segunda-feira, 10 de maio de 2010

Conjunto 1º de Maio, Trinta anos de uma banda com história de hoje

Há 30 anos atrás, um grupo de jovens integrando trabalhadores e estudantes, amantes da cultura, e, principalmente, da música, resolveu se juntar e fundar um grupo musical. A ideia foi amadurecida, e no dia 1º de Maio de 1980, na Cidade Zambeziana de Quelimane, foi fundado o conjunto musical que foi baptizado pelo nome de 1º de Maio, em homenagem aos trabalhadores de todo o mundo, que, a cada 1º de Maio, comemoram o dia de luta por melhores condições de trabalho, melhores salários, segurança social, entre outras.

Este grupo, cedo revelou-se como uma sensação nacional, pela qualidade da música que tocava e o conteúdo das suas mensagens. E os espectáculos que realizava em cada canto deste país, cativava o público, que sentia as suas aspirações, sonhos e ambições reflectidos nas letras das suas músicas.

Dois anos após a sua fundação o conjunto 1º de Maio gravou o seu único disco de venil Long Play (LP), intitulado VERDES CAMPOS. Foi sucesso absoluto a nível nacional, tendo esgotado no mercado em menos de 30 dias.

Armindo Salato, ou simplesmente Mindo Salato, um dos membros fundadores da banda, disse que foram 10 mil cópias editadas que “desapareceram” das bancas em pouco tempo.

Mindo Salato, recorda com alguma nostalgia a simpatia que a banda granjeou do público, diga-se em abono da verdade, não somente nacional, mas também dos outros quadrantes do mundo.

Diz não saber como, mas a verdade uma das músicas do álbum, uma instrumental intitulada Jaqueline, em homenagem à sua filha, foi durante longos anos usada como indicativo de alguns programas radiofónicos internacionais, nomeadamente na BBC, Voz da América e Rádio França Internacional.

“Não ganhamos dinheiro com isso, nomeadamente no que se refere ao royalties porque todos os direitos estavam reservados a editora que é a Rádio Moçambique. Nós assinamos apenas um contrato com a Rádio válido por 7 anos, portanto, como as músicas foram parar nas outras estações radiofónicas é um assunto da inteira responsabilidades da Rádio Moçambique”, disse Mindo Salato que ainda sonha com a reedição do album Verdes Campos.

Aliás, há um projecto de reagrupar os elementos que constituiam a banda para regravar o disco, introduzindo algumas roupagem em certos números, assim como para gravar novas músicas do vasto repertório produzido ao longos dos anos de vida do “1º de Maio”.

O agrupamento 1º de Maio que fez furor nos bailes e outros eventos recreativos, não só em Quelimane, como também na Beira e Nampula, cantando as histórias do seu povo e encantando o seu público, desintegrou no ano de 1992, em face da conjectura económica e social da época, quase que todos integrantes tinham garantir a sua sobrevivência e dos seus fora da música, ou seja, tinham que se empregar em outras areas económicas. Era preciso garantir o sustento.

Entretato, e em reconhecimento da contribuição que este conjunto deu, na arena cultural de Moçambique, um grupo de fãs decidiu organizar-se, para recordar os 30 anos da fundação do conjunto 1º de Maio, tido como um dos patrimónios culturais do país, uma homenagem.

Segundo os organizadores, a homenagem será feita em duas ocasiões, uma, sob forma de convívio musical, a outra, sob forma de espectáculo musical. O primeiro evento (o convívio musical) terá lugar na cidade de Maputo, no Centro Social do Desportivo, localizado na baixa da cidade, a partir das 19:00horas do dia 1 de Maio próximo, até o amanhecer do dia 2 de Maio.

O segundo evento está marcado para ter lugar em Agosto próximo, na cidade de Maputo. Este será sob forma de espectáculo musical, com a participação dos ex-integrantes do Conjunto 1º de Maio.

VERDES CAMPOS: CANÇÃO EMBLEMÁTICA

Verdes campos
Verdes campos
E muita terra por cultivar
Muita terra dizemos nós
Muita gente por educar
Longas estradas por acabar
E muito homens para formar
Tudo isso depende de nós
Nada se faz sem sacrificio
Pois primeiro realizar
E no futuro os benefícios
Mas antes disso há um segredo
É preciso planificar
É preciso auscultar
Aquele que vai realizar
Porque afinal é o próprio povo
Quem vai realizar é o próprio povo
E aí se encontra o segredo do povo


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