segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
MBIRA - instrumento tradicional de Moçambique
Este instrumento é mais conhecido por CHITATA ,SANSI,CASSASSE,KALIMBA ou MALIMBA dependendo das regiões e da lingua local fazendo parte dos instrumentos idiófonos afinados Leia Mais…
Chimoio capital da cultura
O VI Festival Nacional de Cultura pretende-se que seja o momento mais alto de celebração e exaltação da cultura moçambicana, no objectivo de preservar, desenvolver as artes, a cultura e as tradições das diferentes comunidades e criar uma plataforma de interacção, intercâmbio e de divulgação do rico e diversificado património cultural do país.
Além de promover a preservação e divulgação da cultura, artes e tradições populares, incrementando-se o seu conhecimento para que sejam continuamente usados como referência na criação e recriação de obras contemporâneas, o VI Festival Nacional da Cultura será igualmente, um momento de promoção do estudo, recolha, preservação e divulgação do património cultural moçambicano nas suas diferentes vertentes.
Pretende-se igualmente, fazer do festival, um momento de inventariação e actualização do Catálogo de Instrumentos de Música Tradicional de Moçambique, bem assim de divulgação e partilha das principais constatações, conclusões e Recomendações da II Conferência Nacional sobre Cultura, realizada ano transacto em Maputo.
A partir do festival do Chimoio, o Governo pretende mobilizar todos os actores sociais, políticos, económicos e segmentos da sociedade para a importância da cultura como factor do desenvolvimento social e económico. Quer incentivar o desenvolvimento da criatividade e promoção das indústrias culturais e sustentar a protecção da Propriedade Intelectual.
Sendo uma realização de massas, consta das perspectivas do Governo, a mobilização e consciencialização das comunidades para prevenção e combate ao HIV/SIDA e outros males que enfermam a sociedade.
Informações disponíveis dão conta que tomarão parte na fase final do VI Festival Nacional da Cultura, cerca de 880 participantes entre artistas e oficiais acompanhantes, provenientes de todas as províncias do país.
Para o efeito, decorrem de 4 a 28 de Fevereiro corrente, as inscrições dos participantes, junto dos Serviços Distritais da Educação Juventude e Tecnologia.
De acordo com o programa oficial em nosso poder, de 27 de Março a 4 de Maio próximos, decorrerá a fase distrital de apuramento dos grupos e de 17 a 25 de Maio fase provincial do qual sairão os representantes das 11 províncias que compõem a divisão administrativas do país.
Feito isso, a cidade de Chimoio, irá acolher de 27 Julho a 01 Agosto, realização da fase final, na qual além de espectáculos públicos de teatro, música, dança, cinema, serão realizadas exposições/feiras de venda de produtos culturais: livro, disco, fotografia, arte e artesanato, vídeo-documentários, filmes, culinária e roupa/vestimentas moçambicanas.
João Fumo
Notícias
Chico da Conceição
Chico da Conceição é o maior Saxofonista da história da musica Moçambicana.Tornou-se deficiente Visual desde o dia da Independencia de Moçambique. Com o produtor julio Silva conseguiu ser conhecido Além fronteiras.
Jah Bee : Um intervencionista em dívida
O CONHECIDO músico beirense, Alfredo Binda, ou simplesmente Jah Bee, está a trabalhar para, segundo disse, “pagar uma divida” que tem para com seus fãs, pois passam quatro anos após a selagem do primeiro trabalho, intitulado “Um Presente Para Você”, cujas vendas, conforme soubemos esgotaram. Entretanto, Jah Bee minimiza o período longo de espera pelo segundo trabalho, pois, segundo suas palavras, a arte é dom de quem a cria, portanto, não basta correr para os estúdios para se ser verdadeiramente um artista, parafraseando o seu pai.
“Foi do trabalho anterior que fiz que acho que estou em divida para com os que gostam das minhas músicas, os meus fãs a quem lhes devo mais um trabalho”, apontou.
Com um repertório musical já produzido, Jah Bee disse que neste momento possui “tudo alinhavado” para editar mais um disco. A mudança de residência da capital do país e novamente para a cidade da Beira, isto, há cerca de dois anos, terá de certo modo contribuído para que a preparação do álbum fosse retardada.
“Já constitui a minha banda na Beira e penso que até finais deste ano poderei editar o meu segundo disco”, afirmou.
Para além das músicas que aparecem no álbum “Um Presente Para Você”, o músico disse que possui vídeos que estão sendo divulgados por algumas televisões do país e do exterior e que não figuram no primeiro trabalho discográfico.
Com temas que versam assuntos de amor, fraternidade e solidariedade, Jah Bee considera-se intervencionista com ritmo “reggae”. Exemplificou que neste último repertório em preparação aponta a música “Quem tem dá pouco a quem não tem” como uma das faixas deste seu estilo de intervenção.
“Este disco em preparação não vai fugir muito do meu estilo habitual, mas vai contar com uma mistura cuja base é o “reggae”, que sempre adorei”, sustentou.
Não se considera apologista, mas inspira-se nos problemas da sociedade, pois acredita que o Mundo pode ser melhor do que é, mas é preciso ser se um pouco mais ousado pensando em nós próprio.
“Se for a ver no mundo existem muitos ricos e que pelo menos deveriam contribuir um pouco daquilo que tem para ajudar os pobres daí a razão da minha música “Quem têm dá pouco a quem não têm”, pois são milhares de pessoas necessitadas no mundo”, explicou.
PRINCIPIOS DA BIBLIA
Alfredo Binda, ou seja, Jah Bee, sempre fala pensando nos princípios da Bíblia. Por exemplo, diz que é olhando para o que a Bíblia diz “Deia a quem não têm” que diariamente pensa em ajudar o próximo.
“O pão que considero duro e deito-o fora pode ser importante para salvar uma vida que esta sem este pão duro”, sustenta.
Perguntamos ao nosso entrevistado se com base neste princípio da Bíblia já podemos ter o titulo do novo álbum ao que disse que neste momento ainda está a pensar, pois o titulo ainda não se afigura nestes princípios.
A uma outra pergunta sobre a receptividade do seu primeiro disco intitulado “Um Presente Para Você”, Jah Bee considera-se satisfeito pois, segundo ele, o disco foi todo vendido.
VIDEOS NO ESTRANGEIRO
Para Jah Bee, o que se passa no país não lhe deixa muito satisfeito pois, em relação aos seus vídeos as televisões nacionais passam muito pouco contrariamente ao que se passa no exterior, concretamente em Portugal.
Citou o vídeo da música que da titulo ao álbum (Um Presente Para Você) e Sida é Real, como alguns que frequentemente são transmitidos.
