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sexta-feira, 21 de março de 2008

Gina Pepa in "Get down with the G's"

Gina Guibunda aka Gina Pepa nascida em 1976, é uma rapper de Maputo que começou a sua carreira artistica num grupo de dança chamado “Flyers” por volta de 1989. Ela e mais três amigas “rasgavam” as pistas de dança de algumas discotecas e pavilhões da capital ao beat do R& B e Hip hop que se escutava na altura. O grupo “Flyers” foi uma versão feminina do grupo “Fly Boys” que na altura também se dedicou a dança. O atual Jornalista Luís Nachote do semanário “Savana” era um dos membros do Fly boys e é irmão mais velho de “Rose Mary” Nachote que fazia parte das Flyers. Eles eram como inspiração para elas, daí o surgimento de Flyers. Na altura a juventude estava amarrada aos sons de grupos como The Boy, Heavy D, Kool Moe Dee, etc.

No inicio da decada 90 quando entrou em voga o Hip Hop com uma força diferente, os jovens tornaram-se cada vez mais ousados com o “American Lifestyle”. Nesta altura as Flyers continuaram a existir apenas como um nome que as identificava como um grupo de amigas.

Em 1993 Surgiram os “Rappers Unit” um grupo de rap que começou por organizar festas de Hip hop e mais tarde convidado a colaborar com a primeira discoteca Hip hop(Long Beach). Os “Rappers Unit” começaram a gravar suas próprias musicas em 1994, “Keep Rappers Unit from the Underground” e “it’s going down” foram os primeiros temas gravados pelo grupo e mais tarde surgiu a necessidade de ter uma voz feminina.

Gina Pepa foi a voz escolhida, incentivada por Don Mceezalin o Primeiro(Nitó MC), até porque ela já imitava canções de Salt-n-Pepa e Da Brat. Gina adoptou o Nome “Pepa” por ser fã da Pepa do grupo Salt-n-Pepa. Fêz o refrão(cantado) do tema “Get down with the G’s” de Rappers Unit e mais tarde começou a repar surpreendendo e superando as expectativas do resto dos membros do grupo.

Mais tarde Gina foi estudar na Africa do sul mas sem no entanto se desligar da musica e nem perder porque os Rappers Unit nunca mais produziram. Com a edificação da Track Records e o lançamento do album “Mixologia” de DJ Beat Keepa, Hélder Leonel prepara o tema “noite de vingança” para fazer parte do mesmo album. Um tema que marcou o regresso em grande de Gina Pepa para a cena Hip Hop como artista solo. Gina veio preencher uma grande lacuna do quase inexistente Rap feminino em Maputo, com um poder vocal de cortar a própria respiração Pepa tem a capacidade de segurar na lirica sem deixá-la escorregar em nenhum momento das suas actuações ao vivo.

Atualmente se encontra em estudios registando o seu primeiro album.
Gina faz parte da Track Records e está no ar com o tema G.I.N.A. produzido por HC e Kloro.

E-mail: ginapepa@track-online.com
Fonte: www.track-online.com

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quinta-feira, 20 de março de 2008

Mozpipa

Mozpipa e’ a abreviacao de Mocambique, Pinto e Paulo.

O grupo Mozpipa existe como grupo musical desde 1996, tendo-se os seus elementos iniciado na "Organização Continuadores da Revolução Moçambicana", fazendo parte do I Grupo Infantil da Organização designado por "Pétalas Amarelas".

A banda foi criada no dia 10 de Novembro de 1995, pelo Pinto e o Paulo. Os dois eram membros do conjunto kawai K10. Os outros membros juntaram-se a banda dois meses mais tarde e de la ate aqui continuam a tocar juntos.
A banda tem varias influencias, desde o Zouk, Marrabenta, musica Latina e Xingobela.

Normalmente tocam ao vivo nos diversos clubes noturnos em Maputo, festas, casamentos e pelas provincias, por vezes teem convites para espectaculos na Africa do sul e Swazilandia.

Em 1997, comecaram as gravacoes do primeiro disco de 8 faixas intitulado “Morena de Mocambique”, produzido por Julio Silva e Sergio Gonsalves, masterizado por Joao Oliveira, Captacao de voz de Rolland, gravado nos studios Promusic entre Novembro a Dezembro de 1997. Para este trabalho, foram convidados Miguel Gonsalves na trompete, Rui Gonsalves no trombone, Ivan Ferreira na bateria e percursao, Gisela nas vozes e coros, e Julio Silva teve a responsabilidade dos arranjos de metais, teclados, piano, distorcao de guitarra, chocalhos, congas, percursao e bateria.
O disco foi editado pela Vidisco.

As letras assim como a musica sao da autoria dos Mozpipas.
Compoem a banda o Pinto, Paulo, Jaime, Rui e Carlos.


Sao temas do primeiro album.

1 - Bia
2 – Morena de Mocambique
3 - Maputo
4 - Tsiketa
5 - Marina
6 – Gosto de Voce (Saudade)
7 – Vem Amigo
8 – Desconjela

Tem no total quatro albums no mercado, sendo o ultimo “Ecos de Zambeze”.

1 – Cissi
2 - Papo Furado
3 – Malena
4 - Ni Tsemba Wene
5 - Swa Yila
6 - Cai na Real
7 - Minha Mãe
9 – Cimbuia

O tema minha mae, fez enorme sucesso pelo pais, que diz-se em abono daverdade, que esta na ponta da lingua de todo Mocambicano como se de Hino Nacional se tratasse.

Contactos:
Av. Maguiguane, nº 15471
1º andar Maputo Moçambique


E-mail: peadrui@hotmail.com
E-mail: rtaula@ispu.co.mz
E-mail: tauladas@yahoo.com.br


Cell: +258828368120
Cell: +258824855340
Cell: +258824820290

Fax: +25821496074

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quarta-feira, 19 de março de 2008

MOZACA: O legado de Carlos e Zaida Hlongo

MOZACA é o actual nome da banda musical que pertencia ao casal Carlos e Zaida Hlongo , já falecidos. Aliás, antes do desaparecimento físico deste casal, em dois momentos diferentes, este agrupamento levava o nome dos seus cérebros: Banda de Carlos e Zaida Hlongo. Passada a fase de pesado luto – que assolou não só a estes músicos mas a outros, de outros grupos, e os fãs de música moçambicana – e pretendendo dar continuidade à sua vida artística, os elementos remanescentes do grupo decidiram mudar o nome para MOZACA, o que significa, segundo eles, Moçambique: Zaida e Carlos.

Ao atribuir este nome, os elementos do MOZACA homenageiam o casal mais badalado da História da música popular moçambicana e, ao mesmo tempo, à música do nosso país no seu todo.
“Decidimos dar este nome à banda porque vimos que era a única forma de homenagearmos aqueles que foram os nossos líderes no mundo da música: Carlos e Zaida Hlongo. Eles foram pessoas muito importantes nas nossas vidas mesmo fora da música. Tudo o que somos hoje e provavelmente o que seremos amanhã sempre estará associado a Carlos e a Zaida Hlongo”, assim se expressou Fernando Mavume, baterista, um dos vocalistas e líder da banda “Moçambique: Zaida e Carlos Hlongo”.

Fernando Mavume é um dos três irmãos desta banda que decidiu continuar a obra daquele casal em termos temáticos: abordar o dia-a-dia social dos moçambicanos, contribuindo para corrigir o que vai mal.
Mesmo depois do desaparecimento físico daqueles que foi o casal de ouro da música ligeira moçambicana, os jovens instrumentistas não se abalaram, tendo conseguido reunir forças suficientes para continuarem com a carreira.

“Quando perdemos os nossos líderes não entrámos em dilema, antes pelo contrário, conseguimos gerir a situação e dissemos a nós mesmos que a única homenagem que devíamos prestar ao casal seria continuar a fazer o que eles mais gostavam que era cantar e dançar. E assim estamos hoje aqui”.

Por outro lado, seria complicado para estes jovens artistas e para muitas pessoas continuar a ostentar o nome “Banda Carlos e Zaida Hlongo”, pois, segundo percepção de Fernando Mavume, não queriam passar por oportunistas baratos ostentando o nome daqueles que dizem respeitar muito como artistas.

“Isso seria complicado e muita gente não entenderia, decidimos mudar o nome da banda, mas sem quebrar a essência e o objectivo pretendido que era homenagear o casal. E sem alterarmos muita coisa mudamos para o nome que temos hoje, que é MOZACA. No fundo este nome identifica-se com a história do casal e do sucesso que fizemos e continuamos a fazer até hoje. Inspiramo-nos no casal e é justo que continuemos a ser o que eles gostariam que fossemos”, comentou a fonte.

Um ritmo de guitarra que ficou com o dono.
O ritmo abraçado desde que a banda ficou conhecida como Carlos e Zaida Hlongo teve que ser alterado devido à morte do casal. E se no passado esta banda tinha na marrabenta o mote da sua existência, hoje ela já se vê na contingência de fazer misturas com outros ritmos, como são os casos de passada, zouk e ragga.

É que com a morte de Carlos Hlongo desapareceu também um ritmo que era a característica da banda. “O ritmo mudou um pouco, mas é preciso dizer que fomos forçados a isso, uma vez que já não podíamos continuar a tocar somente marrabenta. Com Carlos Hlongo tínhamos um ritmo que só a guitarra dele fazia. Esse era um ritmo só dele, diferente e característico. E isso fazia-nos muita falta, pois sem esse ritmo não podíamos continuar a tocar na mesma linha de Carlos Hlongo”, explica-nos, ao mesmo tempo que censura o facto de muitos músicos jovens estarem a recriar as músicas do casal muitas vezes sem a anuência de ninguém, alegando uma pretensa homenagem a eles. “Ao pegar nas músicas que nós trabalhamos com carinho esses músicos dizem que estão a homenagear o casal, mas não fazem mais do que deturpá-las, no sentido de que o contexto em que inserem essas recriações não tem nada a ver com o que era o pensamento de Carlos e Zaida Hlongo”, desabafa.

E mais: “eles nem se preocupam em repartir os benefícios disso com a família do casal. Carlos e Zaida deixaram filhos que, pensamos nós, têm o direito de ter benefícios do trabalho que os pais deixaram, feito arduamente, mas até agora isso não está a acontecer. Não dizemos que devem se preocupar com a banda dele, pois nós continuamos a levar a nossa vida de forma normal, mas com os filhos do casal”.

Publico acompanhou-nos sempre.
O ano de 1992 é o que inicia a história desta banda, com espectáculos a serem realizados um pouco por todo o país e noutras paragens do mundo, em várias digressões que sempre Carlos e Zaida Hlongo efectuaram com a sua banda. “Fizemos espectáculos em quase todo o país, mas também na África do Sul, na Alemanha e em muitos outros sítios”.
Na altura, para além do casal, onde Carlos tocava o solo e Zaida cantava, a banda tinha ainda Fernando Mavume, na bateria, Xavier era o viola baixo, Luís no ritmo, Steve a executar o contra-solo e Agostinho nos teclados. Hoje o grupo continua com a mesma composição, tendo agora duas bailarinas, nomeadamente Rosinha, que é, por sinal, sobrinha de Zaida Hlongo, e Angelina, que entrou para a banda como uma das vocalistas.

