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segunda-feira, 15 de junho de 2009

Ritmos de casa na festa de música tradicional ...Nyacha


NYACHA NA HOLANDA E BÉLGICA:
A BANDA de música beirense Nyacha vai, mais uma vez, representar o país no festival mundial de música tradicional, que terá lugar na Holanda e Bélgica, a partir do próximo dia 5 de Agosto. Com o efeito, aquele conjunto vai realizar vários concertos em diferentes cidades daqueles dois países europeus, durante 45 dias, elevando assim a música tradicional moçambicana para outros paralelos.

Esta viagem dos Nyacha e os concertos que vai realizar vão servir igualmente para a troca de experiência com os outros participantes provenientes de todos os quadrantes do mundo, onde os ritmos de casa serão a gazua destes jovens.

Não é a primeira vez que a banda Nyacha representam o país no festival mundial de música tradicional, organizado anualmente pela Holanda, cujo objecto primordial é a promoção de música de “raiz”.

Em outras edições, o evento decorreu naquele país mas, desta vez, irá acontecer também em algumas cidades da Bélgica, o que significa que parte dos 45 dias do evento a banda proveniente de “Chiveve” irá “passear” o seu charme na Bélgica.
O líder da banda, Timóteo Ntchussa revelou ao nosso Jornal que antes desta digressão à Holanda e Bélgica, os Nyacha vão promover uma série de espectáculos na cidade da Beira, como forma de se despedirem dos seus fãs.

Para além disso, um dos concertos a ser promovido na cidade da Beira vai servir para o lançamento do seu primeiro disco, intitulado “Mbavudzatho”, que traduzido para o português significa “As nossas forças”. O trabalho contém 10 composições e a banda contou, no entanto, com a colaboração de nomes como os irmãos Papy e Nelton Miranda, bem como Jimmy Gwaza, Will Matine, Pateta e o guitarrista Momed Gafar (Mumy).

Em princípio, o disco deveria ser lançado no passado dia 7 de Abril, data em que a banda completou sete anos de sua criação, mas a falta de colaboração do empresariado local no desembolso dos fundos que os rapazes precisavam, avaliados em 15 mil meticais, para pagar a última tranche inserida na edição do disco, fez com que a festa ficasse adiada para uma outra ocasião.

Nesta ordem de ideias, os Nyacha decidiram promover localmente uma série de espectáculos para conseguir o dinheiro.
Mas depois apareceram outros parceiros cujos nomes não foram revelados que ajudaram a ultrapassar a situação, o que significa dizer que o disco já está pronto. Ao todo, a produção do disco custou 130 mil meticais.

“O disco está pronto, estamos a espera da confirmação da data para o lançamento do nosso disco. Não vai levar muito tempo para que isso aconteça e quando estiver tudo acertado comunicaremos, porque queremos fazer deste evento um dia de grande festa”, referiu.

UMA NOVA ROUPAGEM
Maputo, Quarta-Feira, 10 de Junho de 2009:: Notícias O líder dos Nyacha revelou ainda que tanto no “show” de lançamento do disco, bem como noutros que antecederam o périplo pela Europa, serão ímpares pelo facto de a banda prever aparecer com uma nova roupagem com o intuito de proporcionar bons momentos para os seus fãs.

“ Estamos a trabalhar para que este “show” seja um sucesso porque os nossos fãs merecem muito mais. Estes espectáculos devem ser diferentes porque depois vamos ter que ficar muito tempo distante do nosso público”, disse.

Refira- se que, os Nyacha são resultado do projecto Ndónguè da Casa Provincial de Cultura de Sofala e que tinha como principal dinamizador o falecido compositor, David Mazembe.
Para além destes, o mesmo pode-se dizer das bandas Djaaka, Mussodji, entre outras, incluindo algumas turmas de teatro da cidade da Beira.

EDUARDO SIXPENCE

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segunda-feira, 17 de março de 2008

Timbila, patrimonio da humanidade.

O grupo Timbila de Zavala, da província de Inhambane, representou Moçambique no Festival de L’Imaginaire”, que teve lugar de 9 a 24 de Março de 2007 na França, a convite da Maison des Cultures du Monde, uma instituição francesa vocacionada à promoção de manifestações culturais genuínas do mundo inteiro. A partida do grupo foi recebido em audiência pelo Ministro da Educação e Cultura.

