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terça-feira, 20 de abril de 2010

Ni Ta Ku Fonela de Azagaia.

Música: Ni ta ku fonela (Vou telefonar-te)
Artista: Azagaia c/ Neto
Álbum: Babalaze


I
Eu sei que a lista é grande
De todas vezes que o teu homem andou distante
E o meu livro de desculpas
Já nem cabe na estante
...às vezes nem me resta um instante pra TELEFONAR

Quando eu tou no estúdio
Eu esqueço tudo
E faço da musica o meu mundo
E tu dizes que é absurdo
Que eu não arranje nem um minuto
Sequer pra pegar no celular e...TELEFONAR

A tua rival chama-se música
O teu rival chama-se tempo
Mas sempre um de cada vez
Se tou na música não tenho tempo
Ficas sempre em último plano
E as vezes nem tenho plano de...TELEFONAR

Só pra avisar que venho tarde
Ou me desculpar porque não venho
E quando penso em ligar-te
É crédito que não tenho
E desta vez é mais uma vez
Que não vai dar pra parar e...TELEFONAR

Pra dizer que te amo e que amanha tenho a entrevista
Na hora que combinamos de eu levar-te ao dentista
Shit...caraças,
eu tenho mesmo que...TELEFONAR

Pedi emprestado um telemóvel
Tenho o teu número de cor
É madrugada mas vou ligar
E ver se evito o pior
Tou feliz, amanhã já não me acusas
De nem sequer...TELEFONAR

...Chama, chama e tu não atendes
Vou ligar pra fixo, mesmo assim ninguém atende
Deve ser da hora
E é mais uma vez que eu não...TELEFONEI

Coro:
Huuuuuuuuuuuu
Ni ta ku fonela (3x)
Wene, wene,wene,wene


II
Desde que vi mentiras nas verdades
Eu divido-me em metades
Metade namorado
E namoramos so metade das nossas tardes
E metade querem as fãs que tão sempre a...TELEFONAR

Pra falar com o Azagaia mesmo depois das vinte e três
E tu atendes o celular tipo quem é desta vez
É uma voz feminina que diz
"Diz a ele pra"...TELEFONAR

E tu perguntas quem ela é
Eu digo que eu não a connheço
Eu sou artista e muitas vezes
Tenho que pagar esse preço
E tu sais disparada, irritada
Dizes pra eu não...TELEFONAR

E ficamos de relações cortadas
Tu não atendes minhas chamadas
Compro flores e bom bons
Vou caçar-te nas escadas
Meu amor, por quê não atendes quando eu ligo
Eu tou sempre a... TELEFONAR

E então fazemos as pazes
Hoje eu não tou pra ninguém
Esqueço o meu nome nos cartazes
Esqueço fãs e paparazzis
Esqueço o mundo lá fora
E não atendo se alguém me...TELEFONAR

E nós fazemos amor
Aliás reiventámos o amor
E tu percebes o novo conceito
Em cada gota do meu suor
E tu te ris, das vezes que zangaste por eu não...TELEFONAR

Coro final

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segunda-feira, 27 de julho de 2009

Izlo ft Azagaia e Miguel Xabindza - Epidemias dAfrica

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segunda-feira, 18 de maio de 2009

Novo video de Azagaia - Combatentes da Fortuna (Legendado em Ingles)

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segunda-feira, 20 de abril de 2009

Azagaia lança novo video

Video de Azagaia - As Verdades

O artista musical Azagaia estreia esta semana em Maputo o seu novo vídeo. Trata-se da produção “Combatentes da Fortuna”, título da música que dá corpo ao vídeo.

O artista faz uma abordadem social directa sobre a democratização da nação, a pobreza, o enaltecimento dos valores culturais, a recordação de figuras nacionalistas e o apelo à auto-estima.

Azagaia teve um sucesso retumbante com a música “As Mentiras da Verdade” que é igualmente um grito Azagaia.

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segunda-feira, 23 de março de 2009

Sobre "a marcha" de Azagaia

Muito ja foi dito e repetido em relacao ao tema "a marcha" do Azagaia. Mas ate aos dias de hoje, continuamos a receber conrrenspondencia inquirindo sobre o mesmo, assim, passamos na integra o video e a letra...

Verse 1
Eu falo de povo para povo
Porque eu sou povo e tu és povo
Usamos a mesma linguagem
E quando tu falas eu te oiço
Quando eu falo tu me ouves
Partilhamos as mesmas dores
Se te cansaste de pedir favores

Entao venha para MarchaTu que és mal pago
Mas te esfolas no trabalho
Tu que não és pago

E recebes esmolas no trabalho

Sim tu que és humilhado por não teres ido à escola
Ninguém percebe que tiveste que pegar cedo no trabalho

Tu que pagas impostosficas sem nada nos bolsos
Tu que fazes dirigentes engordarem como porcos

Tu que não percebes economia nem política
Dizem que o país desenvolve mas no teu prato nao vês comida

Tu que serás lembrado só nas próximas eleições
E verás o candidato em helicópteros e aviões

Tu que vieste pra cidade à procura de sustento
Porque no campo a agricultura não dura sem investimento

Tu que te apertas com os teus filhos num quarto de dependência
Acordas cedo, dormes tarde a lutar pela independência

Sim tu que és escorraçado nos passeios da cidade
A mesma polícia que te escorraça não quer criminalidade

Tu que te formaste mas isso não basta no currículo
Mais importante que habilitações é ser membro do partido

Tu que és do Centro, és do Norte e às vezes dói-te muito
Ver tua província empobrecer, será que Moçambique é só Maputo?