“Tal como no passado, em que nos assumíamos como família, hoje continuamos a fazer prevalecer este espírito”, afiança.
Fernando Mavume não faz ideia de quantos espectáculos realizaram, mas sabe dizer que foram aos magotes. E em todos eles uma coisa sempre os acompanhou: o sucesso e a vibração do público.

Reflectindo, sabe dizer que fizeram “muito dinheiro”. Muito dinheiro no sentido de que sempre deu para se “aguentarem” na vida e nunca passaram fome.
“Nos nossos espectáculos fazíamos muito dinheiro e nunca passámos fome. Nunca nos queixámos, e quando isso acontece sentimos que sabe bem ser músico”, revela, entre risos, Fernando Mavume.

Quando Carlos Hlongo viu Fernando a tocar bateria, ensinado por um amigo do próprio malogrado músico, convidou-o de imediato para integrar a sua banda. Era o primeiro sinal rumo a um sucesso que só viria a conhecer um interregno, primeiro, com o desaparecimento físico de Zaida Hlongo, enterrada como rainha em 2003 no Cemitério de Lhanguene, e em definitivo, após a morte do marido, Carlos Hlongo, cerca de um ano depois.
“Com eles começámos por gravar nos estúdios da Rádio Moçambique, tendo registado a primeira música de Zaida Hlongo que foi ‘Kiribone’”, disse.

Aliás, “Kiribone” foi o incendiar de um rastilho e o archote que viria a iluminar a carreira da autora bem como levava a sociedade a aplaudir a ascensão de uma cantora que desde logo atingiu o estrelato.

Tempos depois, também pela Rádio Moçambique, gravaram mais dois projectos, designadamente “Zabelane” e “Ndzuti”. Aí foi a trepidação total! A sociedade acocorou-se aos pés desta cantora, que, acompanhada por uma banda de jovens também de grande talento, cantava, dançava e mexia-se sem tabus e preconceitos. No palco Zaida deixava o seu corpo em manifestação total e conduzia a plateia ao zénite. Não admira que por isso fosse criticada, mas, ao mesmo tempo, amada e acarinhada por quase todos.

Depois da Rádio Moçambique, a banda Carlos e Zaida Hlongo firmou acordo com a extinta editora Orion. Lá foram registados os discos “Sibô”, “Alfândega” e “Drenagem”. Estes registos discográficos são feitos numa altura em que a cantora já vinha conquistando vários prémios em diferentes paradas musicais moçambicanas, particularmente o Top Feminino e Ngoma Moçambique. A sociedade, atenta ao desenrolar da vida, da cultura e da música, principalmente desta cantora juntamente com o seu marido, criticava e aplaudia.
E os álbuns também iam sucedendo ao ritmo da sua fama e da aclamação pelos seus fãs que já eram aos magotes.

“Depois passámos para a editora Vidisco, onde registámos ‘Matekaway’. Quando fomos gravar este disco já Zaida Hlongo mostrava sinais de debilidade. E veio a perder a vida quando estávamo-nos a preparar para começar a registar temas musicais daquilo que viria a constituir o ‘Sifassilhile’. E Carlos Hlongo, também andava meio abatido e triste com a morte da mulher, teve a responsabilidade de levar o projecto até ao fim”. Ainda assim, os artistas conseguiram lançar o disco e fazer alguns espectáculos, mas as energias de Carlos eram já quase inexistentes. Já não tinha a mesma vibração e o mesmo entusiasmo.

E quando já estava muito debilitado, Carlos Hlongo registou algumas músicas nas quais contou com a participação da sua filha Tânia. As músicas gravadas nesse período foram reunidas em disco que leva o título “Metical”. O mesmo encontra-se nos arquivos de espera da Vidisco.
Ainda pela editora Vidisco, saiu este ano um DVD intitulado “África ao Vivo”, faz alusão a um dos espectáculos musicais realizados no Cine-África, nos tempos do programa de promoção musical “À Quinta no África”.

Esta era a banda do casal Carlos e Zaida Hlongo, que durante muitos anos acompanhou-a nos palcos e fez várias espectáculos com eles. E hoje, como MOZACA, já tem registado um trabalho discográfico, o primeiro da nova era, intitulado “Viva Chongo: Vamussenga”.
Este grupo tem aparecido em diferentes concertos que se realizam em casas de pasto e clubes nocturnos de Maputo e Matola.

Fonte: Jornal Noticias: FRANCISCO MANJATE

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terça-feira, 18 de março de 2008

Moçambique Jazz Festival


O Moçambique Jazz Festival, a ter lugar no primeiro fim de semana de Abril na Matola, poderá
ajudar a criar cerca de 500 postos temporários de trabalho para pessoas que prestam serviços
diversificados, durante a realização dos concertos agendados.

Primeiro desta dimensão no país, o evento se seguirá ao já de referência no mundo Festival
Internacional de Jazz da Cidade do Cabo, a realizar entre 28 e 30 deste mês em curso na
vizinha África do Sul.

Tito Tizine, directivo da Moçambique Celular (Mcel), um dos promotores do evento, disse que o
festival também constitui uma mais-valia para a economia do país. ?
A realização do Moçambique Jazz Festival vai criar 500 postos de trabalho para várias pessoas que estarão ligadas ao evento?- disse Tizine, acrescentando que trará igualmente benefícios
socioeconómicos para o país.

Neste primeiro megafestival de jazz a acontecer no país desfilarão artistas de alto gabarito,
como os norte-americanos Manhattans, astros moçambicanos como Ottis (Alípio Cruz), Moreira
Chonguiça, Jimmy Dludlu, Salimo Mohamed, Irinah, entre outros.

O festival, que se reveste de grande importância cultural, também poderá servir de um
trampolim para os novos talentos no panorama musical moçambicano, bastando para o efeito
apontar que um dos dois grandes palcos do festival se destina apenas aos astros emergentes
nesta arte.

No local do evento serão montados dois palcos, sendo o "Zambeze" para as grandes estrelas e
o "Rovuma" para talentos emergentes. A Nove FM (9FM), rádio privada produtora do festival,
inicia muito em breve a selecção dos que exibirão as potencialidades artísticas no "Rovuma".

Rachid Lombard e Billy Domingo, cérebros do festival da Cidade do Cabo, disseram que o
evento de Maputo, a seguir ao desfile de estrelas em solo sul-africano, será uma verdadeira
constelação de artistas.

Os novos talentos de Moçambique terão oportunidade de estar ao lado de músicos
internacionalmente reputados, facto que vai ajudar a estimular a sua ambição de prosseguir com
a carreira musical.


Fonte:jornal Noticias - 10.03.08

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segunda-feira, 17 de março de 2008

Kid Malume; O outro braço de Alexandre Langa

KID MALUME vai para sempre ficar registado nos anais da história da música moçambicana como aquele que, tantos anos depois de entrar na arena artística como bailarino e corista, saltou para a arte registando um número, indelevelmente forte, porque de crítica social, e depois disso ter desaparecido. “Dumba Nengue va Khoma”, gravado em finais da década 70, catapultou Kid Malume, que de homem totalmente desconhecido em tão pouco tempo transformou-se num dos mais populares músicos da sua geração.

Kid Malume não foi um músico do tipo génio e extraordinário, mas foi feliz na sua abordagem temática, tanto é que quando grava a sua “Dumba Nengue va Khoma”, o que estava em voga era o comércio informal, pois tal como hoje, dali vinha o sustento de grande parte da população e entretanto banido pelas autoridades locais.

Dos registos arquivados e por nós consultados consta somente que depois de “Dumba Nengue”, Kid Malume terá voltado aos estúdios para gravar mais uma música, que leva o título de “Rosinha”. Esta música é uma elegia à mulher, ao amor e ao trabalho. Não há registos de que depois destas duas músicas Kid Malume tenha gravado algo, mas sabe-se que ele perdeu a vida a 8 de Fevereiro de 1996, vítima de doença, entretanto já sem estar no activo.
Quanto ao tema “Rosinha”, sabe-se que este não teve o mesmo impacto de “Dumba Nengue”, que se tornou num verdadeiro hino. Foi com esta música que Kid Malume concorreu em 1988 para o Ngoma Moçambique, tendo ficado durante largas semanas em primeiro lugar. Sabe-se, no entanto, que não chegou a ser laureado.

Não obstante isso, Kid Malume é até hoje recordado nos meandros musicais e pelos amantes da música moçambicana como o autor da célebre “Dumba Nengue”.

Este artista da canção moçambicana não morreu como músico, porque as suas duas canções – principalmente o emblemático “Dumba Nengue” – continuaram a ser ouvidas na estação emissora da Rádio Moçambique, mas infelizmente não com a frequência de outrora, tal como acontece com as melodias de tantos outros artistas da sua geração que deixaram de soar.
Para muitos não interessa o facto de Damião Lopes Massingue, nome completo e de registo civil do artista Kid Malume, não ter gravado para lá de duas canções. Mas sim o importante é o impacto que as suas canções criaram e criam no imaginário daqueles que as ouvem. Por outro lado, nem sempre gravar centenas de canções é sinal indicativo de qualidade.

Aliás, o facto de Kid Malume ter morrido sem registar um número suficiente para lançar um disco de originais, até pode servir para contrariar a ideia de que só a quantidade é que conta.
Como exemplos, chamamos para este espaço os casos do conceituado Armando Mabjaia, que também não registou muitas músicas, serem músicas que tiveram o impacto que tiveram, tendo galvanizado as massas para a introspecção quanto aos problemas de ordem espiritual, das origens e da viagem.

Zeburane (Eusébio Johane Tamele), também registou um número não muito elevado de músicas, mas até hoje é tido como um dos maiores compositores da nossa história musical, com uma forma clássica de tocar a guitarra. Os seus acordes até hoje são reconhecidos como clássicos e contemporâneos, o que chega a espantar os estudiosos destes instrumentos musicais.

Damião Lopes Massingue quando regressou da África do Sul, onde viveu durante largos anos, juntou-se à banda do popularíssimo Alexandre Langa. Aliás, basta recordar que pelos sítios por onde passavam eram tidos como irmãos devido à forma como eles se vestiam, tais eram as semelhanças entre ambos.

Mas, para alguns Kid Malume era o Alexandre Langa em miniatura, pois tudo o abraçava e fazia se assemelhava ao que o autor de “Mabunganine” também fazia. Do corte de cabelo à forma de vestir, até no estilo de cantar e na maneira de andar. Kid Malume era uma espécie de sósia de Alexandre Langa.

