputo.
Manifestando desde cedo gosto pela música, construiu, aos 12 anos, a sua própria guitarra, com apenas três cordas, a partir de uma lata de óleo. Três anos depois, teve a sua primeira guitarra e com ela começou a tocar em casamentos e em festas particulares. Nessa altura, tocava os populares estilos musicais zukuta e magica.

Em 1945, após a conclusão dos estudos secundários, frequentou um curso de estudos bíblicos da missão suíça, no Seminário Ricalta, uma instituição ecuménica dos arredores de Maputo. Em 1947, tendo concluído aquele curso, foi exercer as funções de pastor na ilha Mariana (actual ilha Josina Machel, província do Maputo). Nessa ilha, iniciou-se nos recentes ritmos da marrabenta, um estilo musical urbano típico do sul de Moçambique. O seu espírito e energia contribuíram para popularizar esse novo estilo musical. Em 1950, para ganhar algum dinheiro, foi trabalhar como mineiro para a África do Sul e, em 1954, regressando a Moçambique, foi trabalhador duma cooperativa agrícola.

Em 1960, criou o seu próprio grupo de música, Estrela de Marracuene, em 1964, actuou pela primeira vez na rádio, na estação Voz Africana, e gravou o seu primeiro álbum, Xiguindlana, em 1973, através da casa discográfica Produções 1001, na qual trabalhou como coordenador de produção. Em 1994, ganhou o Ngoma-Moçambique, um concurso da Rádio Moçambique, na categoria de canção mais popular, com a música Juro Palavra d'Honra, Sinceramente Vou Morrer Assim, através da qual exprime as dificuldades em viver em Moçambique.

A partir de 2001, lançou a sua carreira a nível internacional como membro do grupo Mabulu. Naquele ano, actuou pela primeira vez fora de Moçambique e demonstrou, apesar dos seus 74 anos, uma inesgotável energia e uma grande agilidade para a dança. Em 2002, gravou o seu primeiro trabalho internacional a solo, num cd intitulado Dilon, no qual a marrabenta é apresentada de forma mais acústica e minimalista.

O seu reportório é constituído por canções sobre o amor e as relações humanas, como Maria Teresa, Angelina, Achiltanwana, Maria Rosa, Hilwe-Wa Santi, canções sobre Moçambique, das quais se destaca Sofala, Marracuene, canções sobre os problemas que afectam a sociedade do seu país, entre muitas outras. O seu trabalho musical tem influenciado vários artistas, tais como Alexandre Jafete, Eusebio Johan Tamele, Francisco Mahecuane e Alberto Langa.
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Gimo Remane nomeado para melhor artista africano na Dinamarca


O MÚSICO moçambicano radicado na Dinamarca Gimo Remane Mendes, fundador e ex-líder do grupo Eyuphuro, foi recentemente nomeado para a categoria de Melhor Artista Africano – Dinamarca (DK) 2009, cuja indicação dos premiados está prevista para Outubro próximo.


A nomeação de Gimo Remane Mendes surge em reconhecimento do trabalho que tem desenvolvido naquele país europeu em prol da música africana.

Para a categoria de Melhor Artista Africano – DK 2009, segundo informações em nosso poder, foram nomeados nove artistas africanos radicados naquele país europeu, no âmbito da escolha anual realizada pela “Celebrate África”. De referir que esta é a terceira edição do certame que premeia os melhores artistas africanos na Dinamarca (Best African Achievements Awards).

Gimo Remane Mendes nasceu em Mossuril, província de Nampula, mas viveu na Ilha de Moçambique onde cresceu influenciado pela diversidade musical fruto de um cruzamento de culturas dos vários povos que durante séculos passaram por aquelas terras.

Viveu e cresceu num ambiente de riqueza cultural, de história e de beleza natural. Muito cedo mostrou os seus dotes musicais tocando e trabalhando com grupos culturais dos bairros da ilha e, desde 1974, embalado pelos ventos da revolução moçambicana, começou a compor músicas na sua língua materna. Foi um dos primeiros músicos moçambicanos a compor e cantar músicas em macua para o público.

Músico convicto e determinado, fundou em 1985, com Salvador Maurício e outros músicos daquela parte de Moçambique, o conhecido grupo Eyuphuro. Inspirando-se nos diferentes ritmos e instrumentos tradicionais da Ilha de Moçambique, Eyuphuro marcou a música moçambicana com um estilo único na nossa música ligeira.

Actualmente a residir na Dinamarca onde prossegue a sua carreira de músico e artista, Gimo Mendes não pára de surpreender aos moçambicanos e aos apreciadores da boa música. Depois de produzir e lançar “A Luz”, seu primeiro e belíssimo álbum a solo, provou ser um músico de mão cheia. Em 2007, foi galardoado com o prémio “Danish World Awards 2007” na categoria de melhor música do ano 2007 com o número “500 anos”, um troféu que veio premiar um trabalho que só Gimo sabe fazer e que prestigia a música moçambicana além-fronteiras.

Como artista, criativo e pensador fundou na Dinamarca a associação “Artists Take Action” (ATA), uma associação de carácter cultural e humanitário onde procura juntar músicos, jornalistas e outras entidades do mundo da arte e cultura dinamarquesas para interagir com artistas moçambicanos.

Gimo Remane Mendes é um artista que sabe conjugar as oportunidades que lhe são oferecidas pelo país de acolhimento (Dinamarca) e as potencialidades do seu país de origem (Moçambique) e que juntando moçambicanos e dinamarqueses debaixo da ATA espalha o orgulho de ser moçambicano na diáspora.

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Video de Yara da Silva - Vem me tarraxar

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Segunda-feira, 15 de Junho de 2009

Ritmos de casa na festa de música tradicional ...Nyacha


NYACHA NA HOLANDA E BÉLGICA:
A BANDA de música beirense Nyacha vai, mais uma vez, representar o país no festival mundial de música tradicional, que terá lugar na Holanda e Bélgica, a partir do próximo dia 5 de Agosto. Com o efeito, aquele conjunto vai realizar vários concertos em diferentes cidades daqueles dois países europeus, durante 45 dias, elevando assim a música tradicional moçambicana para outros paralelos.

Esta viagem dos Nyacha e os concertos que vai realizar vão servir igualmente para a troca de experiência com os outros participantes provenientes de todos os quadrantes do mundo, onde os ritmos de casa serão a gazua destes jovens.

Não é a primeira vez que a banda Nyacha representam o país no festival mundial de música tradicional, organizado anualmente pela Holanda, cujo objecto primordial é a promoção de música de “raiz”.

Em outras edições, o evento decorreu naquele país mas, desta vez, irá acontecer também em algumas cidades da Bélgica, o que significa que parte dos 45 dias do evento a banda proveniente de “Chiveve” irá “passear” o seu charme na Bélgica.
O líder da banda, Timóteo Ntchussa revelou ao nosso Jornal que antes desta digressão à Holanda e Bélgica, os Nyacha vão promover uma série de espectáculos na cidade da Beira, como forma de se despedirem dos seus fãs.

Para além disso, um dos concertos a ser promovido na cidade da Beira vai servir para o lançamento do seu primeiro disco, intitulado “Mbavudzatho”, que traduzido para o português significa “As nossas forças”. O trabalho contém 10 composições e a banda contou, no entanto, com a colaboração de nomes como os irmãos Papy e Nelton Miranda, bem como Jimmy Gwaza, Will Matine, Pateta e o guitarrista Momed Gafar (Mumy).

Em princípio, o disco deveria ser lançado no passado dia 7 de Abril, data em que a banda completou sete anos de sua criação, mas a falta de colaboração do empresariado local no desembolso dos fundos que os rapazes precisavam, avaliados em 15 mil meticais, para pagar a última tranche inserida na edição do disco, fez com que a festa ficasse adiada para uma outra ocasião.

Nesta ordem de ideias, os Nyacha decidiram promover localmente uma série de espectáculos para conseguir o dinheiro.
Mas depois apareceram outros parceiros cujos nomes não foram revelados que ajudaram a ultrapassar a situação, o que significa dizer que o disco já está pronto. Ao todo, a produção do disco custou 130 mil meticais.

“O disco está pronto, estamos a espera da confirmação da data para o lançamento do nosso disco. Não vai levar muito tempo para que isso aconteça e quando estiver tudo acertado comunicaremos, porque queremos fazer deste evento um dia de grande festa”, referiu.

UMA NOVA ROUPAGEM
Maputo, Quarta-Feira, 10 de Junho de 2009:: Notícias O líder dos Nyacha revelou ainda que tanto no “show” de lançamento do disco, bem como noutros que antecederam o périplo pela Europa, serão ímpares pelo facto de a banda prever aparecer com uma nova roupagem com o intuito de proporcionar bons momentos para os seus fãs.

