Mostrar mensagens com a etiqueta Festival. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Festival. Mostrar todas as mensagens
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
Festival da Marrabenta: Uma noite de declaração de amor à Marrabenta
No concerto de estreia da quarta edição do Festival da Marrabenta, a música foi servida a uma temperatura artisticamente quente. Músicos de alto quilate reuniram-se ontem (28) no mesmo palco para fazer uma declaração extravagante de amor à marrabenta e à Mulher. E o resultado foi: a rendição do público.
Um evento grandioso, como é o caso do Festival da Marrabenta, não poderia ter uma estreia que não fosse grandiosa. E foi com uma autêntica chuvarada de estrelas da música nacional, com performance à moda skavalu, que, no Centro Cultural Franco-Moçambicano (CCFM), se assistiu a abertura daquele que é considerado o maior espectáculo de sempre da música moçambicana do país.
Dentro de uma lista de 10 actuações em uma só noite, o desafio foi ter de escolher a apresentação que valeu a pena ver – diga-se também, não ver. Pois, os artistas esmeram-se, num choque de egos, a dar o melhor de si com intuito de cativar uma audiência sedenta de marrabenta. A qualidade da luz e do som não era das melhores, aliás, o ruído da bateria e das guitarras ofuscavam a voz dos músicos quebrando as melodias, além de em certo momento dar à impressão dos artistas estarem a improvisar e murmurar. Mas nem por isso a plateia deixou de vibrar e aplaudir a cada instante.
Apraz-nos registar que o público soube comportar-se, pelo menos até uma hora antes do término do espectáculo. Foi um concerto honesto e ideal para quem gosta de um festival com tudo no lugar. “Este ano o Festival da Marrabenta está melhor que o das edições passadas”, diz Joana Mucavele, quando a questionamos sobre o que estava achar do espectáculo, antes de soltar um grito de euforia. “Eu acho que não”, comenta um dos seus acompanhantes. “Com esse ruído da aparelhagem não dá para sentir a música. O som está a falhar”. Mas outro elemento foi mais comedido: “Ainda há muito espectáculo pela frente. De momento, está tudo positivo”. Este grupo de jovens faz parte de mais de duas centenas de pessoas que tomaram o espaço do CCFM.
O festival deixou muita gente à porta da sala de espectáculo. Muitos foram aqueles que não conseguiram lugar para sentar, havia pessoas de pé ao longo do corredor e outras encostadas ao longo das paredes.
Actuações memoráveis
A festa iniciou-se com a apresentação da Banda Militar que, qual exército infiltrado, criou uma atmosfera de brilho e vitalidade, interpretando alguns sucessos da música moçambicana – tocados como nunca ouvimos. O som de trompeta e trombone enchiam a sala e animavam o público que se mostrava, à primeira vista, recatado.
Mas a grande abertura do evento coube ao auto-intitulado “Rei da Marrabenta”, Dilon Djindji, e, diga-se, fê-lo com surpresa e competência. O músico subiu ao palco e assumiu as suas responsabilidades de “majestade da música moçambicana”. Com pouco mais de 80 anos de idade – boa parte deles dedicados à marrabenta -, o conceituado músico gabou-se de estar em forma, apesar da idade. “Hoje, vou surpreender-vos”, desafiava a plateia frequentemente. Musicalmente pode dizer-se que Dilon não apresentou nada de novo, ouvimos as mesmas músicas de sempre, mas com uma mistura dos sons da timbila. “A partir de hoje até o fim deste ano, vão ver-me actuar acompanhado pela timbila”, revela.
O músico mostrou os seus meticulosos e invulgares passos de marrabenta. Improvisou alguns passos de dança. Tropeçou algumas vezes. E público aplaudiu efusivamente. O seu repertório era constituído por três temas, mas o que colocou os espectadores em êxtase foi o sucesso “Va thekla Podina”. Seguiu-se um dos bons guitarristas moçambicanos, Xindiminguana, que não tem receio de exprimir o espírito da marrabenta que continua nele, volvidos mais de dez anos de carreira. O músico revelou mais uma vez o seu virtuosismo na guitarra, facto que lhe valeu um presente (uma nota de mil meticais) do antigo estadista moçambicano Joaquim Chissano que se encontrava na plateia a apreciar o festival.