Mas, o que vai depois contar no meio de tudo isso é o facto de Kid Malume vir da África do Sul com a intenção de querer se integrar na arena musical aqui em nacional. E o terreno fértil que encontrou foi a banda de Alexandre Langa. Tanto é que eles já se conheciam. E chegado cá, terá procurado por Alexandre Langa. Recordaram os tempos do antanho, desde que deixaram as longínquas terras de Gaza, empreendendo odisseias, que os levaram primeiro a Lourenço Marques, e depois a África do Sul, e, outra vez para Lourenço Marques, onde vieram fixar residência definitiva até ao dia em que Deus os chamou para habitarem o Jardim de Éden.

Alexandre Langa é de Ndavene, no distrito de Chibuto, e Kid Malume vem de Manjacaze. As qualidades vocais e os passos de dança simulados por Malume deslumbraram o jovem de Ndavene, que já era um caso de sucesso nas pistas da capital moçambicana, tendo o convidado a se juntar a si, algo que foi prontamente aceite por Kid Malume.

Kid Malume integra a banda de Alexandre Langa como corista e bailarino. Os dois passaram a partilhar os vários sucessos, estando sempre lado a lado, mas não somente como colegas na mesma banda, como também, e sobretudo isso, bons amigos. Os dois passaram a conviver juntos e em várias ocasiões festivas e informais apareciam juntos.

Importa referir também que quando Kid Malume andava ao lado de Alexandre Langa, isto na componente musical, tinham também ao lado um outro homem, na altura sonante, que é o Francisco Cuna. Os três faziam parelha e constituíam um grande trio.´

Anos mais tarde, Kid Malume decide experimentar-se como músico. E sem abandonar o agrupamento de Alexandre Langa começa em meados da década 70 a ensaiar para registar os seus próprios temas originais. Neste processo, Alexandre Langa nunca deixou de o acompanhar, tendo o orientado até à gravação da sua primeira música, o famoso tema “Dumba Nengue va Khoma”, o que vai acontecer em finais de 1978. E já em meados da década 80, Kid volta outra vez aos estúdios da Rádio Moçambique para registar mais um tema intitulado “Rosinha”.

Depois desta fase de glórias, entre espectáculos e muita farra, Kid Malume passou a gerir crises, principalmente sociais e económicas, nos bairros onde vivia, sempre ao lado do seu companheiro Alexandre Langa.

Bairro de Maxaquene, Mavalane, Mafalala e Polana Caniço são os pontos onde Kid Malume passa a frequentar, mas já sem ser recordado como o autor de Dumba Nengue. E assim vai ser a história de um homem que foi um arauto da liberdade e da música.

Fonte: Jornal Noticias de 30 de Janeiro de 2008, Francisco Manjate

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Maengane grava “Xiwelele” Em DVD


O MÚSICO moçambicano António Marcos, popularmente conhecido por Maengane, está a gravar parte dos temas constantes no seu último CD “Xiwelele”, editado ano passado pela Vidisco.

Álbum ora em gravação para DVD pertence à colecção “Ntsa-Ntsa-Tsa”, de que é sexto na colecção.
O trabalho de captação de imagem está a ser dirigido pelo próprio Maengane. A este propósito, o artista trabalhou já em Namaacha e no Bairro Guava.

António Marcos é detentor de um repertório vasto de “clips” e possui outros álbuns em DVD caso de “Waguia Tilo”.
O disco “Xiwelele” ora em gravação audiovisual possui os temas, “Xothata Pata”, “Loko Anoku Tiva”, “Mbupupu”, “Ntombi Yaku”, “Uyo Pfumela”, “Ukatekile”, “Tsotsi”, “Nitafa Hikulunga” e “Vuya Murandziwa”.
As músicas são cantadas na totalidade em changana, língua materna de António Marcos.

Maputo, Quarta-Feira, 12 de Março de 2008:: Notícias

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quinta-feira, 13 de março de 2008

Dilon Djindji vs Roland Hohberg ...

“Eu nunca estive apagado na música e também, nunca ameacei expulsar Roland de Moçambique” - Dilon Djindji, veterano da música ligeira moçambicana

O veterano da música ligeira moçambicana e um dos arautos do estilo "marrabenta" muito tocada e dançada no sul de Moçambique, Dilon Djindji, disse em declarações ao «Canal de Moçambique» que “não é verdade” que já estivesse “apagado na música antes de integrar o Projecto Mabulu”. As palavras de Dilon Djindji surgem em reacção as declarações de Rolland Hohberg ao «Canal de Moçambique» ( vsff canal nº 511 de 19 de Fevereiro de 2008). Na referida edição, Rolland Hohberg disse, entre outras coisas, que, “foi com o Projecto Mabulu que Dilon Djindji voltou a ganhar projecção na arena musical nacional e internacional pois antes disso ele já estava apagado”. No entanto, o Djindji refutou a posição do seu antigo produtor e disse cheio de convicção: “eu nunca estive apagado na música”. Contudo, algo contraditório, o mesmo Dilon Djindji disse também: “houve um momento em que estive mais dedicado a agricultura”. O que pode pressupor que enquanto a agricultura foi a sua prioridade a música esteve em plano secundário.

Sobre a alegada ameaça de expulsar Roland de Moçambique dita por este na referida edição do jornal, Djindji disse: “eu nunca ameacei expulsar Rolland de Moçambique”.

Na conversa com o cantor que, em algumas vezes, exaltou-se, o repórter do «Canal de Moçambique» quis saber sobre as alegações de Rolland Hohberg de que Dilon Djindji terá pontapeado o contrato de exclusividade de som e imagem que existiu entre ambos. Sobre este ponto, o cantor disse o seguinte: “o meu contrato com Roland rescindiu no ano 2005”. Contudo, o cantor não foi capaz, pese a nossa insistência, de exibir um documento que prova a rescisão do mesmo. Aliás, alguns dias antes do seu contacto pessoal com o «Canal de Moçambique», o artista deixou nas instalações do jornal «Zambeze», para que se fizesse chegar ao autor destas linhas, um documento datado de 26 de Junho de 2007, da sua autoria, dirigido à «Mozambique Recording, Lda» (empresa de que Roland Hohberg é sócio-gerente) no qual ele solicitava a rescisão do contrato que ligava a ambos. Na entrevista com o «Canal de Moçambique», Dilon Djindji, distanciou-se do documento que ele próprio fizera chegar ao autor destas linhas. “Isso não é nada. A verdade é que eu não tenho contrato com o senhor Roland desde o ano 2005”.

Serve de referência dizer que as desavenças entre Dilon Djindj e a «Mozambique Recording Lda.», representada por Roland Hohberg, tiveram como catalizador o facto do músico ter rubricado um contrato com a empresa de publicidade «DDB» para ser rosto dos «spots» publicitários da empresa de telefonia móvel «Vodacom». O sócio-gerente da «Mozambique Recording Lda», defende que o cantor passou por cima do contrato de exclusividade de som e imagem que mantinha com a sua empresa. Na mesma ocasião, o veterano músico da " marrabenta", argumentou que a sua ruptura com a «Mozambique Recording, Lda» liga-se sobretudo ao facto de, “o senhor Roland ser insensível a problemas sociais”. “Mesmo em situações de doença ou de falecimento ela não ajudava os artistas com quem tinha contratos”. E questionou: “Porquê os Djaaka, o Grupo Eyphuru e o Mr. Arsen deixaram de trabalhar com o Roland?”. Sem disfarçar a sua emoção enquanto falava, Dilon Djindji disse ainda que, “em várias ocasiões enquanto estivemos na Europa actuámos sem sermos pagos”. E disse mais: “que contrato de exclusividade é esse em que o artista morre à fome?”. Segundo o artista o seu contrato com a «Mozambique Recording Lda», “só era válido para a Europa”.

“Estou muito bem com a Vodacom”
Na entrevista com o «Canal de Moçambique», Djindji fez questão de ressalvar, repetidas vezes, “estar muito satisfeito com o relacionamento que mantém com a «Vodacom»”. “Ganho 48 Mil MT por mês e a «Vodacom» vai agora financiar a reabilitação da minha casa em Marracuene”. Depois de ter procurado, por iniciativa própria, e não ter encontrado na sua bolsa os comprovativos dos seus salários, o artista questionou: “Roland é capaz de me dar essas condições? Se for capaz, rompo com a «Vodacom» e volto a trabalhar com ele”.

Dilon Djindji não quis terminar a sua entrevista com o «Canal de Moçambique» sem dizer: “não acredito que haja artista que goste tanto do Roland como eu”. E sem antes dizer que “o vice-ministro da Educação e Cultura, Luís Covane aconselhou-me a não abandonar o Projecto Mabulu em virtude deste ser uma das bandeiras de Moçambique além-fronteiras”. Contudo, os factos mostram que o veterano cantor não acatou o conselho do vice-ministro da Educação e Cultura, por sinal, alguém com responsabilidades nas questões culturais do governo do dia.

“Não estou preocupado com Dilon Djindji” - afirma Rolland Hohberg
Contactado pelo «Canal de Moçambique», o produtor Rolland Hohberg, minimizou as declarações do músico Dilon Djindji. “Não estou preocupado com o que Dilon Djindji diz”. Segundo Hohberg, “foi Dilon Djindji que pediu-me para integrar o Projecto Mabulu, eu nem sequer o conhecia, pese o facto de residir há vários anos em Moçambique”. Roland Hohberg disse estar, sim, “preocupado com a falta de fiscalização e apoio do governo e com a falta de ética empresarial de algumas empresas”.
Na sua opinião, “o governo cobra impostos mas não protege as empresas licenciadas”. Segundo ele, “na cidade de Maputo as editoras estão a recorrer a estúdios piratas e o governo nada faz para travar essa situação”. Nas palavras de Rolland Hohberg perante o actual estado das coisas, “as empresas licenciadas estão a ser empurradas para falência porque os estúdios piratas cobram muito barato e, nem sequer pagam impostos”. Outra preocupação do sócio-gerente da «Mozambique Recording Lda», prende-se com “a falta de apoio do governo para um projecto que promove a música moçambicana em vários cantos do mundo”. Situação que encerra um paradoxo em virtude do vice-ministro da Educação e Cultura ter dito ao músico Dilon Djindji que “o Projecto Mabulu é uma das bandeiras de Moçambique além-fronteiras”. Caso para dizer que o governo apesar de reconhecer a importância do Projecto Mabulu na divulgação internacional da música moçambicana não o apoia. Sobre o alegado incumprimento da parte de Dilon Djindji, Roland Hohberg, disse o seguinte: “penso que houve falta de ética empresarial da parte das empresas que contrataram o artista na medida em que ele tinha contrato comigo”. O entrevistado da «Canal de Moçambique» lembrou que aquando da criação do Projecto Mabulu ele pretendia trabalhar com o já falecido músico Jeremias Nwenha e, também com Xidiminguana. Contudo, segundo ele, “como eles tinham contratos com as suas editoras tive que recuar”. “Qualquer um sabe que foi com o Projecto Mabulu que Dilon Djindji e

Mr. Arssen apareceram juntos”, conclui.

