quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Xidiminguana Contesta a Marrabenta.

Permanece a dúvida e a polémica que envolve a “velha guarda” em relação ao criador e à origem do ritmo musical marrabenta. Fanny Mfumo é tido como rei da marrabenta, Dilon Ndjindji auto-proclama-se dono deste estilo musical que, segundo argumenta, foi por ele criado no distrito de Marracuene. Depois de Alberto Mhula – o Manjacaziano –, hoje é Xidiminguana e Alberto Mutxeca que vêm desmentir a tese de Dilon Djindji e justificam: “A marrabenta é do povo (...) perguntar quem criou a marrabenta é o mesmo que perguntar quem começou a cultivar a terra em Moçambique, certamente que a resposta sempre se vai esconder”.

Xidiminguana e Alberto Mutcheca procuram chamar à verdade defendendo que o povo é quem criou a marrabenta. “A marrabenta é do povo... perguntar quem criou a marrabenta é mesmo que perguntar quem começou a cultivar a terra em Moçambique, certamente que a resposta sempre vai se esconder”.

Xidiminguana, que começou a gravar em 1974 (naquela altura na Rádio Clube de Moçambique), afirma que se tenta criar um certo protagonismo quando certos músicos – sem adiantar nomes – dizem que são os fundadores da marrabenta.

Xidiminguana, que diz ter chegado a Maputo – na altura cidade de Lourenço Marques – no dia 3 de Agosto de 1954, pede para que se pare de procurar protagonismo por algo que é do povo, porque “não existe quem criou a marrabenta”.
Contou ainda que em tempos atrás a marrabenta era cantada e dançada sem viola, envolvendo raparigas. E depois é que se começou a desenvolver o ritmo com violas feitas em casa. “Começámos a cantar a marrabenta com violas inventadas em casa com latas de cinco litros, aprendi com essas violas”, disse Xidiminguana, um dos mais conceituados cantores nacionais.

Uma contradição
Contrariamente ao que disse Alberto Mula, que Feliciano Muntano foi o precursor de marrabenta, Alberto Mutcheca e Xidiminguana explicaram que Feliciano Muntano apenas foi o primeiro músico a gravar marrabenta em fitas magnéticas, em 1950, no distrito de Chibuto, província de Gaza. Nessa altura usavam-se mais gramofones que eram oferecidos pelos bóeres sul-africanos que vinham visitar o país. “No regresso ofereciam-nos às pessoas”.

Xidiminguana disse ainda que, depois surgiu o Magana gana, do distrito de Homoine, província de Inhambane, que tocava bandolim com Francisco Mahecuane e Alberto Langa.
Por seu turno, Alberto Mutcheca acrescentou que vieram depois o Eusébio João Tamele, Gabriel Mutemba e Alfredo Mulhovo. “Nessa altura nós ouvíamos as músicas deles e isso é o que nos fez continuar a fazer a marrabenta, influenciaram-nos com as suas boas musicas”.

“Agora, porque essas pessoas já não existem, alguns indivíduos tentam criar protagonismo em volta da marrabenta, ignorando os primeiros tocadores. Eu assumo o discurso e digo que eles não estão a agir de boas maneiras quando fazem isso... Por exemplo, eu não toco mais do que ninguém. Aprecio e gosto da nova geração porque acho que eles têm de tocar o que aprenderam dos mais velhos para nós podermos ficar satisfeitos, mostram um certo reconhecimento. Que toquem o seu estilo de forma convincente”.

Por que Fanny Fumo é o rei?
“... digo-vos que cada músico tenta gabar-se, ele gabava-se não porque tocava mais do que os outros, digo isso com muito respeito. Não foi o Fanny que começou a tocar, nem tão pouco”, clarificou Xidiminguana.
Para Xidiminguana, Dilon Djindji promoveu a marrabenta de Marracuene, “não é que ele toca mais do que ninguém”, explicou o músico.

As violas vieram da África do Sul...
À semelhança do que Xidiminguana diz, Alberto Mutcheca afirma que as violas naquela altura vinham da África do Sul onde as adquiriam quando, em alguns momentos, iam trabalhar, alguns pediam aos amigos que trabalhavam lá para comprar.
Tal como Fanny Mfumo, Dilon Djindji, também trabalhou na África do Sul, daí a razão de, numa das suas músicas relatar o facto de ter viajado para a terra do rande e quando regressa a Maputo, percebeu que outros homens haviam lhe arrancado a sua namorada. Diz num dos trechos dessa música que“Dilon vá mutekele Podina... Ka Marracuene vá nitekele Podina... (Dilon levaram-lhe a Podina...em Marracuene levaram-me a Podina)”.
Xidiminguana revela que teve a sua primeira viola graças a um amigo, que já faleceu, que trabalhava na África do Sul, em 1957. “Ele ofereceu-me a viola que me fez continuar a tocar até hoje”.

Afinal o que significa marrabenta?
Quando questionados sobre o significado da marrabenta, Xidiminguana e Alberto Mutcheca disseram que a marrabenta era uma grande brincadeira que se fazia naquela altura... onde os jovens pediam-se em namoro. “Era uma coisa muito bonita”.

Ensinámos marongas a cantar marrabenta...
Explicando como a marrabenta chegou a Lourenço Marques, Xidiminguana foi peremptório ao afirmar que foram eles que vieram a Lourenço Marques para ensinar a marrabenta aos marongas. E Perguntou: “quem é o maronga que tu conheces que tem um disco de marrabenta melhor que dos machanganas? ... nem machopes. Os bitongas pelo menos têm um, que é Félix Moía. Félix Moía é o único que vejo naquele ponto do país, ele é um espectáculo, gosto muito dele”.

Em torno da polémica, Xidiminguana afirma que se distancia desses protagonismo que certos colegas têm exibido. “Eu não tenho nada contra essas pessoas, mas eles têm de saber que o que fazem não está certo... a marrabenta nunca esteve com ninguém. Não acredito nessas afirmações, faço as minhas músicas para oferecer ao povo moçambicano, não sou melhor que ninguém e nem quero ser”.

Fonte: Jornal O Pais Online por Edson Muianga

3 comentários:

Camila de Sousa disse...

A disputa pela originalidade, ou melhor, pela autenticidade de um estilo musical é como procurar uma agulha num palheiro. Concordo quando Xidiminguana diz que não existe quem criou a marrabenta. Ela é híbrida, envolve uma série de influências, de origens, de criadores. Ela é o povo e não de uma "mente brilhante".
Sou de opinião de que procurar autenticidades culturais ou, como é o caso, musicais, envolve traçar linhas evolutivas que não nos levam a lado nenhum. A marrabenta é tanto de Xidiminguana, quanto de Mfumo ou de Ndjindji. O importante é entender a sua contemporaneidade, o seu diálogo com o passado que é sempre re-significado.

No mais, parabéns pelo seu blog.

Editor - CelsoAmade disse...

Camila de Sousa.
Em Fevereiro quendo voce postou este comentario, li-o e fiquei grato pelo input inteligente.
Hoje revendo os comentarios, novamente li as suas palavras e dei conta que nao lhe agradeci pela sua contribuicao. Creio que esta e a melhor difinicao para este assunto tao cabeludo que alguem poderia fazer.
O meu muito obrigado, e participe mais vezes.

Voce ja se cadastrou no www.mbila.blogspot.com?

Michelle disse...

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TROST.
For this , the " CURE".