Xindiminguana apresentou-se, como sempre, com a sua voz tímida e uma presença no palco recatada e monótono, mas galvanizou as atenções do público. Quando a jovem cantora Iveth subiu ao palco, a plateia reverenciou-a colocando-se de pé e aplaudindo a sua presença. Com o seu timbre de voz forte – acompanhada da cantora emergente Jutty –, Iveth aqueceu a noite com a sua entusiasmante música “Afro”. Depois seguiu-se o músico Victor Bernardo. O artista animou a plateia dando alguns passos forçados da marrabenta. No meio da sua música que tem no centro da história a mulher, o jovem polémico Azagaia entrou no palco, num dueto que se mostrou incongruente pois ritmo da marrabenta era demasiado lento para “reppar”.
Azagaia e Victor Bernardo declamaram um poema sobre o papel da mulher e depois o rapper controverso fez um “Freestyle” e incito-o público a juntar-se a ele em sua nova música. Momentos depois, abandonou o palco deixando os espectadores com água na boca. “Será que ele volta?”, pergunta, sem disfarçar alguma ansiedade, um espectador. “Acho que sim”, responde outro. Mas, para infelicidade do público, o músico não voltou dando azo à especulação de que ele desistira de actuar porque estava naquela sala o ex-presidente da República.
Mais uma dose de show
A segunda parte do espectáculo não poderia começar da melhor maneira. Quando a apresentadora do concerto Rosa Langa anunciou a entrada de Hortêncio Langa, o publico pôs-se a cantar um dos temas que colocaram o músico na ribalta. O músico apresentou duas músicas e retirou-se do palco. O público inconformado gritava insistentemente para que voltasse, acabando por regressar. “Esta música não estava no repertório”, justificava o músico para uma horda de espectadores que não queria saber dessa história. Hortêncio Langa pegou na guitarra e pôs-se a cantar “djim djim ó, djim ó”, a música que o público queria.
Hortêncio nunca esteve tão perto do seu público e foi o músico mais aplaudido da noite. Seguiu-se Costa Neto. Com a sua guitarra, fez uma viagem ao “reino marrabenta” e trouxe de lá o que há de mais profundo – Elisa Gomara Saia - tendo-lhe valido ovações. Não fosse também a actuação memorável da cantora Neyma, a segunda parte o concerto deixaria muito a desejar. A cantora mostrou grande qualidade nos passos de marrabenta e colocou o Centro Cultural do Franco-Moçambicano é constante ebulição. As suas músicas, com uma longevidade de pouco mais de 10 anos, revelaram-se tão actuais. Neyma terminou a sua actuação deixando o público de olhos a brilhar e queixo caído.
Depois entrou Roberto Isaías. O autor de “Lalani” mostrou-se mais à-vontade no palco e tomou conta do ambiente já criado pelo colega que lhe antecedeu. Embora com uma discografia a solo curta, Roberto Isaías hipnotizou o público. Já o conceituado Grupo RM, do qual Wazimbo é vocalista, não consegui manter o nível de agitação e emoção criado por outros músicos. O agrupamento realizou a menos interessante actuação da noite de que temos registo. Quando o grupo cantava a segunda música, o público foi abandonando a sala.
O calor que pairava naquele recinto começou a ser engolido pela brisa e as pessoas que lá permaneciam se mostravam recatadas. O repertório composto por seis temas foi monótono. A banda não esteve muito entusiasmada. “Ainda não começaram a tocar. Estão apenas a ensaiar”, comenta ironicamente um jovem encostado na parede. Depois de tocar quatro temas, a banda decidiu resgatar o êxito que marcou toda uma geração. Referimo-nos ao tema que aborda a história de um sapateiro. O público pôs-se de pé entusiasmado e mostrou conhecer a letra cantando, do princípio ao fim, a música.
Quando foi feita a apresentação da última música para o encerramento do concerto de abertura do Festival da Marrabenta, as pessoas começaram a abandonar a sala. O Grupo RM exibiu a última música do repertório. Terminava assim de forma fria a abertura de um festival que pretende animar as cidades de Maputo e Matola, e os distritos de Marracuene, Chibuto e Chokwe nos próximos dias.
