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segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Tonota: O amor africano na guitarra de Jimmy


JIMMY DLUDLU, um dos maiores guitarristas moçambicanos, lança esta sexta-feira, em Maputo, a sua mais recente produção discográfica intitulada “Tonota in the Groove”, num espectáculo de palco a ter lugar no Centro Cultural Franco Moçambicano (CCFM).

“Tonota in the Groove” é o sétimo álbum do guitarrista Jimmy Dludlu lançado no passado dia 25 de Maio, na vizinha África do Sul, sob chancela da Universal Music.

Com 15 faixas, "Tonota" conta uma história cheia de vida de Jimmy e é um retorno aos primeiros anos de busca de lugar no mundo musical.

Tonota é nome de uma vila fronteiriça, no Botswana, e que se situa a 30 quilómetros de Bulawaio, Zimbabwe. É onde Jimmy Dludlu, depois de sair da Suazilândia, viveu e amadureceu como músico de referência internacional.

Foi em Tonota onde, inclusive, teve a sua primeira filha, a Linda. Com efeito, Tonota é um lugar de vivências profundas e de simbolismos particulares para Jimmy Dludlu. É impossível falar da carreira dele sem referir o nome deste lugar. Basta lembrar que mesmo o seu primeiro disco, o Echoes From the Past, foi concebido, produzido e gravado ao longo daqueles primeiros anos em que ele viveu em Tonota.

Depois de sair de Botswana para se estabelecer em Cape Town, Jimmy Dludlu pediu a uma família, em Tonota, que ficasse a cuidar da filha. Não tendo podido ir com o pai a Cape, a pequena Linda ficou, então, sob cuidados da família Mulawa, durante muitos e longos anos.

È neste sentido que o novo disco de Jimmy Dludlu é, em primeiro lugar, um tributo a esta família remota e generosa de Tonota, pelo papel que teve na vida do artista e na educação da sua filha. Quando diz Tonota “into the groove”, ele quer dizer que os milagres da música podem nascer do insólito. Quer dizer que as capitais do jazz não estão somente nos pub’s onde se toca o estilo, mas no amor daqueles que, com a sua imaginação, criam os artistas. O “Tonota” é a festa do amor africano!

“Eu cresci no Botswana como músico e foi lá onde selei a minha carreira, tendo trabalhado com vários artistas. Tonota é um lugar de referência para mim e por isso é que dedico este disco à minha filha e à família que cuidou dela nos tempos longos em que eu não pude fazê-lo pessoalmente ou estar presente, por vários motivos e circunstâncias”, diz Jimmy Dludlu.

Em termos temáticos, “Tonota Into The Groove” é um fascínio. É uma proposta musical de sonoridades e melodias irrecusáveis ao ouvido e que nos resgatam um músico eternamente apaixonado pelo afrojazz, num cocktail bastante carregado de fusão.

“Cada música que toco tem uma mensagem própria. Falo, por exemplo, das mudanças climáticas (Blues for Haiti) e do amor (Falling in Love) e do perigo dos vícios (Puza Wise and Arrive Alive). Portanto, é um disco com muitas histórias para contar”, referiu o artista, acrescentando que algumas das músicas têm mensagens que não têm rigorosamente nada a ver com o título do álbum e nem com os seus 6 anteriores trabalhos.

As 15 faixas do “tonota”
01. How About The Ones In The Village

02. Shamaka's Burgs

03. Blues For Haiti

04. Gentle Rain

05. Better Days Ahead

06. F.Town Groove

07. Tonota

08. Cycle Of Sins

09. The Value Of A Woman's Life

10. Baby Found In The Park

11. Chisa nyama

12. Karingana Karingana

13. Phuza Wise

14. Tasbem

15. Master Of Bread And Sugar

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Um show na marginal de Sumbe

Neyma

Um show na marginal de Sumbe

A cantora Neyma foi uma das figuras de destaque do Festival Internacional do Sumbe, FestiSumbe, que se realizou este fim-de-semana na Marginal do Sumbe, capital de Kwanza Sul, Angola.

Segundo a “Angola Press”, a artista fez-se ao palco depois da performance da bailarina, também moçambicana, Elizangela e, em 20 minutos, cativou o público numa actuação interactiva em que esteve bem acompanhada por três bailarinos e mostrou aos angolanos o que se faz musicalmente em Moçambique.

Neyma antecedeu musicalmente o angolano Carlos Burity, que encantou o público com temas como “Tia”, “Malalanza”, incluídas no seu mais recente disco “Malalanza”.

No final, Neyma considerou a realização anual do FestiSumbe um espaço e oportunidade de troca de experiências e intercâmbio entre músicos dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP).

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Tarde de ritmos eclécticos


Lizha james, Ary, Yola Araújo e Sweet Boys

Caiu, semana finda, o pano da primeira temporada do “Posso ser uma estrela” do “Super Tardes” da STV, mas hoje a festa continua.

Muita adrenalina é o que se viverá, numa tarde em que serão exibidos vídeos retratando os melhores momentos deste reality show.
Ao invés do estúdio 222, a festa de hoje terá lugar no Cine Gil Vicente, às 16h00. O ingresso está condicionado à compra de uma recarga de 50 meticais da vodacom, não usada, que deve ser exibida à entrada. Será um show especial de entrega de prémio ao vencedor da rubrica “Posso ser uma estrela”. Os dez finalistas estarão em grande para cantarem em dueto e individualmente. Aliás, esta é uma oportunidade para rever nomes como Lourenço Carlos, Helga Custódia, Deltino Guerreiro, Neima Lumbela, Vasta Capela, Claudete Cardoso, Maira Odaisse, Celso Notiço, Assa Matusse, entre outros, que durante semanas deram muito gás no concurso de rediscoberta de talentos.

Nesta mega-festa, cujos entre os convidados especiais pontificam nomes como Yola Araújo, Ary, Lizha james e Sweet Boys, abriu-se uma oportunidade para que os cinco concorrentes que tiveram bom desempenho, mas que por insuficiências de votos não puderam chegar à final do “Posso ser uma estrela”, possam passear a sua classe em palco. Para abrilhantarem o palco, foram também “recrutados” os melhores quatro grupos de dança, que se sagraram vencedores da rubrica “quem sabe dança...”

João Ribeiro, director Operacional da Soico, descreve esta que foi a primeira temporada nos seguintes termos: “Foi sensacional e a temporada mostrou que há pessoas com pontecial e decididas a investirem monetariamente e em tempo, uma vez que todo o processo, desde a indumentária a ensaios, esteve a cargo dos concorrentes. A STV está apenas a criar espaço e a dar oportunidade para pessoas que têm vontade de mostrar o seu talento. E como resultado, estes mostram que têm iniciativa suficiente para encontrarem apoios para puderem exibir-se em palco”, frisou.