Reconhece ser a política editorial de cada estação televisiva ou radiofónica em não passar maior parte de vídeos ou composições de artistas nacionais.
“Penso que se deve muito ao factor comercial porque as políticas editoriais vão mais pelas músicas comerciáveis que outras que, eventualmente, não tenham o objectivo pretendido. Quer dizer, a publicidade comercial não aparece como tal mas sim por baixo da música o que faz com que possamos vê-las ou escuta-las com frequência na televisão ou rádio”, destacou.
FALTA INDÚSTRIA
Segundo Jah Bee o nosso país ainda carece de uma indústria que possa colocar semanalmente a nossa música no alto patamar, desde gospel, marrabenta, romântica, pandza, dzukuta, entre outras.
“Deveríamos ter um sector que se ocupasse da divulgação de novidades semanais que fossem surgindo no país, à semelhança do que acontece nos outros países, a exemplo da África do Sul independentemente do estilo, pois para cada estilo existem fãs”, opinou.
Questionado se se sentia afectado por esta situação, o autor de “Carrupeia”, “Tanta Gente Vai Morrer”, “Um Presente Para Você”, disse que não se sentia afectado como tal, argumentando que quem fica afectado por tudo isto é o próprio público amante da música que dificilmente consegue ter o que realmente gostaria de ter para satisfazer os seus gostos.
“Falta-nos a mentalidade da indústria, abrir-se mais para o horizonte musical e olhar-se para a música como um meio de se atingir vários corpos. As pessoas devem editar, comercializar e promover a música para o nosso próprio bem e quando isso acontecer a nossa música estará como outra qualquer do mundo pois potencial é o que temos demais”, referiu.
Apontou a história do ovo e da galinha sobre quem foi primeiro relacionando-a com a situação que existe entre os músicos, promotores de espectáculos e produtores. Defendeu que para se ser produtor deve-se investir olhando para a promoção de qualquer vídeo ou disco sem esperar por retornos imediatos, pois eles surgem mais tarde com o trabalho. Quer dizer, segundo ele, para qualquer negócio deve-se ter capital para investir e esperar pelos ganhos e não o contrário.
“O que acontece é que praticamente todos estão a espera de ganhar com o músico, querendo garantias de vendas antes mesmo de editar o seu disco. Ora, isso não pode ser assim pois deve-se investir primeiro e depois esperar pelos lucros. Essas pessoas esquecem-se que para as grandes estrelas serem o que são partiram da promoção por alguém que arriscou o seu capital investindo neles, a exemplo de Michael Jackson entre outros”, enfatizou.
Para o nosso entrevistado, o nosso país ainda carece de ousadia empresarial para investimentos na área discográfica em meios materiais e humanos. Regozijou-se pela criação do Ministério da Cultura afirmando que pelo menos já se deu um grande passo pois haver grande diálogo e abertura para uma área especifica.
“Na Suécia, por exemplo, o conjunto ABBAS vendia mais que a própria Volvo, enquanto na Jamaica o Bob Marley metia mais dinheiro para o país com a música que qualquer outro produto e estes são apenas exemplos daquilo que a cultura pode ser se bem vista e organizada. Julgo que com a criação deste ministério podemos sonhar alto e melhor”, afirmou.
António Janeiro
Notícias
Música japonesa em Maputo
De referir que Moçambique e Japão desenvolvem uma cooperação histórica, que data de várias décadas no domínio da Cultura, a qual contempla o intercâmbio cultural, o desenvolvimento de infra-estruturas, equipamentos e formação de gestores do património cultural.
Para recordar algumas realizações recentes, o Japão foi o maior parceiro financeiro nas obras da primeira fase de reabilitação da Fortaleza de São Sebastião na Ilha de Moçambique (com 1 milhão de dólares americanos), e pela via da UNESCO, o Japão apoia a implementação dos Planos de Gestão da Timbila e Nyau, proclamadas Obras Primas do Património Oral e Imaterial, pela UNESCO, em Novembro de 2005.
Além de Moçambique, o grupo vai realizar espectáculos em Angola e na Tunísia.
O concerto é composto por ritmos de Ryutaro KANEKO nos tambores Japoneses (Wadaiko), melodia de Yasukazu KANO que toca flauta (Shinobue, Nohkan) e de Haruhiko SAGA, que toca violino típico da Mongólia (Morin khuur) e (Violino Tovshuur) que enriquece a actuação musical.
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
Gabriel "Gaby" Albano Alfandega
Música e moda em Maputo

Roberto Isaías em concerto
O CONCEITUADO músico Roberto Isaías é o convidado desta semana no cardápio musical que é promovido regularmente no espaço sócio-cultural Bar dos Amigos, localizado no Bairro Magoanine-CMC. Esta é a primeira vez que Roberto Isaías, um dos jovens que integrou da banda Kapa Dêch, vai actuar naquele local, havendo, portanto, uma grande expectativa em torno deste concerto. No concerto do Bar dos Amigos, o autor de “Lalane” vai levar um naipe de amigos, com quem trabalha e toca, esperando-se que, para além dos habituais hinos dele, faça interpretação de músicas dos grandes nomes da arena africana e mundial. Uma das melhores vozes da sua geração, Roberto Isaías integrou o grupo Kapa Dêch, tendo sido um dos responsáveis pelo sucesso daquela banda, ao lado de nomes como Tony Django, Pilekas, Dodó, Zé Pires, Stélio e Almeida Ngoca. Depois de ter registado com o grupo os dois discos da banda, nomeadamente “Katchume” e “Tsuketane”, Roberto seguiu uma carreira a solo, tendo gravado o disco “Lalane”. Maputo, Quarta-Feira, 2 de Dezembro de 2009:: Notícias
TPM e Mambazo é sexta e sábado
terça-feira, 17 de novembro de 2009
Música africana para candidatos à fama
O Cine África vai juntar, este domingo, os dezoito concorrentes que até agora encantam a simpatia do público e desta forma permanecem na Academia do Fama.
Esta é a última gala em que seis concorrentes abandonam a academia de uma só vez, sendo que a partir da quinta edição será eliminado um concorrente de gala em gala.
No que diz respeito à organização, está tudo afinado para a gala que se aproxima.
A equipa de organização deste evento diz que os concorrentes são muito fortes, pelo que espera que haja muita adrenalina no palco do Cine.
Na última gala, o júri rendeu-se ao potencial dos candidatos à fama, com especial destaque para o talento feminino.
A gala que inicia a partir das 16h00 no Cine Teatro África, com transmissão em directo na Stv, é a quarta desta edição.
