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segunda-feira, 20 de julho de 2009

Timbila imortalizada em cinema



A TIMBILA, o xilofone mais representativo da música e dança tradicional chope, considerada em 2006 Património Imaterial da Humanidade, volta a interessar o mundo, em particular o lusófono. O facto é que aquele instrumento musical vai ser documentado em cinema no âmbito do primeiro concurso internacional DOCTV CPLP - Programa de Fomento à Produção e Teledifusão do Documentário da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Aldino Languana é o nome do jovem cineasta moçambicano escolhido para realizar o filme.
Aldino Languana, conhecido nas lides culturais como artista plástico, concorreu com o projecto “Timbila, Marrimba Chope”que lhe valeu um prémio de 50 mil euros para a produção do filme, um documentário que, de acordo com as suas palavras, vai retratar a timbila desde o processo de construção à execução, incluindo os rituais à sua volta, até à sua nomeação a património imaterial da humanidade.


Languana diz que o documentário vai procurar responder os mitos e ditos populares relacionados com o “Mwenje”, arvore onde se extrai a madeira usada no fabrico da timbila.
“Quero com este projecto mostrar a originalidade da timbila, quer em termos de sua produção, como na sua execução. Como a timbila era tocada há 400 anos”, explicou Languana afirmando que o documentário terá uma componente antropológica muito forte.

Disse que a sua preocupação reside na constatação de que a timbila está a perder a sua originalidade. “(…) uma das coisas é que está a ter uma afinação ocidental e eu quero preservar a original”.
Com efeito, desde que foi anunciado a sua selecção, dentre oito moçambicanos que submeteram projectos no concurso, Aldino Languana está envolvido na recolha de toda a informação que eventualmente possa enriquecer o documentário.

Para já pensa numa deslocação ao distrito Zavala, terra originária da timbila, para aprofundar a sua pesquisa, assim como para estudar no terreno todos os cenários que possam ajuda-lo na definição de um orçamento de produção aproximado à realidade.
Revelou que tem intenção de iniciar a produção do documentário em Outubro próximo, prevendo a conclusão em finais de Janeiro de 2010.

MOSTRAR A REALIDADE
O Programa DOCTV CPLP – Programa de Fomento à Produção e Teledifusão do Documentário da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa é uma iniciativa desenhada a nível da CPLP com objectivo de estimular o intercâmbio cultural e económico entre os povos da comunidade, através da implementação de políticas públicas integradas de fomento à produção e difusão televisiva de documentários realizados por cada um dos países membros.

Espera-se com o programa contribuir para a difusão da produção cultural e audiovisual dos países membros da CPLP no mercado mundial, e, em última instância, do património que constitui a língua portuguesa.
Com efeito, foi lançado em Abril passado, um concurso internacional, através do qual, e de forma simultânea, foram há dias seleccionados por Comissões Nacionais de Selecção nove projectos de documentários, um por cada país.

Este primeiro programa DOCTV CPLP prevê várias etapas, nomeadamente o lançamento do concurso, selecção e contratação de candidatos, produção, distribuição e difusão, tendo sido estabelecido um prazo de 18 meses depois do anuncio dos candidatos seleccionados para o patrocínio de 50 mil euros para cada produção.
As emissoras públicas de televisão de cada um dos países membros da CPLP promoverão a difusão televisiva da série de documentários resultante deste Programa - Série DOCTV CPLP, a partir de Junho de 2010.

Os promotores da iniciativa consideram que o programa de produção de documentários que irá mostrar “uma visão contemporânea” dos países-membros.
O programa é também visto como um contributo para a qualificação, formação e partilha de conhecimentos entre as televisões dos estados-membros, e também dos realizadores e produtores independentes.

Aprovado na reunião extraordinária dos Ministros da Educação e da Cultura da CPLP que decorreu em Lisboa, em Novembro do ano passado, o primeiro Programa DOCTV CPLP têm um orçamento de um milhão de euros, envolvendo apoio à produção, formação e a realização de um concurso internacional para a criação de documentários.

APRESENTADOS 129 PROJECTOS
Foram inscritos no DOCTV CPLP - Programa de Fomento à Produção e Teledifusão do Documentário da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa 129 projectos, dos quais apenas nove foram escolhidos para serem produzidos nove filmes nos nove países integrantes do programa.

Segundo a organização, foram inscritos 71 projectos no Brasil, oito em Cabo Verde, seis em Guiné-bissau, oito em Moçambique, 23 em Portugal, oito em Macau, quatro em São Tomé e Príncipe, e um em Timor-Leste.
Os realizadores e produtores seleccionados participarão de uma formação em Maputo, entre 4 a 10 de Setembro próximo, na qual serão capacitados em matérias como “Desenvolvimento de Projectos” e “Desenho Criativo de Produção”.

PRIMEIROS VENCEDORES
Alguns dos países, com excepção de Angola já anunciaram os vencedores:
Brasil - "Além Mar - Da Prisão ao Mundo", de Matias Mariani - Primo Filmes;
Cabo Verde - "Egénio Tavares - O Coração do Poeta", de Júlio Silvão Tavares - Silvão, Produção de Filmes;

Guiné-Bissau - "O Rio Cachéu", de Domingos Sanca - Telecine Bissau, Lda;
Moçambique – “Timbila, Marrimba Chope”, de Aldino Languana;
Portugal - "Boba Li Qui Terra", de Filipa Jardim Reis - Pedro e Branco;
Macau - "O Restaurante", de Fernando Eloy Nuno C. Bastos - Option Design and Communication;
Timor-Leste - "Uma Lulik", de Victor de Sousa Pereira - João Ferro.