Um “caloiro” Guerreiro

Deltino Guerreiro foi o vencedor da primeira temporada da rubrica “Posso ser uma estrela” do programa Super Tardes. Semana finda, mostrou o seu melhor perante outros nove concorrentes, o que lhe conferiu o grande prémio, a ser entregue hoje. Após o anúncio do vencedor, Deltino Guerreiro disse ser difícil encontrar palavras para descrever o que sentia, pois a satisfação era imensa: “é sempre difícil falar em momentos como este, as palavras estão esgotadas, é muita satisfação para uma só pessoa, as palavras são escassas”. Guerreiro irá receber hoje como prémio um cheque gigante com o valor de 50 mil meticais. Consta também do prémio para o lugar que conquistou a gravação e edição de um vídeo a cargo da MG Produções, como também um estúdio disponível para gravar som. Ainda neste sábado, será entregue um Nissan Micra 0 Km a pessoa que mais votou no programa.Digite aqui o resto do post

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Cântico das diferenças

Salif Keita

Salif Keita estará em Maputo. As suas músicas renascem em eco como Elsy Myrian Pantoja, assumida “Filha de Jah”, que as apresenta neste texto sobre o grande artista do Mali. Através dele podemos reinventar e refazermos nossa própria música.

Por mais de quarenta anos, Salif Keita continua a trabalhar, incansavelmente, para ourives da moderna música do Mali, empurrando muitas fronteiras musicais e, constantemente, à procura de outras formas de fazer registos. Sua música multiplica as aberturas com o mundo ao seu redor.
De acordo com seus encontros e viagens, Salif Keita nunca abandonou suas raízes e cultura mandinga. Pioneiro cantor e compositor, ele era o avant-garde para atender às suas façanhas vocais com a Band Ferroviário e Ambassadeurs, duas das maiores orquestras do Mali em 1970, antes de se tornar numa das grandes revelações da música mundial emergente, na sua estreia a solo com “Soro”, em 1987.

Após o clássico “Moffou” em 2002 e “M’Bemba” em 2005, que fechou a última década em grande estilo com “A Diferença”, a terceira parte de sua trilogia foi lançada com a Universal jazz acústico. Este disco é um dos álbuns mais empenhados e mais tocantes da sua carreira. Foi produzido em grande parte em Paris. Algumas sessões em Bamako (no seu estúdio, O Moffou) para Djoliba (sua aldeia nativa nas margens do Níger), Los Angeles e em Beirute.

Em perpétuo movimento, em vez de permanecer fixo e deleitar-se com a tradição que ele dominou com perfeição, no entanto, Keita está sempre em movimento sobre a evolução musical e tecnologias para alcançá-los. Definir com arranjos sumptuosos este novo álbum não é excepção à regra. Encontramos aqui uma equipa de músicos, caras novas e fiéis, que são totalmente do corpo em torno de Salif.

A força artística de Keita vem em grande parte porque ele tenta se renovar constantemente, tanto em suas palavras, música e canto. Sua voz permite-lhe trazer emoções reais, ele canta em malinka, bambara e francês. Ele não é sempre o melhor som possível, hesitando para misturar línguas em conjunto para encontrar uma poesia justa. Não é o menor dos paradoxos do Conselho, cujo estatuto Salif Keita de muito nobre proibiu-o de cantar e de confrontar o verbo e a técnica dos griots. Descendente do ilustre imperador Sundiata Keita, cujo império, no século XIII, estendia-se do Atlântico ao deserto do Sahara para o Golfo da Guiné, Salif Keita é mais do que nunca um símbolo do orgulho na sua africana raiz e história, mas também numa África que é projetada perfeitamente numa cada vez mais global, em busca da modernidade.

Albino Born, a mesma cor de sua pele, augura bem “claro no escuro” presságios. “Eu sou negro, minha pele é branca e gosto bem que é a diferença: eu sou branco, meu sangue é negro, eu amo ele, a diferença é bastante”. Tudo é dito sobre este hino à tolerância, no qual exprime suas convicções como artista. Além desta peça para um melhor reconhecimento dos albinos, o álbum também aborda o tema da preservação ambiental do seu país. “Ekolo Love” sensibiliza a tragédia ambiental que ocorreu em África há várias décadas na indiferença geral. Em “San Ka Na”, procura despertar a consciência de seus compatriotas sobre a protecção do rio Níger, perto da qual ele cresceu. Este é um verdadeiro grito do coração e da boca de um golpe contra a inacção da política de protecção do litoral e dos cursos de água, a espinha dorsal do Mali, actualmente muito poluído.

Cruzadas com M. de Vanessa Paradis ou Ricour Ben, Patrice Renson dá plena coerência sobre Salif, trazendo influências óbvias de eficiência pop, mas também um fluxo claro de execução. Também é encontrado na bateria, guitarra e percussão em várias faixas de “A Diferença”. Ele assina os arranjos de cordas de Samigna, Ka San Na e Ekolo de Amor, gravado em Beirute, com a ajuda do trompetista libanês Ibrahim Maalouf.

Joe Henry gravou, produziu e remixou “Papai Folon”, das mais comoventes faixas do álbum. Como Seydou, que nada mais é que uma nova versão do Seydou Bathily, um tempo padrão da Ambassadeurs du Motel, Dad carrega suas emoções com a profundidade universal, peças de outras nuances, muitas vezes graves no tema, mas onde a alegria da vida e da esperança prevalecem. Sublinhando Djeli melodia, balafon de Keletigui Diabate, um monumento da música do Mali e fiel cúmplice nos últimos quarenta anos mostra uma clareza que não poderia ser mais natural. Ela evoca os laços que unem a Salif, com que aprendeu a tocar guitarra.

Se o menor Jannick Top e violoncelo Gaffou Vincent Segal, trompete Ibrahim Maalouf em Samigna, guitarras Kante Manfila e Ousmane Kouyaté e da percussão de Mamadou Kone em San Ka Na, o baixo N’Sangue Guy na guitarra ou Djeli Seb Martel e Bill Frisell na Folon, cada músico traz aqui o melhor de si, reflecte uma cumplicidade profunda com Salif. A doçura da Seydou, a sinceridade da diferença, a profundidade da tristeza ou San Folon Ka Na compor uma plural vibração do álbum, fazem a diferença que se irradia voz de um cantor no topo de sua voz. Como Salif canta na faixa-título: “Todo o mundo tem a honra de sua felicidade, slogan de verdadeira felicidade universal.

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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Wazimbo e Jose Mucavel em namoro...