Para breve CD e DVD do grupo Makwaela dos TPM
O manager do grupo Lady Smith Black Mambazo, Romeo Quitsimani, acredita que este será um dos momentos marcantes na história dos 49 anos da sua existência. “Vamos dar o melhor para o povo moçambicano e aproveitar o momento para trocar experiência”, disse Quitsimane. Neste momento, o grupo Lady Smith Black Mambazo encontra-se na Inglaterra, sendo que, finais deste mês, estará na sua terra natal para preparar a vinda a Maputo. De Moçambique, estão convidados as cantoras Mingas, Gabriela, Jenny, Lizha James, Marlene e os grupos Moz Dreams e Coral Universal.
Kinani : Enriquecendo a magia dos corpos
MAPUTO foi palco de uma plataforma internacional de dança contemporânea, evento que contou com a participação de cerca de 100 artistas vindos de diferentes partes dos continentes africano e europeu. Denominada “Kinani”, esta plataforma, organizada pela Iodine Produções, serviu para lançar o nome de Moçambique no circuito internacional dos festivais de dança contemporânea, bem como honrar os seus organizadores por terem conseguido realizar um evento de dimensão internacional com engenho e arte. Em última instância é o nome de Moçambique que fica catapultado e é a nossa dança que se dignifica. Caiu o pano e rebentaram-se as garrafas de champanhe, o que virá depois?
Eliot Alex, um dos membros da organização, fala-nos sobre perspectivas futuras nestes excertos da entrevista à nós concedida, onde, sublinhando a satisfação generalizada por tudo ter corrido conforme. Mas, vamos à entrevista.
- Que ganhos ficaram entre nós com a realização deste evento?
- Primeiro, o mundo ficou a descobrir um grande festival de dança contemporânea em África, sobretudo a nível da África Austral. Os festivais de dança contemporânea do continente africano acontecem somente na África do Sul e no Senegal, para além dos festivais da Europa. Mas agora já temos mais uma referência em Moçambique, que é o “Kinani”. E todas as companhias de África e da Europa passaram a contar com esta plataforma de dança contemporânea.
- O que concorreu para a mediatização do “Kinani”?
- Nós iniciamos o trabalho muito cedo. Em Fevereiro começamos a fazer os preparativos e lançamos um programa de acções sobre o que nós pretendíamos. Elaboramos também uma página web para inscrições e cerca de 80 companhias e bailarinos a solo se inscreveram para esta plataforma. E a comissão artística composta por moçambicanos entendidos na matéria de dança, teve a função de júri, tendo feito a pré-selecção e a selecção dos que iriam participar no evento. E no acto da inscrição pedíamos também um vídeo e outros detalhes inerentes, o que facilitou o nosso trabalho e permitiu uma consulta mais ampla sobre o que era a nossa plataforma. E isso ajudou na divulgação do evento.
- Qual é a diferença entre a esta plataforma e a que exibia o Centro Cultural Franco-Moçambicano?
- Isso corresponde ao segundo ganho, pois nós nos apropriamos de um evento que era organizado até então pelo Centro Cultural Franco-Moçambicano e que apesar de actuar em Moçambique ele tem todo o suporte da França e actuava mais como uma instituição francesa. Agora, esta plataforma foi produzida e organizada por uma equipa essencialmente moçambicana e, sobretudo, composta por jovens que viram o assumir de um desafio. Claro que tivemos o apoio de organizações estrangeiras, embaixadas e agências de cooperação internacionais. Por outro lado, nas duas primeiras edições as plataformas de dança contemporânea não tinham nenhuma denominação e agora já tem um: “Kinani” que significa “Dancem”, em língua ronga.
- Esta é uma das variáveis que suporta a intenção de continuarem a trabalhar.
- Sim, se bem que também tivemos um terceiro ganho que foi a formação do público.
- Como assim?
- Nas edições anteriores notamos que era muito pouca a participação do público e ela resumia-se à presença dos interessados no evento que eram bailarinos, corpo técnico e, no máximo, familiares e alguns amantes de dança. Agora apostamos na formação do público, divulgando o próprio evento. Por outro lado, pegamos em alguns bailarinos, coreógrafos e técnicos e fomos dar palestras nas escolas. Baseamo-nos fundamentalmente nas escolas secundárias Francisco Manyanga e Josina Machel e trabalhamos com cerca de 500 estudantes. Eles faziam perguntas sobre, por exemplo, o que é e como que se faz a dança contemporânea, quais são os métodos de pesquisa. E para além das repostas que dávamos fazíamos pequenas frases, o que despertava interesse e motivação.
- Uma aposta também para o futuro…
- É. E estes estudantes vieram assistir os espectáculos e para isso fizemos 500 crachas para eles, pois alguns estiveram envolvidos em alguns sectores de apoio.
- Que mensagem vocês deixaram?
- A ideia é tentarmos tirar a concepção de que a dança contemporânea não é algo que vem de fora. Pela qualidade que os artistas moçambicanos imprimiram, a par dos outros participantes, ficou a ideia de que é possível expandirmos o conceito de dança contemporânea no nosso país. Em 2007 houve uma conferência na África do Sul sobre dança contemporânea africana e o fundamento de tudo foi que esta dança provém das raízes africanas, das danças tradicionais. Descobrimos que os movimentos corporais aplicados eram meramente tradicionais e que passavam para a dimensão contemporânea tornando-os mais visíveis. E nesta plataforma ficou assente que é possível fazermos dança contemporânea moçambicana e ficamos surpreendidos até com a performance e superação de alguns artistas nossos, o que também surpreendeu os coreógrafos estrangeiros.
- Quantos artistas participaram?
- Foram cerca de 100 artistas, entre coreógrafos, bailarinos e pessoal técnico.
- Certamente que há aspectos a melhorar, quais são?
- Há que melhorar sobretudo as condições técnicas e de produção. Para nós como Iodine Produções esta foi a nossa primeira intervenção porque as duas anteriores plataformas estiveram sob produção e organização do Centro Cultural Franco-Moçambicano. Nós não vemos as questões de produção em si, mas também das salas de espectáculos. Pensávamos que o Cine-Scala estava preparado para receber um espectáculo descobriu-se que não era possível, pois tem sérios problemas de electricidade. As salas estão envelhecidas e os equipamentos que nós temos são de alta tecnologia que às vezes estes espaços não os suportam. Temos aparelhos como dimer’s (uma espécie de misturadores), que são melhores que se podem encontrar, e no primeiro dia queimaram dois no Scala e no Cine-África.
- Que descalabro são as nossas salas?