João Fumo


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segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Video Mestre Venancio Mbande

O mestre Venancio Mbande, vive com sua familia na provincia de Inhambane, Mocambique.

A Timbila foi elevada a patrimonio cultural da humanidade.

Neste video, O seu filho Domingos de 7 anos de idade conduz uma orquestrade timbilas (Xylophone)

Veja mais nos sites HIMLBLOZEN e aFRAGILECULTURES.

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segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Timbila, a força de Inhambane


VENÂNCIO Mbande, homem cuja vida e obra se confundem com a timbila, variedade cultural que já levou Inhambane o país a altos voos, é incontornável no fábrico e organização de uma orquestra. Deste “montro” do ritmo já reconhecido mundialmente, nada a falar. Mbande é também mestre – e igualmente referência - no fabrico da própria timbila, o instrumento que dá nome ao célebre ritmo chope.

Por estes dias, que se fala da representatividade das províncias na fase final do V Festival Nacional de Cultura, que terá lugar em Julho em Xai-Xai, o grupo de Venâncio Mbande não é, todavia, o eleito de Inhambane. Haverá timbila, sim, mas do rival de Mbande, o Timbila de Muane.

É um grupo composto na maioria por jovens que já deram cartas de verdadeiros continuadores da dança. Executam a timbila e fundem o ritmo com o xingomane; não foi necessário muito trabalho para classificar e declarar vencedores da fase provincial do festival em Inhambane. A competição de apuramento teve lugar recentemente na Escola Secundária de Muele-Muele, naquela província, onde um júri avaliou centenas de artistas provenientes de todos os 14 distritos da chamada terra de boa gente.

Se timbila já não constitui novidade no país e no mundo, o mesmo não se pode dizer do xigubo, estilo de dança típico predominantemente das províncias de Maputo e Gaza e preferida também no centro e norte de Inhambane. Aliás, em tempos idos Funhalouro, com Xigubo de Tomé, viajou para a Europa em representação do país num evento cultural onde os seus integrantes foram conhecidos como os guerreiros de Inhambane. A dança nunca parou e arrasta multidões, ao ponto de ser adoptada para ritos tradicionais ou mesmo em visitas oficiais àquele distrito.

Para o Festival de Xai-Xai, em Julho, Inhambane leva também consigo, para a dança, os Guerreiros de Tambajane, jovens que pertenceram à Renamo nos seus tempos de movimento guerrilheiro. Tambajane é o lugar de onde provém este grupo e em tempos foi um acampamento de Matsangaíça.

Itae Meque, governador de Inhambane, na sua governação aberta, escalou aquela região e pernoitou na antiga base e descobriu o grupo potencialmente bom na dança. Na festival provincial o grupo conquistou a terceira posição, suficiente para merecer a confiança do júri na selecção dos melhores para representar Inhambane em Xai-Xai.

A fase provincial do V Festival Nacional de Cultura em Inhambane, vivido com grande emoção dentro e fora dos palcos. A participação do grupo de Tambajane encheu de expectativa todos quanto se dignaram testemunhar os espectáculos. No seio dos artistas, esta participação também gerou alguma curiosidade, pois os dançarinos dos outros grupos, ávidos em conhecer as capacidades dos “rivais” de Tambajane, dividiam o seu tempo entre essa curiosidade e as suas próprias actuações.

Fonte : Jornal Notícias

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segunda-feira, 9 de junho de 2008

Zavala palco de celebração da timbila


REALIZA-SE nos dias 14 e 15 de Junho próximo, na vila de Quissico, distrito de Zavala, na província de Inhambane, um festival de celebração da timbila, um programa que tem em vista promover e divulgar esta expressão artístico-cultural que foi elevada à categoria de Património Cultural da Humanidade. Organizada pelo Governo, através do Ministério da Educação e Cultura (MEC), no quadro das responsabilidades do Estado, a celebração do evento visa ainda vincar a importância da sua protecção, preservação e valorização da timbila como um bem cultural nacional e da Humanidade.

Com efeito, o primeiro dia do programa da celebração será dedicado à realização de um seminário, no qual serão debatidas as acções práticas da preservação da timbila, bem como a prática do turismo cultural e os mecanismos de valorização daquele património cultural. Nesta acção serão envolvidos os praticantes, operadores turísticos, investigadores e etnomusicólogos, que irão traçar as linhas-mestras sobre o melhor aproveitamento e definir estratégias de dar a conhecer e utilização, de forma sustentável, da timbila.



O segundo dia do evento está reservado ao festival propriamente dito, que vai ter como base o intercâmbio entre os grupos praticantes desta expressão. Estarão ainda presentes orquestras constituídas por jovens e crianças, bem como aquelas formadas por gente há muito experimentada na área.
Um comunicado do Ministério da Educação e Cultura ontem recebido na nossa Redacção refere que no evento estarão presentes dirigentes do país, a população no geral, personalidades nacionais e estrangeiras, entre outros.

“Através de instituições vocacionais, igualmente o Ministério da Educação e Cultura tem vindo a realizar acções de salvaguarda do nyau e da timbila, lançando ao consumo do público brochuras, livros e ainda continuação de estudos e debates envolvendo intelectuais e os próprios praticantes das expressões”, diz o comunicado do MEC.
Diz ainda o documento que temos vindo a citar, que relacionado com a expressão timbila, em parceria com algumas instituições nacionais e estrangeiras, o Ministério da Educação e Cultura tem vindo a implementar um plano de acções para a preservação, disseminação e protecção do mwenje, a árvore da qual se produz a madeira utilizada na fabricação dos instrumentos usados pelas orquestras.

Sob proposta do Governo de Moçambique, a timbila foi proclamada Obra Prima do Património Oral e Imaterial da Humanidade a 25 de Novembro de 2005 pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

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