Tu que perdeste a tua família no Paiol de Malhazine
E não viste os culpados serem julgados pelo crime

Tu que perdeste heróis e amigos vítmas deste regime
Se não gritares comigo eles não pagam pelo crime.


Refrão
Ladrões----fora
Corruptos----fora
Assassinos----fora
Gritem comigo pra essa gente ir embora


Ladrões----fora
Corruptos----fora
Assassinos----fora
Gritem comigo pois o povo já não chora


Verse 2
E o povo apenas pede transparência
Queremos uma auditoria nos ministérios e presidência
Um levantamento de bens e orçamento
Os zeros no vencimento
Pra combatermos a pobreza vamos combater o enriquecimento

Baixem o salário dos deputados

Directores e ministros
E essas regalias dos Mercedes e subsídios
É tanto luxo, no meio do desemprego e do lixo
Porque que num país tão pobre os dirigentes são tão ricos?

Declarem os vossos bens antes de assumirem as pastas

Ao povo o que é do povo

Não é pra construirem casas
No Triunfo e Belo Horizonte
Enquanto jovens recém-formados vêm o futuro sem horizonte
E é mesmo lá na fonte

Que esse Fórum Anti-Corrupção
Tem que apontar os corruptos

Se não encontram corrupção
Então vocês são os corruptos

Mudem o modo de governar ou então mudem o governo
É que nem o Império de Gaza foi eterno

Vamos mudar a nossa estratégia de luta
Se os ricos roubam os pobres

Vamos combater a riqueza absoluta

E se há salario mínimo que haja salário máximo
Pra cada cidadão um cargo de chefia no máximo

E a Constituição da República que seja destribuída
Nas escolas, nas igrejas e divulgada pelos media

Abaixo o pacifismo, vamos andar de cabeça erguida
Nem que pra isso tenhamos que sacrificar alguma vida.


Refrão 2x
@ Azagaia


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segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Azagaia fala para o Channel O

Azagaia, o Revolucionario" do Hip Hop, um dos mais badalados musicos da nossa praca, fala para o Channel O. Confira na entrevista com o apresentador que dispensa apresentacao, Duke Williams.

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segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Video Azagaia ft Valete

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segunda-feira, 30 de junho de 2008

NÃO TIRO O CHAPÉU PARA A TELEVISÃO DE MOÇAMBIQUE


Era Segunda-Feira 9 de Junho se não me falha a memória. Estava eu a caminho da minha humilde casa depois de um longo e exaustivo dia de trabalho. Plantado numa das paragens de “chapas” da nossa maravilhosa cidade de Maputo, pronto para enfrentar a terrível batalha diária habitual naquela hora, recebo uma chamada dum número desconhecido mesmo no momento em que finalmente consigo empuleirar-me nas costas do cobrador. Atendo logo de seguida, e para o meu espanto era o apresentador do programa Moçambique em Concerto, programa este que vai ao ar todos os Domingos no canal da nossa bem-amada Televisão de Moçambique.


Gabriel Júnior, muito amavelmente dirigiu-se a mim e formulou um honroso convite para ir ao Moçambique em Concerto no Domingo que se seguia. Bem...estava naturalmente espantado. Nunca tinha imaginado, nem nos meus sonhos mais molhados, receber um convite para uma tão excitante participação naquele famigerado programa televisivo, porque como devem imaginar, eu e o Estado Moçambicano não morremos de amores um pelo outro (a nossa novela já vai a muitos capítulos) e a TVM é um canal controlado pelo estado. Portanto, embora fosse desejo de alguns compatriotas a minha ida aquele programa, cá entre nós, era mais fácil a galinha criar dentes que eu ir parar ali.

Facto é facto, convite recebido, convite aceite. O Gabriel Júnior, de seguida sugeriu que nos encontrassemos antes da minha ida ao programa, encontro esse que aconteceu na Quarta-Feira. Ele falou-me das questões que iria colocar-me e das músicas que gostaria que eu cantasse. Interessante é que o Gabriel não pressionou-me de forma alguma para que eu não fosse eu. Disse que sabia que a minha imagem iria dividir opiniões, mas como o seu programa tem (ou tinha) um carácter imparcial, ele estava disposto a correr o risco, que já tinha autorização da directora de programas e que estavam todas as condições criadas para a minha ida.

O Gabriel Júnior tinha uma nobre intenção, segundo ele, mostar a sociedade moçambicana que o músico Azagaia não é só o crítico, mas também alguém que sonha, chora, ri, apaixona-se e fala sobre isso nos seus temas. Para isso sugeriu que um dos temas que eu cantasse fosse o romântico “Ni ta ku fonela,” (faixa nº 9 do álbum Babalaze) tema que ele tem como um dos seus preferidos, e o meu lado crítico seria espelhado pela música “As Mentiras” (faixa nº 4 do álbum Babalaze) .