- E o mais grave é que nós não temos as condições que os artistas habituados a montar e ou a trabalhar em grandes plataformas mundiais nos exigem. Se tens problemas básicos como a oscilação de luz numa sala, então é difícil teres nesse espaço artistas de grande nível mundial, por isso temos que apostar no melhoramento das nossas salas de espectáculos. Penso que uma das reflexões que devemos fazer é em relação às nossas salas de espectáculos porque elas não nos dignificam. Actualmente as melhores condições técnicas estão no Centro Cultural Franco-Moçambicano, que é um espaço muito bem equipado e onde qualquer grupo que fizer uma apresentação sai de lá satisfeito. Noutras salas só no primeiro de apresentações queimaram seis projectores, o que trouxe limitações na actuação dos grupos porque viram-se a ter que trabalhar com condições abaixo do seu nível. Há salas também que não têm condições de absorver luz em grande intensidade e quando é assim os quadros disparam danificando os equipamentos. Isso é triste.
- Que desafios se vos apresentam daqui em diante?
- A forma como esta plataforma decorreu nos deixou muito motivados, por temos muitas coisas planificadas. E já no próximo ano vamos começar a trabalhar para a edição de 2011, expandindo-nos para as províncias, uma vez que não queremos somente ficar na cidade de Maputo.
- Para onde vão?
- Numa primeira fase trabalharemos nas cidades de Chimoio (Manica), Beira (Sofala) e Quelimane (Zambézia). Temos coreógrafos com capacidade para trabalhar em diferentes ambientes e queremos ver se podemos enviá-los em regime de comissões para as províncias e fazerem formações lá.
- Até que ponto isso será sustentável?
- A ideia é antes da grande plataforma internacional nós termos uma realizar interna antes da grande plataforma internacional para vermos se podemos ter um a dois grupos do nosso país nesta festa.
- Então, é um “Kinani” interno. Só para grupos nacionais?
- Os nossos coreógrafos vão fazer formação em dança contemporânea nesses pontos do país e depois levaremos os grupos escolhidos para um festival de dança que poderá acontecer, em princípio, na cidade da Beira, por ser o centro do país e também pelas facilidades existentes em deslocar os grupos. E esses grupos juntos farão uma exibição donde serão escolhidos os representantes do nosso país. Mas estas realizações continuarão dependentes dos financiamentos que conseguiremos, porém, a aposta é essa.
- Uma das vantagens deste tipo de encontros é o intercâmbio entre os artistas envolvidos na acção. O que se conseguiu?
- Nós fizemos algo que funcionou muito bem, pois organizamos o que se chama “Festival Paralelo” que eram acções que decorriam no decurso do festival. Estas actividades decorriam nas instalações do Museu Nacional de Arte e juntava todos os artistas participantes no “Kinani”. E para além de as refeições serem passadas no mesmo local e à mesma hora entre todos nós, no local, que se chamava ponto de encontro, tínhamos uma banda de música a tocar, um grupo de dança tradicional e ainda um DJ. O público juntava-se também a nós, comprando bilhetes e assim nascia o intercâmbio entre os artistas estrangeiros entre si, entre eles e os moçambicanos e também, na última instância, entre todos os artistas, a organização e o público. E, diferentemente do que aconteceu nos encontros anteriores, onde os artistas estrangeiros chegavam e ficavam entre três a quatro dias, que eram os dias suficientes para a chegada, ensaio do palco, actuação e um dia de descanso e depois regressavam, nós juntamos todos os artistas no mesmo hotel e decidimos que deviam ficar até ao fim do evento, o que fez com que os artistas assistissem peças uns dos outros, permitindo aflorar o diálogo e ampliando os seus próprios horizontes artísticos.
- As oficinas que tiveram lugar constituíram também uma mais-valia e serviram de suporte da própria plataforma.
- É verdade. Por exemplo, houve exposições de fotografia, até hoje patentes no Centro Cultural Franco-Moçambicano e tínhamos música ao vivo com vários grupos musicais. Fizemos igualmente workshop’s de iluminação, onde conseguimos trazer nove técnicos de iluminação de vários países da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), sendo quatro da África do Sul e os restantes da Ilha Reunião, Madagáscar e moçambicanos, que foram orientados por um técnico suíço. Durante o workshop eles foram conhecer as salas de espectáculos, trabalharam sobre elas, observando as condições técnicas. E quando iniciou a plataforma eles é que fizeram a operação técnica dos 32 espectáculos ao longo do festival. Posteriormente fizemos um workshop de dança contemporânea, orientado por Vera Santos, que é uma coreógrafa portuguesa e ainda uma formação dos jornalistas culturais, que esteve sob direcção de Adrien Sichel, jornalista do jornal sul-africano The Star. Adrien é também crítica de arte. Foram muitas coisas que aconteceram e que nos ajudaram a alcançar aquilo que eram os nossos objectivos.
- E também ganharam dinheiro…
- Nós ficamos surpreendidos com o comportamento do público, pois ele correspondeu, talvez por termos feito uma grande divulgação do evento. Durante a semana as salas estavam acima da metade, mas aos fins-de-semana tínhamos salas cheias. Há espectáculos que aconteciam nos finais de semana às 16, 18 e até 20 ou 21 horas, mas o público lá estava, comprando ingressos, o que nos surpreendeu positivamente. É por isso que dizemos que o balanço é positivo.
- Francisco Manjate
MAPUTO foi palco de uma plataforma internacional de dança contemporânea, evento que contou com a participação de cerca de 100 artistas vindos de diferentes partes dos continentes africano e europeu. Denominada “Kinani”, esta plataforma, organizada pela Iodine Produções, serviu para lançar o nome de Moçambique no circuito internacional dos festivais de dança contemporânea, bem como honrar os seus organizadores por terem conseguido realizar um evento de dimensão internacional com engenho e arte. Em última instância é o nome de Moçambique que fica catapultado e é a nossa dança que se dignifica. Caiu o pano e rebentaram-se as garrafas de champanhe, o que virá depois?
Eliot Alex, um dos membros da organização, fala-nos sobre perspectivas futuras nestes excertos da entrevista à nós concedida, onde, sublinhando a satisfação generalizada por tudo ter corrido conforme. Mas, vamos à entrevista.
- Que ganhos ficaram entre nós com a realização deste evento?
- Primeiro, o mundo ficou a descobrir um grande festival de dança contemporânea em África, sobretudo a nível da África Austral. Os festivais de dança contemporânea do continente africano acontecem somente na África do Sul e no Senegal, para além dos festivais da Europa. Mas agora já temos mais uma referência em Moçambique, que é o “Kinani”. E todas as companhias de África e da Europa passaram a contar com esta plataforma de dança contemporânea.
- O que concorreu para a mediatização do “Kinani”?
