Mostrar mensagens com a etiqueta Marracuene. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Marracuene. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Malawi espera por Dilon


Música para além da guerra dos rios

A “guerra dos rios” fica fora dos palcos. A música faz o seu diálogo longe da navegabilidade dos Chire e Zambeze, que criou “barricadas” diplomáticas entre Moçambique e Malawi.
Dilon Djindji é o rosto dessa relação artística. O “king” de marrabenta estará, este mês, na terra de Bingu Wa Mutharika para uma série de espectáculos.

Antes da partida, Djindji faz uma espécie de “retorno” às origens, para buscar um grupo que tem o nome do distrito onde se apresentou como músico, mesmo nas suas “disputas” com Fany Pfumo. Referimo-nos à banda Estrela de Marracuene, composta pelo baixista João Cossa, o baterista Samito, o seu filho Fernando Djindji na viola solo, e Ernesto Dzevo como contra-solo.
O “king” vai a Malawi a convite de um amigo que tem acompanhado a sua carreira. Fascinado pela forma como ele se impõe em palco e assume o espectáculo, não resistiu a fazer uma proposta para actuar naquelas terras. Djindji disse “sim” e prometeu ao amigo um “grande espectáculo”. É com segurança juvenil que assume os desafios. Pelo menos assim o disse na curta entrevista que tivemos. Primeiro, assume com simplicidade os seus 83 anos de idade e 70 de carreira, para depois garantir que se sente muito jovem e com capacidade de dividir o palco com muitos que marcam a nova música.”

“Toquei na guitarra pela primeira vez aos 11 anos. O meu tio gostava de andar comigo nas suas bebedeiras e, sempre que ficasse grosso, dava-me a guitarra para segurar e ai eu aproveitava e aprendia algumas notas.”

Mesmo desejando fazer apenas uma carreira musical, não resistiu às condições de vida e, em 1951, seguiu o mesmo caminho de muitos outros jovens que encontraram na África do Sul uma saída. Era o período de dzukuta em Moçambique.

“Em 1951, fui para África do Sul. nessa altura, aqui dançava-se muito dzukuta. Foi nesse momento que conheci Francisco Mahecuana, Fany Pfumu e Alberto Mutcheca. Aliás, em 1973, subi ao palco pela primeira vez com Fany Pfumu.”

É com Fany que Djindji “discute” a coroa de “rei” de marrabenta. “FanyPfumu sempre reconheceu que sou o rei da marrabenta, só que o público tem criado equívocos sobre o assunto. Numa das suas músicas ele diz, ‘a Marracuene kuni king ya marrabenta, nwine a mu ngue lungui ka yona’, aí ele reconhece que em marracuene existe um rei da marrabenta, diante do qual vocês não podem aguentar. ele diz ‘vocês’ e não ‘você’, ou seja, ele excluiu-me, automaticamente, nesse problema reconhecendo, de seguida, que eu sou o único rei da marrabenta no país.”


Quarta, 10 Novembro 2010 Gildo Mugabe.

Leia mais na edição impressa do «Jornal O País»

Leia Mais…

Viagem ao âmago da nossa identidade identidade cultural


2010 é o ano da marrabenta há um festival da marrabenta, há um comboio da marrabenta e até “artistas unidos” pela defesa da marrabenta.

Os puritanos consideram que se está a registar uma deturpação no uso do termo “marrabenta”, para designar qualquer forma de expressão cultural de índole moçambicana, em termos de música ligeira. Até que ponto isso é verdade?

(...) e da noite para o dia, a marrabenta – ou pelo menos o termo marrabenta – começou a ser falado e propalado em todos os cantos. Um fenómeno sem precedentes, pelo menos a nível dos últimos tempos. “Ele” é Festival da Marrabenta”; “ele” é comboio da marrabenta, “ele” é artistas unidos e empenhados em fazer deste 2010 o ano da marrabenta, enfim! agora, falar de marrabenta é o que está a dar.

Porém, a questão que se coloca é a seguinte: até que ponto toda esta empolgação em torno da marrabenta contribui para a valorização e evolução da marrabenta entanto que estilo musical com características próprias? Será correcto atribuir-se a designação genérica de marrabenta para rotular qualquer forma de expressão cultural de índole moçambicana, em termos de música ligeira?