O convite para a participação do grupo Timbila de Zavala no evento surgiu na sequência da recente proclamação da Timbila como património da humanidade.


A proclamacao da timbila como obra prima do património oral intangível da humanidade constitui o reconhecimento de uma manifestação cultural autóctone que não é mais pertença somente das comunidades chope ou dos moçambicanos como povo, mas sim de toda humanidade. Foi assim que se pronunciou a Vice-Ministra da Educação e Cultura, Antónia Xavier, ao apresentar o posicionamento do Governo em face do reconhecimento pela UNESCO desta manifestação cultural moçambicana.


Na vila de Quissico, sede distrital de Zavala, Inhambane, teve lugar o festival anual de timbila M’saho, que este ano se dedicou a celebrar a proclamação anunciada em Novembro de 2005 pela UNESCO. António Xavier disse também que o reconhecimento à dança chope já é de todo povo moçambicano.

Também apresentou o cometimento do Governo em empreender acções de preservação do património cultural do país. “O que pesou na selecção (pela UNESCO) desta expressão foi o facto de existirem estudos profundos e em variadas disciplinas sobre a timbila”, disse.


Fonte: Jornal Noticias::





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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Xidiminguana Contesta a Marrabenta.

Permanece a dúvida e a polémica que envolve a “velha guarda” em relação ao criador e à origem do ritmo musical marrabenta. Fanny Mfumo é tido como rei da marrabenta, Dilon Ndjindji auto-proclama-se dono deste estilo musical que, segundo argumenta, foi por ele criado no distrito de Marracuene. Depois de Alberto Mhula – o Manjacaziano –, hoje é Xidiminguana e Alberto Mutxeca que vêm desmentir a tese de Dilon Djindji e justificam: “A marrabenta é do povo (...) perguntar quem criou a marrabenta é o mesmo que perguntar quem começou a cultivar a terra em Moçambique, certamente que a resposta sempre se vai esconder”.

Xidiminguana e Alberto Mutcheca procuram chamar à verdade defendendo que o povo é quem criou a marrabenta. “A marrabenta é do povo... perguntar quem criou a marrabenta é mesmo que perguntar quem começou a cultivar a terra em Moçambique, certamente que a resposta sempre vai se esconder”.

Xidiminguana, que começou a gravar em 1974 (naquela altura na Rádio Clube de Moçambique), afirma que se tenta criar um certo protagonismo quando certos músicos – sem adiantar nomes – dizem que são os fundadores da marrabenta.

Xidiminguana, que diz ter chegado a Maputo – na altura cidade de Lourenço Marques – no dia 3 de Agosto de 1954, pede para que se pare de procurar protagonismo por algo que é do povo, porque “não existe quem criou a marrabenta”.
Contou ainda que em tempos atrás a marrabenta era cantada e dançada sem viola, envolvendo raparigas. E depois é que se começou a desenvolver o ritmo com violas feitas em casa. “Começámos a cantar a marrabenta com violas inventadas em casa com latas de cinco litros, aprendi com essas violas”, disse Xidiminguana, um dos mais conceituados cantores nacionais.

Uma contradição
Contrariamente ao que disse Alberto Mula, que Feliciano Muntano foi o precursor de marrabenta, Alberto Mutcheca e Xidiminguana explicaram que Feliciano Muntano apenas foi o primeiro músico a gravar marrabenta em fitas magnéticas, em 1950, no distrito de Chibuto, província de Gaza. Nessa altura usavam-se mais gramofones que eram oferecidos pelos bóeres sul-africanos que vinham visitar o país. “No regresso ofereciam-nos às pessoas”.

Xidiminguana disse ainda que, depois surgiu o Magana gana, do distrito de Homoine, província de Inhambane, que tocava bandolim com Francisco Mahecuane e Alberto Langa.
Por seu turno, Alberto Mutcheca acrescentou que vieram depois o Eusébio João Tamele, Gabriel Mutemba e Alfredo Mulhovo. “Nessa altura nós ouvíamos as músicas deles e isso é o que nos fez continuar a fazer a marrabenta, influenciaram-nos com as suas boas musicas”.

“Agora, porque essas pessoas já não existem, alguns indivíduos tentam criar protagonismo em volta da marrabenta, ignorando os primeiros tocadores. Eu assumo o discurso e digo que eles não estão a agir de boas maneiras quando fazem isso... Por exemplo, eu não toco mais do que ninguém. Aprecio e gosto da nova geração porque acho que eles têm de tocar o que aprenderam dos mais velhos para nós podermos ficar satisfeitos, mostram um certo reconhecimento. Que toquem o seu estilo de forma convincente”.