(Celso Manguana) 13/03/2008

Produtor alemão desiludido com músicos moçambicanos por incumprimento de contratos.
“ Temos contrato de exclusividade com vários músicos mas, para nosso espanto, eles assumem compromissos com outras entidades à nossa revelia”- Roland Hohberg, Sócio-gerente da Mozambique Recording Lda,

Maputo (Canal de Moçambique) - O produtor musical Roland Hohberg, de nacionalidade e há vários anos a trabalhar em Moçambique área de produção e divulgação da música moçambicana além fronteiras, disse em entrevista exclusiva ao « Canal de Moçambique», estar “ muito desiludido com os músicos moçambicanos” Segundo ele a sua empresa firmou contratos de exclusividade com vários artistas moçambicanos que, nas suas palavras, “ violaram os respectivos contratos o estabelecer contratos com outras entidades à revelia da nossa empresa e sem sequer terem nos informado”. Visivelmente agastado com a instituição, o interlocutor do «Canal de Moçambique», disse que a sua empresa estabeleceu com alguns artistas “ contratos de edição e produção de discos e também, contratos de agenciamento”. O passo seguinte, segundo Roland Hohberg, “ é fazermos contactos no sentido de colocar o artista e a sua obra no mercado internacional”.
O interlocutor do «Canal de Moçambique», fez questão de referir que a colocação do artista e da sua obra no mercado internacional “exige muito investimento”. “ colocar um artista num stand internacional exige um investimento na ordem dos 10 Mil ou 15 Mil US dólares”.

Sobre os artistas que, segundo Roland Hohberg, violaram os contratos com a sua empresa, ele citou os seguintes “ Grupo Eyphuro, Grupo Djaaka e Dilon Djindji”. Hohberg fez questão de ressalvar que, “ o caso de Dilon Djindji é o mais grave”. Segundo ele, o decano da música moçambicana que tinha um contrato de exclusividade com a sua empresa , “ violou o referido contrato e foi estabelecer um contrato de trabalho com a agência de publicidade DDB para ser o rosto das publicidades da operadora de telemóvel «VODACOM»”. O interlocutor do nosso jornal , disse ter se aproximado as duas empresas no sentido de resolver a situação mas não logrou êxitos em virtude das mesmas terem referido não ter antes tomado conhecimento da situação contratual do artista.

Dilon Djindji ameaça expulsar Roland de Moçambique
Segundo Roland Hohberg, numa das ocasiões em que esteve reunido com o artista e com representantes das referidas empresas, Dilon Djindji terá dito que, “ caso Roland persistisse em levantar a questão de violação de contrato ele poderia recorrer as suas influências para a sua expulsão de Moçambique”. Roland Hohberg disse estar amargurado com a atitude de Dilon Djindji visto que, segundo ele, “ foi com Projecto Mabulu que o seu nome voltou a ganhar eco na arena musical moçambicana e internacional, antes disso ele já estava apagado”. Sempre amargurado, o entrevistado do «Canal de Moçambique» disse que, “ perante o actual cenário é complicado investir no agenciamento dos artistas moçambicanos em virtude destes não cumprirem com os contratos, o que inviabiliza o negócio”. Roland Hohberg fez questão de referir que,” de todas as vezes que levamos artistas moçambicano para actuarem no exterior nunca tivemos apoios ou patrocínios. Tudo foi feito com o nosso dinheiro que perante tal atitude dos artistas acaba não tendo retorno”. A título de exemplo disse que o «Projecto Mabulu» foi convidado para actuar num grande concerto no estádio londrino de Wembley mas não chegou a ir por que das várias entidades a que se pediu patrocínio nenhum se dignou a patrocinar a referida viagem. “ Era um concerto com fins humanitários e, por isso, os artistas não tinham direito cachet mas foi um concerto em participaram grandes nomes da música mundial e que seria uma óptima montra para a música moçambicana”.

TVM na berlinda
A dado passo da conversa com o «Canal de Moçambique», Roland Hohberg, também mostrou-se desiludido com o canal público de televisão, a «TVM». Segundo ele, a referida estação, nos seus serviços noticiosos, quando se referia ao « Festival de Marrabenta 2008» que recentemente decorreu em Maputo, recorria a imagens de espectáculos do «Projecto Mabulu» cujos direitos são detidos pela sua empresa. Na opinião do nosso entrevistado, está situação “ é paradoxal”, pois , segundo ele, houve um período em que recorreu à «TVM» no sentido de ter acesso a imagens do «Projecto Mabulu», contudo, funcionários do referido canal de televisão disseram que não existiam as imagens pretendidas no acervo do canal público de televisão.


Fonte : Celso Manguana in Canal de Mocambique

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Ganância pelo lucro tira brilho ao “show” de Lura


A GANÂNCIA pelo lucro e a má qualidade do som marcaram negativamente os espectáculos da compositora e intérprete cabo-verdiana Lura, realizados fim de semana na capital do país. Com efeito, a classe e o talento de Lura foram “afundados” por uma desorganização a todos os níveis deplorável, caracterizada por uma sala superlotada, atraso de mais de uma hora do início do “show”, desconforto dos presentes e muita “caça” ao lucro por parte dos promotores do evento.

O primeiro dos dois “shows” de Lura em Maputo esteve marcado para as 23 horas de sexta-feira. Porém, a cantora só viria a fazer-se ao palco cerca de uma hora e quinze minutos depois, sob fortes apupos e assobios dos espectadores, agastados, que reclamavam já a presença da cantora na sala.
O atraso, segundo apurámos, foi propositado, alegadamente porque era preciso deixar “encher” a casa, um lugar que pouco depois das 23 horas já não tinha espaço para quem quer que seja circulasse, pois o mesmo, de longe, já se encontrava preenchido.
Aliás, esta é uma situação que fica no ar, uma vez que não havendo lugares sentados, fica ambígua a capacidade real do recinto.

O SOM
Os constrangimentos verificados foram vários. E foram agravados pela má qualidade de som apresentado, muito embora se saiba que aquele recinto apresenta uma das melhores aparelhagens do mundo, com mais de mil quilowatts de som e luz. Foi visível o esforço levado a cabo pelos técnicos ali destacados para melhorar a qualidade do som, o que de certo modo aconteceu, mas que se não mostrou suficiente para elevar a qualidade de espectáculo para níveis aceitáveis.


A ACTUAÇÃO
Alheia a esses problemas todos, a cantora subiu ao palco e espalhou o seu perfume. Uma “morna”, em jeito de pontapé de saída, até serviu para serenar os ânimos da plateia, ao mesmo tempo que permitia que as pessoas procurassem o melhor local para ver o concerto.
Trajando um vestido em algodão, roxo, que lhe permitia realizar os movimentos de dança com toda a agilidade exigida, Lura apresentou-se no palco acompanhada de cinco instrumentistas, com destaque para o organista, produtor e arranjista, Toy Vieira.
Cuidadosamente seleccionado, o repertório escolhido constituiu uma mistura das músicas do seu mais recente álbum e os sucessos dos três álbuns anteriores. Os sucessos, como “Nha Vida” ou “Na Ri Ná” foram entoados em coro com os presentes, fãs esses que entraram em delírio quando a cantora se despediu com “Oh Naira”.
Foi uma “viagem” de cerca de duas horas aos diversos ritmos de Cabo Verde, viagem que, de acordo com a maioria dos presentes, valeu a pena realizar não obstante os constrangimentos iniciais do espectáculo, maioria dos quais viriam a ser corrigidos no dia seguinte, sábado.

O PERCURSO
Lura iniciou-se nas lides musicais em 1996, depois de uma curta passagem por projectos teatro e coros. Aos vinte e um anos gravou o seu primeiro álbum, cuja canção com o título “Nha Vida”, foi um sucesso imediato que lhe rendeu um convite para participar no projecto discográfico “Red Hot + Lisbon”, o qual reuniu vários nomes da música lusófona.
Em 1998 acompanhou Cesária Évora, o expoente da música cabo-verdiana, em dois importantes projectos: abriu os espectáculos da “diva dos pés descalços” na Expo’98 e integrou o leque dos artistas que tomaram parte do concerto “Cesária And Friends”, realizado em Paris.
Em 2002, lançou o seu segundo álbum, “In Love”, e em Novembro de 2003, Lura foi uma das três cantoras escolhidas para o projecto “Women of Cabo Verde”, uma série de concertos realizados no Reino Unido, o que lhe rendeu convites e o lançamento dos seus álbuns em diversos países europeus.

Dois anos depois, portanto, em 2006, põe no mercado discográfico o seu quarto álbum, “M’bem di fora”, bastante aclamado na sua apresentação a 7 de Novembro do mesmo ano no clássico Tivoli, uma sala de espectáculos de referência da capital portuguesa, Lisboa. Uma obra mais sóbria, onde a artista revela uma maior maturidade musical, conseguindo imprimir o seu cunho pessoal a temas de diversos compositores, onde se destaca o nome de Toy Vieira, director artístico do projecto e compositor de algumas das suas músicas.

Fonte: Jornal Noticias de 19/03/2008 - Mussá Mohomed

Cantora Lura em Maputo

ESTARÁ de novo entre nós a estrela crioula da música lusófona, Lura, para dois grandiosos espectáculos, na sexta-feira, dia 14 de Março, às 23 horas, e no sábado, dia 15, às 18 horas, no Coconuts-Live.

Radicada em Portugal, Lura é tida como um fenómeno da música de Cabo Verde, como dona de uma voz sensual, doce e grave, e fazendo jus aos ritmos da sua terra.

“Nha Vida” foi o álbum de estreia, lançado em Lisboa, a 31 de Julho de 1996, dia do seu vigésimo primeiro aniversário. Em 2002, Lura apresenta o seu segundo disco de originais, intitulado “In Love”, do qual sete das doze canções foram escritas pela própria cantora.

Em 2005, com a voz já madura, Lura edita “Di Korpu Ku Alma”, um disco nobre e definitivo na sua afirmação musical.

Agora, apresenta-nos um disco luxuoso, recorte da sua qualidade e com treze temas que não nos deixarão indiferentes.

Que Lura espalhe com este seu novo magnífico disco “M’bem Di Fora”, o brilho da sua voz.
M’bem di fora é uma expressão cabo-verdiana utilizada para designar as pessoas que vieram de fora da cidade, do interior. Tal como a expressão, o novo disco fala de deslocações.

Oiçam Lura, e depois vejam-na em palco, em corpo e alma, pura beleza crioula, com uma voz que não cabe nela.