Escrito por Hélder Xavier Segunda, 31 Janeiro 2011 14:57
Digite aqui o resto do post
Etiquetas:
dilon djindji,
Festival,
marrabenta,
Orquestra Djambo
Festival da Marrabenta: passado, presente e futuro.
Num dia em que se discutiu a evolução e o conceito da marrabenta, a Orquestra Djambo argumentou com a actuação sem precedentes e meticulosos passos de dança que lhe é característico. O terceiro dia do Festival da Marrabenta foi reservado para o debate sobre o passado, presente e futuro da marrabenta.
No Domingo (30) o Centro Cultural Municipal Ntsindya, em Ximpanine, foi demasiado pequeno para acolher mais de uma centena de pessoas ávidas em ouvir o percurso histórico-musical deste ritmo. O debate foi antecedido de uma actuação de uma banda de jovens que se estreia neste estilo. Com um repertório desconhecido, o agrupamento musical conquistou a simpática do público, apesar de se ter revelado tímido.
Com um painel composto por dois músicos (Dilon Djindji e Rufas) e um académico (historiador Rui Guerra), a discussão sobre a marrabenta equiparou-se a de “quem nasceu primeiro: ovo ou a galinha?”. Ou seja, de modo geral, o debate não reuniu consenso mostrando-se inacabado. Houve opiniões diferentes e contraditórias sobre o surgimento e definição da marrabenta. O académico Rui Guerra defendia que a marrabenta é uma música urbana que se tornou popular na década de 50 com duas grandes associações, uma das quais fazia parte a Orquestra Djambo. Mas um certo grupo de pessoas defende que ela é uma dança – e não música. E há quem preferiu falar de um género e, outros, de um ritmo.
A maioria dos intervenientes afirmou que a marrabenta é um ritmo em constante evolução e também transformação. Ou seja, ela está a resistir à passagem de tempo, deixando antever que estes são apenas os primeiros anos de um ritmo que atravessou – e continua a fazê-lo - gerações e tende a impor-se num mundo marcado por influência estrangeira.
A nível nacional, a marrabenta proclama-se como a música de unidade nacional, embora tenha surgido - e seja tocada frequentemente - na região sul do país. Orquestra Djambo de sempre Depois de uma hora e meia de debate, a Orquestra Djambo provou que a marrabenta não se discute, canta-se e dança-se. Numa actuação de 40 minutos, pode-se dizer que musicalmente o grupo não apresentou nada de novo. Ouvimos as mesmas músicas de sempre com uma longevidade de mais de 30 anos.
Mas a orquestra transmitiu uma energia única com as músicas e os passos de dança invulgares. Só havia olhos e ouvidos para o grupo. O público aplaudiu euforicamente. Ouvia-se suspiro da plateia. Os espectadores pediam repetição das músicas. O sucesso “Elisa Gomara Saia” fez com que os espectadores se levantassem e dançassem. Assistiu-se a passos de danças desajustados mas pouco importava, pois o importante era juntar-se à festa.
A orquestra inovou ao cantar com o jovem músico Simba, neto do decano da Orquestra Djambo Moisés. Numa apresentação que cortava o ritmo dos passos de dança, o rapper Simba deu o seu melhor e o resultado não foi satisfatório: a marrabenta “recusava-se” à influência.
A magia, a popularidade, a criatividade aliadas aos passos de dança, à modaskavalu, e a sabedoria e conhecimento do mais velho da orquestra, os “Djambos” tiveram como resultado a total rendição do público que superlotava o centro Ntsindya.
Escrito por Hélder Xavier Segunda, 31 Janeiro 2011 13:44
Etiquetas:
dilon djindji,
Festival,
marrabenta,
Orquestra Djambo
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
Música e moda em Maputo
Ísis Ginote da Conceição Mbaga
Um festival internacional que junta moda e música vai ter lugar no Centro Cultural Franco-Moçambicano. No evento vão participar artistas moçambicanos e estrangeiros, destacando-se a estilista Isis Mbaga e ainda os Filewile, um duo proveniente da Suíça. O evento será uma mistura dos dois mundos, da música electrónica e da moda. Ela vai consistir em criar esta relação entre as duas artes, onde vai acontecer um desfile da Isis Mbaga ao ritmo electrónico dos Filewile. Ela fará o desfile das suas peças que foram exibidas no grande festival de moda “Fima 2009, Festival Internacional de Moda”.