“ Estamos a trabalhar para que este “show” seja um sucesso porque os nossos fãs merecem muito mais. Estes espectáculos devem ser diferentes porque depois vamos ter que ficar muito tempo distante do nosso público”, disse.

Refira- se que, os Nyacha são resultado do projecto Ndónguè da Casa Provincial de Cultura de Sofala e que tinha como principal dinamizador o falecido compositor, David Mazembe.
Para além destes, o mesmo pode-se dizer das bandas Djaaka, Mussodji, entre outras, incluindo algumas turmas de teatro da cidade da Beira.

EDUARDO SIXPENCE

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Xidiminguana e Safira José actuam na África do Sul


OS músicos moçambicanos Xidiminguana e Safira José vão actuar no próximo dia 20 deste mês na cidade sul-africana de Joanesburgo, num concerto agendado para ter lugar em Carlton Villey. Para além destas duas figuras da Música Ligeira Moçambicana (MLM), à África do Sul vai também o jovem músico Edu, que se dedica à produção das novas tendências da nossa música.

Xidiminguana e Safira José vão ser acompanhados pela banda Central Line, liderada pelo guitarrista solo Humbe Benedito. Fazem parte ainda os instrumentistas Zeca (teclados), Bonga (viola baixo) e Momed (bateria).
O concerto destes músicos surge na sequência de um convite endereçado pela embaixada moçambicana naquele país, tendo como pano de fundo a promoção da cultura moçambicana, particularmente a música e, através desta, estreitar os laços de amizade e de cooperação sócio-cultural existentes há anos entre os povos de Moçambique e da África do Sul. Por outro lado, pretende-se sensibilizar os moçambicanos radicados naquele país a não se esquecerem da sua terra e das suas gentes, bem como da necessidade de ambos povos viverem em consonância com bons princípios de vida social e comunitária, ao mesmo tempo que se pretende dar a conhecer as últimas tendências da produção musical de Moçambique. A última que Safira José actuou na África do Sul foi no dia 16 de Maio, e ela voltará a 3 de Julho próximo para mais uma actuação.
Entretanto, no dia 24 deste mês, Safira José vai escalar as cidades de Xai-Xai, na província de Gaza, e Inhambane, para realizar dois concertos. Em Xai-Xai, Safira José irá deslocar-se com o músico sul-africano General Muzka e será acompanhada pela banda Central Line.

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Obra de Mingas apreciada no país e no resto do mundo



DEPOIS de uma viagem pelas províncias de Sofala (Beira) e Manica (Chimoio) e ainda pela cidade zimbabweana Harare, a conceituada cantora Mingas estar em palco nas cidades de Inhambane e Xai-Xai, nas províncias de Inhambane e Gaza, respectivamente. Os espectáculos de Mingas estão agendados para ter lugar nos dias 19 e 20 deste mês.

No dia 22, Mingas deixa Moçambique rumo à Berlim, Alemanha, onde vai realizar também um espectáculo. E em todos estes espectáculos ela será acompanhada pela banda, composta por Nelton Miranda, no baixo; Stélio, na bateria; Dodó, na viola solo; e Sheila, nos coros.

Após o seu regresso de Berlim, ela parte para espectáculos na província de Tete.
Para a Sonarte, entidade que está a promover estes espectáculos, levar Mingas, uma artista que está há mais de trinta anos a palmilhar palcos, constitui um desafio, e, acima de tudo, é uma prova de que a cultura dos povos, particularmente a do povo moçambicano, não tem fronteiras. Ela não se fecha em copas e nem apresenta barreiras.

Por outro lado, segundo Filimone Mabjaia, da Sonarte, esta ousadia significa que a empresa destes jovens não tem limitações em termos de actuação, se apresentando como uma entidade que está simplesmente para a promoção da música e de outras expressões artísticas.
Como uma instituição moçambicana, a Sonarte diz que, se hoje arrancaram com Mingas amanhã, provavelmente, poderão pegar num artista da Beira ou de Nampula para com ele trabalhar, pois a ideia é mostrar o talento e o trabalho dos artistas moçambicanos.

“Para nós esta é uma oportunidade não só para medirmos as nossas capacidades como produtores, mas também o nível de responsabilidade, uma vez que agenciar e levar para digressão uma artista do gabarito de Mingas não se afigura algo fácil”, diz Filimone Mabjaia, sublinhando que, com Mingas a ideia é envolver-lhe num mundo que é característico dela: a interacção com o público, com os seus fãs.

Para ele, estar ao lado de Mingas e promover os seus espectáculos é uma forma de aprender, mas também de sentir o prazer de trabalhar com gosto. É uma experiência que está no nível de valorização da cultura moçambicana, de preservação dos usos e costumes e, acima de tudo, divulgar o que de bom Moçambique tem, como é o caso da obra de Mingas.

INVESTIMENTOS
O investimento feito para a realização desta digressão é considerado alto, assomado à responsabilidade que isso significa, tendo que Mingas não é uma artista qualquer.
“Nós estamos a fazer isso porque gostamos. Sabemos que não é algo fácil, há percalços, mas não é nada que nos impossibilite de continuar. Por exemplo, em Chimoio tivemos problemas do tipo adiar o espectáculo marcado para domingo, tendo se realizado numa segunda-feira. Isso implicou a devolução do dinheiro, uma vez que a culpa não era nossa e nem do público que havia comprado os bilhetes. Mas, mesmo assim, conseguimos ultrapassar e ela teve uma prestação à altura da grande profissional que ela é, bem como são os artistas que a acompanham”, disse Mabjaia.

Ele sublinha que os investimentos em termos de dinheiro não superiores aos ganhos que se pretende ganhar em termos de investimentos que fazem na componente cultural.
“Para nós é um sonho estar a realizar uma digressão, a solo, de uma artista como Mingas. Esta é a primeira digressão que acontece nestes moldes e com esta dimensão. Sabemos que as condições são de alto nível como é Mingas, mas procuramos preencher todos os detalhes, para além de que na nossa percepção ela demonstra vontade e carinho por aquilo que estamos a fazer. Ela percebe que para nós isso é um desafio de um grupo de jovens e por isso decidiu aceitar. Ela é uma artista que está a cantar, com sucesso, há trinta anos e por isso todos os cuidados são necessários”, disse.

Entretanto, nesta digressão está a ser comercializado o disco “Vhuka África”, recentemente adiado. Por outro lado, no final deste mês será apresentado o DVD gravado aquando do espectáculo de celebração dos trinta anos de carreira de Mingas.
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Dama do Bling em Entrevista ao MMA

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Veja, Videos de Lizha James ft Mandonza e Entrevista ao programa Studio 53 da M-NET





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Otis




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Video de Phathar Mak ft Prince Wadada - Prova dos Nove



Uma producao de MG producoes.
Artista: Phathar Mak ft. Prince Wadada
Titulo: Prova dos Nove
Album: Paginas Soltas

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Whitney Hoston Brevemente nas Bancas

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Show De Talentos da Vodacom


Mostra o tudo bom que há em ti.
Se és talentoso, irreverente e capaz de vencer.
O Teu lugar é connosco no Show de Talentos.

O Show de Talentos oferece o maior prémio televisivo (em dinheiro) do país.

Serão 250 mil Meticais p/ o 1º classificado, 150 mil para o 2º e 50 mil Meticais para o 3º classificado.

É a tua oportunidade de viver como uma Vedeta.

As inscrições ja iniciaram.

Fica atento aos casting acontecerão na cidade de Inhambane a 26 de Maio, Gaza 29 de Maio, Tete 4 de Junho, Beira 7 de Junho, Chimoio 10 de Junho, Nampula 13 de Junho, Quelimane 17 de Junho e Maputo 20 de Junho.

Fique ligado na programação da STV.

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Segunda-feira, 8 de Junho de 2009

Vida e Obra de Pedro Langa.

No nosso pais, os musicos cumprem a ardua tarefa de entreter o povo. Nos clamamos e deliciamos dos momentos em que nos fazem esquecer da pobreza que e geral. Tem sido usual que quando o musico fisico morre, deparamos como sociedade que em vida tambem batalharam pelo pao de cada dia e nao puderam preparar o futuro com mais dignidade.
Com dignidade vivem na pobreza e morrem na pobreza.
Nos como sociedade e amantes da nossa cultura, reproduzimos aqui na integra artigos dos jornais Metical e Savana, na tentativa de manter viva a memoria daquele que em vida alegrou-nos o espirito. Leia aqui, aqui e aqui.
Nossa singela contribuicao.

Pedro Langa




Pedro Langa nasceu no dia 6 de Dezembro de 1959 no distrito de Chibuto, província de Gaza, e foi assassinado na madrugada do dia 20 de Novembro de 2001 na sua casa, em Maputo.

Para além da sua vasta obra musical, constituída pelo menos por 40 músicas originais e tantos outros registos como viola solo em músicas da autoria de colegas, deixou também 5 filhos menores.

