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quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Show-man regressa com “Tima thora”


Um acidente de viação que quase o trucidou um dos pés esteve na origem da longa ausência de Salimo Muhamed dos palcos

Está de volta o show-man de voz rouca, após vários meses de total hibernação musical. Um acidente de viação que quase o trucidou um dos pés esteve na origem da longa ausência de Salimo Muhamed dos palcos...
Depois da sua última aparição pública na capital, com o espectáculo intitulado “Kakata” (avarento), o conceituado músico Salimo Muhamed vai abrir o ano artístico com um concerto denominado “Tima thora” (mata sede), show que se espera que venha a ser um grande sucesso. Será mais um momento para os fãs vibrarem face à sua presença contagiante no palco, cantando, dançando e encantando.

Aliás, o “Sambrowero” tem arrastado muito público aos seus espectáculos, não apenas pelo conteúdo das suas músicas, mas também pela forma original como prepara e apresenta as suas actuações, deixando os espectadores sempre com vontade de querer ver mais. “Tima thora”, que marca o regresso do autor de “Mamana Maria” após o acidente que sofreu no segundo semestre do findo ano, está agendado para Abril próximo, no Centro Cultural Franco-Moçambicano em Maputo. Mais do que isso, o espectáculo em forja vem provar, uma vez mais, que Salimo não verga quando se trata de apelidar os seus shows. Basta recuar no tempo e abrir o cacifo das designações em changana, sua língua materna, e relembrar “Madala wa djeque”, “Maghurutchendje”, “Xingove xi Dibi Mutchovelo”, “Djiplokotso yeve”, entre outros nomes. Contudo, o produtor do “Tima thora”, o artista Kheto Luali, que coincide ser o dinamizador da Associação Cultural Mozolua, explicou que o show “será um clássico africano, condimentado pela fusão de instrumentos modernos e clássicos. Neste concerto, Salimo Muhamed chama a todos para brindarem e matar a sede, após o seu desaparecimento dos palcos”, apontou.

Na verdade, enquanto repousava a sua incofundível voz, devido a enfermidade, Salimo Muhamed vinha-se dedicando às artes plásticas, no seu pequeno atelier, montado em Txumene, no município da Matola, onde se encontra a residir. Presentemente, o artista está a preparar o novo CD, com o título “Txova Nholo” que, em português, significa carrinho de carga, mais conhecido por “txova xi ta duma”. Para o artista, “Txova Nholo” significa o esforço que todos nós fazemos no dia-a-dia para garantir o nosso “ganha-pão”, ou seja, estamos sempre a empurrar um carrinho de mão, muito carregado e que precisa de muita força para ser empurrado.

Salimo assediado

Artista multifacetado e considerado polémico por certos sectores da sociedade, Salimo é um dos embondeiros da música ligeira moçambicana, facto confirmado pela reedição de dois álbuns seus, pela Vidisco Moçambique. Trata-se dos álbuns “Mhanana” e “Mamani Maria”, que fizeram muito sucesso por altura dos respectivos lançamentos. A reedição que aconteceu no ano passado está relacionada com a forte procura que a música de Salimo Muhamed tem tido no mercado discográfico. O CD “Mamani Maria” foi gravado nos já extintos estúdios da J&B Recording, no ano de 2001, tendo contado com a participação de Nando (baixo), do já falecido guitarrista Nanando (guitarra solo), Arone (teclado), Miranda (bateria), Matchote (saxofone), contando com voz de Salimo Muhamed, bem como com a colaboração de Alfredo Chissano, na produção. Este disco inclui temas afamados do autor como o que dá título ao álbum, “Tchova Boy”, e “Trabalhador”. Já o disco “Mhanana” foi gravado nos mesmos estúdios, mas no ano de 2005, e nesta obra onde se destacam temas como “Marhumekhani”, “Corre Ruas” e “Paz”, o “show man” voltou a contar com a colaboração de excelentes executantes. Tony Mangue encarregou-se pela guitarra, os teclados estiveram ao cargo de Lacern Vales e a programação, bateria, mistura, “masterização” e captação foi feita pelo angolano Yé Yé.