Cerca de 10 anos depois

“Nwahulwana”, ou simplesmente pássaro irresponsável, é o título da música que destruiu uma amizade que datava desde a infância de dois gurus da música moçambicana. Estamos a falar de Wazimbo e José Mucavel, que entraram em diferendo quando disputavam direitos autorais do prestigiado e badalado tema “Nwahulwana”.
Aliás, o tema em alusão, para além de fazer parte dos spots da multinacional norte-americana Microsoft, foi usado como trilha sonora do filme “The Pledge”, pertencente ao actor Jack Nicholson.

Mas não é de mágoas do passado que queremos nos concentrar, e sim dizer que os dois astros do clássico moçambicano despiram-se de orgulho e abraçaram- se, numa iniciativa promovida pelo apresentador de televisão Gabriel Júnior.

A reconciliação surge como resposta ao apelo feito pelo ministro da Cultura, Armando Artur, onde ideia principal é criar um clima são no seio dos músicos moçambicanos. É caso para dizer que boas notícias não tardam, chegam no devido momento. Isto porque o país acolhe, desde última sexta feira, a quarta edição do Festival da Marrabenta e o entendimento dos músicos é um ganho só para os fãs e amigos, mas também para o país no geral, sobretudo para a cultura moçambicana.

Em declarações registadas, Wazimbo não só se desculpou a José Mucavel como também disse que “o Zé é uma luva para as minhas mãos e um sapato para os meus pés, por isso lamento pela situação que sempre me entristeceu, pelo que lhe peço desculpas”.

Mucavel não poupou verbo e rematou: “o único músico que sabe interpretar as minhas composições é o Wazimbo e desde já está autorizado a fazê-lo com todas elas”.

Recorde-se que, há dias, o músico Wazimbo disse ao “O País”, depois de um espectáculo realizado na Matola, que o tema “Nwahulwana” foi algo que partiu de um nome fictício de mulher, “que eu louvo pelos seus feitos e encorajo a batalhar pela vida. Não é que esta “Nwahulwana” exista de facto. não é uma pessoa concreta, mas sim uma criação que vem da minha inspiração. Não existe uma rapariga com o nome Maria Nwahulwana, é uma homenagem a todas as mulheres”.

Por seu turno, e em contacto telefónico, Umberto Benfica assegurou que o aperto de mão entre ele e o músico José Mucavel constitui uma mais-valia para a música moçambicana.

“Tal como viram na televisão, nós nos apertamos as mãos em nome da música moçambicana. Respondemos positivamente ao apelo feito pelo ministro da Cultura, Armando Artur. Na verdade, fizemos as pases em nome da nossa cultura”, disse Wazimbo.

De hoje em diante, tal como avançou o músico, é só consolidar as nossas relações e fazer crescer a amizade. Para José Mucavel, a reconciliação dá início a uma nova era no mundo da música moçambicana.

“Finalmente, nos entendemos da melhor maneira. Vamos voltar a falar-nos, a dividir os palcos.

Aliás, aceito a possibilidade de gravar novos temas musicais com ele, afinal de contas Wazimbo é um óptimo profissional.

Eu, particularmente, estou satisfeito. Estou disponível para esquecer tudo e tocar a vida para frente”, disse Mucavel.

Importa referir que José Mucavel e Wazimbo estão, neste momento, a gravar um novo tema para alegrar os corações dos seus fãs.

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Video Doppas - Ele era meu melhor amigo.

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Conjunto Joao Domingos

Escute temas do conjunto Joao Domingos.
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Video Costa Neto - Ava sati va Lomu

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Viagem ao âmago da nossa identidade identidade cultural


2010 é o ano da marrabenta há um festival da marrabenta, há um comboio da marrabenta e até “artistas unidos” pela defesa da marrabenta.

Os puritanos consideram que se está a registar uma deturpação no uso do termo “marrabenta”, para designar qualquer forma de expressão cultural de índole moçambicana, em termos de música ligeira. Até que ponto isso é verdade?

(...) e da noite para o dia, a marrabenta – ou pelo menos o termo marrabenta – começou a ser falado e propalado em todos os cantos. Um fenómeno sem precedentes, pelo menos a nível dos últimos tempos. “Ele” é Festival da Marrabenta”; “ele” é comboio da marrabenta, “ele” é artistas unidos e empenhados em fazer deste 2010 o ano da marrabenta, enfim! agora, falar de marrabenta é o que está a dar.

Porém, a questão que se coloca é a seguinte: até que ponto toda esta empolgação em torno da marrabenta contribui para a valorização e evolução da marrabenta entanto que estilo musical com características próprias? Será correcto atribuir-se a designação genérica de marrabenta para rotular qualquer forma de expressão cultural de índole moçambicana, em termos de música ligeira?

De uma coisa ninguém duvida, a marrabenta é um ritmo de música-dança que passou por várias fases, desde a sua criação até à actualidade. A As suas origens devem remontar aos finais da década de 30, mas será a década de 50 que a leva ao sucesso, tornando-a um dos produtos mais representativos da música ligeira moçambicana.

Dizem os conhecedores que a marrabenta tem um estilo próprio, uma batida característica que é sintetizada pelo tema “Elisa Gomara Saia”, do Conjunto Djambu. Este será o ícone, a matriz e o protótipo do que é a verdadeira marrabenta. Pelo menos é assim que pensa Rui Guerra, investigador, mestrado em Gestão do Património Cultural Moçambicano, pela Slinders University (Adelaide, Austrália), com quem conversámos e em cuja tese (de licenciatura) nos baseamos em larga escala para a elaboração deste trabalho.

QUEM, QUANDO E ONDE
Há muita controvérsia em redor desse assunto: quando e onde surgiu e quem criou a marrabenta? Há quem diga – e esta versão nos parece a mais coerente – que a marrabenta deriva directamente da mescla dos estilos magika e zukuta (sim, é antigo!). Para outros, a marrabenta foi simplesmente a evolução desses ritmos, ou seja, teria começado por se chamar zukuta, depois magika e finalmente marrabenta.

Também é difícil atribuir a alguém em particular a invenção deste ritmo. De uma maneira mais generalista, pode considerar-se que ele é produto da miscigenação cultural e da migração de grupos étnicos oriundos de diversas regiões do sul de Moçambique, e que a sua estilização contribuiu para que se tornasse popular.

A transformação e penetração da marrabenta no meio urbano deve muito ao movimento migratório de jovens de origem rural e suburbana (Manhiça, Marracuene, Inhambane, Gaza) para a cidade de Lourenço Marques, onde trabalhavam à espera de contratos para as minas.

