segunda-feira, 8 de junho de 2009

Grupo TPM : 33 anos encantando com Makawayela

O célebre Grupo de Makwayela dos TPM (Transportes Públicos de Maputo) celebrou esta segunda-feira, 25 de Maio corrente, 33 anos de existência. Este marco na história do grupo, em particular, e da Makwayela, em geral, será celebrado pela edição do primeiro disco do agrupamento com o título “Lhuvuka África” (Desenvolva África) e com a realização de um espectáculo de homenagem ao seu fundador e maestro Gil Mabjeca, falecido a 17 de Janeiro de 2003.
Fundado em 1976, o grupo de Makwayela dos TPM foi e é um dos mais eufórico e representativo praticante daquela disciplina cultural, com espaço reservado nas cerimónias de recepção de Chefes de Estados, sessões de gala, entre outros eventos especiais.

Cedo o grupo se transformou em autêntica enciclopédia de dança Makawayela e de exaltação da moçambicanidade, palmilhando em resultado da sua autenticidade e brio profissional alguns países como Angola, onde em 1981 tiveram o privilegio de abrilhantar o primeiro Congresso extraordinário do Movimento Popular para Libertação da Angola (MPLA).
Nos seus tempos áureos, o grupo percorreu países como a União Soviética, Holanda, Noruega, India, República Democrática Alemã (RDA), Finlândia, Suécia, Dinamarca, Bélgica, Quénia, entre outros da região da África Austral.

FATÍDICO JANEIRO DE 1984
A 20 de Janeiro de 1984, o agrupamento sofreu um rude golpe ao perder cinco dos doze membros do colectivo assassinados, enquanto dois ficavam inválidos para o resto da vida, ao caírem numa emboscada protagonizada pelos então chamados “matsangas” (bandidos armados), na localidade de Cumbane, distrito de Jangamo, província de Inhambane.

Em homenagem aos colegas barbaramente assassinados em Cumbane, o grupo de Makawayela dos TPM passou em 2003 a designar-se “Nwandle Phati”.
A designação “Nwandle Phati” resume a história do grupo na medida em que tem o significado de duas linhas lindas lagoas existentes no distrito da Manhiça. É exactamente na zona onde estas lagoas existem que nasceu o maestro Gil Mabjeca e a maior parte dos membros do grupo assassinados a 20 de Janeiro de 1984, em Cumbane.

LHUVUKA ÁFRICA
“Lhuvuka África” é título do primeiro álbum de canção e dança Makwayela a ser editado pelo agrupamento dos TPM para celebrar os 33 anos de sua existência, assinalados segunda-feira última. O disco será composto por seis temas, todos êxitos do passado.

Actualmente o grupo está a busca de parcerias para reproduzir o disco, tendo feito já contactos com algumas editoras da praça, entre as quais a Vidisco.
Ainda no âmbito das comemorações do trigésimo terceiro aniversário, o grupo de makwayela dos TPM vai realizar brevemente um espectáculo de homenagem ao seu fundador, o maestro Gil Mabjeca.

GIL MABJECA
No vasto leque de actividades programadas para a celebração dos 33 anos de existência, os membros do grupo de Makwayela dos TPM decidiram homenagear o seu líder, Gil Mabjeca, falecido em Janeiro de 2003.
Gil Mabjeca nasceu no posto administrativo de Calanga, distrito da Manhiça, aos 11 de Fevereiro de 1945.

A Makwayela foi a sua brincadeira de infância, pelo que muito antes de ingressar no ensino primário na escola missionária São Luís Gonzaga, de Lagoa Pate, na Manhiça, entreve-se a digerir passos da dança makawayela do grupo Zulu, os “Five Roses”.

Nos meados dos anos 50 fundou e dirigiu o grupo na escola primária, tendo, posteriormente, sido convidado a ingressar no grupo de makawayela dos nativos de Marracuene, denominado “Homem Singer”. Mais tarde passou para o grupo “Sitossi”, de naturais da Manhiça.

Com 23 anos de idade rumou para as minas da África do Sul, onde entre o trabalho nas minas dançou makawayela no grupo zulu, “Morning Stars”, passando posteriormente para os “Still Fountein”.

Regressa definitivamente ao país, e funda, em 1976, o grupo de Makawayela da empresa dos Transportes Públicos Urbanos (TPU),actualmente TPM.

ORIGEM DA MAKWAYELA
A Makwayela é uma dança tradicional profundamente enraizada na região sul do país, em consequência da aproximação com a vizinha África do Sul, país apontada como a “progenitora” daquela disciplina artística.

Sobre a origem da dança existem vários estudos, sendo na sua maioria coincidentes que a Makwayela nasceu na África do Sul, mais concretamente nas minas.
Diz que a dança teria sido criada por emigrantes nos finais de 1860 para “matarem” saudades das suas terras de origem, para esquecerem o sofrimento causado pelas longas jornadas nas minas da terra do Rand.

A Makwayela, que é actualmente dançada em quase todas as províncias do nosso país, tornou-se muito famosa e praticada logo após a libertação do jugo colonial.
A Makwayela encontra-se espalhada pelos países onde há tradição de trabalho nas minas, nomeadamente Malawi, Lesotho e Suazilândia.

Sobre a origem do nome existem pelo menos duas versões: a primeira diz que a Makwayela resultou da corruptela da palavra inglesa choir (coro) cuja pronúncia é mais ou menos “Kway”. A outra diz que nasceu da “makwaya” quando se introduziu o coro e para distinguir as duas danças, optou-se por fazer um acréscimo, resultando daí a palavra Makwayela.

João Fumo - notícias

2 comentários:

Anónimo disse...

Procurava informações sobre a makwayela e não conseguia encontrar em site algum, agradeço quem escreveu este blog pois me ajudará muito, não só a mim como a outras pessoas. É de louvar atitudes como esta pois temos poucos sites a falarem sobre a cultura moçambicana.

Hermenegildo Lourenco Sitoe disse...

Brilhante. Finalmente fiquei informado a cera da origem do nosso património cultural. Agradecia se escrevessem mais a cerca das nossas danças (nossa cultura) que é para o mundo ocidental ver que também temos cultura muito rica. E também motivar a juventude a praticar, desenvolver, transformar, criar, produzir estilos típicos a partir da cultura nossa.