Até á data estão por esclarecer os motivos e os responsáveis por este crime, dado que a única coisa roubada em sua casa foram os seus documentos pessoais. Pedro Langa deu os primeiros passos na música, cedo , em casa, por influência dos seus irmãos mais velhos Hortêncio e Milagre Langa. O seu primeiro contacto com o público realiza-se no ano de 1976 com o grupo de canto e dança da OJM, no clube da Juventude.
Mais tarde, em 1978, vai para o centro de formação de professores (EFEP), aonde é um dos activistas culturais. Participa também, com o conjunto HOKOLÓKWE, em espectáculos promovidos pela direcção Nacional da cultura, em Maputo no ano 1979. È num destes concertos que ele faz a sua aparição pública individual.

Na imagem, Pedro Langa e Tchica em 1995

O PRIMEIRO ESPECTÁCULO
Foi no cinema SCALA, com o HOKOLÓKWE. A este respeito ele próprio costumava contar a rir-se que foi vaiado. Nesta “altura” o conjunto que o acompanhava era bastante conhecido como imitando música estrangeira e o público disse “fora”. Mesmo assim ele cantou as duas músicas até ao fim (TSIBILA THEMBUENE, com letra de José Alberto Chambe e FERIDO REGRESSO), apesar de ninguém ter ouvido. Neste mesmo ano é expulso da EFEP juntamente com outros 5 colegas e como castigo vai para o serviço militar obrigatório.
Regressado da “tropa”, e com o conjunto MBILA faz os “shows” de fim-de-semana no Clube da Juventude.Funda o grupo NDZUTI em 1983, que tendo em vista participar no concurso de música ligeira promovido pela EME (Empresa Moçambicana de Espectáculos, sob a direcção de Edie Mondlhane), se junta ao músico Simeâo Mazuze. O nome como se registam no concurso é XIGUTSA-VUMA. Ganham o prémio da melhor composição.

A GENESE DO GHORWANE
Este grupo desagrega-se, e pouco tempo depois, PEDRO LANGA funda o grupo GHORWANE (nome de um lago de Chibuto). Da composição inicial fazem parte: o baterista Hilário, o guitarrista Tchika, o trompetista Júlio Baza, o flautista Wilson, o compositor saxofonista e vocalista Zeca Alage (também assassinado), o percussionista Dingo (falecido), e o baixista Lot. Estamos em Novembro de 1983 e os primeiros ensaios do grupo foram feitos num banco do jardim Tunduro, com uma viola emprestada por David Macuácua.

Ainda neste mesmo ano, o grupo submete á RM algumas músicas para gravação, que são rejeitadas.No início do ano de 1984, Roberto Xitsondzo, vem a Maputo, pretendendo gravar algumas das suas músicas. Não tendo grupo para o acompanhar, entra num acordo com o GHORWANE, a banda faz o acompanhamento ás suas composições e em troca ele permite ao grupo gravar 2 musicas da autoria de PEDRO LANGA (FERIDO REGRESSO e N`DLALA-fome desta era), conseguindo assim “fintar” a RM. É exactamente no dia 7 de fevereiro de 1984 que o grupo entra em estúdio, para gravar pela primeira vez, juntamente com Compositor, vocalista e viola Roberto e ainda com David Macuácua, amigo de infância do PEDRO, que conhecendo bem as músicas fica com a responsabilidade dos coros e percussão.

Um pouco mais tarde, Lot abandona o grupo e em sua substituição entra o baixista Carlos Gove. O aparecimento do grupo em palco, é no dia 23 de junho no cine-teatro Àfrica.

Sobre este concerto o jornalista José Pinto Sá escreveu, “confrontados com a falta de fundos para adquirir guarda-roupa, os músicos decidem assumir provocatoriamente a sua pobreza. Aparecem com as caras enfarruscadas, semi-nus, esfarrapados, Zeca Alage recusa-se a falar portugues... mas são sobretudo as canções que fazem escândalo, abordando fortemente temas como a guerra e a miséria em Moçambique.” Em 1985, Pedro Langa é representante finalista no “concurso descobertas 85” promovido pela RFI (Rádio frança Internacional).

Em 1986, se separa do seu grupo e decide fazer a carreira a solo sendo acompanhado pelos grupos VERSÃO, SOM LIVRE, NOVA DIMENSÃO, OS COSSAS, HOMBA MÔ, ORQUESTRA MARRABENTA e CENTRAL LINE.

Participa em Lisboa no Teatro Dª Maria II, com o grupo GHORWANE no espectáculo da 1ª conferencia internacional dos jornalistas de expressão Portuguesa, produzido por Artur Garrido no ano de 1988. A 24 de Setembro de 89 com grupo GHORWANE, participa em mais um concerto com Músicos Sul-Africanos, Sipho Muxuno e P. J. Powers.

HE MHADJA
Em 1991, lança a colectânea “HE MHADJA” (Ó JOVEM), com 10 músicas da sua autoria, acompanhado pelo grupo GHORWANE e o HOMBA MÔ e ainda pelos músicos Zeca Tcheco e Léman Pinto.
Em 1993 é o vencedor da canção mais popular no concurso “NGOMA MOÇAMBIQUE”, com a musica MAMBA YA MALEPFO -mamba com barbas.

O REGRESSO
Em 1994 é convidado a integrar novamente o grupo GHORWANE, e a aparente dicotomia GHORWANE-PEDRO LANGA, resolve-se com a seguinte frase sua; “Tenho musica suficiente para mim, para o GHORWANE e ainda sobram algumas para outras coisas”. No ano seguinte,(produzidos por Leo Stolk e Lukas Bosma e que os acompanharão até ao ano de 1997, altura em que regressam á Holanda) participam no festival de música da SADC em Harare, no Zimbabwe.

Em janeiro de 1996 o GHORWANE faz na África do Sul um concerto denominado AFRICA ONE com Hugo Massekela e o grupo Bayete.

Participam também numa digressão conjunta com um grupo Austríaco de música tradicional,(WEINER TSCHUSCHENKAPELLE) pelo centro do país, num intercâmbio cultural para a divulgação da cultura Tsonga.


CD KUDUMBA
Em maio de 1996 o grupo parte para uma digressão de 90 dias pela Europa, em festivais de música e em locais privados passando por Portugal, Espanha, França, Bélgica, Holanda, República Checa, Áustria e Alemanha onde gravam o CD KUDUMBA, que contém 3 músicas suas (UYO M SIYA KWINI-aonde é que o deixaste, VHÔRY-juro e MAMBA YA MALEPFO, editado pela Piranha em 1997.
No folheto que acompanha o disco, Mia Couto escreve ”Com mestria eles realizam essa obra de feitiçaria que é sentar-se sobre as próprias desgraças e recarregarem a alma de riso. Essa generosidade de inventar luminosidade onde a vida escavou um túnel é a razão primeira que faz com que as canções destes jovens sejam cantadas nas ruas deste país e perdurem como se fossem barcos a viajar além do horizonte do quotidiano. Faz bem escutar este milagre de converter a lágrima em sorriso.” Seguem-se inúmeros concertos do grupo no Centro Social do Desportivo.
No ano seguinte a musica UYO M SIYA KWINI é editado numa colectânea denominada “THE BEST OF AFRICA” juntamente com outros conhecidos músicos africanos como YOUSSOU N’DOUR e MANU DIBANGO.
AS ÚLTIMAS COMPOSIÇÕES
Em 1997 mostra ao público as suas últimas músicas, acompanhado por jovens da Escola Nacional de Música.
Em 2000 volta a apresentar-se, mais uma vez acompanhado pelo grupo HOMBA MÔ no Cine-Teatro Àfrica num repertório que continha as últimas músicas mais trabalhadas e ainda outras músicas de repertórios anteriores, de sucesso.

Edita com o grupo Ghorwane no CD MOZAMBIQUE RELIEF a música WAVITIKA-rancoroso, a quarta música sua gravada em CD. A cassete HE MADJAHA encontra-se em bobine e as suas últimas músicas, numa cassete. A família, o grupo GHORWANE e os amigos fazem neste momento todos os esforços por realizar o seu grande sonho, editar as suas músicas.

MÊMÊ
...Com a devida venia extraido do site www.ghorwane.com. Visite e saiba mais sobre uma das melhores bandas Mocambicanas de sempre. "Os bons rapazes."


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Katia Vanessa ft N'star & Mr.Arssen - Amigo do meu namorado

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Três grupos já estão classificados para a final do Especial FestCoros

Um dos grupos Classificados
A primeira classificatória do especial FestCoros foi marcada por muita emoção! Os representantes dos cinco grupos que participaram da 1ª Gala do Especial FestCoros estiveram presentes nos estúdios da STV para participar do programa da 1ª classificatória, exibido na última quarta-feira.
Após uma rápida retrospectiva das apresentações na Gala, Keta de Jesus revelou o resultado, que estava desta vez 100% nas mãos do público.