Lura mistura-se nas gentes e na música de Cabo-Verde, onde se sente em casa. Não canta sozinha quando canta em Cabo Verde, admiradores de todas as idades acompanham-na. Lura valoriza a simplicidade das coisas e pessoas em Cabo-Verde.

Fonte: Jornal Noticias

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Kassav Brevemente em Maputo

A CÉLEBRE banda Kassav, que actuou há cerca de dois anos em Maputo, está de volta à capital do nosso país. Desta vez com a actuação de Joceline Beruare, o grupo de zouk mais conhecido e celebrizado em todo o mundo e capitaneado por Jacob Desivarieux vem a Moçambique espalhar – uma vez mais – a sua incomensurável “performance”.


De acordo com os organizadores, a actuação dos Kassav, a acontecer no mês de Junho, está inserida no “Festival Independência”, organizado para comemorar mais um aniversário da independência do país.


O “Festival Independência” inclui ainda os “Flash, Suzana Lubrano, Grace Évora e Jony Ramos. Do lado dos moçambicanos espera-se a actuação de Mingas, Djaka, Neyma, Didácia (autora da famosa Ndaneta), entre outros músicos nossos compatriotas.

Citando ainda os organizadores, a garantia quanto à vinda dos artistas estrangeiros é um facto garantido, pois todos os “cachets”, transporte e alojamento já foram pagos. Outro dado importante aprimorado respeita à aparelhagem, que será trazida na totalidade da África do Sul.


Fonte: Jornal Noticias, 13 de Março de 2008::

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quarta-feira, 12 de março de 2008

Wazimbo Esta Sexta-Feira no Xima.

Wazimbo e Mozpipa aguardados no Xima
Nesta sexta feira Wazimbo, sobe ao palco do espaço musical Xima do Alto-Maé. Wazimbo também conhecido por “Tio Waz”, far-se-á acompanhado pela banda residente Xitende, liderada pelo saxofonista Matchote.

Como é de esperar Wazimbo não desperdiçará esta oportunidade de mais uma vez mostrar aos seus fãs o seu talento com “aquela voz” que ostenta e é a sua marca. O repertório de Wazimbo é invariavelmente o de sempre, mas nota de importância é que permanece sempre actual e interessante.


Já no sábado no mesmo local aguarda-se a presença da banda Mozpipa, formada por jovens que apostam um repertório tropical fundido com ritmos nacionais.
A banda com mais de dez anos de caminho trilhado, é uma das mais cotadas do país e está sempre com actuações regulares.


Alguns Comentarios em Ingles Sobre o Musico:
"Wazimbo's music is a fine example of music that suits when the lights are low and the hands are wandering."Chris Smith.

"With its dance-inspiring fusion of lively marrabenta, Fena and Xingombela rhythms, Congolese guitar melodies, and the soulful vocals of female singer Mingas and male singer Wazimbo, Orchestra Marrabenta Star De Mocambique was one of Mozambique's most exciting bands in the 1980´s and early-90´s."Craig Harris, All Music Guide.

"Wazimbo and his Orchestra Marrabenta were the first to play top-quality marrabenta music, and took it on tour to Europe. Although the orchestra is no longer together, Wazimbo continues to enjoy considerable popularity as a solo artist at home."The rough guide of world music.

Fonte: 12 de Março de 2008:: Jornal Notícias


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Chikito lanca album intitulado “Petisco”

O músico Chikito lançou há dias, em Maputo, o seu segundo trabalho discográfico, composto por doze temas, dois dos quais recriações. O álbum, intitulado “Petisco”, surge como um tributo a Chonyl e Lisboa Matavel, que em vida foram colegas de Chikito no Projecto Mabulo.

Os temas do segundo álbum do jovem “rapper” versam sobre a vivência quotidiana da nossa sociedade que ele procura espelhá-la musicalmente através duma fusão rítmica da marrabenta e o hip-hop. A execução dos temas é feita na base de sons electrónicos e acústicos.

Neste momento, Chikito já começou a desencadear uma campanha promocional para o seu mais recente trabalho discográfico na capital do país e acredita que, dentro em breve, o fará também no estrangeiro. Aliás, segundo referiu o autor de “Petisco”, neste momento “encontro-me a trabalhar arduamente para a produção do video-clip do tema que nome ao álbum e também de outros temas”.

O disco que já se encontra no mercado foi produzido e editado pela VIDISCO e conta com a participação de outros músicos moçambicanos e estrangeiros, como são os casos de Dilon Djindji, Anita Macuácua, Marcelino, Spab e Werner (da Áustria).

Fonte: Jornal Noticias de 12 de Março de 2008::


Chikito em duo com Dilon Djindji no Gil Vicente

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Ali Faqui e Central Line juntos no espaço Nézia

Depois da actuação de Pureza Wafino e Helena Nhantumbo por ocasião do Dia Internacional da Mulher semana passada, eis que o espaço musical Nézia da Liberdade, leva ao palco sábado dia 15/03/2008 pelas 21:00 horas o músico Ali Faqui o conhecido autor de “Kinachukuro”.

O músico far-se-á acompanhar pela banda Central Line, liderada por Humbe Benedito, o produtor do falecido cantor Jeremias Nguenha, Joana Coana, entre outros.

Ali Faque que recentemente esteve nos estúdios para gravar o seu mais recente álbum irá aproveitar a ocasião para brindar parte das suas últimas criações. E como não deixaria de ser, obviamente que Ali Faqui vai brindar os seus fãs com temas que o popularizaram nos últimos anos, particularmente na década noventa.

Fonte: Jornal Noticias de 12 de Março de 2008::

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segunda-feira, 10 de março de 2008

"Sweet Thorn" de Gito Baloi.

O ultimo presente que o Gito nos deixou...

O ultimo trabalho de Gito Baloi co-escrito e co-produzido com Nibs van de Spuy; "Sweet-Thorn".

Tristemente Gito ja nao se encontra entre nos. Morto a tiro durante um assalto em Johannesburg em Abril do ano passado (2007) quando regressava de mais uma "gig"... mas para alem da saudade, deixou-nos ficar tambem um album de soberbas composicoes acusticas.

Van Der Spuy presta homenagem ao Gito, que o viu tocar pela primeira vez com a banda os Tananas em 1988 do qual Gito fazia parte, dai em diante os seus caminhos cruzaram-se continuamente ate que se estabeleceu uma amizade entre os dois.

Baloi e Van Der Spuy comecaram a tocar juntos em duetos no ano 2000: "O tocar do Gito dava um calafrio pela espinha, ele tinha uma voz de anjo, que no seu merito proprio ja era um instrumento em si. O teu dedilhar do Baixo era tao unico que apos entoadas tres notas ja se sabia que era Gito quem tocava."






E o album Sweet-Thorn (Greenhouse/ Sheer), que ja estava pronto para o lancamento mesmo antes do tragico acontecimento com o Gito, foi agora editado como um tributo a pessoa talentosa que foi Gito Baloi. Os dois musicos fizeram uma fusao dos ritmos acusticos com fluidez incrementada com uma camada vocal que formava uma miscelanea de sons agradaveis ao ouvido.






O tema "Opener Todos" tem alguma influencia Espanhola, seguindo-se de "Salaam" com uma fusao de linguas do este e "African magic of Mountain Wind", continuando por outros temas do album.
Baloi tambem adiciona alguns toque de percussao, e Chris Tokalon (flauta) e Kyla Thomas (violino) tambem ajudaram a enrriquecer alguns temas do album.




Hamba Khalhe ...

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sexta-feira, 7 de março de 2008

“Metropolitanos Mataram o Carnaval-Marrabenta”

"Metropolitanos mataram o carnaval-marrabenta".
Desabafa Calane da Silva, numa altura em que as festas do carnaval encerraram, “O País” ausculta o valor desta festa em Moçambique. Se no passado a marrabenta acompanhava as festividades, no presente está marginalizada, substituída pelo samba, do Brasil. Chamado a reflectir sobre o assunto, o escritor moçambicano Calane da Silva diz que o evento deve ressuscitar no país para ser vivido conforme os anos passados. E mais: sublinha que “os metropolitanos mataram o carnaval-marrabenta da época colonial” e acredita poder ressuscitá-lo em 2009 e desenvolvê-lo, tal como o samba está.

Na discussão sobre o Carnaval moçambicano está presente a questão do cumprimento da data que dá início à festa. Enquanto no país se observam datas aleatórias para o começo da festa, chegando mesmo a estender-se até ao mês de Março, no Brasil, por exemplo, acontece religiosamente na data em que deve começar. No país, o tempo desfez o costume, segundo decanos.

A festa carnavalesca surge a partir da implantação, no século XI, da Semana Santa pela igreja católica, antecedida por quarenta dias de jejum, a Quaresma. Esse longo período de privações acabaria por incentivar a reunião de diversas festividades nos dias que antecediam a “Quarta-feira de cinzas”, o primeiro dia da Quaresma. No período do Renascimento, as festas que aconteciam nos dias de “carnaval” incorporaram os bailes de máscaras, com suas ricas fantasias e os carros alegóricos.
Assim, o carnaval é um período de festas regidas pelo ano lunar do cristianismo da idade media, onde a época carnavalesca era marcada pelo "adeus à carne" ou "carne vale", dando origem ao termo "carnaval".

Carnaval em Moçambique
O carnaval como festividade profana religiosa começa a realizar-se, aqui em Moçambique, sobretudo na capital, Maputo (ex-Lourenço Marques), nos princípios do século XX. Calane da Silva explica que “não é por acaso que na língua xironga ouve-se falar de mutumbela; essa palavra os nossos avós já conheciam desde 1908. E nessa altura começou a realizar-se o mutumbela, ou seja o carnaval, na avenida de Angola, com muito sucesso.”
Em tempos passados, o dia do início das festividades do carnaval (numa terça-feira) era considerado um dia sagrado, sendo mesmo feriado em Moçambique, facto que hoje não acontece, segundo refere o escritor que temos vindo a citar.

“Nos éramos miúdos - estou a falar de 1948 - íamos todos percorrendo mascarados a avenida de Angola de uma ponta à outra com batucadas... lá no fundo havia uma praça de touros de madeira e zinco, depois mais tarde apareceu a praça de touros de cimento, como é até hoje na zona perto do supermercado Shoprite. Na era colonial, a avenida de Angola era o centro de concentração do carnaval e em todos os recintos desportivos e clubes sociais realizavam-se bailes de carnaval, sendo que os bairros da Malhangalene e Maxaquene eram considerados os famosos. Portanto, era tradição aqui na região Sul a realização do carnaval”, recordou Calane da Silva.
Carnaval politizado

No início dos anos 60, antes do advento da luta armada de libertação, começou a desenvolver-se um carnaval com corso, transportando-se para a avenida da República, actual 25 de Setembro. Mas, em 1963, as coisas mudaram de figura, dando lugar ao envolvimento político, uma vez que o carnaval juntava todo tipo de etnias e raças do país: indianos negros e brancos, em confraternização.