Chegados aqui, é altura de falar-vos do surpreendente (será?). Qual é o meu espanto quando na Sexta-Feira da semana que eu supostamente iria ao Moçambique em Concerto, a noitinha, liga-me alguém que dizia ser da TVM e produtor daquele programa informando-me que infelizmente eu já não poderia ir naquele domingo ao programa por motivos que nem ele soube explicar claramente. Mas deixou aberta a possibilidade de eu lá ir na edição seguinte. Desliguei o celular, e de seguida mandei uma sms para o Gabriel Júnior a exigir que pelo menos fosse ele a “desconvidar-me”. O apresentador respondeu-me dizendo que também estava espantado com o sucedido, mas que eu não deveria preocupar-me pois tudo iria dar certo.

Domingo, vejo outro artista no meu lugar, ligo para o Gabriel Júnior e ele diz-me o seguinte: “Desculpa mano, por não ter te ligado antes, mas o que aconteceu é que, um dos vários administradores da TVM que devia dar a permissão para tua ida ao programa, depois de já ter passado duas vezes o spot publicitário a anunciar-te, exigiu que se cancelasse a pubilicidade e a tua ida, porque diz que não foi consultado. Mas não te preocupes, Segunda-Feira faço uma carta especialmente para ele, anexo a autorização da directora de programas e entre Segunda e Terça-Feira ligo-te a confirmar a tua ida ao programa no próximo Domingo.”

Segunda-Feira passou, Terça-Feira passou, Quarta-Feira passou, Quinta-Feira também passou e na Sexta-Feira, data em que escrevo esta carta, oiço dizer que já está passar na TVM a publicidade da ida de outro músico ao Moçambique em Concerto, não eu. Bem, o Gabriel Júnior não me ligou ainda, hoje sexta-feira dia 20 de Junho de 2008 e francamente duvido que ele ligue, acho que já não adianta mesmo, embora um simples pedido de desculpa não faça mal a ninguém.

Dos factos a análise: O tal administrador não autorizou a minha ida ao programa e nem teve conhecimento dela durante os 5 dias úteis da semana, viu a publicidade pela televisão onde trabalha e mandou cancelar por falta de conhecimento. De Sexta-Feira para Domingo, a TVM conseguiu arranjar outro músico para ir no meu lugar, conseguiu o conhecimento e a autorização do tal adimistrador, coisa que não conseguiu em 5 dias úteis da semana para o meu caso. Mesmo que este estranho facto fizesse algum sentido, porquê não fui convidado para o programa da edição seguinte conforme o prometido? Será este programa é realmente merecedor do selo “made in mozambique”? Serei eu estrangeiro do meu próprio país? Será isto censura? Não basta não passarem os meu video clipes? Não me atrevo a responder a tais perguntas, senão ainda corro o risco de ir parar na Procuradoria da Cidade pela segunda vez, quem sabe acusado de defamação e calunia, nunca se sabe! Bem, menino queixoso que sou, venho dizer, mesmo fora do programa:

NÃO TIRO O CHAPÉU PARA A TELEVISÃO DE MOÇAMBIQUE E PARA TUDO QUE ELA REPRESENTA.

Mano Azagaia

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quinta-feira, 26 de junho de 2008

Azagaia no Festival Mestiço de 2008


O Festival Mestiço de 2008 traz a oportunidade para ouvir alguns dos grandes fenómenos da World Music da actualidade, incluindo as sempre inovadoras mestiçagens entre as tradições musicais e as tendências mais recentes de géneros como o Hip Hop, a Electrónica ou o Rock. De 26 a 29 de Junho, está convidado a visitar geografias e géneros musicais eclécticos e contagiantes. Moçambique estará presente em Portugal, mais concretamente no Porto e estará muito bem representado sim, se calhar pelo seu “melhor” cartão de visita, Azagaia e os Timbila Muzimba.