- Nós iniciamos o trabalho muito cedo. Em Fevereiro começamos a fazer os preparativos e lançamos um programa de acções sobre o que nós pretendíamos. Elaboramos também uma página web para inscrições e cerca de 80 companhias e bailarinos a solo se inscreveram para esta plataforma. E a comissão artística composta por moçambicanos entendidos na matéria de dança, teve a função de júri, tendo feito a pré-selecção e a selecção dos que iriam participar no evento. E no acto da inscrição pedíamos também um vídeo e outros detalhes inerentes, o que facilitou o nosso trabalho e permitiu uma consulta mais ampla sobre o que era a nossa plataforma. E isso ajudou na divulgação do evento.
- Qual é a diferença entre a esta plataforma e a que exibia o Centro Cultural Franco-Moçambicano?
- Isso corresponde ao segundo ganho, pois nós nos apropriamos de um evento que era organizado até então pelo Centro Cultural Franco-Moçambicano e que apesar de actuar em Moçambique ele tem todo o suporte da França e actuava mais como uma instituição francesa. Agora, esta plataforma foi produzida e organizada por uma equipa essencialmente moçambicana e, sobretudo, composta por jovens que viram o assumir de um desafio. Claro que tivemos o apoio de organizações estrangeiras, embaixadas e agências de cooperação internacionais. Por outro lado, nas duas primeiras edições as plataformas de dança contemporânea não tinham nenhuma denominação e agora já tem um: “Kinani” que significa “Dancem”, em língua ronga.
- Esta é uma das variáveis que suporta a intenção de continuarem a trabalhar.
- Sim, se bem que também tivemos um terceiro ganho que foi a formação do público.
- Como assim?
- Nas edições anteriores notamos que era muito pouca a participação do público e ela resumia-se à presença dos interessados no evento que eram bailarinos, corpo técnico e, no máximo, familiares e alguns amantes de dança. Agora apostamos na formação do público, divulgando o próprio evento. Por outro lado, pegamos em alguns bailarinos, coreógrafos e técnicos e fomos dar palestras nas escolas. Baseamo-nos fundamentalmente nas escolas secundárias Francisco Manyanga e Josina Machel e trabalhamos com cerca de 500 estudantes. Eles faziam perguntas sobre, por exemplo, o que é e como que se faz a dança contemporânea, quais são os métodos de pesquisa. E para além das repostas que dávamos fazíamos pequenas frases, o que despertava interesse e motivação.
- Uma aposta também para o futuro…
- É. E estes estudantes vieram assistir os espectáculos e para isso fizemos 500 crachas para eles, pois alguns estiveram envolvidos em alguns sectores de apoio.
- Que mensagem vocês deixaram?
- A ideia é tentarmos tirar a concepção de que a dança contemporânea não é algo que vem de fora. Pela qualidade que os artistas moçambicanos imprimiram, a par dos outros participantes, ficou a ideia de que é possível expandirmos o conceito de dança contemporânea no nosso país. Em 2007 houve uma conferência na África do Sul sobre dança contemporânea africana e o fundamento de tudo foi que esta dança provém das raízes africanas, das danças tradicionais. Descobrimos que os movimentos corporais aplicados eram meramente tradicionais e que passavam para a dimensão contemporânea tornando-os mais visíveis. E nesta plataforma ficou assente que é possível fazermos dança contemporânea moçambicana e ficamos surpreendidos até com a performance e superação de alguns artistas nossos, o que também surpreendeu os coreógrafos estrangeiros.
- Quantos artistas participaram?
- Foram cerca de 100 artistas, entre coreógrafos, bailarinos e pessoal técnico.
- Certamente que há aspectos a melhorar, quais são?
- Há que melhorar sobretudo as condições técnicas e de produção. Para nós como Iodine Produções esta foi a nossa primeira intervenção porque as duas anteriores plataformas estiveram sob produção e organização do Centro Cultural Franco-Moçambicano. Nós não vemos as questões de produção em si, mas também das salas de espectáculos. Pensávamos que o Cine-Scala estava preparado para receber um espectáculo descobriu-se que não era possível, pois tem sérios problemas de electricidade. As salas estão envelhecidas e os equipamentos que nós temos são de alta tecnologia que às vezes estes espaços não os suportam. Temos aparelhos como dimer’s (uma espécie de misturadores), que são melhores que se podem encontrar, e no primeiro dia queimaram dois no Scala e no Cine-África.
- Que descalabro são as nossas salas?
- E o mais grave é que nós não temos as condições que os artistas habituados a montar e ou a trabalhar em grandes plataformas mundiais nos exigem. Se tens problemas básicos como a oscilação de luz numa sala, então é difícil teres nesse espaço artistas de grande nível mundial, por isso temos que apostar no melhoramento das nossas salas de espectáculos. Penso que uma das reflexões que devemos fazer é em relação às nossas salas de espectáculos porque elas não nos dignificam. Actualmente as melhores condições técnicas estão no Centro Cultural Franco-Moçambicano, que é um espaço muito bem equipado e onde qualquer grupo que fizer uma apresentação sai de lá satisfeito. Noutras salas só no primeiro de apresentações queimaram seis projectores, o que trouxe limitações na actuação dos grupos porque viram-se a ter que trabalhar com condições abaixo do seu nível. Há salas também que não têm condições de absorver luz em grande intensidade e quando é assim os quadros disparam danificando os equipamentos. Isso é triste.
- Que desafios se vos apresentam daqui em diante?
- A forma como esta plataforma decorreu nos deixou muito motivados, por temos muitas coisas planificadas. E já no próximo ano vamos começar a trabalhar para a edição de 2011, expandindo-nos para as províncias, uma vez que não queremos somente ficar na cidade de Maputo.
- Para onde vão?
- Numa primeira fase trabalharemos nas cidades de Chimoio (Manica), Beira (Sofala) e Quelimane (Zambézia). Temos coreógrafos com capacidade para trabalhar em diferentes ambientes e queremos ver se podemos enviá-los em regime de comissões para as províncias e fazerem formações lá.
- Até que ponto isso será sustentável?
- A ideia é antes da grande plataforma internacional nós termos uma realizar interna antes da grande plataforma internacional para vermos se podemos ter um a dois grupos do nosso país nesta festa.
- Então, é um “Kinani” interno. Só para grupos nacionais?
- Os nossos coreógrafos vão fazer formação em dança contemporânea nesses pontos do país e depois levaremos os grupos escolhidos para um festival de dança que poderá acontecer, em princípio, na cidade da Beira, por ser o centro do país e também pelas facilidades existentes em deslocar os grupos. E esses grupos juntos farão uma exibição donde serão escolhidos os representantes do nosso país. Mas estas realizações continuarão dependentes dos financiamentos que conseguiremos, porém, a aposta é essa.