Etiquetas:
Cidade de maputo,
Festival,
Moda,
Musica
segunda-feira, 27 de julho de 2009
II Festival Pan-Africano de Cultura : Eyuphuru “incendeia” palcos argelinos
MOÇAMBIQUE voltou a brilhar, segunda-feira, nos palcos argelinos, com um exuberante espectáculo notavelmente apresentado pelo agrupamento Eyuphuru, na sua estreia no II Festival Pan-Africano de Cultura, que para a semana termina em Argel. E à semelhança do que assistimos na semana passada, com os timbileiros de Zavala, o Nyau de Tete e o grupo de Tufo da Mafalala, a banda Eyuphuru apresentou uma extraordinária actuação na qual investiu toda a sua sabedoria, mestria e pujança, para, conforme disse um dos integrantes do grupo, não “queimar” as bem sucedidas prestações até agora conseguidas pelos moçambicanos, nesta mostra cultural, que decorre na capital argelina.
Para além de procurar manter e consolidar a linha de sucessos aberta pelos seus compatriotas no evento, os Eyuphuru subiram ao palco, no Instituto Superior da Música de Argel, também com uma outra missão bem difícil: procurar manter, ou no mínimo, corresponder ao calor sabiamente bem conseguido e interpretado pelos anteriores grupos ao longo da semana passada, durante os espectáculos dos monstros da música africana.
E mais: os Eyuphuru não podiam fazer senão estar ao nível do que os catapultou, tanto é que a diva dos pés descalços e rainha da música africana Cesária Évora, e os outros monstros como Youssou N dour, Mory Kante e Ismael Lo, que por aqui já passaram, mostraram as razões porque ainda levantam plateias.
À partida esta parecia uma missão quase impossível de realizar, mas seguros e confiantes e usando os argumentos de qualidade que lhes caracteriza, eles subiram ao palco e deram um grande espectáculo.
Não defraudaram, antes pelo contrário, levaram ao rubro os “frios” argelinos e os sempre exigentes cidadãos da África Ocidental, que se renderam à fabulosa prestação dos moçambicanos, que agora tem sido objecto de palavras de apreço e de elogios por parte de muitos jornalistas aqui presentes.
“Creio que a actuação do vosso grupo, ultrapassou todas as expectativas. Havia muito receio que os moçambicanos iriam apresentar aqui um espectáculo sem chama nem calor, mas não, eles foram deslumbrantes e ao nível de grupos de outros países que por aqui já passaram”, disse um argelino quando pedido pela nossa Reportagem para tecer comentários em torno da prestação dos Eyuphuru.
“Não sabia que o vosso país também é forte neste tipo de música”, confessou por seu turno, um jornalista da África Ocidental.
Por falar de jornalistas, referir que em razão das suas canções, da sua alegre e sensual dança e dos seus peculiares ritmos coreográficos, o grupo Tufo da Mafalala mereceu uma Menção Honrosa na imprensa argelina, na sequência do espectáculo que quinta-feira última apresentou na região Tizi Ouzou.
Na vertente de cinema, Moçambique estreia sexta-feira com o filme “Hospedes da Noite”, do cineasta Licínio Azevedo.
BATUQUE: UM SÍMBOLO DE ÁFRICA
Maputo, Quarta-Feira, 15 de Julho de 2009:: Notícias Os diversos grupos culturais aqui presentes, desde os da música tradicional, folclórica, do ballet, do jazz, até aos da chamada música ligeira, têm todos eles no tambor o seu principal instrumento de expressão cultural. É um soberbo espectáculo olhar para todos os tambores juntos transformados em batuques.
É ainda um regalo escutar o seu harmonioso, mas diversificado som. Embala o coração de qualquer que esteja presente e a embevecer-se com esse som.
