segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Se me fecham a porta entro pela janela ... Diz MC Roger

MC Roger fala do seu “MC Roger Showbiz Produções

O cantor e compositor MC Roger acaba de lançar a sua mais recente produtora “MC Roger Showbiz”, uma empresa que irá se dedicar à produção de programas televisivos. Trata-se de um projecto que vem se juntar a “MC Roger Initiative”, uma iniciativa de responsabilidade social e sem fins lucrativos que se dedica à advocacia sobre os direitos da criança. Em entrevista ao SAVANA, a propósito do seu mais recente projecto, cuja cerimónia de lançamento contou com a presença do ministro do Turismo, Fernando Sumbana, o cantor descreveu o seu espírito empreendedor como sendo de um artista que encara a arte como sendo um negócio, mas sempre norteado pelo espírito de auto-estima e pelo orgulho de ser moçambicano.

Há muito tempo que deixou de fazer parte do grupo dos artistas que fazem a arte pela arte, pois tende a fazer a arte pelo negócio. Você matou a arte pelo negócio?Eu sempre considerei o meu trabalho artístico como algo que faz parte do mundo do negócio e essa é uma questão que muitas pessoas, incluindo vários artistas e individualidades afins, não conseguem perceber com muita facilidade. Não matei a arte pelo negócio, muito pelo contrário. É a minha visão de que a arte é um negócio que faz sobreviver a própria arte que desenvolvo, pois se não fosse por essa via eu já não existiria como artista. Na indústria musical é preciso fazer a contagem dos discos produzidos do mesmo jeito que se faz a contabilização de outros produtos comerciais e saber qual é o lucro que advém disso. As editoras têm uma visão contabilística dos investimentos que fazem com vista à produção dos discos do artista assim como de elementos de outra natureza com vista à sua promoção, como o caso dos vídeos. Tudo isso é que faz o negócio e não deve ser ignorado pelos artistas que pretendem alcançar o sucesso. A minha recente deslocação ao Brasil, por exemplo, resultou de um alto investimento que deve ser recuperado, ora através de contratos em que forneço a minha imagem a determinadas empresas, assim como das vendas dos meus discos. Durante a minha vida inteira investi na minha carreira, é natural que daí tenha que vir
algum retorno.


Em que medida essa sua visão começa a influenciar o modo de pensar no panorama artístico moçambicano? Este é um modo de pensar que irá nos levar para a frente. Em geral, penso que os artistas começam a reagir nesse sentido. Mas posso garantir isto através de um exemplo muito simples. Mesmo os artistas que acham que fazem a arte não propriamente como um negócio, eles acabam se envolvendo com a perspectiva da arte como negócio porque eles têm gastos para produzirem e editarem as suas músicas, eles têm que pagar a energia, o estúdio e outras questões afins.

Mesmo os escritores, ganham dinheiro através dos seus best sellers e melhoram as suas vidas com isso. Não é o facto de eu olhar para a arte como um negócio que fará de mim um artista menor que os outros. Principalmente agora que tenho a minha filha como fonte de inspiração, não gostaria que ela passasse pelas mesmas dificuldades que eu passei para chegar a este estágio. Isto não quer dizer que eu tenha uma vida facilitada, pois quem olha para mim poderá pensar que para mim todas as portas se abrem. Muito pelo contrário, há portas que eu bato e me fecham na cara. Até porque, se queres mesmo saber, a minha teoria é de que se me fecham a porta, eu entro pela janela e se me fecham a janela, eu entro pelo tecto.
O meu objectivo é chegar lá, orgulhoso de ser moçambicano e com orgulho nacional. Temos que tomar de assalto o mercado estrangeiro e para isso precisamos de investir cada vez mais no marketing artístico. Veja só que sou o único africano que conseguiu fazer parte dos programas “Hoje em Dia” e “Eliana”, da Rede Record, no Brasil. O Guilherme Silva vive no Brasil e nunca foi ao “Hoje em Dia” ou ao programa da Eliana, pois não é fácil. Não tenho conseguido alcançar esses feitos sentado em casa à espera que o telefone toque. Não existe isso no meio artístico. O artista tem que ir atrás, ser persistente, ter a capacidade de sonhar e nunca desistir.

É esse, certamente, o espírito que irá impor na equipa com a qual irá trabahar na “MC Roger Showbiz”, a empresa que acaba de criar? É evidente que é esse espírito que irei transmitir aos meus colaboradores. Primeiro é o orgulho de ser moçambicano. Depois é o espírito de auto-estima, porque isso não é um discurso vazio do Presidente da República.
A pessoa deve gostar de si mesmo e de defender as suas ideias. As pessoas que irão transpirar comigo nesta iniciativa terão que estar em condições de trabalhar sob pressão. Aliás, é por isso que eu nunca aceitei ser agenciado por alguém, pois para que alguém me possa agenciar no mínimo tem que ser mais forte que eu e trabalhar mais que eu. Noto que tenho trabalhado mais que os agentes, daí que sempre preferi trabalhar sozinho. Espero que possamos conquistar o nosso espaço.

Esta nova iniciativa, a “MC Roger Showbiz”, veio juntar-se a uma outra anterior, neste caso a “MC Roger Initiative”. Por sinal, ambas funcionam no mesmo escritório. Onde é que termina um e começa o outro projecto? Pode-nos dizer em que medida um influencia o outro?É preciso que as pessoas entendam que se trata de duas iniciativas completamente diferentes. Sempre abracei a causa social e continuarei a abraçar, por isso criei, motivado por esse espírito, a “MC Roger Initiative”. Neste projecto tenho o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) como o meu principal parceiro, o que acho que para mim foi uma benção de Deus.
Trata-se de um projecto que visa essencialmente fazer a advocacia sobre os direitos fundamentais da criança, através dos meios de comunicação social, pois é importante que as pessoas ganhem a consciência de que já se sanciona quem viola os direitos da criança. Já o projecto “MC Roger Showbiz” é mais comercial, como a própria palavra diz “showbiz”. A nossa intenção é vender programas televisivos, realizar iniciativas de entretenimento assim como fazer o agenciamento de artistas. A ideia é inovar cada vez mais com vista a conquistar o mercado nacional e internacional.

No lançamento da empresa, semana passada, ficámos a saber que há algumas televisões, nacionais e estrangeiras, que já estão interessadas em trabalhar com o vosso projecto. Já é possível revelar os nomes dessas televisões ao público? Não, honestamente. Posso apenas dizer que há televisões de países falantes de língua portuguesa que estão interessadas nos produtos que temos para oferecer. Temos alguns programas-piloto e vai ser uma lufada de ar fresco ver caras novas na televisão. Mas eu próprio também irei apresentar alguns programas, porque para mim isso já é uma paixão antiga, mas também com vista a transmitir a minha experiência aos mais novos. Estou na televisão e no mundo do entretenimento há sensivelmente 18 anos. Minha cara é conhecida em vários países, daí que acho que é necessário continuar a fazer o meu trabalho de apresentador.

In Jornal Savana, Escrito por Armando Nenane

1 comentário:

António Manuel disse...

Caro:

Celso Amade:

Tenho Moçambique no Coração.

Terra onde nasci hà 46 anos, sempre que descubro algo de là è uma grande satesfação.

Lhe agradeço a divulgação que você faz, pela Musica desta linda e Maravilhosa Terra Moçambicana...

Kanimambo

Os Mèus Melhores Comprimèntos


Antònio Manuel