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Segunda, 10 Janeiro 2011 Celso Ricardo .
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segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Alexandre Mazuze no "Gil Vicente" : Esperava-se um pouco mais na noite dos 50 anos


FOI como um daqueles pratos de aspecto suculento que, servido à mesa, todos os comensais apressam-se a servi-lo, mas quando provado descobrem que falta-lhe algo para ser completo: é sal a menos? Faltou alho ou pimenta? A salsa e coentros estarão na medida certa? Será que faltou o vinho ou o vinagre no tempero? O prato é picante ou simplesmente não tem sabor? E no final, quase ninguém sabe explicar com exactidão o que efectivamente falta ao suculento prato...contudo, de uma coisa todos têm certeza: falta-lhe algum ingrediente, ou então teve-o a mais!

Tudo isto vem a propósito do concerto de gala havido sexta-feira no Café Gil Vicente, em Maputo, para celebrar os 50 anos de vida e 32 de carreira do veterano Alexandre Mazuze, o homem das "mil e uma vozes".

A noite era de glamour, com gente fina vestida a preceito. A plateia era maioritariamente composta por amigos e personalidades da praça.

Em palco a banda "Central Line" liderada por Humbe Benedito na viola-solo, Momad Amisse na bateria, Bonga no baixo, Zeca e Ruben nos teclados, e as coristas Mira e Marta, que impressionaram à entrada, demonstrando que a banda tinha ensaiado bastante com Alexandre Mazuze, que trouxe ao palco seus convidados, a Cintia e o Stewart Sukuma, cuja actuação acabou criando outro equilíbrio na noite. Não obstante toda essa consistência musical do "Central Line" e do Alexandre Mazuze, pairava naquela sala um clima de algo vazio e melancólico...Mazuze não pareceu em grande forma. A gala estaria aquém do aguardado? Até porque a sala do "Vicente" estava longe de estar cheia, embora fosse um público de qualidade, gente do "tipo seleccionada", aqueles que frequentam os hotéis e outros espaços por onde este belíssimo intérprete passou maioritariamente estes 32 anos de estrada.
Se a actuação de Mazuze, nalguns momentos nos pareceu fria, noutros o intérprete de Louis Armstrong, Dom William, Miles Davis, Ray Charles e mais libertou-se a todo o gás, justificando a enorme fama de ser um dos maiores intérpretes da actualidade na abordagem de marrabenta, blues, soul, fado, latino, merengue e outros.

O público esteve atento a cada movimento do aniversariante. Vestido a negro, Mazuze tinha a plateia a seguir-lhe a cada passo e não lhe pouparam as palmas quando a interpretação fosse admirável. Ainda assim, uma espécie de tensão pairava na sala de espectáculo e de vez em quando, Alexandre dialogava com a plateia, mostrando a outra sua veia de um bom comunicador. Comentou, por exemplo, a falta de seriedade por parte dos empresários ligados à área musical, dando a entender que não foram fáceis estes 32 anos de carreira num país que não valoriza os seus artistas. A parte final não poderia ser de outra forma: simplesmente emocionante. O Majescoral corou o aniversariante e a plateia ao cantar a canção "Vai com Deus" (transportando-nos momentaneamente para uma noite antecipada de natal) e ainda o tradicional "Parabéns a Você" distribuído pelas 14 vozes esculpidas entre sopranos, tenores, baixo e contralto.

Cinco bailarinas inspiradas na coreografia e indumentária típica da Companhia Nacional de Canto e Dança desceram o pano de um concerto que não foi propriamente uma noite de magia musical, embora com tanto glamour. Antes de abandonar o recinto, a plateia foi convidada ao corte de bolo temático (com guitarra e claves de som) exposto no átrio do "Gil Vicente". Entre beijos e abraços, o aniversariante embora descontraído, denunciava no semblante algo preocupado (?), de alguém que não terá atingido o clímax....Era a emoção e o peso dos 50!