Os grupos Tinghilozi, Silas Voice.
Juventude do Zimpeto foram os mais votados da semana e garantiram sua vaga na grande final. Esperança da IPM e Laulane`s Choir tiveram de abandonar a disputa por insuficiéncia de votos.
Agora, a expectativa é com relação ao resultado da segunda eliminatória, disputada pelos grupos Activista Livre, Moya, Wesleyana de Xai-Xai, Genisis Voice e Moz-Dreams. A votação termina na próxima terça-feira, às 23h59 e resultado será conhecido na quarta, após o Jornal da Noite, na STV.
Fonte: STV

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Biografia de Costa Neto


Filho de um faroleiro e de mãe doméstica, Costa Neto nasceu em 1959 no dia 5 de Outubro às 00,00 horas, no último edifício a sul de todo o território de Moçambique, o farol da Ponta do Ouro, na montanha onde o seu pai se encontrava destacado.

Entrou para o ensino primário em 1965 numa missão católica colonial portuguesa em Matutuine, Moçambique.

Em 1970 ingressou num seminário também católico, e em 1971, no ensino oficial secundário na cidade de Maputo, então Lourenço Marques, ainda sob domínio português.
Em 1974, após a revolução portuguesa, interrompe por um ano os estudos, e esta disponibilidade de tempo permite-lhe iniciar-se como autodidacta na música.

Em 1976, pós-independência, regressa à escola, seguindo o ensino técnico, e desiste dos estudos em 1980,recusando-se a um encaminhamento oficial obrigatório à carreira docente. Desde então dedica-se exclusivamente à música, ingressando no mesmo ano no "Grupo 1" de música ligeira moçambicana.

Em 1981, funda com companheiros seus o grupo musical "M'bila", um dos grupos que mais revolucionou a música urbana moçambicana, o qual dirigiu até à sua extinção em 1988. Entretanto, o seu primeiro grupo musical fora o "ABC 78", cujo nome foi por si sugerido aquando da sua fundação em 1978.

Em 1983 é-lhe incumbida a responsabilidade de director interino do Clube da Juventude de Maputo, o centro mais regular na promoção do entretenimento durante todo o período da guerra civil pós-independência, onde se encontravam também baseadas as actividades do seu grupo "M'bila".

Em 1988 parte para Portugal numa digressão, onde decide ficar e residir para dar continuidade à sua carreira artística, o que lhe acarretou enormes dificuldades nos primeiros anos da sua estadia.

Com sentido de solidariedade, envolve-se com artistas oriundos de todos os outros países lusófonos, entre eles alguns dos mais conceituados nos seus países de origem, com muitos dos quais mantêm relações excelentes de camaradagem e amizade, o que lhe inspirou a criar em 1996 o projecto "FAZER", patrocinado pelas Nações Unidas, que envolvia a grande maioria dos músicos africanos residentes em Portugal, para além de personalidades e outras instituições que se solidarizaram com o projecto.

No ano 2000, abalado com a catástrofe das cheias na sua terra natal, Moçambique, escreve e canta o "Sinónimo Vida", que se tornou na prática o hino das vítimas da tragédia, projecto este, que viria mais tarde a ser editado em "Cd single".

Em 2001 marca o início da sua carreira a solo com a edição de "PROTOTYPUS", que se sugere ser um contributo ao desenvolvimento e divulgação da cultura moçambicana e africana em geral, no mundo.

Do álbum "PROTOTYPUS", foram selecionados temas originais como "ÚÈ MWANÊ" para a colectânea pan-africana "MOTHER AFRICA", e "KIKIRIGÔ" para a primeira colectânea da "MÚSICA DA CPLP".

Considerado por muitos como o mais fiel intérprete da música Moçambicana na Europa, tem sido por isso convidado a representar o seu país em alguns dos mais mediáticos eventos onde se requer a presença da cultura moçambicana, destacando-se a participação no concerto de encerramento da conferência "GALEGO EM PÓ" em Santiago de Compustela, Galiza, a participação em três edições do festival "PORTAFRICAS", o encerramento das comemorações em Roma do 10º aniversário dos acordos de paz de Moçambique, a representação de Moçambique no festival "ENCONTROS LUSÓFONOS", em Lisboa, 2004, a participação no concerto "MUSIC AFRICA" em Roma, 2006.
Fonte: Lusafrica

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Grupo TPM : 33 anos encantando com Makawayela

O célebre Grupo de Makwayela dos TPM (Transportes Públicos de Maputo) celebrou esta segunda-feira, 25 de Maio corrente, 33 anos de existência. Este marco na história do grupo, em particular, e da Makwayela, em geral, será celebrado pela edição do primeiro disco do agrupamento com o título “Lhuvuka África” (Desenvolva África) e com a realização de um espectáculo de homenagem ao seu fundador e maestro Gil Mabjeca, falecido a 17 de Janeiro de 2003.
Fundado em 1976, o grupo de Makwayela dos TPM foi e é um dos mais eufórico e representativo praticante daquela disciplina cultural, com espaço reservado nas cerimónias de recepção de Chefes de Estados, sessões de gala, entre outros eventos especiais.

Cedo o grupo se transformou em autêntica enciclopédia de dança Makawayela e de exaltação da moçambicanidade, palmilhando em resultado da sua autenticidade e brio profissional alguns países como Angola, onde em 1981 tiveram o privilegio de abrilhantar o primeiro Congresso extraordinário do Movimento Popular para Libertação da Angola (MPLA).
Nos seus tempos áureos, o grupo percorreu países como a União Soviética, Holanda, Noruega, India, República Democrática Alemã (RDA), Finlândia, Suécia, Dinamarca, Bélgica, Quénia, entre outros da região da África Austral.

FATÍDICO JANEIRO DE 1984
A 20 de Janeiro de 1984, o agrupamento sofreu um rude golpe ao perder cinco dos doze membros do colectivo assassinados, enquanto dois ficavam inválidos para o resto da vida, ao caírem numa emboscada protagonizada pelos então chamados “matsangas” (bandidos armados), na localidade de Cumbane, distrito de Jangamo, província de Inhambane.

Em homenagem aos colegas barbaramente assassinados em Cumbane, o grupo de Makawayela dos TPM passou em 2003 a designar-se “Nwandle Phati”.
A designação “Nwandle Phati” resume a história do grupo na medida em que tem o significado de duas linhas lindas lagoas existentes no distrito da Manhiça. É exactamente na zona onde estas lagoas existem que nasceu o maestro Gil Mabjeca e a maior parte dos membros do grupo assassinados a 20 de Janeiro de 1984, em Cumbane.

LHUVUKA ÁFRICA
“Lhuvuka África” é título do primeiro álbum de canção e dança Makwayela a ser editado pelo agrupamento dos TPM para celebrar os 33 anos de sua existência, assinalados segunda-feira última. O disco será composto por seis temas, todos êxitos do passado.

Actualmente o grupo está a busca de parcerias para reproduzir o disco, tendo feito já contactos com algumas editoras da praça, entre as quais a Vidisco.
Ainda no âmbito das comemorações do trigésimo terceiro aniversário, o grupo de makwayela dos TPM vai realizar brevemente um espectáculo de homenagem ao seu fundador, o maestro Gil Mabjeca.

GIL MABJECA
No vasto leque de actividades programadas para a celebração dos 33 anos de existência, os membros do grupo de Makwayela dos TPM decidiram homenagear o seu líder, Gil Mabjeca, falecido em Janeiro de 2003.
Gil Mabjeca nasceu no posto administrativo de Calanga, distrito da Manhiça, aos 11 de Fevereiro de 1945.

A Makwayela foi a sua brincadeira de infância, pelo que muito antes de ingressar no ensino primário na escola missionária São Luís Gonzaga, de Lagoa Pate, na Manhiça, entreve-se a digerir passos da dança makawayela do grupo Zulu, os “Five Roses”.

Nos meados dos anos 50 fundou e dirigiu o grupo na escola primária, tendo, posteriormente, sido convidado a ingressar no grupo de makawayela dos nativos de Marracuene, denominado “Homem Singer”. Mais tarde passou para o grupo “Sitossi”, de naturais da Manhiça.

Com 23 anos de idade rumou para as minas da África do Sul, onde entre o trabalho nas minas dançou makawayela no grupo zulu, “Morning Stars”, passando posteriormente para os “Still Fountein”.

Regressa definitivamente ao país, e funda, em 1976, o grupo de Makawayela da empresa dos Transportes Públicos Urbanos (TPU),actualmente TPM.

ORIGEM DA MAKWAYELA
A Makwayela é uma dança tradicional profundamente enraizada na região sul do país, em consequência da aproximação com a vizinha África do Sul, país apontada como a “progenitora” daquela disciplina artística.