Azagaia, ou seja, Edson da Luz, rapper da Cotonete Records, autor da obra discográfica intitulada “BABALAZE” donde ressonamos os clássicos temas “As mentiras da verdades”, “Marcha”, “eu não paro” e outros mais, acaba de descolar de um avião da TAP, no aeroporto de Mavalane, em Maputo, quando eram sensivelmente 15:30Hrs, em direcção a Portugal para participar dum mega festival de musica na cidade do Porto. Trata-se de um evento que vai na sua segunda edição, tendo já desfilado naqueles palcos respeitáveis nomes da musica a nível mundial. Veja abaixo o perfil dos artistas programados para esta noite (27 de Junho).
MARCELO D2 (Brasil) Nesta noite destaca-se o carioca Marcelo D2, rapper que se celebrizou com a sua banda Planet Hemp, nos anos 90. O álbum Eu Tiro é Onda marcou o início da sua carreira a solo, há dez anos e desde logo contou com a participação de nomes de peso do rap de São Paulo e do Rio de Janeiro, como Black Alien & Speed e BNegão. A mistura de elementos do samba com Hip Hop é a sua imagem de marca, apurada no terceiro álbum, Meu Samba é Assim, com a participação especial de grandes nomes do samba – como Zeca Pagodinho e Alcione – e do rap – como Marechal e Aori.
MC K (Angola) Começou com demonstrações para pequenos grupos alternativos, mas rapidamente foi descoberto pela imprensa internacional. Ao segundo álbum de originais, o rapper angolano aceitou o desafio de trazer a sua mensagem ao Porto, a convite da Casa da Música. Politicamente crítico, aos 26 anos, MC K pretende ajudar a construir um país onde a liberdade de expressão seja uma realidade acessível a todos.
MANIF3STOS + DANY SILVA (Cabo Verde / Portugal ) Deixaram-se seduzir pelo drum’n’bass, o soul, a electrónica e no álbum de estreia que vêm apresentar à Casa da Música, Gerasons, os Manif3stos debatem as múltiplas realidades sociais, culturais, tecnológicas e económicas em que vivemos. Um disco que conta com a participação especial de Sagas, Tranquilo, DJ Kwan, Conflito e Dany Silva, músico, cantor e compositor cabo-verdiano que já colaborou com Rui Veloso, Mariza ou Tito Paris.
AZAGAIA (Moçambique ) Despertou a atenção de Moçambique e do mundo pela sua crueza e revolta. O jovem universitário Azagaia (aka Edson da Luz), de 23 anos, aborda uma série de temas da actualidade moçambicana, desde o assassinato do jornalista Carlos Cardoso, à corrupção e até aos esquadrões da morte no seio da polícia. Recentemente editado em Portugal, Babalaze dá a conhecer o músico que já fez parcerias com Valete e que se identifica com Boss AC e Sam The Kid.
Para mais informações descarregue aqui todo o programa do festival ou visite http://www.casadamusica.com/ Para além do evento em destaque, Azagaia leva na sua agenda uma série de actividades que espera concretizar (se sobrar tempo claro, porque o mano vai ter uma semana atarefadíssima por lá... eu que o diga) como, por exemplo, entrevistas àss diversas televisões e rádios portuguesas e estrangeiras, sessões de fotografias e autógrafos com os fans, gravação de musicas com alguns artistas e etc e etc. Aza, desejamos-te muita sorte por lá, e de o teu melhor (o que para ti não e nada difícil).

Fonte: Cotonete Records

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sábado, 17 de maio de 2008

Entrevista com Azagaia




Capa do CD Babalaze autografado (Ofertado ao Djo da Gpro)

1- EVENTOSMZ- Como foi que começou a cantar?
AZAGAIA- Comecei a cantar em 1997. Antes já escrevia poesia, muito inspirado em Craveirinha. Eu nasci em Namaacha. Vim para Maputo com 10 anos e com as novas influências comecei a outros estilos de música, como Bone Thugs N´Harmony, Gabriel o Pensador, SSP, Busta Rhymes, Woo Tang, Method Man e mais tarde Boss Ac. Foi a partir daí que comecei a escrever as minhas rimas. Por volta de 1999 juntei-me ao Escudo e formámos a Dinastia Bantu, e foi mais ou menos esse o meu trajecto inicial.

2- EVENTOSMZ- O seu primeiro single foi As Mentiras da Verdade. Quais são, afinal, as verdades de Azagaia?
AZAGAIA- (Risos)...as minhas verdades...hum...é complicado. Eu fiz a música porque tinha muitas dúvidas. Notei que havia muita manipulação da informação, principalmente após a assinatura dos Acordos de Paz. E foi num papo com o Hernâni que vi que as pessoas seguem o que vêm na rádio e na tv. Foi por aí que surgiu a música, para questionar as “ditas verdades” que conhecemos: Samora Machel, Anibalzinho, Carlos Cardoso, Cahora Bassa. São todos casos mal explicados. Eu acredito que nós podemos ser um pouco mais verdadeiros uns com os outros...

3- EVENTOSMZ- Tem consciência de quão polémicas são as suas mensagens? Num país como Moçambique, não é perigoso ser tão frontal?

AZAGAIA- Ya. É assim, realmente é um risco que se tem que correr. Todas as profissões têm os seus riscos. E, naturalmente, se quisermos alcançar os nossos objectivos temos que correr esses riscos. Quanto a ser polémico ou não...bem, eu acho que a polémica é o dia-a-dia, não quando alguém diz aquilo que pensa. Quando surge alguém que diz como uma mensagem diferente é facilmente apelidado de polémico. Eu sei que é perigoso, mas acho que é mais perigoso quando quem se quer expressar está sozinho. Mas agora já começo a sentir mais calor humano à minha volta. Sinto-me mais acompanhado e seguro até, de certa forma.