Por que Fanny Fumo é o rei?
“... digo-vos que cada músico tenta gabar-se, ele gabava-se não porque tocava mais do que os outros, digo isso com muito respeito. Não foi o Fanny que começou a tocar, nem tão pouco”, clarificou Xidiminguana.
Para Xidiminguana, Dilon Djindji promoveu a marrabenta de Marracuene, “não é que ele toca mais do que ninguém”, explicou o músico.

As violas vieram da África do Sul...
À semelhança do que Xidiminguana diz, Alberto Mutcheca afirma que as violas naquela altura vinham da África do Sul onde as adquiriam quando, em alguns momentos, iam trabalhar, alguns pediam aos amigos que trabalhavam lá para comprar.
Tal como Fanny Mfumo, Dilon Djindji, também trabalhou na África do Sul, daí a razão de, numa das suas músicas relatar o facto de ter viajado para a terra do rande e quando regressa a Maputo, percebeu que outros homens haviam lhe arrancado a sua namorada. Diz num dos trechos dessa música que“Dilon vá mutekele Podina... Ka Marracuene vá nitekele Podina... (Dilon levaram-lhe a Podina...em Marracuene levaram-me a Podina)”.
Xidiminguana revela que teve a sua primeira viola graças a um amigo, que já faleceu, que trabalhava na África do Sul, em 1957. “Ele ofereceu-me a viola que me fez continuar a tocar até hoje”.

Afinal o que significa marrabenta?
Quando questionados sobre o significado da marrabenta, Xidiminguana e Alberto Mutcheca disseram que a marrabenta era uma grande brincadeira que se fazia naquela altura... onde os jovens pediam-se em namoro. “Era uma coisa muito bonita”.

Ensinámos marongas a cantar marrabenta...
Explicando como a marrabenta chegou a Lourenço Marques, Xidiminguana foi peremptório ao afirmar que foram eles que vieram a Lourenço Marques para ensinar a marrabenta aos marongas. E Perguntou: “quem é o maronga que tu conheces que tem um disco de marrabenta melhor que dos machanganas? ... nem machopes. Os bitongas pelo menos têm um, que é Félix Moía. Félix Moía é o único que vejo naquele ponto do país, ele é um espectáculo, gosto muito dele”.

Em torno da polémica, Xidiminguana afirma que se distancia desses protagonismo que certos colegas têm exibido. “Eu não tenho nada contra essas pessoas, mas eles têm de saber que o que fazem não está certo... a marrabenta nunca esteve com ninguém. Não acredito nessas afirmações, faço as minhas músicas para oferecer ao povo moçambicano, não sou melhor que ninguém e nem quero ser”.

Fonte: Jornal O Pais Online por Edson Muianga

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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Costa Neto faz furror na Europa


"... Ser quem sou.
Sem ser o que seria
Se fosse o que devia ser..."
Costa Neto"
Kanimambu" (Obrigado)




Filho de um faroleiro e de mãe doméstica, Costa Neto nasceu em 1959 no dia 5 de Outubro às 00,00 horas, no último edifício a sul de todo o território de Moçambique, o farol da Ponta do Ouro, na montanha onde o seu pai se encontrava destacado.



Entrou para o ensino primário em 1965 numa missão católica colonial portuguesa em Matutuine, Moçambique.



Em 1970 ingressou num seminário também católico, e em 1971, no ensino oficial secundário na cidade de Maputo, então Lourenço Marques, ainda sob domínio português.
Em 1974, após a revolução portuguesa, interrompe por um ano os estudos, e esta disponibilidade de tempo permite-lhe iniciar-se como autodidacta na música.



Em 1976, pós-independência, regressa à escola, seguindo o ensino técnico, e desiste dos estudos em 1980,recusando-se a um encaminhamento oficial obrigatório à carreira docente. Desde então dedica-se exclusivamente à música, ingressando no mesmo ano no "Grupo 1" de música ligeira moçambicana.



Em 1981, funda com companheiros seus o grupo musical "M'bila", um dos grupos que mais revolucionou a música urbana moçambicana, o qual dirigiu até à sua extinção em 1988. Entretanto, o seu primeiro grupo musical fora o "ABC 78", cujo nome foi por si sugerido aquando da sua fundação em 1978.