Não é fácil ter-se uma ideia de quantos batuques vieram para a Argélia, trazids dos vários cantos do continente africano, mas não fica longe da verdade dizer que 30 por cento do peso de cada delegação, pode ser atribuído à carga dos batuques. São de diferentes tamanhos e feitios, com os mais diversificados sons. São eles a expressão máxima da cultura africana. São eles os grandes mensageiros do festival de cultura de Argel, pois, qualquer movimento, qualquer ritmo ou gesto, parte e obedece ao som destes batuques. Que espectáculo maravilhoso!
A VIDA DOS ARTISTAS EM ARGEL
APESAR da organização lamentável deste festival, não se pode dizer, porém, que os oito mil artistas presentes no evento vivem em condições adversas. Longe disso. Para acolher o evento, além de disponibilizar dezenas de hotéis, na capital e arredores, as autoridades argelinas construíram em tempo recorde, apenas em nove meses, um monumental complexo residencial, transformado, agora pelos seus habitantes numa verdadeira “aldeia cultural”.
O local, na região planáltica de Zeralda, cerca de 50 quilómetros a Sul de Argel, cobre um espaço considerável de uma vasta área agrícola, preenchida por videiras e macieiras, entre outras fruteiras.
Fonte da organização disse ao “Noticias”, que nesta aldeia estão alojados 2500 artistas, representando os 50 países participantes no festival. Garantiu que apesar da presença de tanta gente no local, não se vislumbra nenhum perigo iminente, quer em termos de saúde, quer em termos da segurança, uma vez que o complexo possui todas as condições habitacionais, infra-estruturais e de segurança para uma vida tranquila e sossegada dos seus moradores.
De facto, são irrepreensíveis as condições de segurança, higiene e salubridade que o “Noticias” constatou no local, que igualmente acolhe parte dos responsáveis e artistas moçambicanos, incluindo os membros do Eyuphuru e do grupo de Tufo. Para além das impecáveis instalações sanitárias, de lavandaria, piscinas, cozinha e refeitórios, salas de música, dança e teatro (que servem também para os ensaios dos artistas), o local é também adoptado por uma vasta área de jardinagem, um espaçoso salão de Internet Café, com centenas de computadores, e dormitórios climatizados.
PERFEITO SISTEMA DE SEGURANÇA PARA PROTEGER OITO MIL ARTISTAS
Notícias As medidas de segurança são simplesmente extremas. Para além da presença massiva da polícia fortemente armada dentro das instalações, a área é também vigiada por unidades motorizadas e de infantaria do exército argelino, incluindo forças que usam helicópteros que permanentemente sobrevoam a área.
Os jornalistas, incluindo os dos países ali representados, para terem acesso ao local, apenas são permitidos através de visitas programadas pelos organizadores do grande show de cultura.
“Isto aqui até parece a nossa “BO”, desabafou o baterista dos Eyuphuru, Jorge Cossa, em declarações ao “Noticias”, criticando, por outro lado, e em termos severos as rigorosas regras da “lei seca” adoptadas pela direcção do recinto. “Aqui só se bebe sumo, refresco e água”, lamentou.
Tratando-se de um sítio completamente isolado de outras áreas residenciais (a comunidade mais próxima situa-se a cerca de cinco quilómetros do local), os moradores da aldeia, que são na verdade a nata cultural de África (entre artesãos, músicos, dançarinos, escultores, xilografistas e gente das artes plásticas, entre outros), estão de facto impossibilitados de qualquer contacto com o mundo exterior, senão apenas através da Internet, ou quando se deslocam para os recintos de espectáculos.
Essas saídas são também feitas em grupos, através da luxuosa frota de autocarros pertencentes ao primeiro-ministro argelino, que ganhou o concurso então lançado para a prestação destes serviços.
Dados disponibilizados pela organização referem que para este festival vieram para Argel, 50 países de África, integrando um total de oito mil artistas, dos quais 2860 dançarinos da música folclórica, tradicional e ligeira, 600 artesãos, 232 agentes do cinema e 160 escritores, editores, poetas e conferencistas. Estão previstos, ao longo do evento 500 espectáculos musicais, a edição e reedição de 250 títulos, a apresentação de 41 peças teatrais e a abertura de nove exposições de artes plásticas.