Cartaz Babalaze de Azagaia

4- EVENTOSMZ- Lancou o seu album recentemente, "Babalaze",porque escolheu esse nome como titulo? Como e que o album esta a ser recebido dentro e fora de Mocambique?
AZAGAIA- Babalaze significa ressaca. Surge inspirado num livro de Craveirinha, Babalaze das Hienas, que retratava o período pós guerra civil. Então peguei na palavra, Babalaze, que simboliza um momento pessoal: eu estava numa altura em que ia lançar o meu álbum a solo e quis que o título simbolizasse o meu estado de espírito. E eu procuro sempre pegar o que é nosso (moçambicano) e daí essa palavra: Babalaze e não ressaca, em português, como forma de valorizar o que é nosso. Quando falamos da receptividade do álbum, posso dizer que dentro de Moçambique está a ser muito bem recebido. No primeiro dia foram quase 700 cópias vendidas.

Foi um momento único e marcante! Muito mais que vender, foi um espaço de sinceridade, de partilha e troca de sensações. Aquele dia foi um espelho do quanto o cd era esperado. E tenho tido um feedback muito positivo. Tive a oportunidade de viajar para a Beira, e acho que foi o melhor concerto que já dei. O calor humano foi mesmo incrível! Espero voltar lá mais vezes. Fora de Moçambique não sei bem. Só sei através de alguém que compra para levar para amigos ou familiares que estão fora. Dei entrevistas à BBc, à Agência Lusa e à Revista Visão, por exemplo. Ah, os meus discos vão passar a ser vendidos em Portugal, a partir de Março, numa edição especial para Portugal.

5- EVENTOSMZ- Quais são as suas referências musicais?
AZAGAIA- Actualmente o people da Cotonete Records. É um pessoal nota 10 para mim. Saindo um pouco da label, a GPRO, 100 Paus, 2 Caras, 3H, o Simba, Xitiku Ni Mbuala. Fora de Moiçambique...hum...em Portugal admiro o Valete, o Boss Ac, Sam the Kid. Nos EUA, Talib Kweli, Common Sense. E recentemente Jay Z, curiosamente. Na África do Sul, gosto de Proverbe. Fora do hip hop, curto Stewart, Kapa Dech, Wazimbo, Baka, que toca fusion e a banda Ndjango. Uma vez perguntaram-me o que era música moçambicana. Eu acho que música moçambicana é aquela que é feita com elementos da nossa terra. Senão a nível instrumental, pelo menos a nível de mensagem. Dizer o que as pessoas vivem, falando daquilo que os moçambicanos vivem e sentem. Eu faço música para o meu povo.

6- EVENTOSMZ- Sabemos que já trabalhou em parceria com rappers como a Dama do Bling ou com Valete. Como foram essas experiências? Com quem gostaria de trabalhar, no futuro?
AZAGAIA- Começando pela Dama do Bling. Eu fui muito criticado mas, desde o princípio, sempre gostei do flow dela. Ela tem uma segurança quando canta e também tem um espírito rebelde, de querer afirmar-se diferente. Ela tem uma linha própria. E sempre achei que devia ter um espírito crítico dentro dela. Quando nos encontrámos, eu sugeri que falássemos de crítica social. E decidimos falar sobre a hipocrisia das pessoas. Ela é muito talentosa e simpática. Foi positivo e acho que deu para quebrar alguns preconceitos que existem. Com o Valete foi muito mais fácil. Estamos na mesma área e fazemos o mesmo hip hop. Foi uma ideia dele fazermos a música alternativos. Falámos sobre o que é ser alternativo para cada um de nós. Conhecemo-nos pela net. Ele gravou a parte dele lá e eu a minha cá e fizemos a troca via net. Até hoje ainda não nos conhemos pessoalmente. A net dá-nos essa hipótese de encontrarmos outras pessoas que pensem como nós noutras partes do mundo. Quanto a futuras parcerias...fora do hip hop, gostava de trabalhar com o Tony Django, dos K10, que tem uma voz excepcional. A nível de hip hop nacional, acredito que acabarei fazendo música com quase todos, dada a dimensão do nosso mercado. Quem sabe um dia com a Sara Tavares e com os rappers que mencionei de Portugal . Enfim, gostaria de fazer música com os músicos que admiro.

7- EVENTOSMZ- Onde se inspira para escrever as suas músicas?
AZAGAIA- Eu procuro inspirar-me no que eu leio. A leitura é uma base para interpretar a realidade. O que eu leio, associado ao que eu vivo...e também pelos sentimentos: o amor; as tristezas, algumas lamentações... Hoje em dia, cada vez mais me assumo como uma pessoa que quer combater esta banalização dos sentimentos das pessoas, o capitalismo selvagem, o consumismo. Já não temos tempo para bater um papo com um amigo. Vivemos num fenómeno de informatização do mundo. A falta de tempo que temos vindo a sentir é um sinal da vida que estamos a levar, nesta época de globalização. E nós, africanos, somos vítimas; somos peões nesse jogo de xadrez.

8- EVENTOSMZ- O que podemos esperar do Azagaia para 2008?
AZAGAIA- Primeiro, tenho agendados três novos vídeos. Quero também apoiar os outros artistas da Cotonete: o Islo, o Pitchó e talvez a Iveth. E começar a gravar o meu próximo cd. Quero conhecer mais gente e aproximar-me mais de outras pessoas.