Em 1983 é-lhe incumbida a responsabilidade de director interino do Clube da Juventude de Maputo, o centro mais regular na promoção do entretenimento durante todo o período da guerra civil pós-independência, onde se encontravam também baseadas as actividades do seu grupo "M'bila".



Em 1988 parte para Portugal numa digressão, onde decide ficar e residir para dar continuidade à sua carreira artística, o que lhe acarretou enormes dificuldades nos primeiros anos da sua estadia.


Com sentido de solidariedade, envolve-se com artistas oriundos de todos os outros países lusófonos, entre eles alguns dos mais conceituados nos seus países de origem, com muitos dos quais mantêm relações excelentes de camaradagem e amizade, o que lhe inspirou a criar em 1996 o projecto "FAZER", patrocinado pelas Nações Unidas, que envolvia a grande maioria dos músicos africanos residentes em Portugal, para além de personalidades e outras instituições que se solidarizaram com o projecto.



No ano 2000, abalado com a catástrofe das cheias na sua terra natal, Moçambique, escreve e canta o "Sinónimo Vida", que se tornou na prática o hino das vítimas da tragédia, projecto este, que viria mais tarde a ser editado em "Cd single".



Em 2001 marca o início da sua carreira a solo com a edição de "PROTOTYPUS", que se sugere ser um contributo ao desenvolvimento e divulgação da cultura moçambicana e africana em geral, no mundo.



Do álbum "PROTOTYPUS", foram selecionados temas originais como "ÚÈ MWANÊ" para a colectânea pan-africana "MOTHER AFRICA", e "KIKIRIGÔ" para a primeira colectânea da "MÚSICA DA CPLP".



Considerado por muitos como o mais fiel intérprete da música Moçambicana na Europa, tem sido por isso convidado a representar o seu país em alguns dos mais mediáticos eventos onde se requer a presença da cultura moçambicana, destacando-se a participação no concerto de encerramento da conferência "GALEGO EM PÓ" em Santiago de Compustela, Galiza, a participação em três edições do festival "PORTAFRICAS", o encerramento das comemorações em Roma do 10º aniversário dos acordos de paz de Moçambique, a representação de Moçambique no festival "ENCONTROS LUSÓFONOS", em Lisboa, 2004, a participação no concerto "MUSIC AFRICA" em Roma, 2006.



JAZZ COM TRAVO AFRICANO NO PROJECTO LISBOA-MAPUTO-BERLIM


Cinco músicos de Portugal, África e Alemanha juntaram-se num projecto musical inédito, o Lisboa-Maputo-Berlim, que cruza jazz, electrónica e os sons quentes da cultura africana.
Lisboa-Maputo-Berlim, um desafio lançado pelo Instituto Goethe, foi apr esentado hoje em Lisboa, num ensaio aberto à comunicação social que serviu de ap eritivo para o concerto de estreia do grupo agendado para 17 de Março, no Centro Cultural de Belém.



O projecto é liderado pela cantora de jazz alemã Céline Rudolph, que as sina a direcção artística, e integra o baixista guineense Gogui, o baterista moç ambicano Chico Fernandes e os portugueses Ruben Alves (piano) e João Gomes (tecl ados e laptop).
Este encontro artístico surge de um desafio lançado pelo director do In stituto Goethe, Ronald Gratz, que viu em Lisboa a cidade ideal para acolher o pr ojecto.
A ideia, explicou Ronald Gratz à agência Lusa, era criar um diálogo de culturas entre a Alemanha e Portugal, onde acabou por sobressair uma "importante imigração estética de África".
"Só fazia sentido ter este projecto aqui, porque alguns dos melhores mú sicos africanos estão cá", referiu Gratz, director do Instituto há pouco mais de um ano.
No ensaio, junto do piano de Ruben Alves, Gogui e Céline Rudolph acerta vam compassos e ajustavam palavras acabadas de compor por Kalaf para "Metamoflor es", um dos cinco temas já alinhavados pelo grupo.