Calane da Silva conta que “para a PID (polícia secreta do tempo colonial) isso era perigoso, porque o colonialismo, a dividir, reinava melhor, e juntos era perigoso. O carvanal era uma maneira indirecta de pôr politicamente toda a população junta. Isso quer dizer que eles não queriam que nos transformássemos num país independente, porque já havia “zunzuns” do início da luta armada, que de facto se efectivou em 1964”.
Sabe-se, também, que a partir daquele período foram proibidas as realizações do festival. De qualquer modo, as pessoas, embora impedidas de fazer a festa nas ruas, na avenida de Angola continuavam a fazer às escondidas, numa área aberta, e sobretudo nos clubes.

Marrabenta, “tempero” do carnaval
Outrora, a marrabenta é que animava as festas do carnaval no país e isso acontecia ao nível de todo o pais, mesmo sendo um ritmo oriundo do Sul, porque a expansão para as capitais de todas províncias ocorreu nos anos sessenta.

Para Calane da Silva, a marrabenta deixou de ser um ritmo dos rongas ou do Sul e passou a ser um ritmo moçambicano. E Moçambique começou a ser conhecido como a terra da marrabenta. “ Não é por acaso que vários conjuntos musicais interpretaram marrabenta e divulgaram-na para o mundo inteiro; as marrabentas do próprio Fanny Pfumo e de mais cantores estão aí espalhadas pelo mundo fora”, acrescentou.

Para mostrar que o carnaval era vivido com muita intensidade naquela altura, o nosso interlocutor conta que nos anos 60 esteve em Nampula, tendo constatado que nos bairros daquele ponto as orquestras tocavam a marrabenta e as pessoas de dançavam. Portanto, a marrabenta correspondia àquilo que acontecia no Brasil com o samba.
Recorde-se que o samba começou na Baía, depois estendeu-se para o Rio de Janeiro e hoje é um símbolo do Brasil. No entanto, naquele país existem outros vários ritmos, tal como em Moçambique.

“Liquidaram a marrabenta junto com o carnaval...”
De acordo com a nossa fonte, quando veio a Independência, com os extremismos políticos fundamentalistas, proibiu-se a marrabenta durante oito anos, até na Rádio Moçambique. “Pessoas que não entendem nada de história e pouco menos de cultura moçambicana diziam que era uma música burguesa (...) então, houve um atrofiamento e as pessoas já tinham medo de tocar a marrabenta, e, por outro lado, também os fundamentalistas fizeram com que nunca mais se realizasse o carnaval. Juntamente com a liquidação da marrabenta, liquidaram o carnaval nos clubes. Só depois dos anos 80, lá para os 90, é que começou a aparecer o carnaval nos clubes, mas com medo”, contou.

Ressuscitar o carnaval em Maputo
Nos últimos anos, o carnaval, em particular na cidade de Maputo, assumiu outros contornos: excluiu-se a marrabenta e faz-se em lugares fechados, a exemplo do Pavilhão de Maxaquene e a discoteca Buzio (Actual Coconuts) que acolheram alguma das festas na capital.

Já no município da Matola, a festa aconteceu a céu aberto e contou com a participação de cerca de 100 mil pessoas, contra aproximadamente 90 mil do ano findo. Entretanto, é um facto que a marrabenta não foi o forte das festas. Por isso, na tentativa de recuperar a imagem que se perde em volta do carnaval moçambicano, Calane da Silva diz que está envolvido num plano para fazer ressuscitar o carnaval em Maputo. “E isso é muito simples, é só escolher se voltamos à avenida da Angola ou voltamos à 25 de Setembro. De resto é só dizer “Carnaval Marrabenta 2009”. Cada bairro deve apresentar uma marrabenta em língua local ou em português, arranjam 100 pessoas para desfilar com as suas batucadas e vamos fazer o festival. E podemos fazer concursos para conhecer o melhor bairro, como se vê em Angola, Guiné-Bissau e Cabo Verde”, explicou.
Internacionalizar a marrabenta

“Vamos internacionalizar a marrabenta como o símbolo do canto e dança em Moçambique, porque é um ritmo que não perde actualidade, que se dança muito bem - e há bons dançarinos de marrabenta; é um ritmo aliciante, fácil de dançar e aprender. É preciso ressuscitar o carnaval! Uma sociedade tão massacrada como a nossa precisa de um pouco de divertimento a nível de massas. No lugar de nos atirarmos pedras, vamos construir coisas bonitas nos nossos bairros para protagonizar um excelente espectáculo”, aconselhou Calane da Silva.

Edson Muianga 07/03/2008 in O Pais.

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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Xidiminguana Contesta a Marrabenta.

Permanece a dúvida e a polémica que envolve a “velha guarda” em relação ao criador e à origem do ritmo musical marrabenta. Fanny Mfumo é tido como rei da marrabenta, Dilon Ndjindji auto-proclama-se dono deste estilo musical que, segundo argumenta, foi por ele criado no distrito de Marracuene. Depois de Alberto Mhula – o Manjacaziano –, hoje é Xidiminguana e Alberto Mutxeca que vêm desmentir a tese de Dilon Djindji e justificam: “A marrabenta é do povo (...) perguntar quem criou a marrabenta é o mesmo que perguntar quem começou a cultivar a terra em Moçambique, certamente que a resposta sempre se vai esconder”.

Xidiminguana e Alberto Mutcheca procuram chamar à verdade defendendo que o povo é quem criou a marrabenta. “A marrabenta é do povo... perguntar quem criou a marrabenta é mesmo que perguntar quem começou a cultivar a terra em Moçambique, certamente que a resposta sempre vai se esconder”.

Xidiminguana, que começou a gravar em 1974 (naquela altura na Rádio Clube de Moçambique), afirma que se tenta criar um certo protagonismo quando certos músicos – sem adiantar nomes – dizem que são os fundadores da marrabenta.

Xidiminguana, que diz ter chegado a Maputo – na altura cidade de Lourenço Marques – no dia 3 de Agosto de 1954, pede para que se pare de procurar protagonismo por algo que é do povo, porque “não existe quem criou a marrabenta”.
Contou ainda que em tempos atrás a marrabenta era cantada e dançada sem viola, envolvendo raparigas. E depois é que se começou a desenvolver o ritmo com violas feitas em casa. “Começámos a cantar a marrabenta com violas inventadas em casa com latas de cinco litros, aprendi com essas violas”, disse Xidiminguana, um dos mais conceituados cantores nacionais.

Uma contradição
Contrariamente ao que disse Alberto Mula, que Feliciano Muntano foi o precursor de marrabenta, Alberto Mutcheca e Xidiminguana explicaram que Feliciano Muntano apenas foi o primeiro músico a gravar marrabenta em fitas magnéticas, em 1950, no distrito de Chibuto, província de Gaza. Nessa altura usavam-se mais gramofones que eram oferecidos pelos bóeres sul-africanos que vinham visitar o país. “No regresso ofereciam-nos às pessoas”.

Xidiminguana disse ainda que, depois surgiu o Magana gana, do distrito de Homoine, província de Inhambane, que tocava bandolim com Francisco Mahecuane e Alberto Langa.
Por seu turno, Alberto Mutcheca acrescentou que vieram depois o Eusébio João Tamele, Gabriel Mutemba e Alfredo Mulhovo. “Nessa altura nós ouvíamos as músicas deles e isso é o que nos fez continuar a fazer a marrabenta, influenciaram-nos com as suas boas musicas”.

“Agora, porque essas pessoas já não existem, alguns indivíduos tentam criar protagonismo em volta da marrabenta, ignorando os primeiros tocadores. Eu assumo o discurso e digo que eles não estão a agir de boas maneiras quando fazem isso... Por exemplo, eu não toco mais do que ninguém. Aprecio e gosto da nova geração porque acho que eles têm de tocar o que aprenderam dos mais velhos para nós podermos ficar satisfeitos, mostram um certo reconhecimento. Que toquem o seu estilo de forma convincente”.

Por que Fanny Fumo é o rei?
“... digo-vos que cada músico tenta gabar-se, ele gabava-se não porque tocava mais do que os outros, digo isso com muito respeito. Não foi o Fanny que começou a tocar, nem tão pouco”, clarificou Xidiminguana.
Para Xidiminguana, Dilon Djindji promoveu a marrabenta de Marracuene, “não é que ele toca mais do que ninguém”, explicou o músico.

As violas vieram da África do Sul...
À semelhança do que Xidiminguana diz, Alberto Mutcheca afirma que as violas naquela altura vinham da África do Sul onde as adquiriam quando, em alguns momentos, iam trabalhar, alguns pediam aos amigos que trabalhavam lá para comprar.
Tal como Fanny Mfumo, Dilon Djindji, também trabalhou na África do Sul, daí a razão de, numa das suas músicas relatar o facto de ter viajado para a terra do rande e quando regressa a Maputo, percebeu que outros homens haviam lhe arrancado a sua namorada. Diz num dos trechos dessa música que“Dilon vá mutekele Podina... Ka Marracuene vá nitekele Podina... (Dilon levaram-lhe a Podina...em Marracuene levaram-me a Podina)”.
Xidiminguana revela que teve a sua primeira viola graças a um amigo, que já faleceu, que trabalhava na África do Sul, em 1957. “Ele ofereceu-me a viola que me fez continuar a tocar até hoje”.

Afinal o que significa marrabenta?
Quando questionados sobre o significado da marrabenta, Xidiminguana e Alberto Mutcheca disseram que a marrabenta era uma grande brincadeira que se fazia naquela altura... onde os jovens pediam-se em namoro. “Era uma coisa muito bonita”.

Ensinámos marongas a cantar marrabenta...
Explicando como a marrabenta chegou a Lourenço Marques, Xidiminguana foi peremptório ao afirmar que foram eles que vieram a Lourenço Marques para ensinar a marrabenta aos marongas. E Perguntou: “quem é o maronga que tu conheces que tem um disco de marrabenta melhor que dos machanganas? ... nem machopes. Os bitongas pelo menos têm um, que é Félix Moía. Félix Moía é o único que vejo naquele ponto do país, ele é um espectáculo, gosto muito dele”.

Em torno da polémica, Xidiminguana afirma que se distancia desses protagonismo que certos colegas têm exibido. “Eu não tenho nada contra essas pessoas, mas eles têm de saber que o que fazem não está certo... a marrabenta nunca esteve com ninguém. Não acredito nessas afirmações, faço as minhas músicas para oferecer ao povo moçambicano, não sou melhor que ninguém e nem quero ser”.

Fonte: Jornal O Pais Online por Edson Muianga

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Saldicos

O espectáculo de sexta feira anoite no pavilhão do Benfica resumiu-se em autentico show de musica com Neyma, Garimpeiros, Saldicos, a banda tradicional Monte Namuli e o próprio Arcénio a proporcionarem aos espectadores ambientes de gala e euforia.