9- EVENTOSMZ- Assume-se como um porta-voz da juventude moçambicana?
AZAGAIA- Na medida em que sou jovem e faço música, acho que sim. Acho que sinto e vivo o mesmo que muitos jovens também passam e sentem. O mais importante é que acho que falo de povo para povo.

10- EVENTOSMZ- Foi considerado figura do ano de 2007 e uma das cinco(5) figuras de 2007 pelo jornal Online "Canal de Mocambique" e pelo Blog "Diario de Sociologo", respectivamente. Como se sente?
AZAGAIA- Sinto-me muito lisonjeado. Eu não sei se é todos os anos que alguém tão jovem é considerado figura do ano. Penso que foi uma lição para quem pensa que a juventude moçambicana está adormecida. É gratificante sentir que há reconhecimento pelo trabalho que tenho feito.

11- EVENTOSMZ- Que mensagem gostaria de deixar para os seus fãs? E qual o seu comentário ao site http://www.eventosmz.com/?
AZAGAIA- Fãs? Prefiro a palavra admiradores. Agradeço pela força e apoio que me têm dado. São muito importantes. E desejo que continuem a apreciar mais Azagaias que tragam uma mensagem diferente e vos façam pensar e não apenas dançar. Quanto ao site é extremamente positivo. Acho que o pessoal já tem um espaço para ter acesso à agenda, para conhecer os artistas. Dou-vos os parabéns e espero que cresçam cada vez mais. E para o people da Cotonete, dizer que nós vamos limpar os ouvidos de muita gente e trazer-vos muito boa música em 2008.
Local: Centro Cultural Franco-Moçambicano.
Data: Segunda feira, 14 de Janeiro de 2008.
Fonte: Eventos Moz

Com a devida venia extraido da www.eventosmz.com

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quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Azagaia Solta o Verbo

Música: Povo no poder
Artista: Azagaia
Label: Cotonete Records

Já não caímos na velha história
Saímos p`ra combater a escória
Ladrões
Corruptos
Gritem comigo p´ra essa gente ir embora
Gritem comigo pois o povo já não chora

I

Isto é Maputo, ninguém sabe bem como
O povo que ontem dormia hoje...perdeu o sono
Tudo por causa desse vosso salário mísero
O povo sai de casa e atira pra o primeiro vidro
Sobe o preço do transporte sobe o,
Preço do pão
Deixam o meu povo sem Norte deixam o,
Povo sem chão
Revolução verde, só vemos na nossa refeição
Agora pedem o que?...Ponderação
Pondera tu, antes de fazeres a merda
De subires o custo de vida
E manteres baixa a nossa renda
Esse governo não se emenda mesmo...NÃo
Vai haver uma tragédia mesmo...SIM
Mesmo...
Que venham com gás lacrimogéneo
A greve tá cheia de oxigénio
Não param o nosso desempenho
Eu vou lutar, não me abstenho

Malhazine-PRESENTE
Magoanine-PRESENTE
Urbanização-PRESENTE
Jardim

Coro: POVO NO PODER (16X)

II

Senhor presidente, largaste o luxo do teu palácio
Finalmente te apercebeste que a vida aqui não está fácil
E só agora é que reunes esse conselho de ministros
O povo nem dormiu, já tamos há muito reunidos
Barricamos as estradas
Paralisamos esses chapas
Aqui ninguém passa
Até as lojas estão fechadas
Se a policia é violenta
Respondemos com violência (O quê?)
Muda a causa pra mudares a consequência
Mais de metade do meu salário vai pra impostos e transporte
Se o meu filho adoece fica entregue a sua sorte
Enquanto isso, esse teu filho está saudável e forte
Vive na fartura leva uma vida de lord
Viver aqui é um luxo, o custo é elevadíssimo
Trabalhamos como escravos e entregamos tudo no dízimo
Baixa a tarifa do transporte ou sobe o salário mínimo
Xeeeeeeeee...isso é o que deves fazer no mínimo
À não ser que queiras fogo nas bombas de gasolina
Assaltos a padarias, ministérios, imagina
Destruir os vossos bancos comerciais, a vossa mina
Governação irracional parece que contamina
Que tenham aprendido a lição
E não esperem pela próxima
Aviso-vos meus senhores que terão pela próxima

O Norte-PRESENTE
O Centro-PRESENTE
O Sul-PRESENTE
MOÇAMBIQUE

Coro: POVO NO PODER (16X)



"...Manos e manas,
Quando a comunicação social anunciou o recorde do preço do barril de petróleo, já se adivinhava uma nova subida do preço do combustível no nosso país o que causaria um agravamento de preços de produtos básicos. A seguir a comunicação social veio e confirmou os receios de todos nós, o combustível ia subir, o pão ia subir, e pior que tudo isso... o chapa ia igualmente subir, ora... ninguém estava a espera desta, talvez porque fosse inconcebível para um moçambicano que ganha o que ganha pensar sequer na hipótese do chapa subir. Bem..., o chapa ia subir mas discutia-se ainda para quanto ( o governo e os transportadores), as propostas eram tão absurdas que ou preocupavam-nos muito ou faziam-nos rir, veja-se esta: de 5Mt à 7.5Mt para14.5Mt à 19Mt se não estou em erro, uma subida na ordem de mais de 100%... he he he éramos nós a rirmo-nos da vida ou a vida a rir-se de nós.