Chico Fernandes experimentava os ritmos da bateria, enquanto João Gomes soltava do portátil alguns dos sons, de pássaros e de risos de crianças, recolh idos nas ruas de Berlim.
Os músicos foram todos escolhidos por Céline Rudolph, depois de ter pas sado uma temporada em Lisboa a sentir de perto a vida cultural na capital.
"Fui a clubes e salas de espectáculo para ver concertos e percebi que a cena musical lisboeta é muito rica e tem muito bons músicos", referiu a cantora à agência Lusa, lamentando o facto de ter sido obrigada a escolher.
"Mesmo que quisesse, não podia fazer uma orquestra africana", exclamou.
No espectáculo de estreia, a 17 de Março, o Lisboa-Maputo-Berlim irá to car cerca de doze temas, entre originais e versões e até um fado, como explicou Céline Rudolph.



Ao vivo serão tocados, com um "toque de jazz", temas de Mozart e Beetho ven, Thelonious Monk, dois temas compostos por Céline com poemas de Fernando Pes soa e o fado "Meu Amor, Meu Amor", interpretado por Amália Rodrigues.
Por fazer "Música para o mundo", o projecto Lisboa-Maputo-Berlim irá re velar-se também no Porto, em data a anunciar, em Joanesburgo (02 de Setembro), M aputo (04 e 05 de Setembro) e São Paulo, Brasil, (Outubro).



Em 2008 estão previstas actuações em Berlim e novamente em Lisboa, com quatro apresentações em Fevereiro desse ano no Teatro São Luiz.
Em todos estes concertos, o grupo contará com a participação de vários convidados locais.
Em Lisboa estarão o angolano Kalaf, dos 1-Uik Project, o baterista N`Du (Angola), o tocador de Kora guineense Galissa, o percussionista são-tomense Mick Trovoada e o guitarrista Costa Neto.
Para o próximo ano espera-se ainda, segundo o director do Instituto Goe the, a gravação em estúdio de um disco dos Lisboa-Maputo-Berlim com selo da Enja Records.
SS.






CONTACTOS
Tlm. (+351) 962616562
E-mail: info@costaneto.info
Site: http://www.costaneto.info/

Projecto Lisboa-Maputo-Berlim

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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Massukos na Europa...Novamente!

O AGRUPAMENTO musical Massukos volta este Junho ao “velho continente” para quatro concertos nas cidades de Londres, Liverpool, Glasgow e Glastonbury, na Grã-Bretanha, numa digressão que promete reeditar o sucesso alcançado pela banda em 2007. Baptizado como o melhor da história dos Massukos, o ano passado foi marcado pelo lançamento do seu segundo álbum – Bumping - é pelo despertar que trouxe para uma realidade que motiva e desafia os sonhos do grupo:

Definitivamente, para os Massukos, 2006 é um ano para esquecer. Não só devido à morte do jovem percurssionista Américo Miguel, em Abril, vítima de malária, como também devido às fortes turbulências que marcaram a vida do grupo. O líder da banda, Feliciano dos Santos (“Santos”), recorda esses momentos com uma angústria contagiante.

“Foram cerca de oito meses de problemas mas, depois qure sentamos e conversamos, tudo foi superado. São coisas que acontecem com qualquer grupo que cresce, como o nosso. Sempre acreditamos que aquele não era o fim. E não podia ser porque o nosso fim não pode ser programado por forças externas… O que me entristece é que ao invés de ajudar a resolver o problema, as pessoas metiam mais achas à fogueira…”, lamenta Santos.

Uma das missões que a nossa reportagem levava na sua recente deslocação à província do Niassa, era saber algo sobre os Massukos, banda que depois do sucesso que fez com o seu primeiro álbum, o Kuimba kwa Massuko, que vendeu mais de 80 mil cópias, praticamente desapareceu dos palcos, chegando a alimentar rumores sobre a sua dissolução.