Sobre a origem da dança existem vários estudos, sendo na sua maioria coincidentes que a Makwayela nasceu na África do Sul, mais concretamente nas minas.
Diz que a dança teria sido criada por emigrantes nos finais de 1860 para “matarem” saudades das suas terras de origem, para esquecerem o sofrimento causado pelas longas jornadas nas minas da terra do Rand.

A Makwayela, que é actualmente dançada em quase todas as províncias do nosso país, tornou-se muito famosa e praticada logo após a libertação do jugo colonial.
A Makwayela encontra-se espalhada pelos países onde há tradição de trabalho nas minas, nomeadamente Malawi, Lesotho e Suazilândia.

Sobre a origem do nome existem pelo menos duas versões: a primeira diz que a Makwayela resultou da corruptela da palavra inglesa choir (coro) cuja pronúncia é mais ou menos “Kway”. A outra diz que nasceu da “makwaya” quando se introduziu o coro e para distinguir as duas danças, optou-se por fazer um acréscimo, resultando daí a palavra Makwayela.

João Fumo - notícias

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Video de Nuno Abdul no Music Box


Veja o clip de Nuno Abdul no Music Box da STV.
Part. 1
Part. 2

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Single Promocional de Iveth - Amiga


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Segunda-feira, 1 de Junho de 2009

Freeyamind - Uma luz & Maketrafico

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MC Roger em Responsabilidade Social



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Público vibra com a 1ª gala do Especial FestCoros

Wazimbo actuando com um dos grupos coraisDecorreu este domingo a primeira gala do Especial Festcoros, na Catedaral das Artes, Cine África.

O Especial FestCoros acontecerá em qutro glas, sendo que somente o público, através dos votos, decidirá quem vai ficar em primeiro lugar neste Especial FestCoros. Na gala de hoje desfilaram no palco do Cine África cinco grupos.

A primeira gala do Especial FestCoros contou com a participação de cantores como: Wazimbo, Jenny, Jutty e Nelson Nachungue, que cantaram acompanhados pelos grupos corais. Para os cantores esta é uma boa iniciativa, cantar acompanhados por grupos corais, eleva a música coral no país e uma experiencia única, na qual partilharam vários conhecimentos e experiências na arena musical.

Os espectadores que afluiram ao Cine África dizem-se satisfeitos com este evento e esperam que o mesmo continue pois preenche um vazio que existia em termos de música coral no país.

Fonte: O Pais

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“Gallotones” lança novo disco

Com presença de António Marcos um dos fundadores da banda.
O agrupamento gallotones lançou esta sexta-feira em Maputo um CD intitulado Yanya. O disco é resultado de criações musicais de mais de 30 anos.

O acto de lançamento do disco foi abrilhantado pelos vários temas musicais sobejamente conhecidos pelos apreciadores da marrabenta.

António Marcos que foi um dos Fundadores da Banda Gallotones diz que o lançamento deste disco significa a ressureição do grupo.
O público presente no lançamento do disco não conseguiu conter a vontade de dançar ao som da Marrabenta.

Depois de ter gravado o seu sigle papaiana, em 1979, a banda tornou-se uma referência no cenário musical, previlegiando o género marrabenta.

Escrito por Felicidade Zunguza

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Veja Videos de Dama do Bling - Casamento e Entrevista ao Sapo.




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“O agenciamento de artistas não precisa de regulamentação”, defende o produtor Bang



Músicos agenciados em terra selvagem    
    
“O agenciamento de artistas não precisa de regulamentação”, defende o produtor Bang
- depois de perder Dama do Bling e Valdomiro José, Bang Entretenimento aposta nos sul-africanos Mandoza e Loyiso
 
É característica própria da pequena indústria musical moçambicana que os seus principais fazedores – mais concretamente os músicos – iniciem as suas carreiras profissionais negligenciando questões relacionadas com o facto de se tratar de um sector comercial que tende a ser cada vez mais agressivo e que envolve contratos que exigem uma postura firme para que se possam evitar futuras frustrações. 


Moçambique entrou na era do agenciamento de artistas com o surgimento de pequenas empresas vocacionadas nessa actividade e os últimos anos têm sido decisivos no alerta para a mudança de mentalidades por parte dos artistas que decidem enveredar pela via do agenciamento. A generalidade dos músicos – sejam iniciantes ou não – não tem dinheiro para investir nas suas carreiras a fim de terem a devida visibilidade, mas ganham a consciência de que por mais talento que possam ter, não basta, pois são necessários altos investimentos para que se consiga sobreviver num mercado cada vez mais selvagem. Inicialmente vocacionadas na produção de espectáculos musicais, algumas pequenas empresas como a Bang Entretenimento, DXS Label, Laggost Label, Cotonete Records, Track Records, Big Brother Entertainment, Celebrity e outras do género agora também ganham algum dinheiro agenciando os músicos com os quais negoceiam as suas propostas, oferecendo ganhos e cobrando dividendos. Fazem-no através de contratos que têm sido mais ou menos assim: em troca do investimento que fazem na carreira dos músicos, produzindo sua música, seus vídeo-clips e sua imagem, os músicos comprometem-se a dar aos seus agenciadores as percentagens previamente combinadas que forem a resultar de todas as suas participações. Bang, produtor e boss da Bang Entretenimento, explicou-nos que a sua empresa ganha com as percentagens que forem fixadas nos contratos, pois as mesmas passam a ser retiradas dos rendimentos que os músicos tiverem durante o tempo que vigorar o contrato, sejam eles rendimentos provenientes dos cashés ou de outros contratos com empresas que se interessem pelo trabalho do artista. 

Artistas burlados
No negócio do agenciamento – ainda sem um regime jurídico especial que o regule – os músicos, sobretudo os iniciantes, parecem o elo mais fraco, pois geralmente descobrem tarde que se envolveram em maus negócios e decidem abandonar os contratos depois de terem perdido muito dinheiro, grande parte do qual vai directamente para os bolsos do agenciador que já conhece melhor as dinâmicas do mercado. Hoje se pergunta se não terá sido esse o caso da cantora Neyma, ela que se afastou da DXS Label um pouco depois de descobrir que afinal de contas a sua relação de trabalho com o produtor não era das melhores.

Embora Bang afirme, em entrevista ao SAVANA, que os contratos celebrados com os músicos com os quais trabalha sempre foram “claros” e “honestos”, há casos de empresas ou de pessoas que tendem a manchar o bom nome que as “labels” conquistaram nos últimos anos ao se fazerem passar por agências sérias, quando na verdade roubam aos mais fracos. 

O caso do Hermínio foi um dos mais falados, quando este apareceu a denunciar o fim do seu contrato com a Laggost Produções alegadamente porque teria sido defraudado em mais de 200 mil meticais em cashés e na venda do seu disco à Vidisco, tendo prometido levar a questão ao tribunal. “A partir de agora vou seguir uma carreira a solo”, disse Hermínio a este jornal, quando abandonou a Laggost Produções em 2008. 

Matérias que alimentam a imprensa cor de rosa – "Atracções" e Fred Jossias com os seus “beafs” –, os problemas de relacionamento entre essas novas agências de músicos e os músicos mexem com o tecido ético e moral da sociedade, contribuindo para a degradação dos valores culturais moçambicanos, sobretudo, quando os músicos trocam insultos, ameaçam-se porrada e tribunais, usando os órgãos de comunicação social como armas de arremeço.

“Está bom como está”, Bang
Para Bang, o sector do agenciamento de artistas não carece de nenhuma regulamentação, pois “está bom como está”. Apesar das “guerras” que amiúde têm-se levantado entre músicos e agenciadores, assim como entre algumas agências entre si na disputa dos poucos patrocínios que há, Bang considera que o agenciamento de artistas ainda é um negócio muito novo em Moçambique, daí que acha que deve continuar assim como está. “Eu comecei a cantar numa altura em que nós investiamos nas nossas carreiras pessoalmente, mas hoje já não, hoje os artistas têm quem invista neles e isso é positivo”, considerou.

O caso Dama do Bling e Valdomiro José
No mercado há sensivelmente cinco anos, a Bang Entretenimento, segundo o respectivo boss, é responsável pelo agenciamento de artistas como Lizha James, Danny OG, Da Most, Doppaz, mas também já passaram pela organização nomes sonantes como Dama do Bling, Valdomiro José, Marlene e Yara, cujas saídas alimentaram polémicas a vários níveis. 

Vários órgãos de comunicação social trataram as saídas de alguns destes artistas da Bang Entretenimento como tendo- se tratado de baixas que terão sido originadas por questões ligadas com a divisão dos rendimentos, mas Bang desdramatiza a questão referindo que a saída daqueles artistas foi pacífica. Mesmo em relação a especulações segundo as quais o que terá precipitado o abandono da cantora Dama do Bling da organização terá sido o alegado facto de não se perceber muito bem a linha divisória entre a sua relação matrimonial e a sua relação profissional com a cantora Lizha James – beneficiando-a em detrimento de outros membros –, Bang negou que tenha havido desigualdade de tratamento. 