ALBINO MOISÉS


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segunda-feira, 11 de maio de 2009

Salimo Mohamed continua a luta em palco


O músico moçambicano Salimo Mohamed será figura de cartaz no concerto a ter lugar na próxima quinta-feira, dia 29 de Abril, às 20h30, que tem como lema “A luta continua”.

Salimo Mohamed é famoso na produção de concertos temáticos, tendo já feito “Ndzumba, Ndzumba yi kupinda”, “A Xinghove xidibe mutxovhelo”, entre outros.

Maputo,Quarta feira: 29 de Abril de 2009
Fonte: 99fm
 

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segunda-feira, 13 de abril de 2009

Sambrowera Fandanga: o enigma


Conheci-o (será que alguém o conhece?) Simeão Mazuze e, como que envolvido por um despertar filosófico, ficou Salimo Muhamad. Confesso, sempre tive sérias dificuldades de falar deste músico, aliás, a mesma dificuldade que ele teve de não entender o Simeão e logo converte-lo em Salimo. Sim, porque se o Simeão estivesse em paz consigo mesmo, não haveria a necessidade de torna-lo Salimo. Só uma situação de incompreensão de si mesmo, pode levar a conversão e ainda bem se ela acontece e aconteceu em Salimo.

Há-de se aferir que este exercício não se revela nada fácil, porque requer uma introspecção, isto é: ser observado e observador ao mesmo tempo e, que se diga, Salimo teve de o fazer para se encontrar.

Só pensando assim pode me ajudar a entender o Salimo porque, doutra forma, vai continuar a confundir-me. E a confundir-me sobremaneira nas suas músicas, quando esconde a verdade em palavras cruzadas, tais códigos impenetráveis, como “Sambrowera Fandanga”, que reviramos todos num exercício de interpretação e nunca fomos felizes.

Sambrowera é para mim o pico da inspiração de Salimo Muhamad, música onde deixou suas várias faces saírem e, acima de tudo, onde libertou todo o seu “eu” trazendo-o cá para fora.
Engraçado porque, da mesma forma que se expõe, acaba levantando um véu com recursos a palavras de difícil entendimento como o grito de início na música Sambrowera, onde diz: “cevernashe, cevernashe.”

Salimo nunca disse, e nem era sua tarefa dizer, o que significava “Sambrowera Fandaga” e outras palavras de difícil acesso que diz nas suas músicas porque, mesmo querendo, não saberia dizer. São palavras criados em transe! Então, como explicar o que dissemos movidos por forças que ninguém pode compreender, como em Sambrowera?

E aqui está o forte desta música, a força que ela carrega, a mística, o ritmo carregado de convulsões que caracterizam o Salimo, o cantar como se seguisse um ritual, tal “nyamussoro” que encarna o espírito de outra pessoa e entra em delírios.
Sambrowera começa com um apelo aos gritos onde Salimo pede para que se abra janela “ibra janela, ibra janela”, um pedido que confunde pela sua autoridade.

Na verdade, para quem ouve, sente que não há ali nenhum pedido, senão, uma ordem. É como se estivesse sufocado e não aguentasse mais, dai que grita de dedo em riste e de olhos abertos como sabe fazer, “ibra janela” como quem diz: se isso não acontecer não me responsabilizo pelas consequências.

Salimo tem demónios. Sim, daqueles que quando exorcizado por batuques e ngomas teimam em manter-se no corpo de quem os exorciza, porque são fortes. Salimo é forte, é múltiplo, a sua temática é híbrida e foge e sempre fugirá ao entendimento do homem comum, como eu.
Ora, cansado de tanto tactear para descobrir as palavras veladas de Salimo, tal como ele o fez um dia, procurei um curandeiro dos bons (Salimo já teve um curandeiro que o tratou para ser invisível), para me ajudar a interpretar as parábolas por si cantadas.

E fiquei toda a noite a dizer “Siavuma, Siavuma”, mas, verdade que é boa, não a tive e terminou o curandeiro, dizendo que o Salimo, tinha um diabo que o impedia de chegar a verdade.
Que Salimo tivesse diabos já sabia, abandonei o “nyamussoro”, com vontade de nunca mais ouvir suas falácias.