Procuramos o líder do grupo em Lichinga, numa manhã chuvosa de quinta-feira, na sede da Organização Não Governamental ESTAMOS, ela também dirigida por si. Depois de nos comunicar sobre a ausência de Santos, a simpática jovem que nos atendeu, pediu-nos o contacto telefónico e sossegou-nos:
“ O senhor Santos regressa esta tarde de Maputo. Assim que chegar ao escritório, há-de ligar-vos”, garantiu. Fornecemos o contacto telefónico e voltamos a entregar-nos à chuva.
Bem dito, melhor feito: Cerca das 13:00 horas daquela quinta-feira, Santos ligou-nos para confirmar que às 14:30 horas estaria disponível para a conversa por solicitada.
“Agora, mais do que nunca, estamos a trabalhar. Digo mais do que nunca porque houve um tempo em que não ensaiávamos, ou pelo menos ensaiávamos muito pouco. Só fazíamos actuações. Também havia o problema dos nossos compromissos profissionais. Agora decidimos que é preciso trabalhar com afinco, para podermos responder com responsabilidade aos compromissos muito sérios que temos para 2008…”, disse.
De acordo com o líder da banda, os Massukos chegam a Londres a 19 de Junho próximo, devendo actuar no dia 21, no África Oye Festival de Liverpool, para no dia seguinte tomarem parte no África Oye Festival de Glasgow. O ponto mais alto da digressão será no dia 28, com a acutação no Glastonbury Festival, uma das maiores festas de música internacional que marca o Verão na Inglaterra. A última actuação será a 12 de Julho no Croydon Summer Festival, na cidade de Londres.

“ Também estamos a trabalhar na perspectiva de aproveitarmos a nossa presença na Europa para gravarmos um disco, o que vai depender da disponibilidade de tempo. Acontece que quatro dos oito membros da banda são estudantes, sendo por isso que a saída foi agendada para Junho / Julho, para aproveitar a época de férias escolares. Além dos quatro concertos já confirmados, vamos também participar noutros eventos em escolas e outras instituições no âmbito da nossa intervenção social…” explica Santos para quem tuda esta agenda justifica a preocupação que há de afinar o grupo ao pormenor.

“ Não podemos dormir na sombra da bananeira!”, alerta.

ACERTAMOS O 2007 EM CHEIO!
O primeiro sinal de sucesso do grupo em 2007 foi o lançamento do álbum Bumping , em Abril, com apoio da organização Não Governamental WaterAid, numa cerimónia honrada pela presença do Presidente da República, Armando Guebuza. O disco comporta onze temas, alguns dos quais recriados para corresponder.

às exigências da editora que queria que o disco tivesse sons acústicos para poder ter mercado na Europa, onde foi lançado em Julho durante a digressão do grupo pelo “velho continente”.
Descrito no site oficial do grupo (www.massukos.org ) como “um álbum sedutivo” que oferece uma combinação única de sons tradicionais moçambicanos, o Bumping foi dedicado ao percurssionista Américo Miguel falecido em Abril de 2006 vítima de malária.

“ A nossa digressão pela Inglaterra, em 2007, percebemos que, afinal, a música afinal dá dinheiro. É um negócio que pode ser rentável para quem trabalha nela com responsabilidade. É uma indústria séria! Os cachets que se pagam nalgumas realidades são estimulantes! O que se exige é trabalho para corresponder às exigêdncias do mercado… Veja, por exemplo, que só os royalities que nos pagam por passar a nossa música nas rádios europeias, superamos o dinheiro que normalmente é pago aqui no país a um artista pela edição de um disco…” explica.
Segundo ele, está na hora se as rádios, televisões e toda a comunicação social moçambicana em geral, colocar a mão na consciência e despertar para o importante papel que o seu trabalho jogar no desenvolvimento da industria musical no país.
“Repare que em 2007 estivemos três semanas na parada europeia de música internacional, o “European World Music Charts” - e na da RDP- África onde ficamos em primeiro lugar durante trêssemanas consecutivas, e ainda integramos o “Top of the World album”, mas, internamente, nem sequer entramos no Ngoma…”, disse.

Em Dezembro, após regresso ao país, os Massukos ofereceram um concerto a cerca de 50 crianças internadas no Hospital de Lichinga, evento sucedido por várias outras actividades de carácter social que incluíram um espectáculo na cadeia civil da capital provincial do Niassa.
“ Não tenho qualquer dúvida que 2007 foi um bom ano para o grupo. Foi um dos melhores anos de toda a história do grupo em termos de projecção e ganhos.Ganhos para nós e ganhos para o país. Este (2008) é um ano par e é preciso capitalizar isso”, desafia.

Feliciano dos Santos MÚSICA MOCAMBICANA:
DISCUTIR QUALIDADE E NÃO IDADES
Feliciano dos Santos tem as suas ideias em relação às discussões que marcam a actualidade no contexto da música moçambicana.

“Eu não sou muito por aquela conversa de de velha guarda e nova geração. Música não é como desporto. No desporto, a partir de determinada idade o indivíduo arruma as botas e retira-se do activo mas um músico nunca se retira. Ele continua a produzir música por mais velho que esteja. E temos muitos exemplos disso pelo mundo fora...”.