Este grupo de emigrantes é de facto importante neste processo de introdução de novos ritmos, instrumentos e aparelhos - como a viola e os gramofones -, os quais eram enviados para as suas terras de origem, juntamente com os discos, contribuindo decisivamente para a divulgação no meio rural destes novos sons e instrumentos.

INFLUÊNCIA DOS TROVADORES
Os trovadores – executantes a solo – são os precursores da música ligeira moçambicana, antes mesmo do surgimento dos agrupamentos. Músicos como Muthanda Feliciano Ngome, Francisco Mahecuane Macovela e Fani Mpfumo constituem os precursores da música ligeira moçambicana, dado terem sido os primeiros músicos a gravar, apesar de fora de Moçambique.

Mahecuane gravou, pela primeira vez, em 1945, na África do Sul, o disco “Yi Xibalo Muni Makhandane” e em 1958, no seu regresso definitivo a Lourenço Marques, torna-se famoso com o tema “Moda Xicavalo, Marrabenta, Senta Baixo”, uma das primeiras marrabentas a serem tocadas e a alcançar sucesso, apesar de apresentar uma orquestração básica, envolvendo apenas guitarra e bandolim.

Outro artista de nomeada foi, sem dúvida, Fani Mpfumo. É o caso de maior sucesso, visto ter atingido o estrelato na África do Sul, com vários prémios ganhos, para além de ser visto em Moçambique como uma verdadeira estrela, tanto pelos mineiros que traziam na bagagem os seus discos, como pela população local que ouvia os seus números na rádio.

Para além de interpretar ritmos sul-africanos como jive, simandjemandje, kwela, etc., Fani tocava marrabenta. De tal modo que o seu primeiro disco, gravado em ronga, em 1951, foi “Georgina Waka Nwamba”, tendo a música que dá o título ao álbum obtido grande sucesso. Outros números de sucesso também se seguiram, como: “Nyoxanini”, “Famba ha Hombe”, “Hodi”, “King ya Marracuene”, “Nichelelani”, entre outros.

Pela sua veia compositora, versatilidade e pelo número de discos publicados, Fani Mpfumo foi considerado o verdadeiro rei da música ligeira moçambicana, apesar de ter estado emigrado por largos anos, tendo voltado definitivamente ao país em 1973. O resto é sabido: a sua ligação à música continuou até à altura da sua morte, em 1987, vítima de doença.

AS ETAPAS POSTERIORES
O período que vai do limiar dos anos 60 até 1974 é tido como o da divulgação e promoção da marrabenta. Efectivamente, a marrabenta passa a ser dançada e ouvida por negros e brancos sem preconceitos de qualquer espécie. Passa a ser vista como a verdadeira música de Moçambique e dos moçambicanos, daí que tenha começado a ser promovida pelo empresariado local.

É nesse quadro que, em 1971, é criada a “Produções 1001”, vocacionada à procura e promoção de talentos moçambicanos. Aí são descobertos artistas hoje famosos, como Wazimbo, Simião Mazuze, Jaimito, Pedro Ben, Alexandre Mazuze, Elsa Mangue, Matchote, João Wate, Abel Tchemane, entre outros.

Surgem, então, dois programas, destinados à população suburbana e à população citadina, nomeadamente, o “Xitimela 1001”, que se realizava no Cinema Olímpia, e o “Expresso 1001” que acontecia no Cinema Nacional (actual Centro Cultural Universitário).

A REVOLUÇÃO E A MARRABENTA
Depois da Independência, a marrabenta foi, supreendentemente, desqualificada, ao ser considerada um produto da cultura burguesa decadente pelo governo revolucionário. Aí se deu o grande marco da descontinuidade. Para o bem ou para o mal, a verdadeira marrabenta foi então profundamente abalada.

Não obstante, e numa fase em que tudo escasseava e as dificuldades por que passavam os artistas eram brutais, por iniciativa do Estado, foi criado o Conjunto RM, congregando uma série de músicos, nomeadamente, José Guimarães, Alípio Cruz, Chico António, Mingas, Zeca Tcheco, Wazimbo, Matchote, Milagre Langa, Sox, José Mucavel, Alexandre Langa. Nessa fase, surgiram ainda os grupos Hokolókwè, Mbila, Alambique e Ghorwane, caracterizados pela produção de temas e músicas de caris moçambicano.

Depois disso, vieram outros e mais outros, até se chegar aos dias de hoje, onde a profusão de estilos e ritmos é abismal. São todos (?) bons. São todos representantes da música moçambicana – se por mais não seja, porque são moçambicanos – mas são raros os que tocam aquilo a que se considera marrabenta.

E porque, conforme dissemos, se passou a atribuir aos ritmos tocados a designação genérica de marrabenta, os puritanos consideram que está a registar-se uma deturpação do uso do termo, para designar qualquer forma de expressão cultural de índole moçambicana, em termos de música ligeira. Será isso correcto?

Enfim, tire o leitor as suas próprias ilações.

Os conjuntos e a estilização da marrabenta
Os conjuntos musicais e as associações culturais tiveram grande influência na difusão e, sobretudo, na estilização da marrabenta. Como já se disse, o ritmo começa a ser “urbanizado” em finais da década de 50, quando surgem os primeiros conjuntos moçambicanos, como Young Issufo Jazz Band, Orquestra Djambu, Hulla-Hoop (que passou a Conjunto João Domingos), Conjunto Harmonia e Kenguelequêze, que começam a tocar ritmos locais, para além dos internacionais, que então estavam em voga.

É a partir desse momento que a marrabenta é divulgada, deixando de ser conhecida, dançada e tocada apenas nos subúrbios. A sua entrada para as associações, neste caso a Associação Africana e o Centro Associativo dos Negros da Província de Moçambique, muito contribuiu para a sua promoção, pois deixa de estar confinada ao subúrbio. Isto é, sai do caniço e entra no cimento.

A adopção da marrabenta pelas associações foi incentivada por duas importantes figuras do meio cultural moçambicano: José Craveirinha, na Associação Africana, e Samuel Dabula Nkumbula, no Centro Associativo. Culturalmente esclarecidas e politicamente conscientes, estas figuras defendiam que os agrupamentos que ali se exibiam deviam tocar ritmos moçambicanos.

O Young Issufo Jazz Band foi o primeiro conjunto, constituído por indivíduos de raça negra. Foi formado em 1956 como um quarteto, passando para sexteto, em 1957, ano em que se viria a desmembrar, porque Young Issufo, o líder, optou por tocar num baile de finalistas, no Liceu Salazar, enquanto os outros componentes do grupo preferiram tocar no Centro Associativo dos Negros. A sua dissolução deu origem à Orquestra Djambu e ao Conjunto Hulla-Hoop, os quais se tornaram famosos a tocar marrabenta.