- Uma das vantagens deste tipo de encontros é o intercâmbio entre os artistas envolvidos na acção. O que se conseguiu?
- Nós fizemos algo que funcionou muito bem, pois organizamos o que se chama “Festival Paralelo” que eram acções que decorriam no decurso do festival. Estas actividades decorriam nas instalações do Museu Nacional de Arte e juntava todos os artistas participantes no “Kinani”. E para além de as refeições serem passadas no mesmo local e à mesma hora entre todos nós, no local, que se chamava ponto de encontro, tínhamos uma banda de música a tocar, um grupo de dança tradicional e ainda um DJ. O público juntava-se também a nós, comprando bilhetes e assim nascia o intercâmbio entre os artistas estrangeiros entre si, entre eles e os moçambicanos e também, na última instância, entre todos os artistas, a organização e o público. E, diferentemente do que aconteceu nos encontros anteriores, onde os artistas estrangeiros chegavam e ficavam entre três a quatro dias, que eram os dias suficientes para a chegada, ensaio do palco, actuação e um dia de descanso e depois regressavam, nós juntamos todos os artistas no mesmo hotel e decidimos que deviam ficar até ao fim do evento, o que fez com que os artistas assistissem peças uns dos outros, permitindo aflorar o diálogo e ampliando os seus próprios horizontes artísticos.
- As oficinas que tiveram lugar constituíram também uma mais-valia e serviram de suporte da própria plataforma.
- É verdade. Por exemplo, houve exposições de fotografia, até hoje patentes no Centro Cultural Franco-Moçambicano e tínhamos música ao vivo com vários grupos musicais. Fizemos igualmente workshop’s de iluminação, onde conseguimos trazer nove técnicos de iluminação de vários países da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), sendo quatro da África do Sul e os restantes da Ilha Reunião, Madagáscar e moçambicanos, que foram orientados por um técnico suíço. Durante o workshop eles foram conhecer as salas de espectáculos, trabalharam sobre elas, observando as condições técnicas. E quando iniciou a plataforma eles é que fizeram a operação técnica dos 32 espectáculos ao longo do festival. Posteriormente fizemos um workshop de dança contemporânea, orientado por Vera Santos, que é uma coreógrafa portuguesa e ainda uma formação dos jornalistas culturais, que esteve sob direcção de Adrien Sichel, jornalista do jornal sul-africano The Star. Adrien é também crítica de arte. Foram muitas coisas que aconteceram e que nos ajudaram a alcançar aquilo que eram os nossos objectivos.
- E também ganharam dinheiro…
- Nós ficamos surpreendidos com o comportamento do público, pois ele correspondeu, talvez por termos feito uma grande divulgação do evento. Durante a semana as salas estavam acima da metade, mas aos fins-de-semana tínhamos salas cheias. Há espectáculos que aconteciam nos finais de semana às 16, 18 e até 20 ou 21 horas, mas o público lá estava, comprando ingressos, o que nos surpreendeu positivamente. É por isso que dizemos que o balanço é positivo.
- Francisco Manjate
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Uma “Terezinha” para Xidiminguana
“Criança que não chora, não mama”, diz o velho adágio popular. O conceituado músico moçambicano Domingos Honwana - o célebre Xidiminguana - sabe disso. Sabe e até pode testemunhar como essa velha máxima é também válida para os adultos. Naturalmente que entre os adultos, há choros e choros...
Havia vários meses que Xidiminguana vinha “chorando” por uma guitarra para fazer o que ele mais gosta: tocar e encantar. Já várias guitarras envelheceram em suas mãos ao longo de uma carreira que já começa a espreitar a longevidade. Num país como o nosso, cheio de carências, não é coisa fácil um músico ter uma guitarra própria! Andam muitos guitarristas exímios por este país fora, que não se podem orgulhar de ter uma guitarra. Quando têm uma para tocar, é emprestada, e ai quase sempre não dá para “se libertarem”.
Xidiminguana conhece essa experiência de saber e querer tocar, mas não poder fazê-lo porque não há guitarra disponível. Cenários como este, amordaçaram por diversas vezes o talento de Xidiminguana, até que decidiu partilhar esta sua preocupação com alguém que acreditava que o poderia ajudar.
Tudo começa quando a Autoridade Tributária decide promover uma campanha de divulgação do imposto pelo país fora, uma iniciativa que além de envolver os órgãos de comunicação social, associou alguns músicos escolhidos a dedo, para com o seu talento de artistas ajudarem a fazer chegar mais longe a mensagem sobre a importância de os cidadãos conhecerem e pagarem impostos. Um dos critérios de escolha é a abrangência das línguas usadas por tais artistas nas suas canções. Bem pensado, melhor feito!
Assim mesmo, na região norte foram escolhidos dois músicos: Aly Faque e Júlia Mwito. Na zona centro, os eleitos são Madala e Nyeleti e, no sul, Anita Macuácua e Xidiminguana. Um dos resultados deste acordo é a amizade que nasceu e que floresce entre os artistas e a AT, que agora olham para cada um daqueles músicos não apenas como agentes de entretenimento, mas como parceiros na educação para a cidadania fiscal.
Mas os artistas têm os seus problemas. Têm as suas carências. Limitações. Materiais e financeiras. Uns têm mais do que os outros, mas todos têm dificuldades. Xidiminguana também! Foi então que, certo dia, Xidiminguana apresentou a sua preocupação aos seus amigos da AT. Pediu lhes que fizessem alguma coisa para que ele pudesse ter uma guitarra. Nova. Sua. Para não ter mais que pedir emprestado e ver se forçado a interromper as músicas a meio da interpretação...
O apelo de Xidiminguana foi ouvido. Os funcionários da AT assumiram a preocupação do seus parceiro como sua também. Pediram que Xidiminguana fosse ao mercado identificar a guitarra dos seus sonhos. Depois começaram a contribuir. Cada um à medida das suas possibilidades. Afinal, “grão a grão, a galinha enche o papo...”.
Xidiminguana foi ao mercado e escolheu uma guitarra. Escolheu uma guitarra nova. Aquela era uma oportunidade que os amigos lhe davam. Não podia desperdiçar, muito menos trair os seus desejos. Escolheu bem!
Na semana passada, Xidiminguana foi convidado de honra à reunião do Conselho Superior Tributário, com direito a um espaço predefinido no programa do evento. O propósito era entregar ao artista, a guitarra comprada pelos seus amigos da AT.