De repente, Santos chamou o exemplo do seu grupo que, segundo ele, muita gente a trata carinhosamente como “a jovem banda do Niassa”.

“Se fores a reparar, nós não somos tão jovens como isso. Acontece que fazemos música que acompanha os momentos de vida. É por isso que defendo que a discussão que se deve fazer é em termos de qualidade. Discutir quem produz melhor qualidade…”, sugere.

Segundo Santos, os Massukos têm optado por declinar alguns convites que lhessão feitos para concertos nas diversas cidades do país, embora normalmente actuem nos distritos e localidades ao nível da província do Niassa, no quadro das campanhas de sensibilização contra o HIV/SIDA, água e saneamento.

“Temos uma responsabilidade social pois estamos ligados às comunidades e é através da música que fazemos a nossa parte no esforço colectivo de educação das comunidades. O que não temos feito é sair da província porque os convites que nos chegam não têm sido claros e nós exigimos um tratamento digno à altura da dimensão do grupo. Mesmo nas digressões para o estrangeiro se as coisas não se apresentam claras não vamos”, explica.

Segundo defende, quando o tratamento é responsável a actuação do grupo também é responsável, razão por que, na sua óptica, enquanto as coisas continuarem mal como estão, o melhor para os Massukos será ficar no seu canto, e trabalhar para mercados que satisfaçam o seu ethos.

“Já vimos asneiras que bastam!”, remata.

Actualmente, segundo a nossa fonte, os interesses do grupo são representados por uma empresa sediada em Londres, cabendo a ela fazer todos os contactos relacionados com a participação da banda em concertos ou outras realizações.

“ Precisamos ser valorizados. Veja, por exemplo, em 2007 quisemos trabalhar com uma editora em Maputo para a edição do nosso disco. Disseram-nos que só nos podiam pagar 50 mil Meticais. Dissemos claramente que não porque só para gravarmos o álbum foram gastos por aí sete mil Libras. Não aceitamos. E essa é uma das razões por que o Bumping só é vendido aqui no Niassa, e directamente por nós…”, disse.

TUDO PARA CONQUISTAR PRÓXIMO VERÃO EUROPEU
O compartimento onde os Massukos realizam os seus ensaios é, na verdade, cada vez mais pequeno para a dimensão do trabalho que o grupo precisa fazer para corresponder às exigências do exigente mercado europeu com o qual se comprometeram.

A convite do seu timoneiro a banda abriu as portas à nossa reportagem para assistir ao ensaio que naquela quinta-feira acabou começando um pouco mais tarde devido à chuva que não facilitou a deslocação dos “artistas”.

Na sala, sete almas: Seis homens e uma mulher, a Tânia, que com a Mercy faz a dupla de coristas recentemente integradas no grupo. O exercício anda a volta da busca dos sons que melhor se ajustem ao desígnio colectivo de “electrizar” os fãs.

Entre as velhas e as novas criações do grupo, discute-se, em ambiente de respeito pela ideia do outro, o que melhor serve para oferecer ao público na digressão do próximo verão europeu.

De repente, a nossa reportagem sente-se envolvida no ambiente, que é de festa, porque a música começava a ser destilado a sério, como se do espectáculo ao vivo se tratasse.

“ Gostaríamos de oferecer um espectáculo em Maputo, antes de partirmos para Londres, mas só com músicas novas. A menos que a plateia nos peça um ou outro tema antigo…” e lá ficou um desejo que nos soou à promessa.

SÃO E SALVOS NO PAÍS REAL…

A música do conjunto Massukos preserva o essencial dos ritmos tradicionais da província do Niassa. A primeira apresentação pública do grupo deu-se em 1994, coincidindo com o início do processo de paz em Moçambique, depois de cerca de 16 anos de guerra civil.
Além da língua portuguesa, os Massukos interpretam as suas músicas nas três línguas mais faladas na região norte do país, nomeadamente o Yao, Nyanga e Makua.

A sua reputacão cresceu rapidamente e a sua música cedo granjeou simpatia de audiências internacionais. Em 1998 realizaram a sua primeira digressão para o exterior, para participar na Expo 98, em Lisboa, Portugal, tendo gravado o seu primeiro disco, o Kuimba Ka Massuko, em 2001, álbum que alcançou um espectacular volume de vendas ao nível interno, tendo sido eleito melhor álbum de 2002 e ganho um disco de Ouro em 2003.