A verdade, segundo ele, é que tudo tem a ver com questões relacionadas com o momento, pois “houve o momento em que quem estava em cima era a Dama do Bling, mas também houve momentos em que quem estava a bater era o Zico ou o Doppaz e quando passou a ser a vez da Lizha James, pessoas de má fé também passaram a dizer que é por causa da nossa relação como marido e mulher. Essa gente nem sequer presta a atenção para o facto de que a Lizha é uma cantora excepcional e que começou a sua carreira muito cedo”.

A questão relacionda com a lógica dos contratos também é muito determinante para que num dado momento apareça um músico a ser mais promovido e não outro, segundo explicou o produtor. O que acontece é que às vezes a Bang celebra contratos em que o músico aceita dar uma percentagem maior que a dos outros e o mais sensato para quem está a fazer negócio será investir no músico que oferecerá maior percentagem dos seus proveitos. “Entre um que oferece 40 e outro que oferece 60 por cento, é claro que investirei no que oferece 60”, elucidou.

Insistiu que não houve nenhum problema com Dama do Bling, Valdomiro José e Marlene. Reconheceu que de facto tinha contratos com eles, mas a rescisão foi amigável em todos os casos. No caso da Dama do Bling, Bang contou que a relação começou logo quando se criou a “fábrica de beats” e a relação sempre foi mais de amizade do que profissional. “Começámos enquanto a Dama do Bling não era cantora, senão uma excepcional produtora. Depois ela começou a cantar, mas sempre deixou claro para todos que ela não se considera uma cantora, mas sim uma artista.

Sempre sonhou em ser estilista e é o que hoje está a fazer e ainda vai ser a melhor estilista deste país. Sempre manifestou grandes ambições de um dia poder caminhar sozinha e quando esse dia chegou ela veio ter comigo e disse que era a hora. É óbvio que isso gerou muita especulação”, referiu. Quanto à coincidência nas saídas, Bang referiu que foi uma coincidência normal e que Valdomiro José e Marlene continuam a ser seus grandes amigos. 

Acrescentou que Marlene quando se alistou na turma da Bang Entretenimento já tinha um produtor que investia mais dinheiro nela, que era a Celebrity, tendo sido com esta label que preferiu ficar.

Bang mostrou reservas em falar dos seus ganhos assim como dos ganhos dos músicos nos contratos celebrados. Para além de que o segredo é a alma do negócio, Bang defende que aspectos relacionados com os ganhos obtidos nos contratos não são para serem divulgados porque todos têm o direito à reserva da sua intimidade e da sua vida privada e isso aplica-se até mesmo aos artistas, apesar da visibilidade que a profissão obriga. 

Fonte: Savana.

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Segunda-feira, 25 de Maio de 2009

Video de Lizha James - Ja Nao Sei

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DMG, Nuno Abdul e Elex preparam novos videos

O jovem músico DMG, que recentemente colocou no mercado o seu primeiro álbum de originais intitulado "Vitória", está a preparar um novo video, bem como o lançamento oficial do seu álbum.

De referir que para o mesmo álbum, DMG já gravou o vídeo "Só tú", com a participação de Ace Nells. Quem também está a preparar novo video é o Nuno Abdul, ex-participante do "Fama Show" e membro da Top Label.
O Elex, por sua vez, têm agendado ainda para o mês de Maio o início do casting para seu novo video, ao que se diz, também de preparação para o álbum do grupo, que deverá ser lançado ainda este ano.

Dia Feliz de Elex

02 May 2009 © Copyright 2009 mozhits.com

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Marrabenta: jazida inesgotável

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Nunca vai acabar. É como a própria vida: que acaba e recomeça. Ainda bem que é assim. Uma salva de palmas para aqueles que a querem erternizar. Levando o fogo aos palcos. Teremos, por isso mesmo, mais um Festival de Marrabenta que começa hoje no Centro Cultural Franco-Moçambicano. No dia dia 2 de Fevereiro será em Marracuene - no Gwaza Muthini - e, no dia 3, será a vez de Matalana acolher este movimento que já mexe com as mais diversas sensibilidades.


Tudo nos indica que o festival anual da Marrabenta veio para ficar. Não haverá problema nenhum em afirmar que, em cada festival desta vertente musical, ficamos com a sensação de que as barreiras tribais vão ficando cada vez mais distantes. Apesar de ser um ritmo celebrizado no sul de Moçambique, a marrabenta é tocada e dançada em todo o Moçambique.
Também porque ela carrega, em si mesma, todo um peso histórico que passará pelas minas sul-africanas de ouro. Nomes como Fany Mpfumo, Alexandre Langa, Francisco Mahecuane, por exemplo, misturaram o seu sangue com os sul-africanos. Naquelas terras eles se inspiravam para fazer esta música que hoje nos orgulha a todos. É, por isso mesmo, uma homenagem a homens de grande estatura que eram aqueles artistas.

Os organizadores do Festival da Marrabenta, terão, naturalmente, em mente, o grande respeito que se deve outorgar à figuras que estarão intrisecamente ligadas a Marrabenta, um ritmo que atravessou gerações, mantendo-se até hoje com a mesma firmeza do princípio. Música popular ritmo respeitado pelos moçambicanos, a marrabenta aparece nos anos 50, na idade de ouro de Lourenço Marques. Nessa época, a cidade era reputada pela sua doçura de viver e pelas orquestras que animavam as noites da capital.
A marrabenta, com o seu ritmo animado e suas melodias arrebatadoras, conta com uma súbtil mistura, pequenos detalhes da vida quotidiana em Maputo e dos grandes eventos da história de Moçambique.

Na sua origem, a marrabenta era tocada em acústico por um cantor masculino acompanhado por um coro de mulheres. Hoje em dia, instrumentos modernos foram introduzidos. Ao longo dos anos, a marrabenta tornou-se um símbolo cultural nacional e uma referência identitária forte. Muitos mestres da marrabenta passaram uma parte das suas vidas na África do sul, onde trabalhavam nas minas. Entre os mais célebres, Fany Mpfumo, Francisco Mahecuane, Alexandre Langa, Lisboa Matavele e Abílio Mandlaze.

Orquestra Marrabenta
Durante anos, a Orquestra Marrabenta-Moçambique, fez vibrar o país, com um rítmo que atravessou gerações e suscita ainda hoje um grande entusiasmo nos moçambicanos. É um estilo que evolui constantemente, aceitando no seu corpo outras influências que até a tornam mais bela.

Quem ouve a marrabenta uma vez, sentirá, com certeza, o prazer e a alegria que o espírito encontra quando começam os primeiros acordes. Normalmente a marrabenta é dançada aos pares, podendo também dançar-se sozinho. As suas cantigas retratam o quotidiano social. É um ritmo quente e acelerado, influenciado pelo “kwela” da África do Sul, pelo Swing e outros ritmos nativos da região.

É dito pelos mais sabidos que a “Maxixe” do Brasil, por exemplo, teve a sua origem na marrabenta de Moçambique, no seu ritmo e espírito. Nos anos 80, após a independência de Moçambique, a marrabenta ganhou outra dinâmica, surgindo mais executantes e também promotores que levaram a música por vários quadrantes do globo.

Nos dias de hoje existem outros músicos que constituem a nova geração e que continuam a imortalizar este ritmo. Hoje a marrabenta é dançada e cantada do Rovuma ao Maputo, quebrou barreiras lingüísticas, culturais, tribais, regionais. Tornou-se abrangente, nacional.

Gwaza Muthini
Será uma grande luz para o Gwaza Muthini. O Festival de Marrabenta levará outra dinâmica para Marracuene, onde os moçambicanos são convidados, não só para ouvirem música, como também para homenagear os nosso heróis, tombados na grande batalha de Marracuene, em defesa da sua pátria, contra a invasão dos portugueses. Vai-se de comboi, no dia 2, dentro do qual haverá muita música, a partir da estação da baixa.

Com o tradicional GWAZA MUTHINI, os filhos de Marracuene recordam e prestam homenagem à bravura e heroísmo dos guerreiros que tombaram no Quadrado de Marracuene em 1895, nas margens do majestoso Incomáti.

Evocar a memória dos filhos de Marracuene é recordar todos aqueles que no Norte, Centro e Sul de Moçambique, de forma activa ou passiva, resistiram ao controle estrangeiro sobre a sua riqueza, soberania, identidade. É motivo de orgulho para os moçambicanos continuarem a celebrar e a exaltar os feitos desses homens que, com a sua abnegação e bravura, tudo fizeram para frustrar os desígnios coloniais. Esses mártires serão sempre recordados como exemplos de patriotismo e valentia.