Igual a si mesmo, Xidiminguana não perdeu tempo. Assim que recebeu a oferta das mãos do presidente da AT, Rosário Fernandes, puxou por uma cadeira para ensaiar uns dedilhados. Para deixar a marca, escolheu um clássico do seu vasto repertório musical: “ Vadla Vamutsona Mamane Bobiyane” (Não dão de comer à mamã Bobiyane). Assim mesmo, Xidiminguana levou todos os presentes na sala a uma viagem imaginária até Chibuto, ao som das cordas da sua nova companheira, que não tardou em baptizá-la pelo nome de “Terezinha”.
“ É assim mesmo na minha tradição. Não se escolhe mulher para o filho. Ele é quem escolhe! E foi isso que eu fiz. Escolhi pessoalmente a minha mulher. Esta é a minha nova mulher! Obrigado, meus amigos!”, confessou no seu inconfundível changana vernáculo!
Bom amigo que é, Xidiminguana prometeu para breve a publicação de uma música especialmente dedicada aos seus amigos da AT, a quem pretende agradecer publicamente. Cá por nós, eles fizeram por merecer!.- Júlio Manjate
Dama do Bling: Facebook
Declarações de um apaixonado – Hermínio
A primeira vez q o ouvi foi no coro de uma daqelas canções de “enaltecimento do q é nosso”, de MC Roger. Acho q é aqela sobre a EDM. Será q foi Roger q descobriu Hermínio? Não será esta a verdadeira vocação de MC Roger? Oxalá descubra talentos nesse trabalho q anda a fazer com crianças desfavorecidas...
CD Amor & Drama de G2 a venda na Garagem
Costa Neto Visitou Big Brother
O músico moçambicano Costa Neto procede ao lançamento do seu disco hoje, sexta-feira, no espaço Big Brother.
Intitulado Mandjolo (Nome da localidade onde o músico nasceu, no distrito de Matutuíne), o disco é uma miscelânea de ritmos incorporando a Marrabenta aos ritmos portugueses.
Para o concerto do lançamento, Costa Neto terá como convidados os músicos Stewart Sukuma, Wazimbo, Roberto Chitsondzo, David Macuácua, entre outros. O concerto é esperado com muita expectativa visto juntar no mesmo palco nomes sonantes da música moçambicana. A actuação de Costa Neto, radicado em Portugal, será o reviver dos palcos moçambicanos em grande estilo.
DIÁRIO DE NOTÍCIAS – 09.10.2009
Leia Mais…Mingas, a perola do Indico.

Jimmy Dludlu: O pólo do Joy of Jazz
JIMMY Dludlu é, definitivamente, um artista de classe mundial. Provou-o no fim-de-semana, em Joanesburgo, durante a edição deste ano do Standard Bank Joy of Jazz, festival que há dez anos vem juntando estrelas locais e internacionais, com predominância para norte-americanas. Os americanos estiveram mesmo em peso, numa lista de que – só para citar alguns –, constavam os nomes de Norman Brown (que actuou na Páscoa em Maputo no II Moçambique Jazz Festival), Chieli Minnuchi, Phill Perry ou Marion Meadows. Mas foi o guitarrista do Chamanculo quem mais agradou a audiência que afluiu em grande número aos quatro palcos desta celebração do jazz. Jimmy actuou na noite de sexta-feira, para uma audiência que podemos estimar em 500 pessoas. Parte considerável desse público preferiu abandonar as apresentações dos norte-americanos Chieli Minnuchi, Arlee Leonard e Ingrid Jensen (vocalista pouco conhecida dos públicos moçambicano e sul-africano), que decorriam em simultâneo.
Fica o eco da sua voz, vovo Amélia!
É verdade que há muito que vovo Amélia não gozava de uma saúde física para percorrer os sinuosos caminhos da música, sobretudo aqui em Moçambique, mas seu sonho foi sempre de registar o pouco da graça que Deus lhe deu. Tinha energia para sonhar e acreditar que pese os problemas de saúde associados à sua avançada idade, muito ainda tinha por oferecer à música moçambicana. Possuía um coração muito forte, uma imensa fé, daí a sua predisposição para entrar no estúdio e gravar mais um disco. Descoberta para o grande público por Eldorado Dabula, no programa “Keti-Keti” da Rádio Clube (actual Rádio Moçambique) lá para década de 60. Mas antes de aparecer naquele programa Amélia Moaina, contou numa das conversas, que começou a cantar ainda em tenra idade, por influência do pai que foi maestro da Igreja Missão Suíça, actual Igreja Presbiteriana de Moçambique e da mãe. “Minha mãe também tinha uma voz linda, mais linda que a minha”, dizia sempre Amélia Moiana. Eldorado Dabula catapultou Amélia Moiana para o grupo Djambo. Foram momentos de glória infelizmente desconhecidos por muitos, dadas as contingências da época. Quando a notícia da sua morte me chegou aos ouvidos, confesso que fiquei meio desnorteado a final era uma pessoa que gostava tanto. Não chorei por que logo de seguida veio à memória os grandes momentos de convívio que tivemos quando preparávamos o único grande espectáculo de palco que realizou nas últimas décadas. Veio aquela majestosa actuação em Abril de 2003, no Centro Cultural Franco-Moçambicano. Acompanhada por jovens que integravam a Banda Azul (grupo que carinhosamente ela tratava por Bafana Bafana) nomeadamente Raimundo (piano), Sacres (baixo), Stélio (bateria), Jimmy (guitarra) e ainda as vozes de Cadinho, Ruth e Saugina. Só quem esteve no Franco-Moçambicano pode comentar e afirmar com viva voz que Moçambique perdeu uma grande voz escondida ao longo do tempo porque o sistema assim o quis. Não chorei por que começou a coar nos meus ouvidos as canções “Moya Wanga”, “Lwandle”, “A Mintirho”, “Amiga”, “Lirandzo”, “A Va Khale”, e a inigualável “Swilo swa missava”. Moçambique perdeu uma grande voz porque os caminhos para a produção de arte e cultura no geral, e da música em particular, são sinuosos, mas melhor dizendo, são mesquinhos. Ninguém pode explicar por que nunca se abriram as portas para Amélia Moiana gravar as suas canções que não eram poucas. Não se abriram porque o nome, não o trabalho dela, pouco dizia às pessoas que estão a frente desses processos. Pura e simplesmente por isso, porque pelo trabalho são poucos os músicos moçambicanos com sua estirpe. No último espectáculo de palco que ofereceu há seis, no Centro Cultural Franco-Moçambicano, Amélia Moiana demonstrou que mesmo aos 72 anos (na altura) era de uma “senhora” voz, cultivada e escondida atrás do gospel. Cantava a marrabenta, jazz, blues, tudo que o espírito impunha com uma mestria somente sua. “Swilo swa missava swa khaluta” não mentiu Amélia Moiana, estamos de passagem e neste momento de dor e consternação, pouco nos resta senão tirar chapéu e curvar perante a sua voz que vai continuar a coar nos nossos ouvidos.