Para a actuação de todos os artistas aqui presentes e exibição de todo este manancial cultural, as autoridades argelinas dispõem de 25 espaços públicos, preparados especificamente para o efeito.
FESTIVAL FRANCO-ÁRABE(?) E OS TRANSTORNOS À VOLTA
O árabe e o francês são, por esta ordem, as duas línguas que dominam o II Festival Pan-Africano de Cultura que decorre em Argel. Um domínio que não deixa espaço para os outros idiomas.
Todas as comunicações e diálogos, oficiais ou informais, são feitas nestas línguas. Só para ter uma ideia do domínio que o árabe exerce sobre as outras línguas, um pequeno exemplo; o discurso oficial da abertura do evento, apresentado por um proeminente membro do governo argelino em representação do presidente Abdelaziz Bouteflika, que não veio à cerimónia por ter perdido a mãe horas antes, foi lido em árabe e sem tradução.
Como se pode depreender, não são poucos os transtornos e a confusão que a situação cria, sobretudo entre os jornalistas anglófonos, lusófonos e os próprios francófonos que cobrem o evento.
Num evento desta magnitude temos visto que a língua inglesa é pura e simplesmente subalternizada. Reduzida a nada e com os seus utentes a sentirem-se humilhados e envergonhados para usá-la.
Estão presentes neste festival, por sinal de Cultura (onde a língua é um importante acervo no património cultural de um povo), todos os povos africanos. Anglófonos, francófonos, lusófonos, árabes, grupos tribais e étnicos. Vieram todos os africanos. Porém, os argelinos, propositadamente ou não, quiseram simplesmente exercer um domínio de uma cultura sobre as outras. Muitos dos participantes ao evento têm comentado que, pela forma como as coisas estão a decorrer, parece-nos que estamos perante um fenómeno de desprezo pelas culturas dos outros num festival continental de cultura.
Questiona-se também o facto de não existirem documentos oficiais do festival em português ou inglês.
A título de exemplo, a África do Sul contribuiu com quase 10 milhões, dos 60 milhões de dólares investidos no evento. Mas, não se encontra razão para não terem sido contratados tradutores em número suficiente para se ocuparem da documentação.
“Não estamos contra a arabização do festival nem a sua franconização. Longe disso. Defendemos apenas, isso sim, que se tratando de um festival cultural deveria ter havido o cuidado de se respeitar ao máximo, as culturas de outros povos. Era o mínimo que se podia fazer”, desabafou um jornalista anglófono ouvido pela nossa Reportagem.
Em virtude desta situação, várias vezes temos vistos jornalistas não falantes do árabe, a recorrerem apenas à mímica para obterem informações.
Estas situacao eh alias, o pão de cada dia no El Aurassi, o hotel que alberga os cerca de 250 jornalistas presentes neste evento, principalmente com os empregados do restaurante e dos quartos.
Reparem que para minimizar os inconvenientes e dificuldades de língua, o nosso grande comunicador, Gabriel Júnior, sim, o produtor e apresentador do programa televisivo, Moçambique em Concerto, na TVM, teve de inventar com a imprevisibilidade que lhe eh peculiar, uma nova “língua”. Uma mistura de português, árabe, francês, inglês e linguas africanas. Trata-se de um idioma inexistente, todavia, agradável e cómica de se ouvir. Eh por todos compreendida, mas ao mesmo tempo, não entendida por ninguém. So permite ao autor desenrascar-se em todas as situacoes. E vai conseguindo. Mas apesar disso, o nosso “show man”, assim como tantos outros jornalistas aqui presentes, já fez um juramento: de regresso, logo que chegar a Maputo, a primeira coisa que vai fazer, mesmo antes de se apresentar na sua redacção, eh matricular-se numa escola árabe e de francês, tudo em defesa da nossa cultura.