De uma coisa ninguém duvida, a marrabenta é um ritmo de música-dança que passou por várias fases, desde a sua criação até à actualidade. A As suas origens devem remontar aos finais da década de 30, mas será a década de 50 que a leva ao sucesso, tornando-a um dos produtos mais representativos da música ligeira moçambicana.

Dizem os conhecedores que a marrabenta tem um estilo próprio, uma batida característica que é sintetizada pelo tema “Elisa Gomara Saia”, do Conjunto Djambu. Este será o ícone, a matriz e o protótipo do que é a verdadeira marrabenta. Pelo menos é assim que pensa Rui Guerra, investigador, mestrado em Gestão do Património Cultural Moçambicano, pela Slinders University (Adelaide, Austrália), com quem conversámos e em cuja tese (de licenciatura) nos baseamos em larga escala para a elaboração deste trabalho.

QUEM, QUANDO E ONDE
Há muita controvérsia em redor desse assunto: quando e onde surgiu e quem criou a marrabenta? Há quem diga – e esta versão nos parece a mais coerente – que a marrabenta deriva directamente da mescla dos estilos magika e zukuta (sim, é antigo!). Para outros, a marrabenta foi simplesmente a evolução desses ritmos, ou seja, teria começado por se chamar zukuta, depois magika e finalmente marrabenta.

Também é difícil atribuir a alguém em particular a invenção deste ritmo. De uma maneira mais generalista, pode considerar-se que ele é produto da miscigenação cultural e da migração de grupos étnicos oriundos de diversas regiões do sul de Moçambique, e que a sua estilização contribuiu para que se tornasse popular.

A transformação e penetração da marrabenta no meio urbano deve muito ao movimento migratório de jovens de origem rural e suburbana (Manhiça, Marracuene, Inhambane, Gaza) para a cidade de Lourenço Marques, onde trabalhavam à espera de contratos para as minas.

Este grupo de emigrantes é de facto importante neste processo de introdução de novos ritmos, instrumentos e aparelhos - como a viola e os gramofones -, os quais eram enviados para as suas terras de origem, juntamente com os discos, contribuindo decisivamente para a divulgação no meio rural destes novos sons e instrumentos.

INFLUÊNCIA DOS TROVADORES
Os trovadores – executantes a solo – são os precursores da música ligeira moçambicana, antes mesmo do surgimento dos agrupamentos. Músicos como Muthanda Feliciano Ngome, Francisco Mahecuane Macovela e Fani Mpfumo constituem os precursores da música ligeira moçambicana, dado terem sido os primeiros músicos a gravar, apesar de fora de Moçambique.

Mahecuane gravou, pela primeira vez, em 1945, na África do Sul, o disco “Yi Xibalo Muni Makhandane” e em 1958, no seu regresso definitivo a Lourenço Marques, torna-se famoso com o tema “Moda Xicavalo, Marrabenta, Senta Baixo”, uma das primeiras marrabentas a serem tocadas e a alcançar sucesso, apesar de apresentar uma orquestração básica, envolvendo apenas guitarra e bandolim.

Outro artista de nomeada foi, sem dúvida, Fani Mpfumo. É o caso de maior sucesso, visto ter atingido o estrelato na África do Sul, com vários prémios ganhos, para além de ser visto em Moçambique como uma verdadeira estrela, tanto pelos mineiros que traziam na bagagem os seus discos, como pela população local que ouvia os seus números na rádio.

Para além de interpretar ritmos sul-africanos como jive, simandjemandje, kwela, etc., Fani tocava marrabenta. De tal modo que o seu primeiro disco, gravado em ronga, em 1951, foi “Georgina Waka Nwamba”, tendo a música que dá o título ao álbum obtido grande sucesso. Outros números de sucesso também se seguiram, como: “Nyoxanini”, “Famba ha Hombe”, “Hodi”, “King ya Marracuene”, “Nichelelani”, entre outros.

Pela sua veia compositora, versatilidade e pelo número de discos publicados, Fani Mpfumo foi considerado o verdadeiro rei da música ligeira moçambicana, apesar de ter estado emigrado por largos anos, tendo voltado definitivamente ao país em 1973. O resto é sabido: a sua ligação à música continuou até à altura da sua morte, em 1987, vítima de doença.