A partir daí seguiu-se uma era de sucesso e várias digressões internacionais, na Europa, América e Ásia, destacando-se, de entreasprimeiras, a participação do grupo, em 2004 no Japão, no terceiro fórum mundial da água.
O lider da banda teve ainda a oportunidade de trocar impressões sobre a vida em Moçambique, com figuras como o antigo Ministro britânico das Finanças e actual Primeiro Ministro, Gordon Brown e a estrela pop Bob Geldof . Também apresentou uma petição ao então Primeiro Ministro britânico, Tony Blair, em nome da ONG WaterAid, solicitando o reforço dos objectivos de desenvolvimento do milénio na área de água e saneamento.



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sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Djaakas

Os 10 músicos que compõem a banda «Djaaka» viajaram para Inglaterra com o pretexto de gravar um disco. Foram impedidos de entrar naquele país europeu e devolvidos à procedência. A ocorrência deu-se no Aeroporto Internacional de Londres, na quarta feita dia 28 de Junho, alegadamente por irregularidades com os respectivos vistos de entrada, apurou o «Canal de Moçambique» junto de um elemento do respectivo grupo que solicitou anonimato.

“Estávamos preparar a gravação do disco há cerca de seis meses na cidade da Beira porque sabíamos que a partir do dia 23 de Junho o nosso agrupamento tinha que estar na Inglaterra para gravar o disco”, disse a fonte do «Djaaka». “Não foi possível embarcar nessa altura para gravar o disco.” “Ainda tínhamos que dar outros shows em Maputo”.

As despesas de gravação do disco assim como as passagens aéreas para os 10 elementos do grupo no percurso Beira/Maputo/ Maputo/Joanesburgo/Londres e alguma parte do cachê estavam pagas por um patrocinador.

“Fomos pagos as despesas aéreas e uma parte do cachê de bolso”.
“Perdemos esta oportunidade que caiu do céu. Agora não sabemos quando é que teremos o nosso disco gravado”.

Entretanto o responsável do Agrupamento Djaaka, Dioniso de Almeida, em conversa com o «Canal» disse que estava a enfrentar sérios problemas com a questão de vistos para viajar para Londres, “Está a ser difícil viajarmos para Inglaterra. Fomos rejeitados por duas vezes e neste momento estamos num impasse para termos a nossa viagem concretizada”.

De Almeida disse ainda que já tinha estado por duas vezes na vizinha África de Sul para resolver a questão dos vistos sem alcançar sucesso. Segundo ele o grupo já pensa fazer a gravação na Itália e não na Inglaterra.

Djaaka nao so impressionarao a audiencia Mocambicana com os seus shows ao vivo, mas tambem a audiencia da Europa, Africa do Sul, Mauricias etc. Djaaka e uma verdadeira banda ao vivo, Musicos competentes e bailarinos excepcionais todos vestidos num trage real africano, de "muito pouco pano".


O grupo foi fundado na Beira por bailarinos de danca tradicional da ”Companhia de música e dança tradicional da Beira”. De imediato, eles venceram o festival “Music cross roads” e foram convidados a participarem no festival regional no mesmo ano. Elas conquistaram varios premios, um dos quais foi visitar o museu etico de musica na Suecia “Fallun”. A musica deles reflecte a tradicao da zona centro de Mocambique e a marimba da regiao chamada "Timbila" que e distinguivel nas suas musicas. As letras das suas cantigas contam historis e situacaoes de pobreza, desastres sociais e a agravante Sida em Africa. No geral, a musica deles tem uma atmosfera polyrithmica, trazendo um sentimento que se identifica muitas das musicas africanas. Djaaka tocam musicas contemporaria com um forte acento tradicional. Djaaka cantam no dialeto local chamado Massena, mas incorporam tambem outros dialetos como Bemba e Njanja da Zambia. Djaaka foram tambem convidados para tomar parte nos Festivais das Ilhas Reuniao, Mauricias, Africa do sul, Zimbabwe, Italia e Reino Unido. Eles venceram o premio supremo do TOP-Ngoma Mocambique tres vezes.

http://www.youtube.com/watch?v=sqSCCwrl9D8






In Canal de Mocambique (Conceição Vitorino) 2006-07-02 22:28:00

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