A Orquestra Djambu nasceu em 1958 e começou por tocar jazz e blues. A marrabenta só seria tocada mais tarde, sendo o seu tema mais emblemático “Elisa Gomara Saia”. Já o Conjunto Hulla-Hoop – que mais tarde passou a designar-se Conjunto João Domingos – foi fundado por Young Issufo, Gonzana e João Domingos, também em 1958. Entre os seus números, destacam-se: “Júlia”, “Jorgina”, “Tampa ni Xicandarinha”, “Massoriana”. Curiosamente, este grupo só viria a gravar o seu primeiro CD no ano de 2000, captado num show ao vivo, em Macau.

Ainda em 58 surgiu o Conjunto Harmonia. De acordo com Gabriel Chiau, um dos integrantes desta banda, que ainda se mantém no activo, este era o mais humilde dos três conjuntos, mas tocava de forma mais original.

Sexta, 12 Fevereiro 2010 Homero Lobo.

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DJAMBU - Uma orquestra imortal


Desde a sua criação, a Orquestra Djambo toca com sentimento o quotidiano de um povo, suscitando um grande entusiasmo nos moçambicanos. E, diga-se, fá-lo com obrigação patriótica pois atravessou gerações e hoje é, sem dúvidas, uma das mais conceitudas orquestras do país.

“A Orquestra Djambo tem uma história longa”, começa por dizer Moisés Ribeiro da Conceição, de 91 anos de idade, um dos dois fundadores ainda vivos do agrupamento instrumental que começou por ser um conjunto e, depressa, se tornou uma orquestra, com sonoridades e ritmos moçambicanos.
A paixão pela música sempre esteve presente desde miúdo na vida dos fundadores da Orquestra Djambo. Mas a história da orquestra começa nos princípios dos anos ‘50, logo após um indivíduo de nome Young Issufo ter adquirido alguns instrumentos musicais. E convidou Moisés, Orlando, Domingos, Hassane, Tiago, Zé Manel e Zé Mondlane para ensaiarem na sua casa.

Porém, depararam-se com um problema – o primeiro de muitos que o agrupamento teria pela frente: um dos elementos não se exercitava, neste caso Domingos Mabombo, porque não dispunha de um instrumento (piano). O Centro Associativo dos Negros da Colónia de Moçambique era o único que dispunha de um piano na época. Domingos, cujo pai era um dos sócios daquela agremiação, teve a ideia de pedir o espaço de modo a que todos os elementos do grupo, da qual fazia parte, pudessem ensaiar. Foi-lhes concedido o lugar e a banda começa a dar os seus primeiros passos.

Os seus ensaios eram frequentemente apreciados por diversas pessoas. Certo dia, Samuel Dabula, trabalhador da Rádio Clube de Moçambique – actual Rádio de Moçambique – foi assistir a um dos ensaios do agrupamento, tendo ficado espantado com o virtuosismo que a banda apresentava e comunicou à direcção do Centro que se preparava para organizar um baile na quadra festiva.

E o contrato para actuar não tardou a chegar, aliás, na madrugada do mesmo dia, receberam uma proposta para se apresentarem no Natal e no fim do ano. Recusaram-se a tocar na passagem do ano porque não queriam ficar “presos” à agremiação numa época em que surgiam novas propostas, mas aceitavam actuar nos próximos eventos.

“Sentimo-nos constrangidos por não termos satisfeito o pedido do Centro, uma vez que nos oferecia espaço para ensaiar e um dos elementos da banda era filho de um dos sócios”, diz Moisés. O conjunto começa a ganhar forma e muita aceitação popular, mas ainda não tinha nome. Chamavam-no Conjunto de Young Ussufo.

Mais tarde, a banda atravessa um momento de crise. Young Ussufo leva os seus instrumentos musicais e um dos elementos – Orlando – decide abandonar o agrupamento para tocar numa outra banda, mas os outros integrantes convenceram-no a não fazê-lo.

Apenas com piano, trompeta, saxofone e trombone, o grupo de jovens músicos teve de conceber um plano para animar as noites de então cidade de Lourenço Marques. Surge a ideia luminosa de buscar a ajuda da direcção do Centro. A agremiação prontificou-se a adquirir o material, mas os músicos iriam pagar mensalmente com o dinheiro de espectáculos. Assim, a banda ganhou forma novamente e começam os ensaios no mesmo local.

À procura de nome
O conjunto actuou em diversos locais da cidade de Maputo sem nome. “Quando sentimos que éramos maduros o suficiente, decidimos procurar um nome”, conta o decano da Orquestra Djambo.

Cada integrante tinha de sugerir um nome, mas as propostas não colhiam consenso. Tempo depois, Domingos teve a ideia de baptizar o conjunto de “Djambo”, inspirado num tema de um disco de música cubana denominado “Mambo Djambo”. Os restantes membros do agrupamento concordaram com a ideia, pois apreciavam a música, mas ninguém sabia o significado da palavra “Djambo”. “Mais tarde, com ajuda de um brasileiro que sempre vinha assistir aos nossos ensaios ficámos a saber que Djambo quer dizer ritmo”, diz Moisés.

Na altura, existia um grupo musical com a denominação “Ritmo”. No entanto, optaram por chamar Conjunto Djambo de modo a que não fosse confundido com outra banda, e, mais tarde, passou a denominar-se Orquestra Djambo, visto que tocavam instrumentos de sopro.

Depois de muito trabalho, o agrupamento caiu na graça do público. “As pessoas admiravam bastante o nosso trabalho. Éramos a única orquestra de negros que tocava a verdadeira música tradicional moçambicana, por isso, recebíamos muitos convites para actuar em bailes”, lembra.
Os anos que se seguiram não foram fáceis para o agrupamento. A orquestra teve de sobreviver a tudo: começando pela desistência de alguns membros. Com bilhete de passagem na mão, viu-se impedida de actuar em Brasil e outros países. Viu as portas do Centro Associativo dos Negros da Colónia de Moçambique – espaço que era o local de ensaios – a serem fechadas pela PIDE com todos os instrumentos no seu interior em 1965. A orquestra começou a dissolver-se.

Desde sempre, a Orquestra Djambo foi um dos mais importantes agrupamentos. Animava as noites e eventos sociais da capital com o ritmo animado e melodias arrebatadoras da marrabenta, ndlama, xingombela, xigubo e nfena. Grande parte das composições era original. A orquestra também gravou um single com os sucessos “Elisa Gomara Saia”, “Bambatela Sábado”, “Laurinda” e “Xinwanana”.

Por volta de 1969, o agrupamento reaparece com alguns novos membros e uma nova denominação: Djambo 70. Mas esta “nova” orquestra não granjeou simpatia de um público habituado a uma marrabenta, com uma subtil mistura de pequenos insólitos da vida quotidiana e dos grandes eventos históricos, feita de sentimentos.