AS ETAPAS POSTERIORES
O período que vai do limiar dos anos 60 até 1974 é tido como o da divulgação e promoção da marrabenta. Efectivamente, a marrabenta passa a ser dançada e ouvida por negros e brancos sem preconceitos de qualquer espécie. Passa a ser vista como a verdadeira música de Moçambique e dos moçambicanos, daí que tenha começado a ser promovida pelo empresariado local.

É nesse quadro que, em 1971, é criada a “Produções 1001”, vocacionada à procura e promoção de talentos moçambicanos. Aí são descobertos artistas hoje famosos, como Wazimbo, Simião Mazuze, Jaimito, Pedro Ben, Alexandre Mazuze, Elsa Mangue, Matchote, João Wate, Abel Tchemane, entre outros.

Surgem, então, dois programas, destinados à população suburbana e à população citadina, nomeadamente, o “Xitimela 1001”, que se realizava no Cinema Olímpia, e o “Expresso 1001” que acontecia no Cinema Nacional (actual Centro Cultural Universitário).

A REVOLUÇÃO E A MARRABENTA
Depois da Independência, a marrabenta foi, supreendentemente, desqualificada, ao ser considerada um produto da cultura burguesa decadente pelo governo revolucionário. Aí se deu o grande marco da descontinuidade. Para o bem ou para o mal, a verdadeira marrabenta foi então profundamente abalada.

Não obstante, e numa fase em que tudo escasseava e as dificuldades por que passavam os artistas eram brutais, por iniciativa do Estado, foi criado o Conjunto RM, congregando uma série de músicos, nomeadamente, José Guimarães, Alípio Cruz, Chico António, Mingas, Zeca Tcheco, Wazimbo, Matchote, Milagre Langa, Sox, José Mucavel, Alexandre Langa. Nessa fase, surgiram ainda os grupos Hokolókwè, Mbila, Alambique e Ghorwane, caracterizados pela produção de temas e músicas de caris moçambicano.

Depois disso, vieram outros e mais outros, até se chegar aos dias de hoje, onde a profusão de estilos e ritmos é abismal. São todos (?) bons. São todos representantes da música moçambicana – se por mais não seja, porque são moçambicanos – mas são raros os que tocam aquilo a que se considera marrabenta.

E porque, conforme dissemos, se passou a atribuir aos ritmos tocados a designação genérica de marrabenta, os puritanos consideram que está a registar-se uma deturpação do uso do termo, para designar qualquer forma de expressão cultural de índole moçambicana, em termos de música ligeira. Será isso correcto?

Enfim, tire o leitor as suas próprias ilações.

Os conjuntos e a estilização da marrabenta
Os conjuntos musicais e as associações culturais tiveram grande influência na difusão e, sobretudo, na estilização da marrabenta. Como já se disse, o ritmo começa a ser “urbanizado” em finais da década de 50, quando surgem os primeiros conjuntos moçambicanos, como Young Issufo Jazz Band, Orquestra Djambu, Hulla-Hoop (que passou a Conjunto João Domingos), Conjunto Harmonia e Kenguelequêze, que começam a tocar ritmos locais, para além dos internacionais, que então estavam em voga.

É a partir desse momento que a marrabenta é divulgada, deixando de ser conhecida, dançada e tocada apenas nos subúrbios. A sua entrada para as associações, neste caso a Associação Africana e o Centro Associativo dos Negros da Província de Moçambique, muito contribuiu para a sua promoção, pois deixa de estar confinada ao subúrbio. Isto é, sai do caniço e entra no cimento.

A adopção da marrabenta pelas associações foi incentivada por duas importantes figuras do meio cultural moçambicano: José Craveirinha, na Associação Africana, e Samuel Dabula Nkumbula, no Centro Associativo. Culturalmente esclarecidas e politicamente conscientes, estas figuras defendiam que os agrupamentos que ali se exibiam deviam tocar ritmos moçambicanos.

O Young Issufo Jazz Band foi o primeiro conjunto, constituído por indivíduos de raça negra. Foi formado em 1956 como um quarteto, passando para sexteto, em 1957, ano em que se viria a desmembrar, porque Young Issufo, o líder, optou por tocar num baile de finalistas, no Liceu Salazar, enquanto os outros componentes do grupo preferiram tocar no Centro Associativo dos Negros. A sua dissolução deu origem à Orquestra Djambu e ao Conjunto Hulla-Hoop, os quais se tornaram famosos a tocar marrabenta.