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Vodacom e Moreira Chonguiça anunciam parceria
A empresa Vodacom Moçambique anunciou hoje, em Maputo, um acordo com o músico moçambicano Moreira Chonguiça que, de entre vários aspectos, preconiza a oferta de espectáculos ao público nacional.
Artistas homenageiam Miriam Makeba em Paris
Intervirão ainda no quadro deste evento intitulado ""ElaS" e dedicado às mulheres, um coro sul-africano e um guitarrista Vusi Mahlasela, ex-membro do grupo de Miriam Makeba.
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
MINGAS: “Mamana” no canto da (verdadeira) diva

Timbilu to banana loku ndzi dzimuka wene mamana
Lava hinkwavo valanguiwike hi mbilu yanga
Akwaku ava lunganga mamana
Oh hiyo io io io io
Niza ni tsama lani ni siku lani niya tsama le
Nani navela ku zhulissa moya wanga mamana
Oh hiyo io io io io
Oh mamana
Kassi udjula niku yini mamana
Swaku nienctha hikuni sossotela swanga nova ngwana
Swaku nienctha hikuni possita, swanga nova papela
Swaku yientcha hikuni chavissa swanga nova mpahla mamana
Nili vona hi wene’/nili vona hi wene/nili vona hi wene mamana
Uma voz fresca, intima, de um existir autêntico, explicita, permanente, sólida, que sabe tirar partido de suas falas.
Bom, dirá o amigo leitor que é muita poesia para classificar uma única voz e concordo.
Hesitei muito para escrever sobre Mingas, pois não reconheço em mim propriedade para falar de uma poetisa de rigor como ela.
Atravessam-me agora arrepios: mas porquê comecei? Agora já não tem volta: devo levar esta tarefa até ao fim.
Numa sociedade como a nossa, exageradamente simplista nas análises e nas categorizações em que qualquer cantora é considerada e/ou se considera diva, me questiono o que será a Mingas? A tensão que a resposta carrega impede-me de dizer metade do que ela seja porque, tal como nas primeiras palavras em que a tentei descrever, dirão: poesia.
Hoje, mais do que a tentativa de dizer quem é a Mingas, escolhi uma canção de nomeação cuja carícia de voz me empolga; trata-se de “Mamana”. Na verdade, esta canção foi escrita pelo não menos fenomenal Zeca Tcheco, o genial baterista da música moçambicana. Mingas fez a música, a partir dessa letra.
“Mamana” simboliza o eterno conflito das mães quererem mandar nos amores das suas filhas e filhos. Em “Mamana”, a voz e a melodia de Mingas questionam: o que queres que eu faça,minha mãe? (Khasi u djula niku yini, mamana?).
Este questionamento põe a descoberto um pássaro que se quer libertar mas, ao mesmo, sente que não está pronto para o voo. É a voz de uma filha que quer contestar, mas sabe que deve ouvir a voz da razão: a voz materna.
Este questionamento é a queda de uma gota de quem reclama o seu próprio espaço, o livre arbítrio, um visível existir que a mãe a nega, tudo porque sua filha e, logo, com dever de ouvir sua voz.
“O que queres que eu faça, mãe; porque, mesmo que encontre quem me agrada, meu coração bate quando me lembro de ti (“hambi no vona…”).
Um dos traços mais evidentes da sociedade e época em que cresceu Mingas (falo da sua juventude), tem a ver com a valorização extrema da figura materna que encarna(va) toda a sabedoria, experiência, uma imagem dominante do social, onde as filhas tinham pouco ou nada a dizer na escolha das suas relações afectivas, na verdade, a mulher aqui não podia tomar posse do seu prazer, tão-somente reclamar o “usufruto do seu corpo” e o seu orgasmo. A tradição confinava-a a mera servidora.
Mas esta mulher que Mingas retrata já tenta, embora não contrariando, questionar esta sociedade quando diz a mãe que “chegas ao ponto de me atiçar como se fosse cão, me envias como de papel me tratasse, e me vendes, como se de roupa me tratasse!”
Ora, não há dúvidas que esta música é a negação da perspectiva redutora da mulher, da tendência super protectora das mães, dos postulados de extremos em nome do bem-estar dos filhos quando, muitas vezes, o bem-estar pode evocar abismo.
O que queres que eu faça, mãe, se meu coração me diz o contrário?
Bom, Mingas não a lança explicitamente esta pergunta, mas o seu canto tange a isso, porque os seus olhos, seu coração, seu desejo irreprimível de mulher, a indica uma direcção, quando a mãe, quer que ela vá noutra.
Feliz ou infelizmente, grosso de mulheres da geração da Mingas, aceita todos os opróbrios ao lado de um homem que as espezinha por completo, isto porque as mães, mesmo que violentadas as convencem de que aqueles são seus homens, quando na verdade são os homens que as mães escolheram para elas.
Este sentimento, está patente na música quando a Mingas, segura de si, diz à mãe “Nili vona hi wene/nili vona hi wene/nili vona hi wene mamana…”, no sentido de que olhe o exemplo que és mãe, achas-te mulher feliz? Agiu certo a sua mãe em escolher o marido para si? A sua vida de prantos demonstra o contrário, agora; como podes querer o mesmo para mim?
Mamane é um hino contra a repressividade e autoritarismo desse tempo em que as mães ordenavam e as filhas, cegamente, obedeciam numa situação que em nada que se parece com o modernismo que se vive hoje, onde o sonho, a ideia do sexo descomprometido, a ferrada romântica, a ideia de liberdade, não deixam que os pais opinem, tanto mais mandarem no amor dos filhos.
Bom fica aqui em “Mamana” a ideia de oscilação entre dois períodos; um de autoritarismo, mas que mantinha coeso a família, outro de liberdade que hoje se vive mas que a fragiliza.
Mas talvez o mais importante nesta música seja para além do desabafo da filha para com a sua mãe, a forma sofrida com que a dona a trata. De um timbre que impõe luta, Mingas vai fazendo desta, dor das demais mulheres, vai celebrando também sua dor com o canto, e traída pelo sopro majestoso do Matchote não se contém e chora, mesmo que no silêncio, mesmo quando tem certeza que as lágrimas vão rolar peito dentro, mesmo que num beco sem saida; “yio, hio, yó yó yó, yo yo mamane/kasse u djula niku yini mamana” (o que queres que eu faça, mãe?).
Mingas é sim uma diva, uma verdadeira diva, de têmpera rija, de encanto no canto, meu rouxinol em noites sofridas, meu alento quando fustigado o tímpano por pseudo-divas.
- AMOSSE MACAMO