Depois do tal braço de ferro entre os chapeiros e o governo, chegou-se a marca de 7.5Mt à 10Mt (bem, há quem diga que aquelas propostas absurdas eram só para o governo se fazer passar por herói baixando tudo aquilo...bocas!). Estávamos nas vésperas do fim de semana longo do Dia dos Heróis, e devido a tranquilidade que se vivia(embora alguns depoimentos que passavam na TV indicarem um desespero do povo) pensava-se: ou as pessoas conformaram-se, ou estão tão desnorteadas que nem sabem que fazer.

Na segunda-feira dia 4, circulavam algumas sms sobre uma possível greve no dia seguinte, dia em que entrava em vigor a nova tarifa, mas...duvido que se tenha levado à sério dada a passividade que nos é característica. Terça-feira dia 5, pela manhã, estava eu fora de casa a fazer os meus exercícios matinais quando comecei a ouvir rumores duma greve que estava a acontecer na periferia... será?...recebia varias sms que reportavam o mesmo, e só quando o meu companheiro Keleza ligou-me a dizer que estava a presenciar a confusão, é que eu me dei conta da seriedade do assunto. Diziam que estava a ser transmitido em directo pela TV, nem mais...corri de imediato para casa e pelo caminho (na zona da baixa) notei um certo alvoroço nas ruas e...sim senhora! Estava a acontecer mesmo, o povo se rebelava contra a nova tarifa, aquilo foi o que se viu, nenhum chapa estava autorizado a circular e eu mesmo presenciei um deles a ser apedrejado pelo povo. Coisa igual há muito que não se via, lembro-me de algo pior no ano de 1992 se não me falha a memória e pelo mesmo motivo, o povo literalmente destruiu a cidade.

O povo queria destruir tudo que fosse sinónimo de riqueza e bem estar, carros, lojas, bancos, e não escaparam as bombas de gasolina e padarias. Grande cagaço...o pessoal da classe média e alta nem punha o nariz fora de casa, o povão estava dicidido. O governo reagiu de forma cobarde, mandou os seus cães de guarda, a nossa famosa policia que foi lá e fez o que melhor sabe fazer, violentou o povo, tiros para o ar com balas de borracha para dispersar o povo rebelde...tiros para o ar? Balas de borracha só? Bem, o que se sabe é que houve vítimas mortais desses tiros, quem paga? Isso é outra história. E por aí à fora...não quero aqui fazer um rescaldo, era só para lembrar.

Agora, o que me fez escrever este texto é facto de eu ter feito uma música sobre estes acontecimentos e a coragem heróica do povo. Povo...afinal quem é o povo? Sabe... eu que julgava saber muito bem a resposta para esta pergunta, confesso que na terça-feira fiquei em dúvida, isto porquê...
ora vejamos: ouvi muita gente conhecida a dizer que o povo está fazer greve mas com uma expressão de claro distanciamento, curiosamente esse discurso vinha de pessoas da classe média e alta que provavelmente não se incomodavam assim tanto com a subida dos chapas...perdoem-me se me engano. Eu penso que se dependesse da classe média não haveria greve nenhuma, reclamaríamos sim nos corredores do serviço, nos murros dos prédios, na segurança dos nossos lares mas não passaria disso. E foi enjoado com essa apatia que liguei para o Keleza e disse-lhe claramente que nós tínhamos que nos manifestar, mostrar a nossa posição, afinal de contas somos povo não somos?! Para a minha felicidade e conforto ele concordou imediatamente, nós como artistas também somos povo e temos que mostrar a nossa posição perante este problema que também é nosso, estávamos no momento cheios de emoção mas vazios de estratégias, mas íamos pensar...surgiu à tardinha a ideia de convocarmos outros artistas e nos dirigirmos a imprensa, aproveitariamos a conferência de imprensa que seria dada pelo governo naquela tarde, mas depois achamos melhor esperar pelo pronunciamento do governo para reagirmos, o Joe votou para esta posição e ficamos à espera, mas nunca mais se ouvia algo da comunicação social, o que só veio a acontecer à noite na hora do telejornal.