A Orquestra Djambu nasceu em 1958 e começou por tocar jazz e blues. A marrabenta só seria tocada mais tarde, sendo o seu tema mais emblemático “Elisa Gomara Saia”. Já o Conjunto Hulla-Hoop – que mais tarde passou a designar-se Conjunto João Domingos – foi fundado por Young Issufo, Gonzana e João Domingos, também em 1958. Entre os seus números, destacam-se: “Júlia”, “Jorgina”, “Tampa ni Xicandarinha”, “Massoriana”. Curiosamente, este grupo só viria a gravar o seu primeiro CD no ano de 2000, captado num show ao vivo, em Macau.

Ainda em 58 surgiu o Conjunto Harmonia. De acordo com Gabriel Chiau, um dos integrantes desta banda, que ainda se mantém no activo, este era o mais humilde dos três conjuntos, mas tocava de forma mais original.

Sexta, 12 Fevereiro 2010 Homero Lobo.

Leia Mais…

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Video Festival de Marrabenta

Leia Mais…

Video Festival de Marrabenta em Marracuene

Leia Mais…

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Xidiminguana Contesta a Marrabenta.

Permanece a dúvida e a polémica que envolve a “velha guarda” em relação ao criador e à origem do ritmo musical marrabenta. Fanny Mfumo é tido como rei da marrabenta, Dilon Ndjindji auto-proclama-se dono deste estilo musical que, segundo argumenta, foi por ele criado no distrito de Marracuene. Depois de Alberto Mhula – o Manjacaziano –, hoje é Xidiminguana e Alberto Mutxeca que vêm desmentir a tese de Dilon Djindji e justificam: “A marrabenta é do povo (...) perguntar quem criou a marrabenta é o mesmo que perguntar quem começou a cultivar a terra em Moçambique, certamente que a resposta sempre se vai esconder”.

Xidiminguana e Alberto Mutcheca procuram chamar à verdade defendendo que o povo é quem criou a marrabenta. “A marrabenta é do povo... perguntar quem criou a marrabenta é mesmo que perguntar quem começou a cultivar a terra em Moçambique, certamente que a resposta sempre vai se esconder”.

Xidiminguana, que começou a gravar em 1974 (naquela altura na Rádio Clube de Moçambique), afirma que se tenta criar um certo protagonismo quando certos músicos – sem adiantar nomes – dizem que são os fundadores da marrabenta.

Xidiminguana, que diz ter chegado a Maputo – na altura cidade de Lourenço Marques – no dia 3 de Agosto de 1954, pede para que se pare de procurar protagonismo por algo que é do povo, porque “não existe quem criou a marrabenta”.
Contou ainda que em tempos atrás a marrabenta era cantada e dançada sem viola, envolvendo raparigas. E depois é que se começou a desenvolver o ritmo com violas feitas em casa. “Começámos a cantar a marrabenta com violas inventadas em casa com latas de cinco litros, aprendi com essas violas”, disse Xidiminguana, um dos mais conceituados cantores nacionais.

Uma contradição
Contrariamente ao que disse Alberto Mula, que Feliciano Muntano foi o precursor de marrabenta, Alberto Mutcheca e Xidiminguana explicaram que Feliciano Muntano apenas foi o primeiro músico a gravar marrabenta em fitas magnéticas, em 1950, no distrito de Chibuto, província de Gaza. Nessa altura usavam-se mais gramofones que eram oferecidos pelos bóeres sul-africanos que vinham visitar o país. “No regresso ofereciam-nos às pessoas”.

Xidiminguana disse ainda que, depois surgiu o Magana gana, do distrito de Homoine, província de Inhambane, que tocava bandolim com Francisco Mahecuane e Alberto Langa.
Por seu turno, Alberto Mutcheca acrescentou que vieram depois o Eusébio João Tamele, Gabriel Mutemba e Alfredo Mulhovo. “Nessa altura nós ouvíamos as músicas deles e isso é o que nos fez continuar a fazer a marrabenta, influenciaram-nos com as suas boas musicas”.