A orquestra do povo
Quando reabre o Centro Cultural de Xipamanine, marca-se uma nova fase para a Orquestra Djambo. Hoje, conta com sete integrantes, nomeadamente Moisés da Conceição, Raimundo Cossa, Inácio Magaia, Milagre Langa, Américo, Policarpo Dias e Cecília Xavier, para além de um corpo de bailarinos.

E é a orquestra mais aplaudida de sempre. “Sentimo-nos como peixe na água quando estamos no palco porque tocamos o dia-a-dia do povo para o povo. Expressamos a moçambicanidade ”, diz Policarpo Dias.

A orquestra é a figura de cartaz da quarta edição do “Festival da Marrabenta” que arranca esta sexta-feira (28). É a terceira vez que o agrupamento participa neste evento que tem como objectivo valorizar a marrabenta.

As composições da Orquestra Djambo estão registadas em bobinas na Rádio Moçambique. Não tem álbum gravado, mas dispõe de um single – composto por quatro temas – gravado por volta de 1964.

Escrito por Hélder chavier Quinta, 27 Janeiro 2011 10:56

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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Um ano sem o mestre Nanando

Mestre! É como Nanando era carinhosamente tratado, guitarrista de créditos firmados cujo talento o fez brilhar e granjear simpatia em grandes palcos nacionais e internacionais, a nível dos apreciadores da música afro-jazz e não só.



Com origens no berço das estrelas, o populoso bairro de Chamanculo, na cidade de Maputo, onde aprendeu a dar os seus primeiros toques na guitarra, muito inspirado por Jaimito Mahlatine, Nanando foi considerado professor de guitarra de Jimmy Dludlu em virtude de ter sido ele quem o iniciou nesta área.

Hoje, 2 de Fevereiro, passa um ano do desaparecimento físico do mestre Nanando. O guitarrista e compositor morreu aos 48 anos de idade, no leito do Instituto do Coração de Maputo, local onde esteve internado durante alguns dias. Segundo Manuel Libombo, teclista da banda Nanando, o guitarrista “queixava-se, nos últimos dias antes da sua morte, de fortes dores de cabeça que o levaram várias vezes aos hospitais de Maputo, tendo culminado com esta morte repentina”.

Um percurso invejável
Nanando fez parte de uma geração de artistas de ouro no nosso país, tendo sido uma das faces mais visíveis dos concertos que os músicos moçambicanos realizam nas casas de pasto, onde a música de fusão é o prato forte. Conseguiu, igualmente, fazer a fusão do estilo tradicional “ximandje-mandje” com o jazz e a marrabenta. Chegou a fazer parte do agrupamento Ghorwane, para além de ter trabalhado muitos anos na África do Sul e na Suazilândia, com outros músicos.

Depois da desintegração de Hokolókwè, Nanando fundou, com outros elementos, a banda Ngalanga. Mais recentemente, Nanando trabalhou num projecto musical que leva o seu nome: Nanando Project. Realizou igualmente vários concertos musicais, sendo que num dos quais contou com a participação do agrupamento Majescoral.

Quarta, 02 Fevereiro 2011

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Kaspa: Banda de Rock New Metal


A primeira reacção às bandas de rock de garagem pode ser de repulsa, mas depois habituamo-nos ao seu espírito irreverente e até encontramos alguma justificação para libertar o espírito rock que há em nós. Kaspa não foge à regra e mostra que a música não é apenas uma combinação de sons, mas também o resultado de um sonho.

São quatro, chamam-se Kaspa e não se dedicam apenas à música: são também estudantes e trabalhadores. O nome da banda pode não ser simpático, mas é resultado de um assaz peculiar sentido de humor.
Slim (guitarrista), Inútil (baixista) Délcio (baterista) e Pintas (vocalista) formam o “quarteto fantástico” do rock urbano nacional que, animado pelo género musical rock, decidiu um dia fazer carreira musical.

Presentemente, é uma das mais proeminentes bandas de rock de garagem do país cujas músicas são destinadas ao público mais jovem. Mas o trajecto foi difícil. A aventura começou quase como um sonho em 2003, através de um forte laço de amizade que os unia.
Abraçar este estilo musical foi desde cedo o sonho de todos. Os jovens músicos integravam bandas diferentes e conheceram-se no “universo rock”. Por esta razão, a opção a seguir – rock “New Metal” – não foi um dos principais entraves. Aliás, o primeiro obstáculo da banda foi encontrar um local para os ensaios, pois existiam poucos estúdios e havia muita procura.

Sem abonos familiares, decidiram montar um estúdio para colocarem em marcha o sonho de cantar. “Hoje, já temos estúdio próprio onde ensaiamos”, comenta Pintas vocalista e também apresentador de TV. Os jovens dizem que “valeu a pena o investimento”, uma vez que já não têm de esperar mais de duas horas para ensaiarem.



Kaspa ainda não tem álbum gravado. Em sete anos de existência, teve de mudar de baterista por quatro vezes, facto que, segundo o vocalista, atrasou as perspectivas de evolução da banda. “Queremos gravar um disco com qualidade, e não apenas para os amigos e familiares apreciarem. Queremos que qualquer pessoa, mesmo o que não seja amante do rock, se identifique”.

Neste momento, o grupo está a preparar músicas que vão compor o primeiro trabalho discográfico da banda e, neste princípio do ano, pretende gravar um videoclip.
Regra geral, nas suas apresentações, a banda apresenta um misto de temas originais e algumas versões de conceituados artistas. As músicas retratam questões políticas, sociais ou sobre o quotidiano dos moçambicanos.

As músicas da Kaspa são um “New Metal” – rock mais urbano – poderoso e atractivo, onde o talento de cada elemento do conjunto ganha alento. O sistemático recurso aos clichés de “air guitar” e ao som de percussão dão um novo fôlego ao rock, hipnotizando o público e ganhando cada vez mais admiradores.
“O número do público tem vindo a crescer porque sempre procuramos inovar. Colocamos alguns ‘ingredientes’ moçambicanos que dão um tom africano à nossa música”, conta Pintas.

Quando questionados sobre o motivo de o rock se apresentar sempre em ambientes fechados, o vocalista da Kaspa diz: “O rock não está fechado, as bandas é que se encontram confinadas nas garagens”.

Escrito por Hélder Xavier Quinta, 27 Janeiro 2011 11:23

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MINGAS

Mingas vive e trabalha em Moçambique, onde nasceu e onde ela cresceu. Destinado a cantar, Mingas participou de uma série de shows de talentos em sua juventude. Através deste processo, ela acabou se tornando o vocalista de uma das bandas mais populares em Moçambique na época, Hokolókwé. A banda excursionou extensivamente em todo Moçambique sob condições difíceis da guerra civil.