A única desavença foi o atraso observado na efectivação do Show, algo que inquietou aos espectadores, aliais foi este o motivo que levou um grupo de espectadores a trocarem mimos com alguns elementos da policia da Republica de Moçambique escalados para garantirem segurança e tranquilidade no local.

O espectáculo inicialmente marcado para as 20h aconteceu quarto horas mais tarde, numa altura em que os citadinos presentes na ocasião preparavam-se para abandonar aquele recinto o único com a capacidade de acolher espectáculos de envergadura em Quelimane. Depois dos garimpeiros e os Saldicos foi a vez desta convidada de honra “Neyma” arrasar tudo e com todos quanto estiveram presentes, foram três sucessos seus que obrigaram os seus fãs a se introduzirem no pavilhão de modo a delirar com aquela “shangana” que da outra vez saiu de Quelimane com más recordações.

Devia ser duas horas e alguns minutos altura em que Arcénio a jeito de chave de ouro ascendeu ao palco para fechar o espectáculo, nesta mesma altura os espectadores já abandonavam o recinto com alguma felicidade, embora impacientes com o atraso. O mentor do disco “Djay” Arcénio, mostrou-se surpreso ao se aperceber que o publico já abandonava o local, dando impressão, que de Arcénio nada lhes interessava.

Ney um dos elementos dos garimpeiros apelou na ocasião aos Quelimanenses para continuarem a mostrar interesse nos espectáculos promovidos por músicos nativos, como o de Arcénio, o pavilhão de Benfica registou esta sexta feira uma aderência rara em espectáculos daquela natureza, estavam no local mais de 3 mil espectadores. Alguns espectadores disseram ao DZ que a desorganização na realização dos espectáculos desmotiva os espectadores que na sua maioria levam para o local a vontade de assistir de imediato a festa.

Apesar deste e outro problema o músico Zambeziano radicado na França Arcénio disse, ter se sentido satisfeito com a moldura humana que presenciou o espectáculo de sexta feira anoite. Arcénio disse acreditar que o disco terá sucessos no mercado Zambeziano.

Fonte : Jornal zambezia Online Por Hamilton António.

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Fany Mfumo Comecou Assim...


O tempo passou meteoricamente. Estavamos em 1947.
Fany Mfumo (Fernando de nome próprio), com dezasete anos, decide comecar uma aventura. A pé, levando consigo apenas o sonho de se tornar artista, ruma para a Africa do Sul. Uma vez lá, tornou-se animador dos “compounds” onde residiam os magaízas (mineiro Moçambicanos e de outros países da região) que lá procuravam melhores condições de vida nas minas de ouro, sonhando com suas familias em suas pàtrias longínquas.

Fany Mfumo adequeriu sua primeira guitarra de fábrica.
Um produtor branco da companhia discográfica “His Master Voice” que procurava regularmente por talentos entre os mineiros, “descobre e contrata Fanyto”.

Quando o seu primeiro disco chegou a Lourenço Marques, os chiphefos (candeeiros rudimentares à petrólio) ficaram acessos a noite toda, desafiando a escuridão para ouvir aquele miúdo que cantava e tocava maningue bem… As agulhas dos gramafones esgotaram-se antes que as pessoas conseguissem extravagar suas tristezas e sonhos.

Georogina, U Xonguile Njany (Georogina, ès tão bela) e muitos outros temas , passaram a animar as festas e sessões de libação em Lourenço Marques e outras cidades de Moçambique.

Em 1955, Fanyto assenhora-se, inicialmente no espaco musical do programa radiofónico experimental especialmente dirigido a população negra. Daí, o monstro da marrabenta nunca mais parou.

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Elsa Mangue de Volta aos Palcos.


O desejo da cantora Elsa Mangue de voltar aos palcos depois de refeita de uma doença com que se encontrava a braços há vários meses vai materializar-se no sábado. A popular intérprete de música moçambicana foi convidada pelos gestores de um espaço musical no bairro da Liberdade (Nézia) para apresentar-se aos fãs.

Elsa Mangue não realiza um concerto há mais de três anos, em parte devido à doença que a apoquentou. Chegou a estar entre a vida e a morte, mas sempre esperançosa em, “pelo menos um dia antes da minha partida”, voltar a palmilhar os mesmos palcos que a catapultaram para o estrelato no panorama musical nacional. A primeira oportunidade é esta, num palco pequeno, mas que poderá servir de alavanca para a devolver aos grandes recintos onde ela brilhou. O conjunto Central Line, que muitas vezes a acompanhou em memoráveis espectáculos em que participou, sobretudo em Maputo, volta a desempenhar um papel de referência nesta etapa desta cantora: vai apadrinhar este regresso.

Numa recente entrevista ao “Notícias”, Elsa Mangue, que depois de passar pelo pior se apresentava como uma mulher de vontade e de força, recordou os tempos abismais por que passou nos seguintes termos: “foi uma etapa negra e longa, em que lutei contra a morte e pela vida. Hoje estou aqui, de volta aos bons dias e pronta para tudo”.

O longo calvário por que passou Elsa Mangue foi testemunhado de perto por algumas colegas e outras pessoas de boa vontade que a auxiliaram com tudo quanto ela necessitasse para que a vida lhe voltasse a sorrir. E, num momento em que dos maus tempos restam apenas “lembranças para apagar”, a compositora e intérprete de música moçambicana não se esquece de as agradecer.

O projecto de regresso aos palcos de Elsa Mangue é norteado pelo desejo de promover o disco “Muguanda”, editado pela Vidisco quando ela se encontrava doente. Entrara em estúdio para gravar temas para esse álbum, do qual foi retirado um tema para concorrer aos prémios da edição passada do “Top Ngoma”. No concerto de sábado vai, certamente, apresentar temas constantes do disco e outros com que se fez famosa ao longo da sua carreira.

Elsa Mangue é uma artista que cimentou a sua grandeza na música moçambicana nos anos 1980, muito à custa das canções que interpretou inspirada no Moçambique social. Porque tinha referências na música moçambicana, interpretou o tema “Tindjombo”, de um dos seus ídolos, Fany Mpfumo. Essa canção está inserida numa colectânea em homenagem ao “Rei da Marrabenta”, em que também contribuíram, entre outros, Neyma, João Paulo, Nanando, Miranda e Ancha.

Fonte: 28 de Fevereiro de 2008:: Jornal Notícias

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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Madala lanca CD intutulado "Zuvarabwaka"


O compositor e intérprete beirense, Madala, nome artístico de José Matola, acaba de lançar o seu novo disco. Trata-se do seu quinto trabalho discográfico a solo, intitulado “Zuvarabwaka”, que nos seus dez temas, de carris tradicional, procura enaltecer a necessidade de se primar pelo trabalho para ganhar a vida e, por conseguinte, desenvolver esta Pátria Amada.

A Mandoa, estilo musical tradicional que é característico do sul de Sofala, e atravessa todo um disco que já está a fazer sucesso nas rádios e pistas de dança locais.Para além de Mandoa, o álbum conta com algumas músicas, em número reduzido, que são produto de uma fusão de diferentes estilos e proveniências, convergindo, porém, no facto de serem de carris tradicional.

Aliás, o autor de “Zuvarabwaka”, que traduzido para o português significa O Sol está a raiar, é um dos acérrimos dos defensores da música de raiz, com destaque para os ritmos que são característicos da província de Sofala.

José Matola, ou simplesmente Madala, procura trazer neste disco o quotidiano da comunidade que lhe rodeia, algo que caracteriza este músico de craveira, que há muito conquistou a cidade da Beira e todo o país.A título elucidativo está a música Mussopo, que ilustra o empenho de muitos concidadãos seus que mesmo com poucas posses financeiras procuram garantir o bem estar da sua família, dando-lhe, dentre outras coisas, uma alimentação equilibrada e com um grande poder nutritivo baseada em produtos retirados de pequenas machambas.
Ainda sobre o novo disco, ficamos a saber junto da fonte que constam ainda as músicas Chimurombo e Mangamba, que fizeram muito sucesso nos seus dois anteriores trabalhos.
Mas aparecem com outra roupagem, num Mandoa mais apetrechado. Disse ser objectivo desta iniciativa procurar trazer este estilo cem diferentes variações como forma de estimular a nova geração a primar pelas nossas raízes, sublinhando que é possível fazer a fusão do tradicional com a actual onda juvenil, que se circunscreve em apostar nos ritmos do Ocidente, como é o caso do hip-hop, rap, Kuduro, entre outros.

Madala confessou que já está a trabalhar na produção de temas que vão constar no próximo disco, que poderá estar no mercado já em 2008, mas não entrou em detalhes quanto aos conteúdos do referido disco. Por outro lado, garantiu que os seus fãs poderão contar ainda este ano com um DVD que comportará temas sonantes, como forma de encerrar o ano em grande.

É POSSÍVEL VIVER APENAS DE MÚSICA
Apesar de reconhecer que a vida artística é complexa num país pobre como o nosso, Madala assegura que é possível viver de música em Moçambique. Mas, para isso, disse ser necessário muita capacidade criativa por parte dos fazedores da própria música, dos compositores e intérpretes.

Em todo o caso, é de opinião que o envolvimento do empresariado nacional na divulgação da música moçambicana ainda deixa muito a desejar, principalmente nas províncias. Vai daí que o apelo que faz seja no sentido de, usando a Lei do Mecenato, o grupo empresarial moçambicano se envolva mais de modo a que os músicos trabalhem mais e melhor, como forma de catapultar a música e a cultura moçambicanas para outros mares.

Neste momento, a sua satisfação reside no facto de saber que a nova geração de músicos, particularmente a nível da cidade da Beira, está a trilhar caminhos benfazejos, não obstante, segundo sua observação, a existência de muitos estilos musicais que, não tendo nada a ver com os moçambicanos e africanos, porque importados do Ocidente, os beirenses continuarem a trazer sempre que possível algo que seja puramente tradicional. Exemplos disso são as mediáticas jovens bandas Djaakas e Mussodji, para além de outras que, sem o mesmo protagonismo, conseguem trabalhar na vertente tradicional com muita seriedade.“Os Djaakas e tantas outras bandas já trouxeram muitos troféus para a cidade da Beira e o país, em geral. Isto é sinónimo de que estamos num bom caminho. Claro que precisamos de trabalhar mais, principalmente na exploração de estilos tradicionais para revolucionar cada vez mais o que é nosso”, disse Madala.

Vindo de uma família de artistas, Madala começou a cantar ainda muito jovem, seguindo os passos já trilhados pelos seus dois irmãos mais velhos, um dos quais fazia parte do conjunto Tambores de Sofala, isto na década 70. Aliás, importante será frisar que o próprio pai de Madala tocava acordeão, o que impulsionou bastante para que em 1973 ele, em sua casa, se iniciasse na viola produzida com latas de azeite, enquanto o pai e os irmãos mais velhos ensaiavam.