“Agora, porque essas pessoas já não existem, alguns indivíduos tentam criar protagonismo em volta da marrabenta, ignorando os primeiros tocadores. Eu assumo o discurso e digo que eles não estão a agir de boas maneiras quando fazem isso... Por exemplo, eu não toco mais do que ninguém. Aprecio e gosto da nova geração porque acho que eles têm de tocar o que aprenderam dos mais velhos para nós podermos ficar satisfeitos, mostram um certo reconhecimento. Que toquem o seu estilo de forma convincente”.

Por que Fanny Fumo é o rei?
“... digo-vos que cada músico tenta gabar-se, ele gabava-se não porque tocava mais do que os outros, digo isso com muito respeito. Não foi o Fanny que começou a tocar, nem tão pouco”, clarificou Xidiminguana.
Para Xidiminguana, Dilon Djindji promoveu a marrabenta de Marracuene, “não é que ele toca mais do que ninguém”, explicou o músico.

As violas vieram da África do Sul...
À semelhança do que Xidiminguana diz, Alberto Mutcheca afirma que as violas naquela altura vinham da África do Sul onde as adquiriam quando, em alguns momentos, iam trabalhar, alguns pediam aos amigos que trabalhavam lá para comprar.
Tal como Fanny Mfumo, Dilon Djindji, também trabalhou na África do Sul, daí a razão de, numa das suas músicas relatar o facto de ter viajado para a terra do rande e quando regressa a Maputo, percebeu que outros homens haviam lhe arrancado a sua namorada. Diz num dos trechos dessa música que“Dilon vá mutekele Podina... Ka Marracuene vá nitekele Podina... (Dilon levaram-lhe a Podina...em Marracuene levaram-me a Podina)”.
Xidiminguana revela que teve a sua primeira viola graças a um amigo, que já faleceu, que trabalhava na África do Sul, em 1957. “Ele ofereceu-me a viola que me fez continuar a tocar até hoje”.

Afinal o que significa marrabenta?
Quando questionados sobre o significado da marrabenta, Xidiminguana e Alberto Mutcheca disseram que a marrabenta era uma grande brincadeira que se fazia naquela altura... onde os jovens pediam-se em namoro. “Era uma coisa muito bonita”.

Ensinámos marongas a cantar marrabenta...
Explicando como a marrabenta chegou a Lourenço Marques, Xidiminguana foi peremptório ao afirmar que foram eles que vieram a Lourenço Marques para ensinar a marrabenta aos marongas. E Perguntou: “quem é o maronga que tu conheces que tem um disco de marrabenta melhor que dos machanganas? ... nem machopes. Os bitongas pelo menos têm um, que é Félix Moía. Félix Moía é o único que vejo naquele ponto do país, ele é um espectáculo, gosto muito dele”.

Em torno da polémica, Xidiminguana afirma que se distancia desses protagonismo que certos colegas têm exibido. “Eu não tenho nada contra essas pessoas, mas eles têm de saber que o que fazem não está certo... a marrabenta nunca esteve com ninguém. Não acredito nessas afirmações, faço as minhas músicas para oferecer ao povo moçambicano, não sou melhor que ninguém e nem quero ser”.

Fonte: Jornal O Pais Online por Edson Muianga

Leia Mais…

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Gwaza Muthini com Marrabenta e Himpopotamus