Mingas estabeleceu-se durante o período de desafios de transformação em Moçambique. Sua determinação e amor pela música foram as chaves que a puxou pela realidade tumultuada política do país.

Ela era uma cantora em 'Orquestra Marrabenta Star de Moçambique' durante turnês pela Europa em 1987-88. gravações a solo durante este período incluíram 'Ava Sati Va Lomu', 'Elisa Gomara Saia ". Mais tarde ela gravou "Nweti" e outras faixas com o grupo Amoya em Paris. Sua gravação de "Nweti" foi incluído na coleção Putumayo Records, "Mulheres da Internacional World '. Como parte do grupo Amoya, ela foi premiada com o "Grand Prix Decouvertes 90 'em um show Gala na Guiné Conakry.

Por alguns anos na década de 1990, Mingas apresentou ao lado de Miriam Makeba como backing vocal e artista solo durante as turnês internacionais Mama África que se estendeu por quatro continentes. Profissional destaques na carreira Mingas "durante esses passeios incluem apresentações no Opera House de Sidney, na Austrália e um desempenho para o Papa João Paulo II durante sua visita ao Brasil.
Durante sua carreira, Mingas foi realizada com artistas internacionalmente famosos como Hugh Masekela, Gilberto Gil, Mariza, Jimmy Dludlu, Yvonne Chaka Chaka e muitos outros.

Mingas passeios amplamente em todo o Moçambique, África do Sul e internacionalmente, ganhando um estatuto lendário em seu país. Para mais informações visite: www.mingas.com

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quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Lizha James - Stop Tráfico

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Mr.Bow feat Deny OG & Edu - Dor de Cabeca

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João Carlos Schwalbach fala da música e do espectáculo


Em vésperas do concerto de lançamento do seu primeiro CD a solo, João Carlos Schwalbach fala da música e do espectáculo que já vem adiando há três anos. O músico e compositor moçambicano antevê algo especial e inovador nos próximos dias 9 e 10 de Dezembro.

Quando se fala de espectáculos em Moçambique a fórmula parece ser esta: o músico a cantar em playback, no tocante à camada juvenil. Ou talvez um pouquinho disso: o artista acompanhado por uma banda sem referência a tentar mostrar ao público de que também pode tocar ao vivo. O músico, compositor, arranjista e produtor João Carlos Schwalbach quer dar a volta a esse lugar-comum. E não é preciso ser adivinho para suspeitar que o concerto será inédito.

Será um espectáculo para quem gosta de música com tudo no seu lugar, a começar pelo cenário. O palco não vai ser igual aos de grandes artistas internacionais, tão-pouco uma cópia barata de um qualquer megaconcerto. Pelo contrário, poder-se-á testemunhar o produto final de quem leva a música a sério.

João Carlos Schwalbach optará, diga-se, por um excesso de inovação, o que vai dar ao concerto de estreia do seu trabalho discográfi co a solo uma característica peculiar e sem precedentes. Não haverá um aparato técnico, mas uma combinação de imagens, som e luzes - quanto baste - para quem aprecia ambientes calmos, intimistas e cheios de cor. O cenário confundir-se-á com os de filmes hollywoodescos, sobretudo os de ficção. Efeitos visuais, muita luz e som.

Os espectadores sentir-se-ão dentro de uma trilha sonora de uma obra cinematográfica. Ou melhor, será como se de uma viagem a um mundo imaginário se tratasse. O espectador vai sentir como se estivesse a entrar numa outra dimensão. O silêncio será quebrado pela originalidade. E tudo baterá certo no cenário: as personagens, o palco, a luz e o som.

O responsável pela grandiosidade do palco é um pintor espanhol e chega nesta sexta-feira ao país. Terá sensivelmente uma semana para colorir o palco do Centro Cultural Franco- Moçambicano (CCFM). Espera-se nos próximos dias 9 e 10 do mês em curso “um show audiovisual” com uma atmosfera radiante e evocativa.

Estarão envolvidas vinte e cinco pessoas na produção, desde os técnicos de som e imagens até os músicos que vão subir ao palco. O som ambiente será do CCFM e vai ser acrescida mais uma dose de decibéis.

Concerto memorável

Schwalbach vai realizar um concerto honesto e entusiasmante. O mesmo vinha a ser adiado há mais de três anos por falta de fundos mas decidiu avançar, embora não tenha conseguido o apoio desejado, pois pretende “mostrar o que se pode fazer com ou sem muito dinheiro”.

O seu repertório revela-se adequado para apresentar um espectáculo memorável e exuberante. Ouvir-se-ão as mais profundas notas dos treze temas que compõem o seu primeiro álbum a solo, “Despertar Vol. 1”. O show é próprio para um público de ouvido apurado. Não é um concerto para quem só gosta de música, mas para as pessoas que “vivem e sentem esta arte” na alma.

Neste concerto de lançamento do disco, João Carlos Schwalbach será acompanhado por músicos como Paito, Carlitos Gove, José e Mozila. E também vai tocar ao lado do pianista brasileiro nascido em Buenos Aires, Pablo Lapidusas. Aliás, Schwalbach contava com a presença de um trio oriundo da vizinha África de Sul, especificamente da Cidade do Cabo, mas por questões de agenda não será possível.

O lançamento do disco acontecerá em dois dias porque “a produção é cara” é há a necessidade de “recuperar o investimento feito”. O dia 9 é o primeiro momento da festa e será uma noite de gala, na qual quase 80 porcento dos espectadores são convidados. O segundo dia será um espectáculo aberto a todos os apreciadores de boa música e os que pretendem embarcar numa viagem musical nunca antes experimentada.

A expectativa do compositor moçambicano é que seja uma “noite inesquecível”, pois trata-se de uma experiência nova na sua vida. “É sempre complicado tocar ao vivo, mas estou animado”. Despertar Vol.1 O álbum “Despertar Vol. 1” marca uma nova fase do actual director musical dos Ghorwane, e não o seu afastamento daquele agrupamento.

“Tenho trabalho a solo desde miúdo”, diz. O álbum contém treze temas originais, apresentados ao vivo na sua primeira aparição pública antes de integrar a banda Ghorwane, em 1992. O mote de todo disco é a soma de uma experiência de vida.

Grande parte dos temas foi composta para os seus progenitores quando contava os dezoito anos de idade. As músicas reflectem o seu estado de espírito: “Fiz o álbum numa fase animada” e revelam todo o seu virtuosismo.