Quando quase desistia, encontrei-me um dia com um destes meus amigos que desistiu da vida para se dedicar somente a reflexão e, depois de ouvir todos seus delírios, me segredou o inesperado: que conhece o significado da música “Sambrowera Fandanga”.

Confesso que senti um frio na espinha, meu cabelo levantou e fiquei atento. Em poucas palavras traduzo o pensamento do meu amigo, e que fique claro que apenas conto o que ele me contou, sem aumentar um ponto sequer.

Na sua óptica quando Salimo pergunta “Uta mulumula nwana lweyi mamanhana? wahemba” (se vais desmamar este filho? Mentira), o filho a desmamar, é o que na altura fazia guerra. Sendo impossível desmamá-lo (derrotá-lo), justamente porque seu filho, em clara referência a guerra entre os irmãos e/ou entre pai e filho.

E dizia; é mentira que te vais livrar deste filho. Pois, nem que te arrogues ser a andorinha que corta o pais de lés-a-lés, a sua velocidade (“Uli u nkondjani ya tiku mamanhane/utaya kumana ni madala wa djeke/uni matendencia mamanhana), não seria suficiente para evitares/fugires do madala wa djeque, entenda-se “rebeldes” que montam emboscadas em todos os cantos. Pelo que deixa o orgulho de lado, e senta com esta gente e encontre a solução para o povo. Daí que o “ibra janela”, para logo de seguida determinar “senta boy”.

É sim, um apelo para que os irmãos se sentem e discutam a paz, porque ninguém é veloz o suficiente como andorinha (nkondjani), para fugir das balas da guerra (madala wa djeke) e se não o fizeres “uni matendencia mamanhane”, tens tendências.

E não podia terminar de outra forma o Salimo quando pede a sua mãe Maria, para não chorar porque seu filho voltou (He mamana Maria unga rile unga rile mamani, anwana wa wena afikile la muntine….), e o questionamento seria, de onde o filho retornou? Ou melhor, para voltar, teve um dia que partir. Mas para onde?

Antes do meu amigo me responder, larguei-o, porque estava a ficar confuso como nunca fiquei com esta música.
Agora, se os meus amigos leitores quiserem saber o final que o digam, porque mesmo confuso, poderei contar.

Mas, enquanto isso, vão ouvindo Sambrowera, como o oiço e com vontade de perceber o que Salimo queria e quem sabe um dia: “ibra janela” e caia a verdade?

Mas esse “baralhar do esquema”, talvez seja o objectivo de Salimo com Sambrowera, fazendo com que todos nos batamos a cabeça, sem nunca chegarmos a verdade, porque nem ele a tem. E não tem diabos, esse? A
MOSSE MACAMO

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quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Salimo Muhamed apresenta «Maghurutchendje»


Maputo (Canal de Moçambique) - Depois do retumbante sucesso do seu espectáculo intitulado «Xingove Xi Dibi Mutchovelo» (“o gato entornou o caldo”), o cantor Salimo Muhamed vai presentear o público da Matola com um concerto denominado «Maghurutchendje». Artista multifacetado e considerado polémico por certos sectores da sociedade, Salimo Muhamed é um dos embondeiros da música ligeira moçambicana. Recentemente, renunciou ao cargo de secretário-geral da «SOMAS- Sociedade Moçambicana de Autores» por alegadas divergências com o director executivo da agremiação, Alfredo Chissano.
Do vasto currículo de Salimo Muhamed conta ter sido mandado para um campo de reeducação nos anos cinzentos da chanceleria de Samora Machel de que também faziam parte os seus sucessores Joaquim Chissano e Armando Guebuza como figuras que o seguiu na hierarquia do Bureaux Político do Comité Central do Partido Frelimo.
Da passagem de Salimo Muhamed pelo campo de reeducação resultou a música «Bilibiza», nome do campo onde o artista esteve detido.

(Celso Manguana)
2007-07-27 08:13:00

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