Anos mais tarde, Madala foi percebendo as qualidades que ostentava e o talento que não só vinha de si, mas de toda a sua família. Não admira que em 1975 apareça publicamente integrado no conjunto Tambores de Sofala, que foi a sua primeira banda. Na altura tocava e interpretava músicas de outros artistas que já haviam granjeado simpatia por parte do público, desde os músicos nacionais aos estrangeiros.

Mais tarde começou a tocar temas da sua autoria, tendo, na década de 80 gravado os seus primeiros trabalhos discográficos, nos Estúdios da Rádio Moçambique. Palmira foi o seu primeiro trabalho a solo, gravado em princípios dos anos 90. Mas o Chimurombo e Ponessa Musi Wango foram os discos que fizeram mais sucesso.

Madala já trouxe vários prémios para a cidade da Beira e a província de Sofala, em geral, destacando-se os prémios Ngoma Moçambique 1998/1999, com as composições Chiripo e Chirmurombo, respectivamente. Ainda no presente ano, foi alvo de uma homenagem promovida pela Associação dos Músicos Moçambicanos. Actualmente, para além de cantar a solo, Madala tem emprestado, muitas vezes, a sua voz à banda AZA, da cidade da Beira, uma das grandes animadoras de festas na urbe.


EDUARDO SIXPENCE

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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Otis, O sax Mocambicano


O saxofonista Otis actuou para o líder da ONU, Kofi Annan, e para emigrantes de São Francisco a Hong Kong. Esteve vários anos nas bandas de Tito Paris, Paulo de Carvalho ou Roberto Leal e lança em NOvembro o quinto disco de originais. O moçambicano é um senhor músico.

Otis é daqueles músicos com currículo impressionante e, aparentemente, um quase desconhecido da sociedade civil. A sua vida musical percorre o jazz ao tradicional pelos cinco continentes, da natal África á histórica Europa ou cosmopolita América.

Otis, nasceu em Inhambane, Sul de Moçambique. O pai era maestro numa banda regional, por isso Otis esteve na escola de música local 12 anos. Mudou-se entretanto para a capital Maputo, então Lourenço Marques, frequentando os estudos gerais na Escola Comercial, que não chegou a concluir pela paixão da música.

O "saxman" intregrou vários grupos, até ficar efectivo na banda da Rádio Moçambique, durante seis anos. O grupo fez uma extensa digressão em 1978, abarcando Cuba (11º Festival Internacional de Havana), Alemanha, Checoslováqia ou Bulgária.
Otis aproveitou a viragem na direcção da banda, em 1985, para vir para Lisboa, onde ainda reside (Linda-a-Velha).

O saxofonista começou em pequenos projectos, sendo até músico convidado do Festival da Canção, no final dos oitentas. O cantor popular Roberto Leal viu-o e convocou-o de imediato para a sua banda, mas Otis só aceitou à terceira. Durante 12 anos, Roberto Leal correu as comunidades lusófonas de Caracas a Washington, de Paris a São PAulo. "Foram tempos maravilhosos. Conheci meio mundo e milhares de portugueses", recorda o moçambicano.

Da World Music ao House

Seguiram-se as colaborações com Paulo de Carvalho (quatro anos), Miguel & André (três anos), João Portugal (um ano) e Beto (um ano). O cabo-verdiano Tito Paris tembém o chamou. "Desenvolvi mais a 'world music' e conheci o outro lado do mundo, de Hong Kong a Madagascar. Sou um previlegiado", admite Otis, sincero. Vieram também convites de Rui Veloso. E até de Dulce Pontes, que em 1997, o desafiou a tocar consigo em Nova Iorque num concerto para o representante máximo da Organização das Nações Unidas, Kofi Annan.
Mas o admirador de jazz e dos saxofonistas Grover Washington Junior, Dave Kose e Kenny G (o que mais discos vendeu até hoje:30 milhões) também é autor e compositor.

Em Novembro saiu o seu quinto disco, "Olhar para Trás", a fixar o espelho do tempo e a perspectivar a carreira; contou com colaborações de uma cantora alemã de jazz ou das coristas Dora & Sandra, dos Delfins.

Nos discos anteriores de Otis, participaram igualmente Nucha, paulo de carvalho e os Anjos, entre outros.
Uma das últimas actuações a solo foi no "Língua da Sogra", em Esposende, na festa da revista Cidade 21. O cardápio incluiu standarts e temas improvisados. o público ficou contagiado. "Adorei o espaço, o bar exterior é excelentíssimo, a gente acolhedora.

Curiosamente, o intérprete que faz jogging no tempo livre tem-se dedicado ultimamente mais ao house, fazendo duplas com Dj em bares, discotecas ou casinos de Norte a Sul do país. "Sempre me abri à fusão de estilos, influências e novas tendências. É outra etapa da minha evolução como músico, e estou a gostar!", concretiza.

Entrevista à Revista Autores

Otis é um dos poucos artistas moçambicanos que escolheram Portugal para seguir uma carreira musical. Filho de um maestro, cresceu ao som de vários estilos musicais e, actualmente, é considerado por muitos como o melhor saxofonista a residir e a actuar em Portugal. Discípulo de Dollar Brand (Abdullah Ibrahim), com quem já tocou, Otis acabou de lançar o seu quinto trabalho discográfico a solo, "Olhando para trás". Um disco tranquilo, onde o autor recorda todas as influências que fizeram dele um músico de excepção.

Autores - Não é comum encontrar artistas moçambicanos em Portugal, contam-se quase pelos dedos de uma mão os que vieram para cá. Preferiram fica em Moçambique ou foram para outras paragens?

Otis - Em Moçambique, talvez pela influência sul-africana, os nossos músicos que saem do país vão, em primeiro lugar, para a África do Sul, uma terra de excepção. E dali saímos para o Zimbabué, a Tanzânia e outros países. Mas não é fácil triunfar na África do Sul: eles "defendem-se" bem, são proteccionistas, é preciso ser muito bom para vencer na África do Sul. E, por mim, acho que o esforço para penetrar no mercado sul-africano não compensa. Aquele país é um mundo, tem de tudo, é uma potência. Tem de ser muito bom para eles nos deixarem entrar, senão é mais um que por lá anda. Para mim não compensa. Não é que tenha medo da competição, mas prefiro estar em Portugal.

Autores - Quando se fala em Moçambique, a nível musical, lembramo-nos logo da marrabenta. Mas o Otis é um músico moçambicano que toca saxofone. De onde vem essa paixão?

Otis - Eu nem gostava de saxofone, foi o meu pai que me obrigou. Ele era maestro de uma banda, em Inhambane, e hoje agradeço-lhe ter-me influenciado. Quanto à marrabenta, é a nossa música popular enão a esqueço. No meu primeiro disco misturei marrabenta em alguns dos meus temas, mas essa experiência não foi bem sucedida. Só funcionou nos discos seguinres, e já editei cinco. No último disco, pode-se ouvir muita marrabenta.

Autores - Como músico instrumentista é fácil arranjar espectáculos, ter trabalho?

Otis - Estive dez anos para conseguir entrar no mercado português, não foi fácil. E trabalhei com gente importante, trabalhei no Fontória, e foi a partir daí que começaram a abrir-se-me as portas desse mercado. O Roberto Leal viu-me uma vez na televisão, contactou-me, e comecei a trabalhar com ele. Foi uma experiência extraordinária, tenho excelentes recordações, fizemos tournées por todo o mundo. Além disso também toquei com o duo Miguel e André, com Paulo de Carvalho, o Eduardo Paim, o Paulo Flores, entre muitos outros - e peço desculpa aos que me esqueço de citar. Estes músicos ajudaram-me muito, integrei-me melhor na sociedade e na música portuguesa. E ganhei experiência, posso tocar vários estilos musicais. O mercado português é pequeno, para podermos viver e ter trabalho temos que noa adapter. Tocar um único género musical em Portugal não dá, não sobrevivemos.

Autores - Essa experiência contribuiu para a fusão que actualmente faz na sua música?

Otis - Nem mais. Ter tido a oportunidade de tocar com músicos de várias áreas e em vários lugares do mundo fizeram de mim um músico polivalente. Com o meu sax consigo tocar um pouco de tudo, desde marrabenta, kizomba, fado, Rn'B. Até música chinesa...

Autores - Essa mistura de influências nota-se nos discos que gravou até agora?

Otis - Sim. Até agora gravei cinco discos, e o mais curioso é que consigo vender mais no

estrangeiro do que em Portugal. O mercado português é pequeno e as pessoas não estão habituadas à música instrumental. Dou um exemplo: o disco "Influências" que gravei em 1999, vendeu mais nos Estados Unidos do que cá. Claro que nos Estados Unidos o mercado é potencialmente forte e muito maior, mas na verdade é que eu nos Estados Unidos não sou conhecido como sou aqui.

Autores - Já consegue viver só a fazer música?

Otis - Agora sim. tive uma altura que era complicado, mas felizmente agora tenho muito trabalho. Não faço só concertos, sou chamado para animar eventos, lançamentos de marcas, inaugurações de lojas, restaurantes... Trabalho de Segunda a Domingo.
Discos e Titulos dos Temas editados por Otis.

Olhando para Trás (2006)
01. Dongo Moçambique
02. Thank you Lady
03. Gano Zeca
04. Meninos d'África
05. Ana
06. Ethnic Emotions
07. Gaia Moçambique
08. Xihono Muny
09. Pom
10. Olhando para Trás
11. Influências
Viver (2004)
01. Viajando
02. Xubenga
03. Viver
04. Estamos Aí
05. Week End
06. Maria de L. Mutola
07. Moçambique
08. Young Boy
09. Di Meu
10. Morabeza Inn
11. Nha Vida
Influências (1999)
01. Guilhermina
02. O Meu Adeus
03. My All
04. Influências
05. Pacha Ofir
06. Eu Respeito Inhambane
07. Massachusetts
08. Angelina
09. Espaço
10. Baía de Machico
11. Noites Calmas
A Lógica (2001)
01. Anthony
02. A Lógica
03. Fusão
04. Stêlla
05. Halima
06. Voltar à Terra
07. Ethnic Emotions
08. Estrada da Terra
09. Reflexus
10. Cream Dreams
11. Príncipe

Gaia Moçambique (1993)
01. Gaia Moçambique
02. Mano Zeca
03. Friends
04. Meninos d'África
05. Xipamanine
06. Rogério Dias
07. Pai
08. Mapiko
09. Thank you Lady



Tel: (00351) 96 270 54 56
Email: otis@otis-sax.com
Site: http://www.otis-sax.com/
http://www.myspace.com/otissax
Lisboa - Portugal

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