As músicas do seu primeiro CD são uma fusão de várias influências musicais. Há aqui uma mistura perfeita de música clássica, africana, jazz, electrónica, rock, entre outras, que torna o “Despertar Vol.1” um disco único e de referência obrigatória. A sonoridade sinfónica presente nos temas levanos a outra dimensão.

O disco é, diz, o despertar de um artista como uma pessoa adulta e de um músico a solo. O álbum também marca a sua evolução e uma mudança. “É um salto que dei na música para uma nova fase”. Produziu pessoalmente o CD e, numa primeira fase, o músico vai colocar no mercado nacional mil cópias do disco.

Escrito por Hélder chavier Quinta, 02 Dezembro 2010

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Liloca - Ser Segunda

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Os reencontros de Otis nas terras angolanas

Sons de um sax para reveillon

Antes das praias moçambicanas, Alípio Cruz – Otis – faz de Angola a sua ponte com o próximo ano.
Angola virou novo palco para artistas moçambicanos. Depois de a Companhia de Teatro Gungu ter sido convidada para uma série de espectáculos, onde aproveitou para estrear a peça “Vivendo Com a Sogra”, e de a Companhia Nacional de Canto e Dança ter sido convidada para um festival tradicional, Otis surge como uma das figuras escolhidas para encerrar o ano.

O cantor moçambicano radicado em Portugal já apresentou alguns espectáculos, faltando agora três, dois no dia 31 e um no primeiro dia de 2011. A digressão de Otis pelas terras de “Zé Du” devia contar com a angolana Yola, no entanto, uma doença não permitiu que ela fosse ao palco. Assim, Otis e a banda que o acompanha para esses espectáculos tiveram que encontrar outras soluções.

Numa conversa que tivemos por e-mail, Otis disse que o melhor coisa da sua digressão foi o reencontro com o músico Dalu, residente em Luanda, com quem não actuava já há sete anos. Apesar desse dueto ter sido, segundo o músico, “bom demais”, a maior surpresa foi o encontro com o músico cabo-verdiano Boy G Mendes, que também se encontra em Luanda para alguns concertos.

O músico cabo-verdiano, de acordo com o jornal de Angola, esteve naquelas terras para actuar também no “Quinta de Prestígio Musical BNI”, evento que se realiza todas as quintas-feiras à noite, no Miami Beach, visando valorizar o talento e o prestígio de grandes nomes da música angolana e internacional.?

Leia mais na edição impressa do «Jornal O País»
Quarta, 29 Dezembro 2010.

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Show-man regressa com “Tima thora”


Um acidente de viação que quase o trucidou um dos pés esteve na origem da longa ausência de Salimo Muhamed dos palcos

Está de volta o show-man de voz rouca, após vários meses de total hibernação musical. Um acidente de viação que quase o trucidou um dos pés esteve na origem da longa ausência de Salimo Muhamed dos palcos...
Depois da sua última aparição pública na capital, com o espectáculo intitulado “Kakata” (avarento), o conceituado músico Salimo Muhamed vai abrir o ano artístico com um concerto denominado “Tima thora” (mata sede), show que se espera que venha a ser um grande sucesso. Será mais um momento para os fãs vibrarem face à sua presença contagiante no palco, cantando, dançando e encantando.

Aliás, o “Sambrowero” tem arrastado muito público aos seus espectáculos, não apenas pelo conteúdo das suas músicas, mas também pela forma original como prepara e apresenta as suas actuações, deixando os espectadores sempre com vontade de querer ver mais. “Tima thora”, que marca o regresso do autor de “Mamana Maria” após o acidente que sofreu no segundo semestre do findo ano, está agendado para Abril próximo, no Centro Cultural Franco-Moçambicano em Maputo. Mais do que isso, o espectáculo em forja vem provar, uma vez mais, que Salimo não verga quando se trata de apelidar os seus shows. Basta recuar no tempo e abrir o cacifo das designações em changana, sua língua materna, e relembrar “Madala wa djeque”, “Maghurutchendje”, “Xingove xi Dibi Mutchovelo”, “Djiplokotso yeve”, entre outros nomes. Contudo, o produtor do “Tima thora”, o artista Kheto Luali, que coincide ser o dinamizador da Associação Cultural Mozolua, explicou que o show “será um clássico africano, condimentado pela fusão de instrumentos modernos e clássicos. Neste concerto, Salimo Muhamed chama a todos para brindarem e matar a sede, após o seu desaparecimento dos palcos”, apontou.

Na verdade, enquanto repousava a sua incofundível voz, devido a enfermidade, Salimo Muhamed vinha-se dedicando às artes plásticas, no seu pequeno atelier, montado em Txumene, no município da Matola, onde se encontra a residir. Presentemente, o artista está a preparar o novo CD, com o título “Txova Nholo” que, em português, significa carrinho de carga, mais conhecido por “txova xi ta duma”. Para o artista, “Txova Nholo” significa o esforço que todos nós fazemos no dia-a-dia para garantir o nosso “ganha-pão”, ou seja, estamos sempre a empurrar um carrinho de mão, muito carregado e que precisa de muita força para ser empurrado.

Salimo assediado

Artista multifacetado e considerado polémico por certos sectores da sociedade, Salimo é um dos embondeiros da música ligeira moçambicana, facto confirmado pela reedição de dois álbuns seus, pela Vidisco Moçambique. Trata-se dos álbuns “Mhanana” e “Mamani Maria”, que fizeram muito sucesso por altura dos respectivos lançamentos. A reedição que aconteceu no ano passado está relacionada com a forte procura que a música de Salimo Muhamed tem tido no mercado discográfico. O CD “Mamani Maria” foi gravado nos já extintos estúdios da J&B Recording, no ano de 2001, tendo contado com a participação de Nando (baixo), do já falecido guitarrista Nanando (guitarra solo), Arone (teclado), Miranda (bateria), Matchote (saxofone), contando com voz de Salimo Muhamed, bem como com a colaboração de Alfredo Chissano, na produção. Este disco inclui temas afamados do autor como o que dá título ao álbum, “Tchova Boy”, e “Trabalhador”. Já o disco “Mhanana” foi gravado nos mesmos estúdios, mas no ano de 2005, e nesta obra onde se destacam temas como “Marhumekhani”, “Corre Ruas” e “Paz”, o “show man” voltou a contar com a colaboração de excelentes executantes. Tony Mangue encarregou-se pela guitarra, os teclados estiveram ao cargo de Lacern Vales e a programação, bateria, mistura, “masterização” e captação foi feita pelo angolano Yé Yé.

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Segunda, 10 Janeiro 2011 Celso Ricardo .
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segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Video de MC Roger ft Ziqo - Hoyo Hoyo Masseve

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