Durante a manhã e a tarde eu recebia varias mensagens de pessoas a pedirem-me para escrever uma música sobre a greve, ligaram-me outras a dizerem que eu já devia ter preparado uma bomba para a ocasião, mas eu à principio não queria ser o ladrão feito pela ocasião e quase que nem considerei essa hipótese, pensava para mim que seria demasiado óbvio, inclusive o meu companheiro Izlo fez o mesmo comentário, que o tema cansaria as pessoas...política e mais política. Estava convencido de que não ia escrever nada sobre o assunto até que vendo o tempo passar e confrontado com a triste realidade de ninguém para além do povo da periferia se "pronunciar" sobre o assunto, decidi começar a rabiscar qualquer coisa só para libertar o desejo de me manifestar. Não estava certo se gravava aquilo...estava puro, vinha do fundo meu coração mas...receava ser demasiado óbvio e previsível...
QUE SE LIXE A PREVISIBILIDAE!!!!!!! Eu é que não vou ficar alheio a isto, pensem o que quiserem pensar, chamem-me os nomes que me chamar, oportunista, comercial, o rapaz dos desabafos ou sei lá o quê! Mas antes de me apelidarem, perguntem-se onde vocês estavam, o que estiveram vocês a fazer quando o povo da periferia estava a manifestar-se. A greve resultou, mas não resultou apenas para os que arriscaram as suas vidas nas ruas, resultou também para ti que estavas a curtir o fim de semana que se prolongou, tu que estavas a fazer piadas sobre os que se entregavam de corpo e alma à luta, tu também vais pagar 5Mt e 7.5Mt no chapa e não 7.5Mt e 10Mts, e de certeza vais poupar um pouco mais e vais respirar de alívio. As várias associações da sociedade civil não mostraram a sua posição, os músicos, os escritores, e todos que seriam afectados directa ou indirectamente pela subida dos chapas. Detestei essa falta de organização nossa, esse distanciamento, podíamos ter feito mais, podíamos ao menos ter sido mais solidários e mostrado a nossa união. Eu fiz humildemente esta música para mostrar a minha solidariedade, podia ter feito mais reconheço, mas cada um na sua frente. Eu uso a música para lutar e tu??

"Povo no poder" é uma música de celebração do poder do povo, júbilo e glória, quero dedicá-la em especial aos que perderam a vida nesta greve, vítimas da nossa polícia, esses para mim são verdadeiros heróis, dignos de repousarem na cripta dos nossos corações, com a chama sempre acesa. POVO NO PODER!!!!...".

Por: Azagaia

http://cotonetemoz.blogspot.com/

O rapper Azagaia, autor da polémica música as mentiras da verdade, e lançou o seu novo trabalho. Confira aqui a letra duma das músicas que já está a fazer muito sucesso, sobretudo nos círculos de debates intelectuais.
Veja e ouça aqui:

A Marcha
Eu falo de povo para povo
Porque eu sou povo e tu és povo
Usamos a mesma linguagem
E quando tu falas eu te oiço
Quando eu falo tu me ouves
Partilhamos as mesmas dores
Se te cansaste de pedir favores
Então venha para Marcha
Tu que és mal pago
Mas te esfolas no trabalho
Tu que não és pago
E recebes esmolas no trabalho
Sim tu que és humilhado por não teres ido à escola
Ninguém percebe que tiveste que pegar cedo no trabalho
Tu que pagas impostosficas sem nada nos bolsos
Tu que fazes dirigentes engordarem como porcos
Tu que não percebes economia nem política
Dizem que o país desenvolve mas no teu prato não vês comida
Tu que serás lembrado só nas próximas eleições
E verás o candidato em helicópteros e aviões
Tu que vieste pra cidade à procura de sustento
Porque no campo a agricultura não dura sem investimento
Tu que te apertas com os teus filhos num quarto de dependência
Acordas cedo, dormes tarde a lutar pela independência
Sim tu que és escorraçado nos passeios da cidade
A mesma polícia que te escorraça não quer criminalidade
Tu que te formaste mas isso não basta no currículo
Mais importante que habilitações é ser membro do partido
Tu que és do Centro, és do Norte e às vezes dói-te muito
Ver tua província empobrecer, será que Moçambique é só Maputo?
Tu que perdeste a tua família no Paiol de Malhazine
E não viste os culpados serem julgados pelo crime
Tu que perdeste heróis e amigos vítimas deste regime
Se não gritares comigo eles não pagam pelo crime.

Refrão:
Ladrões——foraCorruptos——foraAssassinos——fora

Gritem comigo pra essa gente ir embora

Ladrões——foraCorruptos——foraAssassinos——fora

Gritem comigo pois o povo já não chora
II
E o povo apenas pede transparência
Queremos uma auditoria nos ministérios e presidência
Um levantamento de bens e orçamento
Os zeros no vencimento
Pra combatermos a pobreza vamos combater o enriquecimento
Baixem o salário dos deputados
Directores e ministros
E essas regalias dos Mercedes e subsídios
É tanto luxo, no meio do desemprego e do lixo
Porque que num país tão pobre os dirigentes são tão ricos?
Declarem os vossos bens antes de assumirem as pastas
Ao povo o que é do povo
Não é pra construírem casas
No Triunfo e Belo Horizonte
Enquanto jovens recém-formados vêem o futuro sem horizonte
E é mesmo lá na fonte
Que esse Fórum Anti-Corrupção
Tem que apontar os corruptos
Se não encontram corrupção
Então vocês são os corruptos
Mudem o modo de governar ou então mudem o governo
É que nem o Império de Gaza foi eterno
Vamos mudar a nossa estratégia de luta
Se os ricos roubam os pobres
vamos combater a riqueza absoluta
E se há salário mínimo que haja salário máximo
Pra cada cidadão um cargo de chefia no máximo
E a Constituição da República que seja distribuída
Nas escolas, nas igrejas e divulgada pelos media
Abaixo o pacifismo, vamos andar de cabeça erguida
Nem que pra isso tenhamos que sacrificar alguma vida.








SAVANA - 09.11.2007

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