A participação do ARPAC - Instituto de Investigação Sócio-Cultural - em tão dignificante acto, prende-se com parte das suas próprias atribuições estabelecidas no seu estatuto orgânico (Decreto nº 26/93, de 16 de Novembro, que, no seu artigo 1 alínea c), as define como sendo “promover a educação cultural dos moçambicanos de modo a reforçar a sua identidade cultural e envolvê-los na apreciação, valorização e protecção da cultura e do património cultural”.

Para esta instituição do Ministério de Educação e Cultura, “mais do que coligir dados sobre Marracuene, a sua participação neste projecto visa, assim, imprimir uma maior dinâmica e entusiasmo ao regresso às raízes, à reflexão sobre as nossas origens, e à necessidade de se aliar a tradição e a modernidade para se conseguir um desenvolvimento, uma planificação e uma administração mais condizentes com a realidade do país. Não basta que se pense com a própria cabeça, é preciso que se pense também com os pés assentes na terra e esta está prenhe deste saber milenar de que nos devemos orgulhar e que devemos promover”.

A Batalha de Marracuene, que se consubstancia no Gwza Muthini, constitui também o momento de reflexão sobre a nossa tradição, história e cultura, sobre a necessidade da sua valorização e preservação para as gerações vindouras.

A celebração do Gwaza Muthini constitui um aguçar da curiosidade e entusiasmo para que, à largura e extensão do país, outras datas, tradições, lendas e práticas sociais, sejam assinaladas e sirvam de símbolos agregadores e integradores das unidades atómicas que constituem o grande mosaico e a família moçambicana.

O distrito
O Distrito de Marracue, localiza-se a 30 km a Norte de Maputo, à latitude de 25º 44? 21?’ Sul e longitude de 32º 40? 30?’. Este, é limitado pelo Distrito da Manhiça, a Sul pela Cidade de Maputo, a Este pelo Oceano Índico e a Oeste pelo Distrito da Moamba e Cidade da Matola.
A sua superfície é de 833 km², sendo a população estimada em 60.307 habitantes (1993), que correspondem a 13.424 famílias. A densidade populacional é de 68 pessoas/km². Segundo o censo de 1980, naquele período a população do distrito era de 45.147 habitantes. Todavia é de supor que a relativa segurança de Marracuene durante os tempos da guerra pós-independência, as suas oportunidades de auto-emprego e de assalariamento terão atraído ao longo dos últimos anos um crescimento populacional assinalável. Apresentamos a seguir, em baixo, a estrutura administrativa do distrito e a estrutura etária da população local.


Matalanana
Levar o Festival de Marrabenta à Matalana, será também uma homenagem a Malangatana: monstro incontestável da nossa Cultura.
Queremos recordar aqui, as palavras do Presidente Armando Guebuza, em 2006, por ocasião dos 70 anos do mestre.

“Convergimos de vários pontos da nossa Pátria Amada e do Mundo para, aqui em Matalana, participar na homenagem ao Grande Mestre que este belo torrão de Moçambique gerou. Referimo-nos a este homem de olhar imponente e penetrante, de uma voz timbrada, livre e libertadora, um homem humilde, generoso e de fácil trato. Referimo-nos ao Grande Mestre Malangatana Valente Ngwenya.

A composição tão diversa da audiência que testemunha este acto, reflecte as múltiplas facetas do homenageado. Ele é pintor, escultor, poeta, dançarino, dinamizador das artes e cultura, político e promotor da paz e da harmonia entre os homens e uma personalidade de intervenção substantiva, só para mencionar algumas dessas facetas.

• A composição tão diversa desta audiência reflecte ainda o facto de, há muito, Malangatana Valente Ngwenya ter elevado o seu nome para além de Matalana;
• Reflecte, igualmente, a simpatia que ele granjeia em Moçambique e no resto do Mundo. Malangatana Valente Ngwenya nasceu há 70 anos, e hoje é um homem do Mundo”.
Estas palavras do presidente da república, são bastatantes para perceber porque é que Festival da Marrabenta vai escalar Matalana.

Escrito por Alexandre Chaúque



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A arte não tem fronteira quando há qualidade - Afirma o músico Moreira Choguiça


Artigo de 31 de Marco de 2009.

Moreira Chonguiça é uma figura incontornável na música moçambicana, em particular no que diz respeito ao ritmo jazz, a mãe de todos os ritmos. O propósito deste artigo é a segunda edição do Moçambique Jazz Festival que terá lugar em Abril próximo, em Maputo, entre os dias 10 e 11.

O local ainda está por indicar, mas as bandas já são conhecidas, a maior parte delas moçambicanas. Moreira insiste na ideia de se fazer uma aposta nos fazedores da música e na própria indústria, pois os constantes convites para a participação em festivais revela o reconhecimento e qualidade que os músicos moçambicanos têm.

Actualmente, Moreira é rol model da mais recente marca de cerveja, a Laurentina Premium, uma frente que afirma ser preponderante para a associação da sua figura de músico, a sua música ao produto publicitado.

Defensor de que as grandes figuras são lembradas a nível do desporto e da cultura, Chonguiça promete muito espectáculo no Moçambique Jazz Festival, podendo explorar maioritariamente os temas do segundo álbum .......rebuscando o Moreira Project I.

P: Moreira, que comentários fazes sobre o Cape Town Jazz Festival, tendo em consideração a ponte que se fará com o Moçambique Jazz Festival?
Moreira: É um grande festival no qual desfilam grandes nomes. Este ano não estarei a actuar como Moreira Project, mas sim acompanhando outras bandas. No ano passado toquei com Najee.

P: Há uma presença destacável no Cape Town Jazz Festival de músicos moçambicanos...
M: Isso é um indicador de que alguma coisa está a ser feita e é momento de quem de direito começar a olhar para a música com outra disposição. Antes os músicos perfilavam em Joanesburgo, mas hoje há mais abertura e escalam Cape Town. Quer o Governo quer o sector privado e todos os que se interessam pela música deviam estar de olho e atentos a esta evolução. Fazer o mesmo que a selecção nacional de futebol. É muito positivo.

P: É um input positivo para a música moçambicana?
M: Obviamente. Mas não se pode parar. É preciso fazer muito mais, fazer o follow up. Só para ver, são seis bandas o que perfaz cerca de trinta e cinco músicos moçambicanos no palco de um festival daqueles é muito. Eu insisto no discurso de que as instituições devem capitalizar isso na promoção da música. É como no Montreal Festival Jazz onde os Youssoundor furam e conquistam o seu espaço. No país deles há instituições que protegem estes músicos porque eles estão a elevar o nome do país, a bandeira.

P: Há um músico que, não vivendo na África do Sul, foi convidado a fazer parte. Isso revela crescimento?
M: Esse é outro ponto positivo. Stewart não vive em Cape Town mas foi convidado. Ele está a ser reconhecido e levado daqui para lá. Nós começamos a ouvir Stewart e isso é positivo. Se calhar amanhã teremos mais cinco bandas. Mas o meu ponto é what happens next. Vocês media fazem o vosso papel, mas é necessário que se pegue a questão de outra maneira.

P: Os músicos contribuem de maneira destacável para a divulgação não só das mensagens, mas também do nome de Moçambique....
M: Olha, as grandes nações são evocadas muitas vezes através dos desportistas e homens da cultura. E não pela política. Quando falamos dos Estados Unidos da América buscamos nomes como Michael Jackson, Mickael Jordan, Magic Johnson, Steve Wonder, Carl Lewis. No Zimbabwe é o Oliver Mutukuzi, Tomas Mafumo, Chiwonisso, entre outros. Portanto, temos que dar valor a estas coisas.

P: Que expectativas em torno do festival?
M: Olha, este ano estou mais sossegado. Tenho visto que a preparação decorre ao mínimo pormenor. Mas também tinha no ano passado, a preocupação, pois não sabia se as pessoas iriam. Mas foram e encheram o jardim, foram cerca de dez mil pessoas à Matola. O nível de produção foi muito bom. Não posso falar de mais coisas porque não estava por dentro. Eu viajo para outros festivais e não há diferença nenhuma com o que se vê nos Estados Unidos da América e outros países que realizam festivais.

P: O festival enaltece a indústria musical no país....
M: Olha, para fazer um festival precisas de promotores, de managers, de artistas, de media. É uma grande organização, é uma indústria musical. Então, é preciso proteger os fazedores destas maravilhas.

P: Defendes que o jazz é a mãe de todos os ritmos. Porquê?
M: Há vários estilos de música. Dizem que a música clássica é a mais antiga. Há peças que foram escritas nos anos 1800. Mas o jazz é um estilo novo. Não existe há mais de 150 anos. Mas permite a integração de muitos ritmos porque o jazz é a mãe de todos os ritmos. O hip hop é do jazz, o scating, o R&B. E o jazz pode ser usado como uma mina de marketing porque jazz is everway. E podes trazer uma banda de rock num festival de jazz porque aquela malta de rock também faz ambiente. Na arte não há fronteiras.