DAVID FILIPE, em Argel
Etiquetas:
Argel,
Argelia,
Eyuphuro,
Festival,
Mozambique Musica de Mocambique
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
Festival do Tofo: Uma ideia que deve ser repensada
Inhambane luta para tornar-se num destino turístico de eleição em Moçambique e na região, socorrendo-se, para isso, da sua maior potencialidade, que são os seus cerca de 700 quilómetros de costa repletos de majestosas e modernas estâncias turísticas, algumas construídas recentemente com um desenho arquitectónico que atrai a todos que elegem a província como destino preferencial. É nesta perspectiva que o executivo de Inhambane encontrou nos festivais culturais uma estratégia para promover aquele que é tido como um dos maiores recursos para reforçar as receitas do Estado.
O principal desses eventos é o Festival do Tofo, inaugurado já vão cinco anos, com o objectivo de juntar operadores nacionais e estrangeiros para reflectir sobre a actividade turística e a exploração racional e sustentável de recursos. Esta realização acasala o turismo à cultura, pois esta constitui uma importante chave para divulgar potencialidades.
A edição deste ano do Festival do Tofo teve lugar no fim de semana e no seu decurso foi possível testemunhar algumas iniciativas que servem verdadeiramente para promover Inhambane. Através de alguns vídeos, muitos locais, alguns dos quais ainda virgens, bem como o plano do governo e ainda as ideias existentes para melhor explorar o potencial turístico de Inhambane, puderam ser visionados. E como não se pode juntar todos estratos da sociedade para falar do turismo e cada um virar as costas, o festival cultural serve, assim, para junta o útil ao agradável.
Todavia, nos últimos anos, o festival do Tofo só se realiza, ao que parece, para cumprir calendário, já que a comunidade de Inhambane já se habituou que em Outubro ou Novembro há sempre um espectáculo gratuito que o governo organiza agora na praia da Barra, uma vez que no Tofo a erosão tomou conta de muito do espaço antes aproveitado para o evento. Não tem havido divulgação à volta do festival, como foi estabelecido quando o evento foi decidido, nem transmissão directa na TVM, como aconteceu nas primeiras três edições.
O sector turístico na província está algo monótono, não correspondendo com as exigências de agressividade do sector. Aparentemente, a Direcção Provincial do Turismo em Inhambane anda a leste dos acontecimentos e pouco domina a área; conhece pouco da grande actividade do que propriamente os turistas estrangeiros que conhecem todos espaços vazios para investir e os pequenos labirintos que dão acesso às mais belas praias.
O festival cultural do Tofo, que além de chamar músicos nacionais e estrangeiros, muitos dos quais não conhecidos, devia igualmente juntar a gastronomia local, coisa que está no papel mas que não acontece. Muitas das bandas que são chamados a actuar não oferecem qualidade desejada, tal como se viu no último fim da semana, o que foi testemunhado por cerca de 70 mil pessoas que lotavam por completo o espaço reservado para o evento na praia da Barra.
Os espectadores reclamaram de tudo, incluindo da qualidade de som que saia do palco, algo que preocupou os músicos, como foi o caso de Wazimbo. Este artista, apesar de muito ovacionado pelo publico, viu a sua entrega e dedicação a serem ofuscadas pela qualidade de som. As lindas mensagens deste músico, assim como da dupla Búfalo e Watsongo, não se ouviam. O barulho dos convivas era superior ao do que saía do equipamento ali montado.
ARTISTAS DE INHAMBANE PRETERIDOS
Ao que tudo indica, a Direcção Provincial do Turismo trabalha sozinha na preparação deste evento, situação diferente de tempos idos, em que eram envolvidas pessoas conhecedores de equipamentos musicais, som e luz. Nos dias que o Festival do Tofo, não passa de um espectáculo gratuito onde desfilam poucos músicos da actualidade. Curiosamente, não foram chamados a actuar neste espectáculo que arrastou pessoas de todas idades ao local valores que despontam na arena musical na província de Inhambane, que dariam mais valor à brincadeira. Mr. Nandolas, Anibalizinho, Alcino Margarida, Lito la Gaia, Vitoria Jacobe, Rainha Avelino, João Marrime e Fernando Macedo são alguns deles, num lote em que se pode contar a vencedora da última edição do programa de entretenimento televisivo Fama Show Amélia Lichucha. Estes artistas podiam muito bem ter participado num espectáculo em que actuem nomes como os veteranos Magid Mussá, Guê-Gueê, Wazimbo ou António Marcos.