Não podíamos ficar indiferentes à informação. Abandonamos temporariamente o local onde se faziam os discursos políticos e as danças, e fomos atrás do anunciado animal abatido, para vê-lo, mesmo morto e fotografá-lo. Mas o que nós não sabíamos é que a notícia nos tinha chegado bastante tarde. A única coisa que podemos ver foi a cabeça, já na derradeira fase de retalhamento e, como se isso fosse pouco, já em estado de putrefação.
Aproximamo-nos, mesmo assim, para ver o trofeu a ser despedaçado. Era uma cabeça imensa, o que nos deixou perceber logo que se tratava de um animal de grande porte. Perguntamos pelos caçadores que haviam alvejado o animal, mas não se encontravam por perto. Queríamos saber sobre o local onde o hipopótamo fora abatido, as circunstâncias em que isso se deu e à que horas. Alguém nos respondeu que o abate acontecera na noite anterior, na zona de Bobole, a cerca de 14 quilómetros da sede distrital. “Eram dois. O outro, apesar de ter sido alvejado, conseguiu escapar do nosso controlo”.
É uma história que aparentemente estava a ser esquecida aos poucos e poucos, porém foi agora renovada nas mentes, lembrando histórias e mitos. Histórias e mitos pois, alguns diziam que por alturas do Gwaza Muthini faziam-se preces junto ao rio, convidando o animal que se entregava voluntariamente para ser abatido e a carne oferecida a todos, que a comiam também como uma forma de revigorar as energias. Outros desmentiam isso, dizendo que, por aquelas alturas o animal, por ser grande, era caçado, utilizando-se várias formas, incluindo o içar de um pano vermelho que atraia o bicho, puxando-o para terra, onde facilmente era abatido com armas de caça. “A carne não era para revigorar energia nenhuma, mas apenas para servir de alimentação normal. Como se sabe, o hipopótamo é todo ele uyma maça de carne e, sendo assim, alimentava quase toda a gente que acorria ao Gwaza Muthini.
Pela história ou pelo mito, o animal foi abatido. Um pouco longe, porém, de Marrcuene e a sua carne foi trazida para a vila e distribuída por quem a quis. Renovando desse modo, tempos passados. Recentemente ou há muito.
Gwaza Muthini já não poderá ser o mesmo. Degenerou com o tempo. Perdeu o vigor desde o momento em que muitos quiseram se aproveitar dele para fazer dinheiro, ou para marcar encontros suspeitos. Não passam muitos anos em que Marracuene, durante as comemorações do “Gwaza”, tornou-se arena de um acidente espectacular, que ceifou muitas vidas que perfilavam ao longo da Estrada Nacional Número Um. Algumas vozes diziam que esse acidente era a ira dos espíritos, revoltados com o que estava a acontecer. Era necessário, por isso mesmo, corrigir alguns procedimentos, como o facto de montar barracas e praticar iniquidade, num reduto sagrado como aquele, em que muitos filhos de Moçambique perderam as suas vidas em defesa da nossa pátria.
A partir desse acidente o Gwaza Muthini começou a perder a sua essência. Vai-se para lá todos os anos e no fim o balanço é de que foi mais uma efeméride. Mas isso não tem nada a ver com a morte de Massinguitane, porque antes dela morreu muita gente defendendo um marco bastante importante da vida dos moçambicanos, sobretudo quando viramos a cabeça e olhamos para trás, para encontrar o sangue derramado na grande batalha de Marracuene.

COM MARRABENTA PARA OS MORTOS

O Festival de Marrabenta já havia começado no dia anterior no Centro Cultural Franco-Moçambicano. Levando ao palco os respeitáveis Dilon Djingi, Xidiminguane, Alberto Mutxeka, Alberto Mhula e os Galtones. Que brilharam como verdadeiras estrelas que são. Estendeu-se depois para Marracuene e Matalana.
Estão de parabéns os mentores do evento – a Logaritmo.
Um dos propósitos do Festival de Marrabenta, segundo David Macuacua (um dos responsáveis do grupo de organização), é dar continuidade e vida a este ritmo que a todos diz respeito. “Este ano juntamos um certo grupo de artistas e cremos que nos anos seguintes faremos o melhor para incluir mais artistas, pois na arte todos têm espaço”.
Há muito que se possa dizer sobre a marrabenta. E os organizadores pretendem transmitir às gerações futuras a história desta vertente cultural. “Para esta edição vamos nos cingir apenas aos concertos. Mas nos próximos anos vamos organizar workshops para que haja reflexão e troca de ideias em torno deste ritmo”.
É um passo positivo este dado pela Logaritmo com vista a valorização da nossa cultura. E eles pensam que se houvesse condições para que ele acontecesse duas ou três vezes ao ano, ficávamos a ganhar todos. Aliás, este festival é visto como uma alavanca para o ressuscitar das diversas manifestações de canto e dança, hoje relegadas para o segundo plano.
Estão – uma vez mais – de parabéns aqueles que se esmeraram para a realização do 1º Festival de Marrabenta.

Bem Hajam!

ALEXANDRE CHAÚQUE
In Jornal Noticias (11/2/08)

Leia Mais…