P: Há dias esteve cá a Lira, cantora sul-africana de afro-jazz. Cantou no Mafalala Libre. Isso é crescimento....
M: Estamos a crescer, sim. Veja uma coisa, o jazz sempre esteve em voga. Nos anos ´40, antes do aparecimento da electrónica, a música que mais tocava era o jazz, na era dos Elvis, Beatles. Era o pop da era e as pessoas pensam que pop é um estilo de música. Não existe música pop. Era o jazz e isso significa popular. Apareciam Charles Parker e outros nas capas das revistas de moda naquela altura, até que com a evolução da ciência apareceram instrumentos e começou-se a tocar o blues mais rápido, apareceu o rock and roll e o jazz perdeu algum espaço.

P: Mas os músicos não se deixaram abater....
M: Claro. Os músicos que tocavam jazz como Miles Daves disseram: vamos começar a tocar jazz com instrumentos electrónicos. Foi buscar John MacRuff qe tocava rock e misturou tudo. Por isso duraram. O jazz em New York sempre foi tocado em espaços pequenos de 50....60 pessoas. Os bares são uma componente muito importante porque não temos capacidade financeira para realizar festivais de jazz todos os dias. Então essa é a saída. E foi bom ver a Lira a tocar naquele espaço.

P: Mas já existiam no passado espaços de jazz?
M: Havia o Topázio, o Restaurante Costa do Sol. Num sábado tínhamos cinco a sete sítios para ir.
P: A plateia moçambicana diz que soas a pouco quando em festivais...

M: ....(risos)....Esse é que é o problema. Tudo o que é bom soa há pouco. Eu geralmente no meu contrato peço 75 minutos porque é festival. Eu não consigo porque para mim, 75 minutos ainda nem começei a dar o show. Mas as regras do festival são assim mesmo. Quando é meu espectáculo, que tenho hora e meia, já é diferente. Tenho tempo para cantar à vontade.

P: O que é que o público pode esperar desta vez?
M: Desta vez teremos o Moreira Chonguiça muito activo. Sabes que gosto de experimentar, talvez me aleije por causa disso. Vamos tocar em grande o novo disco. Claro que irei misturar com o material antigo.

P: Surpresas. No ano passado entraste no festival a cantar uma música com base rítmica Mapiko. Entretanto, não tinhas ninguém para dançar.
M: Mas não preciso que haja alguém a dançar porque é cliché. Porque é que toda a música africana tem que ser dançada?

P: No ano passado trouxeste a componente diversidade, tocando com o Simba. E este ano?
M: O Simba vai participar, mas fora isso tenho outras novidades que serão surpresas. Foi bom vir para aqui apanhar um pouco de ar. Estou a vir de Luanda.

P: Esta iniciativa da Laurentina de levar pessoas que nada ou pouco sabem sobre jazz é meramente de marketing ou inserção das pessoas neste ritmo?
M: Olha, estas coisas de evolução, globalization mudam o curso das coisas. Porque é que os vídeos que se tocam na televisão são mais de hip hop, R&B e não jazz? Nós artistas de televisão temos de perceber uma coisa. Eu sou uma imagem e por tal tenho que me associar a uma marca. Não é por acaso que Brad Pitt faz imagem da Heineken, o Pierce Brosman faz a imagem, enfim, e tantos outros. É uma questão da imagem. Se eles vão vender mais cerveja é bom para eles.

P: O contrato é bom para ti?
M: É bom para mim porque ganhamos ambos e se há um tipo que bebe cerveja mas que não gosta do jazz, poderá comprar a bebida e dizer já agora, deixa-me ir ver. E quando lá chegar dirá aos amigos: “afinal essa música que andas a ouvir é boa”. Nós somos educadores. Precisamos de veículos, patrocinadores para nos fazer chegar a esse tipo de situações. Por exemplo, a mcel usa a imagem de Lizha James, Stewart e faz com que as pessoas sejam conhecidas.

P: Tens acompanhado a música moçambicana?
M: Sim, tenho acompanhado. O que é bom é que em jazz, em particular, teremos Stewart, Loading Zone, Ívan. Isso é muito bom. Mas há uma coisa que devemos fazer, que é trabalhar um pouco mais a música moçambicana. A qualidade dos CD’s. As pessoas querem ter o orgulho de ouvir o disco. Temos que investir na produção da nossa música, a nossa composição, apresentação sonora da música. Como gravas, onde gravas.

P: Não basta a música ser boa....
M: Olha, na Inglaterra podes entregar um disco para tocarem. Logo ao pegarem e verem que não tem qualidade de produção nem tocam. É preciso que se invista.
P: Parece que no nosso país investe-se mais em vídeos.....
M: Olha, esse é o único país em que vejo pessoas a gastarem mais de dez mil dólares a fazerem um vídeo e com a produção dos disco só gastam quinhentos dólares. Faz-se um vídeo para vender o CD.

P: Como enquadramos o poder de compra?
M: Não há justificação para isso. Quando se realizam eventos no Coconuts, os músicos que não investem na qualidade não vendem. Quantas pessoas vivem no prédio dos 33 andares? São muitas. Queres dizer-me que aquelas pessoas não têm 500,00 MT para comprar um disco? Tudo começa por um sítio, a qualidade é a chave disso. Há países africanos muito mais pobres que nós, mas que estão a produzir discos de qualidade e que são comprados. Em Marracuene há celulares mais recentes. Achas que aquelas pessoas não têm dinheiro para comprar um disco?! Se as pessoas virem qualidade no disco, claro que vão comprar. Estou muito orgulhoso por estarmos a ganhar prémios, mas where is the CD? Eu fui fazer a masterização do disco na França. Pensas que não há estúdios na África do Sul? Há, mas eu quero mais.

P: Moreira, julgas oportuno termos uma escola de música no Centro e Norte do país?
M: É imperioso porque facilitaria a criação de bandas, despoletaria mais talentos. É engraçado que havia dedicação no tempo em que faltavam condições. Hoje, há dinheiro mas a entrega é muito pouca.

Frederico Jamisse

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Videos de Manune Jackson

Manune Jackson natural e residenta na Cidade da Beira em Sofala, explora a tematica social e o amor nos seus temas cheios de carisma.

Artista: Manune Jackson

Titulo: Watchendjhera

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Concha Buika: O esplendor de uma voz … que passou por cá

AINDA que não seja sonora, esta referência, não resistimos em nos referirmos, aqui, à passagem pela nossa terra de uma voz esplêndida, de uma espanhola de sangue africano. Chama-se Concha Buika, cantora nascida em Palma de Maiorca, Espanha, de pais originários da Guiné Equatorial, e actuou recentemente em Maputo por ocasião do V Festival Internacional de Música Clássica, que para além dela trouxe artistas dos Estados Unidos, Taiwan, Dinamarca, França, Portugal, Itália e Rússia. 

Quem pensa na Espanha, musicalmente, remete-se “a priori” ao flamenco. Mas a música de Concha Buika não é apenas esse ritmo daqueles ibéricos. É também carregada de jazz, soul e sons latinos e africanos. Foi o que vimos numa dessas noites do festival anual que a capital do país acolheu, num Teatro Avenida repleto de gente que conhecia e desconhecia Concha.

O espectáculo, em que ela esteve acompanhada de um pianista e de um percussionista flamenco, foi centrado na mistura dos discos da cantora: “Niña de Fuego” e “Mi Niña Lola” e, o seu de estreia, “Buika”. Carregada de emoção ao actuar pela primeira vez num lugar em que, ao mesmo tempo, estava a ser unanimemente bem recebida por uma plateia que dela queria matar saudades (a comunidade espanhola em Maputo, que fazia a maioria dos espectadores) e os que a queriam descobrir.

Ao ritmo – e à melodia – de canções como “Volver”, “Buleria Alegre”, “Loca”, “Nostalgia”, “Mi Niña Lola” e tantas outras com que fez o espectáculo, Maputo conheceu outras sonoridades por via de um festival que potenciou a música clássica, mas que se não esqueceu de outros sons, como os de Buika ou do gospel do Majeschoral (que se casou durante o festival com o piano, de um norte-americano).

Concha Buika passou, mas a sua voz deixou marca num festival que, depois de homenagear artistas como Malangatana (um dos seus impulsionadores, pelo amor que tem à música clássica) ou Reinata, desta vez homenageou Gabriel Chiau.

O sucesso de Buika estalou há menos de uma década, depois de, tal como as grandes divas internacionais da música, ter experimentado de tudo um pouco. Tocou nos bares de Palma de Maiorca e chegou a imitar Tina Turner em casinos de Las Vegas, antes de se estabelecer definitivamente em Madrid. Agora que segue uma carreira firme, mais cheia de certezas do que de “ses”, já prepara o seu terceiro disco, que gravará com a estrela cubana do piano Chucho Valdez. 

:: Notícias Quarta-Feira, 6 de Maio de 2009

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