Ao que tudo indica, a Direcção Provincial do Turismo trabalha sozinha na preparação deste evento, situação diferente de tempos idos, em que eram envolvidas pessoas conhecedores de equipamentos musicais, som e luz. Nos dias que o Festival do Tofo, não passa de um espectáculo gratuito onde desfilam poucos músicos da actualidade. Curiosamente, não foram chamados a actuar neste espectáculo que arrastou pessoas de todas idades ao local valores que despontam na arena musical na província de Inhambane, que dariam mais valor à brincadeira. Mr. Nandolas, Anibalizinho, Alcino Margarida, Lito la Gaia, Vitoria Jacobe, Rainha Avelino, João Marrime e Fernando Macedo são alguns deles, num lote em que se pode contar a vencedora da última edição do programa de entretenimento televisivo Fama Show Amélia Lichucha. Estes artistas podiam muito bem ter participado num espectáculo em que actuem nomes como os veteranos Magid Mussá, Guê-Gueê, Wazimbo ou António Marcos.
Pouco se falou de turismo neste espectáculo. Os organizadores forçaram o governador de Inhambane, Itae Meque, a subir ao palco para dizer alguma coisa sobre o evento. Muito ovacionado pelo público, Itae Meque fez-se ao palco, perto da meia-noite, intercalando a sua intervenção com exibição de General Muzka, único estrangeiro que passeou a sua classe neste último festival.
Meque disse que estava ali como forma de dar força aos operadores turísticos para darem o seu melhor porque é uma das actividades que pode tirar Inhambane da pobreza. “Vamos trabalhador de maneira organizada e coordenada porque aqui ha lugar para todos. Nada de excessos, as leis sobre o turismo estão claras. Desmandos nada! Aqui não há praia para brancos nem para pretos. É por isso que estamos todos aqui”, afirmou o governador.
General Muzka, esse machangana da África do Sul, deu o ar da sua graça. Apercebendo-se das fragilidade do som, foi conversando e explicar o alcance das mensagens das suas musicas, coisa que fazia com som baixo. Momento impar do espectáculo quando disse que ele acredita que os “Mambas”, a selecção nacional de futebol de Moçambique, tem capacidade de chegar ao CAN 2010, bastando apenas um grande apoio do público, tal como ele já começou a fazer com a música que já fez sobre a nossa equipa. Muzka cantou e encantou os seus fãs, que foram aquele local para ver e conviver com o autor de “Xenofobia”, uma faixa musical do mais recente álbum deste homem apaixonada pelo Moçambique.
ACIDENTES, PARA NÃO VARIAR...
Como não deixaria de ser, o festival de Tofo terminou com acidentes de viação, que obrigaram a que uma dezena e meia de feridos, quatro deles em estado grave, tivessem que ser levados ao hospital. Registaram-se três acidentes de viação, que se saldaram também em danos materiais.
Como não deixaria de ser, o festival de Tofo terminou com acidentes de viação, que obrigaram a que uma dezena e meia de feridos, quatro deles em estado grave, tivessem que ser levados ao hospital. Registaram-se três acidentes de viação, que se saldaram também em danos materiais.
Cerca de 70 mil pessoas acompanharam o festival, que arrancou sábado e só iria terminar na manhã de domingo. Porque o movimento de regresso à zona urbana de Inhambane era grande, a Polícia teve que se aplicar, quer controlando o trânsito em si, quer pondo fora de acção alguns fora-da-lei que, usando dos seus truques, tentaram apoderar-se de bens alheios. Quatro deles nem sequer viram o festival, porque foram neutralizados a tentar roubar telefones celulares e outros a fumarem estupefacientes.
Os fiscais marítimos estiveram igualmente atentos. Não permitiram mergulhos durante a noite. Como resultante da sua acção vigilante, não houve morte qualquer morte por afogamento, o que no ano passado aconteceu. O festival foi um momento excitante, mas não correspondido pela qualidade de organização.
Victorino Xavier
Subscrever:
Mensagens (Atom)







